quinta-feira, 18 de abril de 2019

Leitura Orante – DOMINGO DE PÁSCOA – 21 de abril de 2019


Leitura Orante – DOMINGO DE PÁSCOA – 21 de abril de 2019

RESSURREIÇÃO: pedra angular da vida cristã

“...e viu a pedra retirada do sepulcro” (Jo 20,1)


Texto Bíblico: João 20,1-9


1 – O que diz o texto?
A escuridão da madrugada desaparece e desponta a Luz que dá início à nova Criação e à nova história. 

Depois do silêncio, renasce a Palavra. Parecia o fim e, no entanto, aquele silêncio era o mesmo que precedeu à Palavra criadora: “Faça-se a luz”! O silêncio de Deus é fecundo. É no tempo silencioso que a semente se torna fruto e o ser humano se torna pessoa. O silêncio permite transformar a morte em vida. Aquele túmulo, afinal, era uma fonte pujante de vida e de alegria. Aquele lugar, aparentemente escuro e vazio, veria uma luz que o mundo inteiro não pode conter. Por isso, para nós, as experiências do silêncio de Deus serão sempre um convite à fé e à esperança. 

Não há razão para o medo e a tristeza, pois o silêncio esconde a vida e a consolação de Deus.

Arrancados do silêncio dos nossos túmulos, também nós podemos gritar como Maria Madalena no primeiro dia de Páscoa: “Vi o Senhor”! 

Este grito, que nos enche de esperança, rasgará todo o silêncio e ecoará por toda a eternidade.

A pedra que fora removida do túmulo de Jesus revelou a Madalena uma novidade que seu coração buscava, uma novidade que espanta, enche o interior do desejo de procura: “Ele vive”.

O caminho de Madalena em direção ao túmulo é símbolo da coragem de atravessar o escuro da madrugada para ver resplandecer uma nova aurora em sua vida, pela força criadora da única Presença que tudo sustenta tudo recria e enche de amor: a presença do Cristo Ressuscitado.

Ressurreição: experiência de afastamento das pedras que travam o fluir da vida.

“Nossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Essa vida quer se expandir. Vida que vem de Deus, vivida em Deus e que desemboca, como um rio, no Grande Oceano da Vida.

A experiência da Ressurreição permite transformar todas as pedras da entrada do túmulo em pedra fundamento, sobre a qual construir nossa vida. A ressurreição tudo integra, tudo pacifica, mesmo as pedras que bloqueavam a vida.

A ressurreição nos faz sair da estreiteza da vida e renascer para coisas maiores, do alto.

“Há um risco de acostumarmos e conviver com os sepulcros” (Papa Francisco).

Sepulcro é passagem: é como ventre materno. Há um tempo para germinar, potencializar a vida.


2 – O que o texto diz para mim?
Posso dizer que a Ressurreição é a “pedra angular” da minha vida de fé. Pedra sobre a qual a fé pode se construir, base sólida que fundamenta a minha vida.

Diferença entre a Pedra angular e a pedra rolada na entrada do túmulo (que impede o fluir da vida): pedra na entrada no túmulo é sinal de morte, pois se fixa no passado; pedra angular é sinal de vida, base sobre a qual se constrói um futuro inspirador.

Há muitas pedras na entrada do meu coração, travando a vida (tristeza, fracasso, crise, trauma...); só a experiência de encontro com o Ressuscitado pode rolar estas pedras, integrando-as e dando um novo significado. A experiência de Ressurreição permite transformar a pedra da entrada do túmulo em Pedra angular.

No evangelho de hoje, a experiência dos três personagens (nossos espelhos), revelam pedras na entrada de seus corações. Madalena, vai ao sepulcro sozinha, de madrugada, busca um corpo, carrega uma pesada pedra de tristeza, fracasso e dor pela perda do amigo. Encontra a pedra do sepulcro removida e fica assombrada diante deste fato. A pedra do seu coração também começa a ser removida (vai culminar no encontro com Jesus); ela entra em outro movimento: sai de sua solidão e vai avisar os outros discípulos, embora não tenha clareza do que está ocorrendo.

Sua vida foi uma longa noite até que o encontro com Jesus a libertou e lhe abriu um novo horizonte, restituindo-a em sua dignidade de filha de Deus e potenciando-a para iniciar uma nova vida e formar parte do grupo dos mais achegados a Jesus. Madalena, a “apóstola dos apóstolos”, é uma de minha grande mestra na noite e na crise que supõe a passagem pelo Sábado santo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Pedro e João também carregam a pedra do medo (estavam trancados em casa, como se fosse sua sepultura). Com o aviso de Madalena, começa um movimento interior neles: saem do esconderijo correndo e vão ao encontro do túmulo.

João, talvez com uma pedra menor, corre mais veloz. Foi o único apóstolo fiel até o fim.

Pedro, que carrega pedra até no nome, permanece na dúvida.

João corre e chega primeiro; não entra de imediato no túmulo: precisa de tempo para processar a novidade da pedra removida. Ele é mais místico e se deixa impactar pela surpresa que encontra. Por isso, quando entra no túmulo, mergulha no mistério: viu e acreditou. Bastou alguns sinais (faixas de linho no chão e sudário enrolado), mas foi o suficiente para compreender o que estava acontecendo. Se não houvesse encontro com o Ressuscitado, para ele bastariam os sinais.

Pedro, primário na sua reação, entra abruptamente no túmulo: vê os mesmos sinais, mas ainda permanece na dúvida. Mas ambos, Pedro e João, sentem que as pedras interiores começam a ser afastadas.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, “A pedra tinha sido removida”: debaixo de cada pedra que parece amassar-me, há vida que quer ressuscitar. À luz da ressurreição não há pedra que seja capaz de sufocar o impulso vital.

O sepulcro vazio é um convite, a saber, olhar com o coração para descobrir, nas faixas e sudários de minha vida, a presença do Ressuscitado. Só o amor me capacita para um olhar contemplativo; por isso, o amor corre mais depressa que a autoridade. Para quem têm olhar contemplativo, as faixas já representam um grande sinal: apontam para uma vida destravada e plena.

“Viver como ressuscitados” é a marca que identifica os seguidores e as seguidoras de Jesus.

Estar atentos às faixas e sudários de meu cotidiano: elas apontam para a vida.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Vou, no dia de hoje, acompanhar Maria Madalena em seu itinerário da morte à vida, vou fazer o caminho com ela da nostalgia à fé, do luto à esperança, do vazio à comunidade, do silêncio ao anúncio.

Vou assumir como minha as suas perdas, seu pranto e seu desconsolo, e identificar neles também minhas perdas e as de todos os povos.

Vou pedir ao Deus de todo consolo que, com sua ternura e cuidado, regue as sementes de minhas perdas, minhas frustrações, meus ceticismos, minhas expectativas fracassadas, para que engendrem vida nova e não amargura e nem desespero.

Acompanhando Maria Madalena em seu percurso de luto, farei memória dos meus lutos e os de meu povo e pedir a Deus para ser consolada, e assim poder ser testemunha da consolação em meio a tantos fracassos históricos, como estão acontecendo em meu mundo e em meu ambiente cotidiano.

“Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor exerce...” (S. Inácio de Loyola)


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 20,1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Aleluia 
Autor: G.F Handel - D.P  
Intérprete: Instrumental
CD: Aleluia
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 04:03

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