quinta-feira, 30 de maio de 2019

Leitura Orante – ASCENSÃO DE JESUS – 02 de JUNHO de 2019


Leitura Orante – ASCENSÃO DE JESUS – 02 de JUNHO de 2019

ASCENSÃO: 
benção que se expande sobre a humanidade

 “Jesus os conduziu para fora, até perto de Betânia 
e, tendo erguido as mãos, os  abençoou. Enquanto os abençoava, 
afastou-se deles e foi elevado ao céu” (Lc 24,50-51)


Texto Bíblico: Lucas 24,46-53


1 – O que diz o texto?
Agora que estamos chegando ao final do tempo pascal, vale a pena notar que a Páscoa, chave, centro e  ponto de partida da fé cristã, é um acontecimento de uma riqueza tal que é impossível descrevê-lo com uma só imagem. Por isso, celebramos o mistério pascal durante cinquenta dias, e logo prolongamos esta celebração cada domingo. Trata-se de um acontecimento único, embora nós, para entendê-lo melhor, o celebremos por etapas. Dito de outra maneira: Paixão, Páscoa, Ascensão e Pentecostes são a mesma realidade. Pode-se falar de quatro momentos, mas, na realidade são distintas perspectivas do mesmo Mistério. 

Quê estamos celebrando com a Ascensão? A Ascensão é mais um aspecto da cristologia pascal. 

Cristo alcançou, na Ascensão, uma situação e um estado de infinitude que lhe permite preencher tudo com sua presença definitiva, e para comunicar-nos sua presença divina. Portanto, não se trata de uma Ascensão para um lugar físico que o afastaria para longe da humanidade.

A nuvem que o “oculta”, enquanto subia ao céu, não está nos indicando sua “ausência”, mas uma forma distinta de sua presença. Daqui em diante, Jesus estará presente entre nós através de seu Espírito, cuja missão é ser memória permanente e dinâmica para que não nos esqueçamos do que Ele disse e fez. 

Precisamos recordar que, terminada a presença histórica de Jesus, vivemos o “tempo do Espírito”, tempo de criatividade e de crescimento responsável. O Espírito não nos proporciona a nós, seguidores e seguidoras de Jesus, “receitas eternas”. Mas nos dá luz e ânimo para buscar caminhos sempre novos a fim de prolongar hoje o modo original de ser e de atuar de Jesus. Assim Ele nos conduz para a verdade completa de Jesus.

Lucas, o único evangelista que fala de ascensão, termina seu relato apresentando-nos os discípulos como que pasmados, olhando para o alto e a alguns personagens vestidos de branco que lhes repreendem: “Homens da Galiléia, porque estás aí olhando ao céu?”

Como Jesus, a única maneira de alcançar a plenitude da vida não é “subir”, mas é “descer” até o mais profundo de nosso ser. Aquele que mais desceu é o que subiu mais alto.

Jesus deixou suas pegadas cravadas na terra, mas os discípulos ficaram assombrados com o olhar fixo nas alturas. Ao céu só se chega caminhando para as profundezas de nosso ser, pois só no mais profundo de cada um (céu interior), podemos encontrar o divino. 


2 – O que o texto diz para mim?
Não causa estranheza que, ao narrar a despedida de Jesus deste mundo, Lucas descreva de forma surpreendente: Jesus ergue as mãos e “abençoa” seus discípulos. É seu último gesto. Jesus volta ao Pai levantando as suas mãos e abençoando os seus seguidores. Ele entra no mistério insondável de Deus e sobre o mundo faz descer sua benção. Jesus deixa atrás de si sua benção. Os discípulos, envolvidos por sua benção, respondem ao gesto de Jesus indo ao templo cheios de alegria. E estavam ali “bendizendo” a Deus.

Saboreando com mais profundidade a narrativa da Ascensão, percebo a insistência de Lucas no tema do bendizer de Jesus: “levantando as mãos os abençoou e enquanto os abençoava se afastou deles...”.

Ao fixar a atenção no seu “bendizer” e fazendo uma tradução ao pé da letra do verbo grego “eu-logeo” (“eu”= bem; “logeo”= dizer), fico surpresa de que Jesus sobe aos céus dizendo coisas boas de seus discípulos e deixando um “informe final” sobre eles, claramente positivo.

É como se, antes de partir, Jesus tivesse relatado sua avaliação para prestar contas ao Pai e, para alívio meu, revela-se satisfatória e elogiosa: sou boa gente, com pontos da vida a serem melhorados com certeza, mas, no conjunto, estou bem. Ele leva anotadas muitas coisas boas de minha vida para contá-las ao Pai.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Vou agora contemplar o gesto das mãos de Jesus que abençoam.

Jesus sempre gostou de “abençoar”. Abençoou as crianças, os pobres, os doentes e desventurados. Seu gesto era carregado de fé e de amor. Ele desejava envolver aqueles que mais sofriam, com a compaixão, a proteção e a benção de Deus.

A partir de então, os seus seguidores e as suas seguidoras começam sua caminhada, animados por aquela benção com a qual Jesus curava os doentes, perdoava os pecadores e acariciava os pequenos.

Eu, seguidora de Jesus, sou portadora e testemunha de sua benção no mundo.

Como cristã, esqueço que sou canal da bênção de Jesus. A minha primeira tarefa é ser testemunha da Bondade de Deus. Manter viva a esperança, não me render diante de tanto “maldizer”.

Deus olha a humanidade com ternura e compaixão.

A Igreja deve ser no meio do mundo, uma fonte de benção. Num mundo onde é tão frequente “maldizer”, condenar, prejudicar e difamar, é mais necessária do que nunca a presença de seguidores e seguidoras de Jesus que saibam “abençoar”, buscar o bem, dizer bem, fazer o bem, atrair para o bem.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
A benção é uma prática enraizada em quase todas as culturas como o melhor desejo que posso despertar para com os outros. O judaísmo, o islamismo e o cristianismo lhe deram sempre grande importância. E, embora em meu dia tenha sido reduzida a um ritual quase em desuso, não são poucos os que ainda destacam seu conteúdo profundo e a necessidade de recuperá-la.

Abençoar é, antes de qualquer coisa, desejar o bem às pessoas que encontro em meu caminho. Querer o bem de maneira incondicional e sem reservas. Querer a saúde, o bem-estar, a alegria..., tudo o que pode ajudá-la a viver com dignidade. Quanto mais desejo o bem para todos, mais possível é sua manifestação.

Abençoar é aprender a viver a partir de uma atitude básica de amor à vida e às pessoas. Aquele que abençoa esvazia seu coração de outras atitudes pouco sadias, como a agressividade, o medo, a hostilidade ou a indiferença. Não é possível abençoar e ao mesmo tempo viver condenando, rejeitando, odiando.

Abençoar é desejar a alguém o bem do mais profundo de meu ser, mesmo que eu não seja a fonte da benção, mas apenas sua testemunha e portadora. Aquele que abençoa não faz senão evocar, desejar e pedir a presença bondosa do Criador, fonte de todo bem. Por isso, só se pode abençoar numa atitude de agradecimento a Deus.

Senhor, a benção faz bem a quem a recebe e a quem a pratica. Quem abençoa os outros se abençoa a si mesmo. A benção fica ressoando em meu interior, como prece silenciosa que vai transformando meu coração, tornando-o melhor e mais nobre. 

Ninguém pode sentir-se bem consigo mesmo enquanto continua maldizendo o outro no fundo do seu ser. Não é possível ser canal de benção do Criador se do próprio coração brotam palavras de intolerância, de preconceito e julgamento. “Maldizer” o outro é maldizer-se a si mesmo.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Fazer memória dos momentos em que eu fui canal de benção para muitas pessoas.
Usar as redes sociais para “bendizer”.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 24,46-53
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Jesus Cristo, luz da luz – fx 08
Autor: José Weber, svd
Intérprete: Emmanuel/ Toninho Neto/ Filipe Lopes / Maria Diniz / Daiane Lopes
CD: Deus Vivo, Trindade Santa
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 02:42



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