quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Leitura Orante – 1º DOMINGO DO ADVENTO, 01 de dezembro de 2019


Leitura Orante – 1º DOMINGO DO ADVENTO, 01 de dezembro de 2019

ADVENTO: “O Senhor vem!... na sua direção...”

“Como aconteceu nos dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.” (Mt 24,37)


Texto Bíblico: Mateus 24,37-44  


1 – O que diz o texto?
Começamos um novo ano litúrgico. É um tempo especial que a Igreja nos oferece como escola de oração e oficina de discipulado: ela nos convida à contemplação e invocação dos mistérios de Jesus “hoje” e à aprendizagem do autêntico discipulado neste nosso tempo.

O Ano Litúrgico nos diz que o tempo não é movimento circular, repetição do mesmo (chrónos), mas renovação permanente, acontecimento surpreendente (kairós). Acolhamos este novo ano litúrgico como tempo de graça e salvação.

No Advento, somos movidos a “sentir o tempo” de um modo novo, a fazer-nos amigo dele, a nomear e acompanhar o tempo que nos cabe viver, a habitar com intensidade as diferentes etapas de nossa vida. Cada momento esconde sua pérola, e é muito excitante quando chegamos a descobri-la.

Falar do “tempo” não é tão simples e óbvio; é frequente encontrar-nos numa situação na qual vivemos o tempo como um túnel, contínuo, repetitivo...

Trata-se de um tempo que absorve, devora, desgasta, esgota...; túnel onde só há presente e sua prolongação homogênea. É cenário de uma frenética e acelerada corrida por rentabilizar ao máximo os minutos e as horas. O tempo torna-se cada vez mais veloz, fugaz, estressante... “Kronos” continua a devorar com maior intensidade o que cria. Diante disso, não há futuro auspicioso, nem esperança que sustenta...

Com isso, corremos o risco de viver em um “tempo sem tempo”! Um tempo para “ter”! Um tempo para preencher! Um tempo de excesso de informação circulante e de atividades insensatas (sem sentido)! Um tempo sem eternidade.

Um tempo assim só é habitado pelo “ego”; não há lugar para o outro, muito menos para o Outro.

Podemos dizer que um tempo assim cheira a mofo, não está arejado...; é monstro que nos devora.

Trata-se de um “tempo sem advento”: não vem ninguém, não esperamos ninguém...

Também Deus não consegue entrar em nossos “tempos apertados”.

Marcados pelo “tempo vazio” a ser preenchido a todo custo, acabamos por perder a consciência da riqueza do “tempo do Advento”. Tempo forte carregado de sentido, que nos humaniza e nos faz caminhar em direção Àquele que vem vindo... ao nosso encontro. Tempo que nos faz ter acesso àquilo que é mais humano em nós: o sentido da esperança, a travessia, o encontro com o novo...; tempo que nos arranca de nossas rotinas e modos fechados de viver.


2 – O que o texto diz para mim?
Advento,  me  revela a presença da eternidade no coração do tempo. O Eterno irrompe na história, iluminando a dura rotina e a sequencia do cotidiano. E, no meu interior, o Eterno tem seu templo.

Quando o Advento aponta para a eternidade, bem que eu poderia olhar para dentro de mim mesma. Aí, no meu interior, há tanto de eterno. A eternidade dialoga comigo, fala por dentro.

Passo a viver, então, o tempo da espera e da esperança, das buscas e dos silêncios... 

Sem a eternidade do coração que pulsa em mim, que me unifica e plenifica, a vida se empobrece.

Por outro lado, o Advento me desperta para “olhar” ao meu redor e descobrir que Deus continua vindo. Sempre e por caminhos surpreendentes. Advento me convida a “contaminar-me” da realidade; e isso me humaniza. Toda a minha vida torna-se Advento.

Deus está no coração do tempo. Deus está ali como força explosiva que dá à minha vida nova dimensão e à minha existência, infinito valor. De agora em diante, cada um de meus momentos está cheio de Sua presença, pois a eternidade está no coração do tempo. Deus transforma o “kronos” em “Kairós”.

A invasão da eternidade no tempo confere a este mesmo tempo uma plenitude de ser, um peso de realidade e existência, uma densidade de sentido que ele é incapaz de ter por si só. De agora em diante, nada em minha vida é insignificante, nem rotineiro. A ação mais simples é transfigurada e assume uma dimensão eterna e divina. Nada é banal, nada é comum para alguém cuja vida mergulha no eterno.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Viver o tempo intensamente vivificá-lo, cuidá-lo e artisticamente orientá-lo para aquilo que desejo. Este “tempo presente” é oportuno, precioso e não volta mais. Vivê-lo para além dele, na espera do que deve vir carregá-lo de intenção e de presença.

Mais uma vez, é preciso parar e descer a esse nível do tempo para ir descobrindo uma Presença que completa meu ser, que plenifica minha existência, que responde à minha interrogação existencial...; está aí, vindo em direção à minha vida, mais uma vez e de maneira surpreendente, como sempre esteve.

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Apc 3,20).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o texto de Mateus me oferece uma perspectiva mais ampla e atual.

Deus está vindo a todo instante, mas só quem está verdadeiramente desperto entrará em sintonia com essa presença e deixar-se-á inspirar por ela. Se eu não descobrir essa presença, minha vida poderá transcorrer sem tomar consciência da maior riqueza que está ao meu alcance. Deus não tem que vir em nenhum momento especial, nem vem de parte alguma, porque é a base e fundamento de meu ser; e se Ele se separasse de mim um só instante, meu ser voltaria ao nada. O que chamo Deus está em mim como fundamento, mesmo que não descubro sua presença. Mas, como ser humano, minha mais alta possibilidade de plenitude consiste precisamente em descobrir e viver conscientemente essa realidade. Deus está presente em tudo, habita em todos os seres, mas só o ser humano pode ser consciente dessa presença.

É preciso recuperar a força do “hoje” de Deus para comigo, reconhecer o “tempo” de sua Vinda, em tempos de deslocamentos. Vislumbrar “algo” no horizonte e perceber seus passos enquanto chega; e a história é o rumor desses passos. Caminho para Ele quanto mais me adentro no profundo de mim mesma e da realidade. 

Contemplando o “hoje” de Deus, o coração se alarga até o assombro, os braços se abrem para a acolhida, os pés se movem para o encontro, os olhos se aquecem para o reconhecimento.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
É preciso despertar e abrir bem os olhos. 

Viver vigilante para olhar mais além de meus pequenos interesses e preocupações. O Evangelho me convida a estar vigilante. Estar desperto é a condição mínima para ativar minha humanidade. 

- O que eu estou vislumbrando no meu horizonte pessoal, social, espiritual, profissional, relacional...?

- Deus entra em minha agenda, em meu tempo? Quê sinais de sua presença eu percebo no ritmo cotidiano de minha vida?


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mateus 24,37-44  
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Prólogo da luz
Autor: Antônio Cardoso
Intérprete: Antônio Cardoso
CD: CD1 de Natal - Paulinas
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 03:16






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