terça-feira, 16 de junho de 2020

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, 19 de Junho de 2020

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, 19 de Junho de 2020

CORAÇÃO DIVINO QUE NOS HUMANIZA

“...aprendei de mim, que sou tolerante e humilde de coração” (Mt 11,29)


Texto Bíblico: Mateus 11,25-30


1 – O que diz o texto?
Uma das devoções que tiveram (e continua tendo) mais êxito ao longo da história da Igreja é a do Sagrado Coração de Jesus. As “paredes” do universo estão cheias do eco que as palavras da famosa jaculatória deixaram – “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em vós”. São incontáveis as vezes que foram pronunciadas, e imensuráveis a fé de que foi portadora.

Graças ao Coração de Jesus, entronizado em milhares de casas e colocado na porta de milhões de lares, se manteve firme a experiência de prolongar a humanidade de Jesus em nossas relações cotidianas, a vinculação do Evangelho com a vida concreta, a vivência do amor, uma maneira original e inspiradora de se situar no mundo (trabalhos, atividades, compromissos...), a sintonia com a Presença Providente de Deus...

Para muitos de nossos contemporâneos, causam certa resistência às representações que mostram Jesus com o coração transpassado e, com frequência, rodeado com uma coroa de espinhos. Se quisermos atualizar esta devoção e encontrar um sentido que responda aos anseios de muitas pessoas de hoje, é necessário deixar de concentrar nosso olhar no “coração físico” de Jesus e recuperar o sentido bíblico e amplo do coração, como centro de nossa afetividade e de nossas decisões mais íntimas. Neste sentido, o Coração de Jesus revela a misericórdia de Deus que se expressa em todas as palavras e atos do Mestre de Nazaré.

A imagem do Coração de Jesus, em sua origem, fala de amor, com maiúsculas. O Amor. Não uma imagem suave das coisas nem uma aproximação só emocional à fé, mas o Amor, que dizemos que é Deus, e que se faz visível em Jesus. Amor verdadeiro, que é uma maneira original de olhar a realidade, conhecendo-a, assumindo-a e comprometendo-se com ela. É assim que Deus nos olha. É assim que Jesus nos olha. 

Seu coração se rompeu numa cruz, mas continua pulsando já ressuscitado. E essa pulsação é hoje clamor em nossa história e nosso presente.


2 – O que o texto diz para mim?
Jesus vivia a partir de seu coração e contagiava com a força poderosa de seu amor e de sua entrega.

Por isso, a melhor devoção ao Sagrado Coração de Jesus é “entrar em Seu coração”, é sentir o amor que queimava n’Ele; é me sentir amada por Ele, é aprender que o caminho do verdadeiro seguimento não é um ato de piedade, mas uma atitude de vida no amor. É descobrir que a verdade das “Nove primeiras Sextas-feiras” não se restringe em “confessar e comungar”, mas está no aprender a amar como Ele me amou.

Estou no coração de Cristo. Estou no Amor de Deus. Fui introduzida na Sagrada Humanidade d’Aquele que, sendo Deus, humanizou-se e se fez semelhante a mim para que eu pudesse me sentir n’ Ele e me tornar um pouco mais humana.

Uma devoção ao Coração de Jesus que não me conduz a estabelecer novas relações humanas, prolongando o modo humano de ser e de viver de Jesus, torna-se uma devoção vazia, estéril, marcada por uma piedade alienante e alienada. 

Na minha cultura atual, a imagem do coração perdeu muito de sua expressão, tornando-se muito banalizado: corações nas emoções, nos desenhos, talhados em árvores, nas taças e chaveiros; corações em canções, rompidos, roubados, feridos, apaixonados, pesados, leves; corações que sentem, e outros insensíveis. O coração parece como um depósito de sentimentos.

Por outro lado, vivo um contexto de muitos “corações de pedra”, intransigentes, cheios de ressentimentos e juízos implacáveis, corações fechados em jaulas de pré-juízos e de suspeitas, que acabam envenenando as relações e rompendo os laços humanos.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A devoção ao Coração de Jesus pode me ajudar a descobrir as enormes possibilidades de meu próprio coração. O Coração divino que humaniza meu coração, tornando-o aberto e sensível a tudo o que é humano; ao mesmo tempo, ativa em um coração que faz solidário e comprometido a afastar de minhas relações tudo o que desumaniza: fechamento, intolerância, julgamento, preconceito, ódio... 

O Coração de Jesus me capacita olhar a realidade, compreender cada pessoa em sua situação e viver oblativamente, a partir da gratidão e da responsabilidade. Ao sentir o pulsar de meu coração em sintonia com o Coração de Jesus me ajuda a recuperar o “humanismo” que estou perdendo. 

Humanizar meu coração para humanizar as relações.

No sentido bíblico, “coração” é uma palavra primordial; ela me remete ao mais profundo e vital de minha essência e existência. O coração designava o complexo mundo interior do ser humano.

O coração profundo é o centro de meu ser, o meu cerne mais íntimo, o coração do coração, que não consiste no sentimento, mas no lugar do encontro com Deus. A antropologia bíblica considera o coração como o interior do ser humano, num sentido muito mais lato que o das línguas latinas, no qual o coração evoca a vida afetiva. Trata-se do centro existencial que permite à pessoa orientar-se como um todo e plenamente em direção a Deus e ao bem.

Recordações, pensamentos, projetos e decisões são alguns dos componentes essenciais desse órgão vital por excelência. O que acontece no coração tem caráter decisivo. “O mistério interior do ser humano, tanto na linguagem bíblica como no não bíblico, se expressa com a palavra coração” (Xavier León-Dufour).

O despertar da identidade única de cada pessoa se dá no santuário de seu interior, que é o coração. Nele está estampada a imagem e semelhança divinas, pois no coração está gravada a imagem divina oculta. São Serafim de Sarov o denomina “o altar de Deus”.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, “o sentido de minha vida não é outro que a busca deste lugar do coração” (Olivier Clément). Ou seja, no centro de mim mesma, unificando meu ser, está o coração, o “cofre” onde se guarda - oculta o que é mais nobre e rico em mim. Por isso Jesus dava tanta importância ao coração: “a boca fala daquilo que está cheio o coração” (Lc 6,45); “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).

O coração é uma dessas palavras nas quais toda a multiplicidade se torna uno.

É ele que possibilita a pessoa chegar à unificação de todo o seu ser, integrando a corporalidade, a afetividade, a sensibilidade, a razão..., para além da bela expressão de Pascal: “O coração tem razões que a razão não conhece”. O fato é que há “olhos no coração” que permitem compreender o que nem os olhos do corpo, nem a razão são capazes de perceber: “Rogo a Deus que ilumine os olhos dos vossos corações, para que conheça qual é a esperança à qual fostes chamados” (Ef 1,18).

Enfim, o coração do ser humano é a própria fonte de sua personalidade consciente, inteligente e livre. É o lugar de suas escolhas decisivas, fonte das bem-aventuranças, santuário da ação misteriosa de Deus e do encontro com Ele. Por isso, chegar ao lugar do coração é dom de Deus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Talvez o resumo mais belo do que gera a oração do coração seja o que disse São João Crisóstomo: “O coração absorve o Senhor, e o Senhor absorve o coração, e os dois se fazem uno”.

A intimidade não é fechar-se em si mesmo, mas abertura máxima. A partir do centro do coração, o orante se abre ao coração da realidade.

- Deixar “transparecer” meu coração na vivência cotidiana...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mateus 11,25-30
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Sagrado Coração de Jesus
Autor: Jonny
Intérprete: Jonny
CD: Um toque de fé
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 03:04



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