terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Leitura Orante – 5º Domingo TC, 09 de Fevereiro 2020


Leitura Orante – 5º Domingo TC, 09 de Fevereiro 2020

ILUMINA TEU ANDAR COM A LUZ QUE HÁ EM TI MESMO

“Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14)


Texto Bíblico: Mateus 5,13-16


1 – O que diz o texto?
O evangelho deste domingo é continuação das bem-aventuranças; estamos no início do primeiro discurso de Jesus, conhecido como “Sermão da Montanha”. É, portanto, um texto ao qual Mateus quer dar suma importância. As duas imagens, luz e sal, tem forte impacto na vida do seguidor e seguidora de Jesus, pois sua presença no mundo deveria fazer a diferença: iluminar e dar sabor. 

A mensagem de hoje é muito simples e de grande valor; efetivamente, todo aquele ou aquela que alcançou a iluminação, ilumina. Se uma vela está acesa, necessariamente tem de iluminar. Se colocamos sal no alimento, este necessariamente ficará temperado. O encontro com Aquele que é a Luz ativa a luz, talvez atrofiada, em nosso interior.

Quanto mais luz emergir de dentro, mais brilhante será o mundo em que vivemos.

Sabemos que a luz, por si mesma, é contagiosa e expansiva; em oposição às trevas, a luz exalta o que belo e bom, na realidade e nas pessoas. Pelo fato de ser benfazeja e criadora, ela nos permite dizer com o poeta Thiago de Mello, no meio de impasses, ameaças e conflitos que pesam sobre nossa vida: “Faz escuro, mas eu canto”.

Mas, o quê quer dizer quando aplicamos a uma pessoa humana o conceito de iluminada? 

Todos os grandes líderes espirituais falam de iluminação. Não é fácil entender o que isso significa. Na realidade, só pode compreender isso quem faz a experiência de estar iluminado.

Quando as tradições religiosas falam de iluminação, elas se referem a uma pessoa que despertou, ou seja, que ativou todas as suas possibilidades de ser humano. Estamos, então, falando de uma pessoa plenamente humana: aquela que vive uma interioridade iluminada.

Isto é precisamente o que está nos dizendo o evangelho de hoje. Dá por suposto que o caminho do seguimento de Jesus é um “caminho de humanização”, é uma experiência de iluminação; os discípulos, na convivência com o Iluminado, são despertados, mobilizam seus recursos iluminantes e tornam-se também iluminados; como consequência, são capazes de expandir suas luzes e mobilizar a luz escondida nos outros. É inútil tentar iluminar os outros, estando apagados, adormecidos, paralisados em sua obscura vida.


2 – O que o texto diz para mim?
Devo ter cuidado de iluminar, não deslumbrar. Como é sedutor estar no candeeiro! Há muitos que anseiam estar no candeeiro, mas não tem luz. Não se trata de “subir” ao candeeiro, mas possibilitar que a luz interior ilumine a partir dele.

O candeeiro não é para que os outros me vejam; é para que a luz de minha vida  ilumine melhor. O candeeiro não é para que eu esteja mais alto, e sim, para que a luz interior se espalhe mais e desperte a “faísca de luz”, presente no coração dos outros. “Estar no candeeiro” significa estar a serviço do outro, pensando no bem dele e não em minha vaidade; devo oferecer o que o outro espera e necessita, não o que eu quero lhe oferecer. 

Muitas vezes, eu cristã sou mais afeiçoada a deslumbrar que a iluminar; tenho a tendência a ser presença iluminante desde que com isso se potencie meu “ego”. Porque o ego necessita fazer-se notar e brilhar; não está disposto a consumir-se nem a passar desapercebido.

Cego as pessoas com imposições excessivas e torna inútil a mensagem de Jesus para iluminar a vida real de cada dia. Quando tiro alguém de sua obscuridade, devo dosar a luz para não causar dano a seus olhos.

O sal é um dos minerais mais simples (cloreto de sódio), mas também é um dos mais imprescindíveis para minha alimentação. Mas tem muitas outras virtudes que podem me ajudar a entender o relato deste domingo. No tempo de Jesus, eram usados blocos de sal para revestir por dentro os fornos de pão. Com isso, conseguia-se conservar o calor para o cozimento do pão. Este sal, com o tempo, perdia sua capacidade térmica e devia ser substituído. Os restos das placas retiradas eram utilizados para compactar a terra dos caminhos.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Agora posso compreender a frase do evangelho: “se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens”.

O sal não se torna insosso; o sal dos fornos sim pode perder a qualidade de conservar o calor. 

A expressão latina “evanuerit” significa desvirtuar-se, desvanecer-se. A tradução melhor seria assim: se o sal perde sua qualidade, como poderá recuperar-se. Esse sal “queimado” só serve para ser jogado nos caminhos e ser pisado pelas pessoas.

Há um aspecto no qual sal e luz coincidem: não tem utilidade por si mesma. Se o sal permanece isolado em um recipiente, não serve para nada; só quando entra em contato e se dissolve nos alimentos pode dar sabor ao que como; para salgar, o sal precisa desfazer-se, deixar de ser o que era. 

Segundo os entendidos na arte culinária, não é o sal de “dá sabor”; ele realça o sabor de cada alimento. O humilde sal é feito para os outros, para que os outros sejam eles mesmos.

O mesmo acontece com a luz; se ela permanece fechada e oculta, não pode iluminar ninguém. Só quando está em meio às trevas pode iluminar e orientar. A luz não é para ser vista, caso contrário, cega. A lâmpada ou a vela produz luz, mas o azeite ou a cera se consomem. Imagens que revelam que minha existência só terá sentido na medida em que me consumo em benefício dos outros. Uma comunidade cristã isolada do mundo não pode ser sal e nem luz.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, ser sal e luz do mundo me move a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações…; escutar outros relatos que trazem muita luz para a minha própria vida. Olhar a partir de um horizonte mais amplo, ajuda a relativizar meus próprios absolutos e deixar-me impactar pelos valores presentes no outro. Escutar de tal maneira que o que ouço penetra na minha própria vida; isso significa implicar-me afetivamente, relacionar-me com pessoas, não com etiquetas. Acolher na minha própria vida outras vidas; abrir espaços para que as histórias dos excluídos e diferentes encontrem morada nas minhas entranhas, na minha memória e no meu coração.

Ser sal e luz é dizer sim à vida. Experimento isso quando eu me mergulho na vida, quando cresço nela, buscando, saboreando até o final o que ela me oferece em cada circunstância. 

Nunca alheia à vida, nada desprezando, nada lamentando. 

Ser sal e luz não é um programa. É uma experiência de vida, um modo de estar no mundo a partir da confiança numa promessa. Enraizada na pessoa e promessa de Jesus, o chamado a ser sal e luz me propõe um estilo próprio de vida aberto e expansivo: uma maneira alegre, pacífica, compassiva, responsável e generosa de se fazer presente neste mundo onde são centrais o cuidado de todo o vivente e o trabalho em favor da justiça. 

O apelo de Jesus me move a transformar o que, com frequência, é terra insípida ou deserto inóspito em um mundo mais humano, com sabor de lar humanizador.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
“Deus é Luz, e n’Ele não há treva alguma” (1Jo 1,5).

É preciso buscar esta faísca de luz dentro de mim, no meu eu mais profundo. Talvez por isso um dia alguém escreveu: no ser humano há mais coisas dignas de admiração que de desprezo.

Minha relação com os outros: deixar transparecer a luz da compaixão, da acolhida ao diferente, do cuidado...

Descobrir o sabor que minha presença revela na realidade onde eu vivo. Fazer a diferença. Inspirar...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mateus 5,13-16
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Está faltando uma luz
Autor: Pe Zezinho, scj
Intérpretes: Pe Zezinho, scj
Coro: Dalva Tenório, Maria Diniz, Sueli Gondim, Ricardo Moreno, Paulinho Campos, Rubinho Ribeiro, Beto, Betinho, Sonia Mara, Marluce
CD: Canções para o sol maior
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 04:02


Nenhum comentário:

Postar um comentário