terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Leitura Orante – 6º Domingo do TC – 17 de fevereiro de 2019



Leitura Orante – 6º Domingo do TC – 17 de fevereiro de 2019

A FELICIDADE ESCONDIDA NAS BEM-VENTURANÇAS 

“E, levantando seu olhar para seus discípulos, disse: ‘Bem-aventurados...” (Lc 6,20)


Texto Bíblico: Lucas 6,17.20-26


1 – O que diz o texto?
“Ser feliz”: não há outra meta mais importante na vida de todos nós. De fato, é tão importante que se converteu em um desejo que repetimos de maneira muito frequente e, de forma especial, para as pessoas que mais amamos. Proferimos os votos de felicidade em qualquer evento, em todos os aniversários, no início de cada ano... Não podemos desprezar o excesso de nossas felicitações, por mais rotineiras que nos pareçam. Elas expressam um desejo profundo, talvez o desejo mais íntimo de nós mesmos. 

“Que sejas feliz!” Que melhor sentimento que isso pode desejar a alguém, seja ele ou ela quem for?

A proposta evangélica de felicidade tem algo a nos dizer em nosso momento atual?

A impressão que temos é que a vivência de muitos cristãos está longe de apresentar a Deus como amigo da felicidade humana, fonte de vida, alegria, saúde; na experiência de fé de muitas pessoas, o seguimento de Jesus, muitas vezes, não se associa com a ideia de “felicidade”. 

Predomina, em certos ambientes ou grupos cristãos, uma doutrina dolorida e uma catequese afastada da busca humana da felicidade. O cristianismo se apresentou, durante muito tempo, como a religião da cruz, da dor, do sofrimento, da renúncia, da repressão ao prazer e à felicidade neste mundo.

Diante de tal situação, Jesus, no Evangelho de hoje, afirma categoricamente: “Felizes sois vós!”

Jesus, ao “descer à planície”, promulga seu programa “com” vida, fundado não numa ética de “deveres e obrigações”, mas numa ética de “felicidade e ventura”.


2 – O que o texto diz para mim?
Aqui está a surpreendente novidade do projeto oferecido por Jesus. Sem sombra de dúvida, o significado das bem-aventuranças e, portanto, do programa de Jesus, é algo mais humano, mais próximo e mais ao alcance de ser entendido e vivido por qualquer pessoa de boa vontade.

O Evangelho, a “boa notícia”, é o tesouro que enche o ser humano de uma felicidade indescritível. 

Com efeito, a primeira característica que aparece nas “bem-aventuranças é que o programa de Jesus para os seus é um programa de felicidade”. Cada afirmação de Jesus começa com a palavra “makárioi”, “ditosos”. Essa palavra significa, em grego, a condição de quem está livre de preocupações e atribulações cotidianas.

As bem-aventuranças substituem os mandamentos que proíbem por um anúncio que atrai para a felicidade. E a promessa de felicidade não é para depois da morte. Jesus fala da felicidade nesta vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Conheço duas listas de Bem-aventuranças: a de Lucas e a de Mateus. São bastante distintas, porque uma fala dos pobres e a outra fala dos pobres “em espírito”; uma fala de fome e outra de fome de “justiça”... Costuma-se dizer que as Bem-aventuranças de Lucas são bem-aventuranças “de situação”, e as de Mateus são “de atitude”. Ou seja, enquanto Lucas diz: os que se encontram assim, os que estão nesta situação, são bem-aventurados (os que estão chorando, os que têm fome, os que são pobres...), Mateus diz: os que reagem desta maneira diante dos que choram, dos que são pobres, dos que tem fome... são bem-aventurados. É como a atitude que se toma frente aqueles que Lucas descreveu.

Antes de proclamá-las, Jesus vive intensamente as bem-aventuranças; elas são a expressão daquilo que é mais humano no seu interior; elas são seu auto retrato. Jesus é o bem-aventurado. Ele personaliza tais atitudes: é o pobre, aquele que se comoveu diante da dor e misérias humanas, que expressa uma fome e sede de plenitude e humanização, que é incompreendido e perseguido por causa dos seus sonhos.

O Jesus que os Evangelhos me apresentam deixa transparecer, permanentemente, um sentimento sereno e agradecido diante da vida. Ele vive apaixonado pelo Reino do Pai; Ele é um homem aberto e próximo das pessoas, com uma enorme capacidade de relação, de maneira especial diante dos mais pobres e excluídos. Mostra uma infinita confiança nas pessoas que encontra, seja qual for sua situação existencial. Ele é o portador definitivo de boas notícias. O evangelho da salvação chega até às barreiras e fronteiras humanas. Seu tempo é tempo de alegria; é a festa das bodas. Jesus me convida a entrar na nova vida de felicidade e fraternidade. As bem-aventuranças são o caminho da felicidade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, as bem-aventuranças me revelam que sou habitada por um impulso que me torna “buscadora de felicidade”. A sociedade de consumo que invadiu tudo realça a felicidade como a meta imediata de minhas buscas, algo ao qual tenho direito e que depende de fatores externos. Esta felicidade é passageira, pois quando a alcanço, invade de novo a insatisfação, a inquietude, o ressentimento, a inveja... e de novo empreendo minha busca. Assim, pois, a felicidade me escapa quando a busco “fora”, como fim em si mesmo, para saciar meu ego insaciável.

A felicidade nasce dentro de mim: daquilo que sinto, que valorizo que vivo...

Por isso, as bem-aventuranças não são algo externo, mas atitudes que plenifica meu coração.

A chave da felicidade está em permitir que se revele o sentido da luminosidade que se encontra no fundo de meu ser. O que me tira a energia e me torna impotente é o afastar desse princípio vital que é o Divino em cada ser.

Ser o que sou em serenidade e profundo sentido. A felicidade, tal como a verdade e a beleza, ao se revelar a mim, desata a potencialidade daquilo que sou e de tudo o que é. 

Nesse sentido, felicidade pode ser entendida como um “estado de espírito”; felicidade é viver sem chegada, sem partida; é experimentar uma sensação de renascimento de satisfação interior... ou sentir despertar em si um potencial de bondade, de compaixão, de solidariedade... muitas vezes desconhecida. 

A verdadeira felicidade coincide com a paz interior; é o prazer de descobrir, cada dia, que a vida se inicia novamente em cada amanhecer; é fazer da mesma vida uma grande aventura...

Por isso, a felicidade está relacionada com a gratuidade e com a gratidão.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Jesus, ao proclamar “bem-aventurados” os pobres, os famintos, os que choram os que são perseguidos... jamais quis sacralizar a dor humana. Ao contrário...

São bem-aventurados, sim, os pobres, porque, vazios de apegos e cheios de esperança, anunciam o sonho de Deus para a humanidade, uma nova sociedade baseada na solidariedade e na partilha...

São bem-aventurados, sim, os famintos, porque trazem nas entranhas a fome de liberdade e sabem que o ser humano e o mundo carregam infinitas possibilidades de crescimento...

São bem-aventurados, sim, os que choram porque suas lágrimas demonstram que eles ainda não perderam a sensibilidade, que eles sentem o mundo como injusto e que, por isso, são verdadeiramente os únicos a sonharem, a buscarem e a lutarem por um mundo novo...

São bem-aventurados, sim, os que são perseguidos porque seguem corajosamente a estrela do Reino e é sinal de grande transformação realizada por Deus.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 6,17.20-26
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Bem-aventurados
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Cantigas de sabedoria
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 02:55


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