quinta-feira, 13 de junho de 2019

Leitura Orante – TRINDADE – 16 de JUNHO de 2019


Leitura Orante – TRINDADE – 16 de JUNHO de 2019

A Trindade marca encontro com a humanidade

“Quando vier o Espírito da Verdade, este vos conduzirá em toda verdade” (Jo 16,13)


Texto Bíblico: João 16,12-15   


1 – O que diz o texto?
Uma das expressões mais constantes nos discursos e na prática do Papa Francisco é o apelo a viver a “cultura do encontro”, inspirado na comunhão intra-trinitária: “Vivei a mística do encontro: a capacidade de ouvir atentamente as outras pessoas; a capacidade de procurar junto o caminho, o método, deixando-vos iluminar pelo relacionamento de amor que se verifica entre as três Pessoas divinas e tomando-o como modelo de toda a relação interpessoal”.

Na contemplação da Encarnação dos Exercícios Espirituais, Santo Inácio nos convida a imaginar a Trindade que, com seu olhar compassivo, acolhe “a grande extensão e a curvatura do mundo” com um abraço apertado e decidido, de tal maneira que nada do que é do mundo é deixado para trás, evitado ou negado. 

O que aconteceu no mistério da Encarnação é algo surpreendente e cheio de novidade.

A decisão da “humanização” de Jesus brota das entranhas do Deus Comunidade de amor: “ver e considerar as Três Pessoas divinas...”. Ao se revelar Manancial e Fonte de nossa humanidade, não é mais possível crer que o Deus Uno e Trino seja nosso rival, mas amigo; não é possível mais aceitar que Ele seja insensível, mas providente; que seja nossa ameaça, mas alívio; que seja nossa diminuição, mas plenitude; Ele não é o “juiz distante” mas o “Deus encontro”, fonte de nossa liberdade...

Inspirados na linguagem da “Contemplação da Encarnação”, contemplamos, com o olhar da Trindade, nosso mundo fragmentado, vendo as diversidades em conflito que geram o sofrimento, a exclusão, a morte e os infernos... E esses espaços e fronteiras são cada vez mais extensos e problemáticos; mas, nas profundezas de todos esses “mundos que nos são estranhos” se revela a presença do Filho de Deus “novamente encarnado” (EE. 109). Pois tudo foi alcançado e redimido pelo amor encarnado de Deus.

O mistério da Trindade Amorosa nos conduz à contemplação da realidade na qual vivemos e nos inspira  a uma proximidade e um conhecimento mais profundo do “mundo” para o qual somos enviados. 

O mais importante nesta festa que estamos celebrando, seria purificar nossa ideia do Deus-Comunhão-de-Pessoas e ajustá-la cada vez mais à realidade que d’Ele Jesus nos quis transmitir.

Jesus nos ensinou que, para fazer uma verdadeira experiência de Deus, o ser humano precisa aprender a olhar dentro de si mesmo (Espírito), olhar os outros (Filho) e olhar o transcendente (Pai).

Jesus não pregou a Trindade, mas abriu o caminho que conduz ao Pai e nos legou seu Espírito.

Na realidade, a experiência dos primeiros cristãos é que a Trindade podia ser, ao mesmo tempo e sem contradição: Deus que é origem, princípio, fonte de tudo (Pai); Deus que se faz um de nós (Filho); Deus que se identifica com cada um de nós (Espírito). Estão nos falando da Trindade que não se fecha em si mesma, mas pura relação que transborda e se visibiliza na criação inteira, fazendo de cada ser humano sua morada. Deus é sempre Trindade, comunhão de Três Pessoas divinas, pelas quais circula toda a torrente de Vida Eterna.

Também S. Agostinho assim sintetizou esse mistério trinitário: “Aqui temos três coisas: o Amante, o Amado e o Amor”; um Pai Amante, um Filho amado e o vínculo que mantém unidos os dois, o Espírito de Amor. 

Sendo presença visível desta Comunidade de Amor, Jesus quer que entremos nesse mesmo fluxo do Amor, expansivo e vital.


2 – O que o texto diz para mim?
A festa do Deus-Trindade, do Deus dos encontros, é especialmente significativo para a o contexto atual, carregado de desencontros, de rupturas e profundas divisões; para quem crê na Trindade, os vínculos, a comunicação e a partilha são especialmente significativos; quem se deixa habitar pela Trindade, acolhe a diversidade e a reciprocidade como nutriente de sua maneira de estar e de viver no mundo; entrar no fluxo de vida da Trindade significa comprometer-se com a vida e não com a cultura de morte; trabalhar com a Trindade implica viver em rede humanizadora, valorizando a solidariedade, a colaboração e a interdependência. Todos esses valores, com suas luzes e sombras, são uma boa porta de entrada para se iniciar no conhecimento do mistério do Deus-Trindade anunciado por Jesus.

O Deus comunhão, que se revelou em Jesus, fundamenta e ilumina a dignidade e liberdade do ser humano, e o capacita a viver relações e interações transformadoras na vida social e na igreja. O Deus dos encontros suscita práticas de diálogo e de reciprocidade no amor, na acolhida e na potenciação da diversidade como riqueza.

Na contemplação do Pai, do Filho e do Espírito, aprende-se a amar, a relacionar-se, a sentir-se família com todos. Como Pai bom que, no regresso do filho, o abraça com ternura, o cobre de beijos e lhe oferece o perdão gratuitamente. Como o Filho que se inclina para lavar e beijar os pés de cada ser humano, e se entrega como serviço. Como o Espírito que incita e sustenta com seu amor o ser humano, que é vínculo de união, criação e dinamismo, liberdade, fonte do maior consolo, luz na obscuridade, bálsamo para as feridas, criatividade e audácia na missão.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A contemplação do mistério do Deus Trindade ativa em mim uma “maneira trinitária de ser e de estar” no mundo; minha presença e minha missão fazem do mundo em que vivo um lugar transparente, santo e luminoso em Deus. A Trindade me expande e me lança em direção ao mundo, à humanidade, me faz mais universal e me capacita para ser “contemplativa nos encontros”.

Na espiritualidade cristã, quem experimenta o encontro com a Trindade, Fonte de vida e amor, começa a “ver” os homens e as mulheres no mundo como a Trindade mesma os vê. Precisamente por ter-se encontrado com a Trindade Comunhão, a pessoa torna-se mais “encarnada” na realidade e mais comprometida com os irmãos e irmãs no mundo, sobretudo com os mais pobres, os mais sofridos e excluídos; é aquela que mais se compromete com a justiça e é a que mais desenvolve uma criatividade eficaz na história, com obras que surpreendem.

Desde o princípio, fui criada para o encontro; sou ser comunitária: vivo com os outros, estou com os outros, sou para os outros... Sou filha do encontro e do diálogo. Realizo- me quando permaneço em comunhão com os outros. Na medida em que nos encontramos nos amamos. “Ser” significa “ser com”, ser com os outros; existir significa coexistir. Nessa coexistência busco ansiosamente e descubro a minha identidade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, fui criada “à imagem e semelhança” do Deus Trindade, comunhão de Pessoas (Pai-Filho-Espírito Santo). Quanto mais unidos somos, por causa do amor que circula entre nós, mais me pareço   com o Deus Trindade. “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu Amor em  nós é perfeito” (1Jo 4,12). Deus colocou em meu coração impulsos naturais que me levam em direção ao convívio, à cooperação, à acolhida, à solidariedade...
Neste novo tempo, a Trindade Santa me chama a uma maneira mais aberta e livre de me relacionar com todos aqueles que são os “outros”. Afinal “sou pessoa para os outros e com os outros”.

A cultura do mundo no qual agora vivo requer outro tipo de ascética: uma ascética de encontros.

Construir a cultura do encontro passa pelo esforço e aprendizado de sair de si para entrar em relação com a diversidade. Ante um mundo global, diverso, multicultural, qualquer tentativa de homogeneização e uniformidade está fadada ao fracasso. 

Descobrir que a riqueza está na diversidade é a base sobre a qual se parte para a destruição dos muros e a construção de pontes que facilitem o encontro. Isso não significa perder os próprios valores e a identidade cultural; pelo contrário, quando sou consciente de minha própria identidade é quando me torno capaz de entrar em relação com o outro que pensa, sente e ama de maneira diferente. Afinal, “só corações solidários adoram um Deus Trinitário”.
   

5 – O que a Palavra me leva a viver? 
“Trindade Santa, para descobrir tua proposta original, ensina-me a contemplar o mundo inteiro com o teu próprio olhar, respeitoso e fiel à minha realidade” (Benjamin Buelta).

Sentir olhada pela Trindade (impacto na própria interioridade, como Maria).

Olhar o mundo com o olhar da Trindade (universalidade).

Evangelizar os sentidos, muitas vezes atrofiados e limitados, para que eles sejam mediação para viver encontros verdadeiramente humanizadores.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 16,12-15   
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Deus Trindade – fx 01
Autor e Intérprete: Pe. Agnaldo José 
CD: És o meu Senhor – Pe. Agnaldo José
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 04:32





Nenhum comentário:

Postar um comentário