terça-feira, 10 de setembro de 2019

Leitura Orante – 24º DOMINGO TEMPO COMUM, 15 de SETEMBRO de 2019




Leitura Orante – 24º DOMINGO TEMPO COMUM, 15 de SETEMBRO de 2019

O QUE ESTÁ PERDIDO EM MEU INTERIOR?

“Encontrei a minha ovelha que estava perdida”; “encontrei a moeda que tinha perdido”; “este teu irmão estava perdido, e foi encontrado” 


Texto Bíblico: Lucas 15


1 – O que diz o texto?
As três parábolas deste domingo, relatadas por Lucas, condensam toda a história de nossa salvação. 

Elas contêm a quinta-essência do Evangelho do Reino do Pai, proclamado por Jesus, ou seja, a história do amor de Deus para com a humanidade.

Justamente por ser o Evangelho condensado, as parábolas contadas por Jesus devem ser incessantemente escutadas e contempladas por todos nós. E, depois de contempladas e experimentadas, devemos contá-las, proclamá-las e testemunhá-las, sempre de novo, a todos os homens e mulheres que Deus ama.

Elas são as parábolas da nossa vida, da nossa história, de cada um dos nossos caminhos.

Elas são as parábolas da nossa origem e do nosso destino.

As três parábolas da misericórdia são, na verdade, as “parábolas dos perdidos”.

O que Jesus quis proclamar, ao contá-las, foi revelar a nova imagem do Deus Pai - Mãe que, movido pelo seu amor, misericórdia, perdão, sai ao encontro dos que estão “perdidos”.

As três parábolas expressam, com uma força insuperável, dois temas particularmente caros a Lucas e vinculados entre si: o tema da misericórdia e do perdão oferecidos por Deus aos pecadores, a todos os “perdidos”, e o tema da alegria do mesmo Deus quando os perdidos são encontrados.

A trama das três parábolas é a expressão de que vivemos permanentemente banhados pela misericórdia reconstrutora de Deus, e que se expressa no perdão contínuo. Jesus, nestas parábolas, nos revela que Deus vai aonde nunca antes ninguém se atrevera ir, acompanhando-nos com sua presença, aproximando-se de nós e nos convidando à festa do seu perdão, com uma misericórdia sem fim.

As três parábolas também revelam o caráter de defesa, feita pelo próprio Jesus, do seu modo de vida, do seu comportamento, particularmente do seu relacionamento com os extraviados e excluídos. O Evangelho que Jesus proclama com palavras e ações é a Boa Nova da salvação para os perdidos; e é, ao mesmo tempo, apelo à conversão dirigido aos que se consideravam “justos”, mas se fechavam ao amor e ao perdão.

O que escandalizava os destinatários das três parábolas, que se consideravam justos e cumpridores exemplares da lei de Deus, não era propriamente a conduta dos pecadores, mas a conduta do próprio Jesus com relação a eles: permitia que os pecadores se aproximassem dele, recebia-os de coração aberto, tomava a iniciativa de ir ao encontro deles e sentava-se com eles à mesma mesa.


2 – O que o texto diz para mim?
O comportamento de Jesus é uma “parábola viva” do comportamento de Deus com os pecadores.

Os escribas e fariseus não podiam suportar que Jesus proclamasse o Deus que acolhe e perdoa incondicionalmente a todos, que tem um carinho especial e um amor de predileção pelos perdidos; um Deus que sai ao encontro dos perdidos e que transborda de alegria quando os encontra.

Esse Deus “novo” anunciado por Jesus era um Deus “desconcertante”, “escandaloso”, totalmente incompatível com o “deus legalista” dos escribas e fariseus. Por isso, a pregação e o comportamento de Jesus eram intoleráveis para eles.

As três parábolas me revelam os sentimentos e as ações do “Abba de Jesus” com relação aos filhos perdidos. Revelam-me um Deus cheio de ternura e de misericórdia que vai ao encontro dos perdidos, libertando-os da exclusão e do isolamento; um Deus que exulta de alegria quando os reencontra e que convida a todos para a festa da comunhão e da alegria pelo seu retorno.

As três parábolas de Lucas me permitem também fazer uma leitura em “chave de interioridade”, ou seja, “o quê está perdido, rejeitado, escondido... dentro de mim”? 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Os entendidos em restauração de obras de arte sabem que não se trata de voltar a pintar de novo a obra em questão. Nem sequer refazê-la, com outras cores, o que parece que está perdido. Um bom restaurador procura limpar com delicadeza e paciência cada detalhe do quadro, com a única pretensão de trazer de novo à luz o mais original da obra. Isto é o que Deus faz em mim, através de sua misericórdia. Me limpa com delicadeza em cada esquina e dobra de meu coração. A misericórdia de Deus atua para que venha à luz o mais original que há em mim. Sou filha de um Deus que é toda bondade e amor. Sou obra de arte restaurada pelo amor ativo de Deus.

Viver a experiência da misericórdia é deixar-me reconstruir por um amor que me oferece a possibilidade de sentir novamente como filha de Deus.

Preciso, como Deus, tomar iniciativa, aprender a me aproximar daquilo que está perdido e desgarrado em mim, sem julgamentos e sem moralismos. Aproximar-me, acolher, abraçar, colocar nos ombros, tudo o que foi rejeitado e excluído, para pacificar minha interioridade. 

Tudo aquilo que considero “perdido” (fragilidades, feridas, traumas, fracassos, crises...) tem algo a me revelar. Nada pode ser rejeitado, tudo deve ser acolhido, pois tudo compõe a minha história de vida. Preciso fazer as pazes com o que foi reprimido e afastado e que continua gerando um mal-estar interior. 

O diálogo com as ovelhas desgarradas, as moedas perdidas e o filho pródigo, significa dirigir a atenção para as áreas reprimidas de minha condição humana e que foram excluídas porque centrar forças em alimentar minhas imagens aureoladas e ideais exagerados, dominados pelo desejo de ser perfeita e infalível (fariseu e mestre da lei). 

Acolher e integrar tudo o que é humano (também o que está afastado dentro de mim) é a condição para a verdadeira experiência de Deus.

O encontro com o que está perdido em meu interior é oportunidade para me lançar por inteira nos braços misericordiosos de Deus. Pois Ele vem ao meu encontro em minhas carências e fraquezas; Ele me procura através de meus fracassos, de minhas feridas, de minhas limitações... Deus serve-se do que está perdido em mim para abraçar-me carinhosamente.

Portanto, o caminho para a integração e alegria interior passa pelo encontro e acolhida de tudo aquilo que foi rejeitado, reprimido e excluído dentro de mim, consumindo muita energia. 

A espiritualidade das parábolas de Lucas me mostra que é exatamente em minhas feridas onde Deus encontra mais facilidade para entrar em minha vida e reconstruir minha identidade verdadeira: filha amada com um “amor em excesso”.

“Lá onde nós fomos feridos, onde nos quebramos, aí nós também nos abrimos para Deus” (H. Nouwen)


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor o que é que Deus deseja me revelar por meio daquilo que está “perdido” em mim? Procurar e buscar o que está “perdido” em minha casa interior significam “buscar e encontrar a Deus” exatamente em minhas paixões, em meus traumas, em minhas feridas, em meus instintos, em minha impotência e fragilidade... 

Viver uma nova espiritualidade significa, então, não buscar “ideais de perfeição”, mas dialogar com a “vida perdida” e que deseja retornar ao lar, espaço do amor misericordioso.

A partir da experiência da misericórdia posso reunir em meu redil, em minha casa, tudo o que se afastou e se perdeu. Daqui poderá brotar nova possibilidade de vida, mais leve e mais humana.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Qual é a ovelha desgarrada do meu interior que é preciso ir atrás dela, acolhê-la e integrá-la ao redil? 

Qual é a moeda que ali se perdeu?

Apresentar a Deus minhas ovelhas e moedas perdidas, para que, na luz da sua misericórdia, tudo adquira novo brilho e nova vida.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 15
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Eterna é a sua misericórdia  (salmo 136) – fx 06
Autor: Frei Luiz Turra
Intérpretes: Edicleia Tonete, Ana Paula Ramalho e Jonas Rodriques
CD: Felizes os misericordiosos
Gravadora: Paulinas Comep



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