sábado, 11 de abril de 2020

Leitura Orante – Ressurreição, 12 de abril 2020

Leitura Orante – Ressurreição, 12 de abril 2020

RESSURREIÇÃO: quando os túmulos se esvaziam...

“Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (Jo 20,2)


Texto Bíblico: João 20,1-9


1 – O que diz o texto?
Em Jesus ocorre algo totalmente novo. Ele traz uma nova maneira de viver que não cabe em nossos esquemas, que não se encaixa em nossos hábitos, sempre limitado e estreito. 

O “mistério pascal” é o salto para a novidade, para a beleza, para a transcendência. Imersos na história e na natureza, a Ressurreição nos faz descobrir a verdadeira extensão da Vida.

Não encontramos o Ressuscitado no sepulcro, mas na vida. Não encontramos o Ressuscitado enfaixado e paralisado pela morte, mas livre como a brisa da vida.

A pedra que fora removida do túmulo de Jesus indicou a Maria Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche o coração do desejo de procura: “Ele vive”.

O caminho dela em direção ao túmulo é símbolo da coragem de atravessar o escuro da madrugada para ver resplandecer uma nova aurora em sua vida, pela força criadora da única Presença que tudo sustenta tudo recria e enche de amor. A presença do Cristo Ressuscitado.

Na madrugada da Páscoa, Maria Madalena vai ao sepulcro; ela é símbolo daquela comunidade que se movia entre a luz e a obscuridade. Ainda vive focada no sepulcro (morte); por isso, “ainda estava escuro”. Mas, ao mesmo tempo, começava a clarear (“ao amanhecer”) e a “pedra estava removida” (a pedra da dúvida, da tristeza e da resignação fatalista). Tudo parece anunciar algo definitivamente novo: é “o primeiro dia da semana”; trata-se, nada menos, que de uma nova Criação.

Segundo os evangelistas, as mulheres são as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo, pois Ele aparece primeiramente a elas. Segundo Tomás de Aquino o motivo desta precedência é porque elas estavam mais bem preparadas que os homens para entender e acolher a maravilha da Vida. 

E estavam mais bem preparadas porque O tinham amado mais.


2 – O que o texto diz para mim?
Na ressurreição, a vida emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente. Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração..., porque a vida é sempre sagrada. Diante dela fico extasiada, boquiaberta, escancarado os olhos e afiados os ouvidos. Ela me atrai por sua força interna. 

Portador de uma vida inesgotável, revelada na madrugada pascal, o ser humano vive para mergulhar em algo diferente, novo e melhor. A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e iluminada em plenitude. Amar é romper a casca para que a vida se expanda na doação. A morte do falso “eu” é a condição para que a vida se liberte.

Vida plena prometida por Jesus: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância” (Jo. 10,10).

“Viver como ressuscitado” implica esvaziar-se do “ego”, para deixar transparecer o que há de divino. 

Quem se experimenta a si mesmo como “Vida” é já uma pessoa “ressuscitada” e isso faz a grande diferença, pois tem um impacto no seu modo de ser e de viver.

Marcadas pela ressurreição, as pessoas captam muitos detalhes que antes não haviam percebido, vivem intensamente, amam com mais paixão, prestam atenção a muitas coisas que antes lhes passavam desapercebidas. Tem um comportamento diferente para com os outros; há, nestas pessoas, mais ternura, são mais sensíveis à dor e à injustiça. Ao saborear o presente da vida, vivem como se fossem ressuscitadas.  Creem que, amando mais a vida, se afastarão mais da morte e resistirão às hostilidades do mundo presente.

E, no entanto, continuam vivendo na mesma casa, no mesmo trabalho, fazendo as mesmas coisas... , mas seu olhar audacioso desperto as consciências, sacode as velhas estruturas, derruba os muros da exclusão.

A Ressurreição não só “dá o que pensar”, mas, sobretudo, “dá o que fazer”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O encontro com o Ressuscitado é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando me disponho a caminhar com Ele, sob a ação do Espírito, realiza-se em mim um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de mim mesma...; tomo consciência de uma dimensão profunda de meu interior, que me permite experimentar outra vida, que supera tudo o que vivo até então.

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de minha vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de minha existência. Ela torna-se “eterna” desde já.

A experiência da Ressurreição me revela que a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, posso chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Preciso adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em mim, do mesmo modo que, prestando atenção, percebo as batidas de meu coração.

A experiência do Ressuscitado me faz ter um “caso de amor com a vida”.

Pois a vida autêntica é a vida movida, iluminada, impulsionada pelo amor. 

Nem sempre sei viver: conformo-me  com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando acolho a presença do Ressuscitado, minha vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de mim mesma; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...

Com sua presença compassiva, o Ressuscitado desperta minha vida, arrancando-a de seus limites estreitos e constituindo-a como vida expansiva em direção a novos horizontes.

O Ressuscitado me precede, me sustenta e, na liberdade de seu amor, me impele a ampliar minha vida a serviço. Toda peregrinação, em clima de admiração e assombro, se revela rica em descobertas e surpresas, e desperta o coração para dimensões maiores que a rotina de cada dia. 

Nesse sentido, a vida tem a dimensão do milagre e até na morte anuncia o início de algo novo; ela carrega no seu interior o destino da ressurreição.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor essa nova Vida é capacidade de amar como Jesus amou; é “passar pela vida fazendo o bem”. Sou um ser ressuscitado se vivo os mesmos critérios e valores de Jesus, engajados em seu mesmo projeto.

A “vivência pascal” leva a querer algo mais. É “antecipação criadora”; ela tem “rosto novo”.

É o futuro que ainda pode ser convertido em “história nova”; é vida vivida com encantamento.

A “pedra pesada” da minha impotência diante da dor, do fracasso e da morte, foi tirada pelo Mestre, que, me chama pelo “nome” e me desafia a viver como ressuscitado. 

Minha vida é uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Rompido o túmulo, removida a pedra, resta caminhar... 

Deixar-me  iluminar, levar a Luz da Ressurreição nas minhas pobres e frágeis mãos, iluminando os recantos do meu cotidiano.

Pois vida é um contínuo despedir-se e partir; é inútil permanecer junto ao túmulo. Porque o ausente “aqui” está presente na “Galiléia”. E a Galiléia é o lugar do compromisso com a vida, a justiça e a paz.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Para viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar uma atenção especial ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um. Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.

- É tempo de esvaziar sepulcros; é tempo de remover as pedras da entrada do coração que impedem a entrada da luz, da vida, do canto... O que me impede afastá-las?

- Fazer  memória das experiências de ressurreição: nos encontros, na missão, sentimentos oceânicos de consolação, clareza diante do sentido da vida, amar e sentir-se amada, a vivência da bondade e do bem...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 20,1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Aleluia – fx 13
Autor: G.F. Handel D.P. 
Intérprete: Instrumental
CD: Aleluia
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 04:03



Nenhum comentário:

Postar um comentário