terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Leitura Orante – 5º Domingo do TC – 10 de fevereiro de 2019



Leitura Orante – 5º Domingo do TC – 10 de fevereiro de 2019

VIVER EM REDES... SEM ENREDAR-SE

“Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes...” (Lc 5,4)


Texto Bíblico: Lucas 5,1-11

1 – O que diz o texto?
Indiscutivelmente, Jesus é o misterioso visitante que cada dia chega até nós para advertir que precisamos nos libertar do tedioso cotidiano, quando ele se torna convencional e, não raro, carregado de desencanto, pesado, estressante... Corremos o risco de sermos apenas imitadores ou repetidores, pois tememos nos perder na busca do novo, bloqueando o desenvolvimento pessoal e comunitário.

O encontro com Jesus nos arranca da rotina, do “sempre fizemos assim” e nos desafia a “pescar” de maneira diferente; sua presença alarga nossa mente e nosso coração instigando-nos a sair dos nossos estreitos mares e entrar no movimento do vasto mar que Ele nos oferece.

Em quê grau Sua presença nos desperta para aquilo que devemos ser como seus seguidores e suas seguidoras?

São grandes os riscos de vivermos em mares tão estreitos; é cômodo perceber, delimitar, defender e fechar-nos no próprio mar. Isso faz de maneira tão zelosa que nem vemos aquilo que está para além da margem onde nos estabilizamos. 

Tal estreiteza de vida aprisiona a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgente. O próprio espaço se torna uma couraça e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz.

“Rema mar adentro!”, ressoa a voz de Jesus. A multidão permanece em terra; somente Pedro e seus companheiros se adentram no mar profundo. Este apelo de Jesus é muito simbólico. Em grego “bados” e em latim “altum” significam profundidade (alto mar); só nas profundezas é que se pode extrair o mais autêntico do ser humano, o que é mais nobre e divino. 

Tudo o que, em vão, buscamos na superfície, está dentro de nós. Mas, ir mar adentro não é tão fácil como pode parecer. Exige ultrapassar as seguranças do “eu superficial” e adentrar-nos nas incontroladas águas de nosso ser profundo. Confiar naquilo que não controlamos exige uma fé confiança autêntica. Dizia Teilhard de Chardin: “Quando descia ao profundo de meu ser, chegou um momento em que não ‘dava mais pé’ e parecia que me deslizava para o vazio”.


2 – O que o texto diz para mim?
Hoje, o lago de Tiberíades se converteu numa grande rede que abarca o mundo inteiro. Mas, o que as pessoas buscam nessa grande rede? E, sobretudo, os quês estão oferecendo nela para evangelizar?

Com um só click posso chegar a milhões de pessoas, posso fazer muito bem, mas também posso criar muita confusão e inclusive repulsa, posso levar a mensagem de Jesus ou simplesmente fazer transparecer todo o meu ego inflado, cheio de si mesmo. 

As redes sociais têm seus perigos, mas também tem suas grandes oportunidades que não posso desperdiçar. Vou me dando conta que, enquanto não evangelizo a partir dos meios eletrônicos modernos, não poderei encher minhas redes de peixes. O seguimento de Jesus implica hoje a necessidade de evangelizadores nas redes sociais.

Tendo as ferramentas em mãos (minha pobre barca e rede) e sendo portadora de uma mensagem de vida (o evangelho) sou movida por Jesus a “ser pescadora do humano”.

No mar das redes sociais ressoa mais uma vez o apelo de Jesus: “fazei-vos pescadores do humano”.

Frente a esta nova realidade, quê tipo de profecia responde melhor a minha peculiar forma de cooperar na missão do Espírito do Abbá e de Jesus.

Estou no mundo das telas: através delas me interconecto, transmito informações, saberes. As diversas telas tendem à convergência: com um só dispositivo, fixo ou móvel, posso falar enviar e receber fotos, música, vídeos e qualquer tipo de arquivo; com o “boom” das redes sociais posso fazer isso com o grupo que administro ou participo em cada momento.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Se há algo que caracteriza meu tempo é a nova consciência de ser rede, comunhão, interconexão, unidade. Encontro-me em um tempo surpreendente: as espetaculares inovações tecnológicas me convidam a entrar numa inimaginável rede de informações, imagens, conexões... Meu planeta está dotado de uma complexíssima textura de comunicações. Com apenas alguns clics oferece-se, diante de mim, um mundo complexo, de graça e maldade, de alianças para o bem e para o mal, de luzes e trevas. 

E aí estou eu, seguidora de Jesus, “enredada”, perguntando por minha identidade cristã, na vivência do Evangelho e na missão de me fazer presente neste “novo mundo”.

E sei que tudo está interconectado: a globalidade é interação. Lentamente vai-se tomando consciência de que faço parte de um todo. A realidade vai se revelando como um manto sem costuras, sem fraturas, onde eu estou implicada e comprometida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, o mar era o símbolo das forças do mal. “Pescar homens” era um dito popular que significava tirar alguém de um perigo grave. Não quer dizer, como se entendeu com frequência, fazer proselitismo ou converter as pessoas à força para a religião cristã. Aqui quer dizer: ajudar as pessoas a sair de todas as opressões que lhe impedem crescer e desenvolver suas potencialidades. Só pode ajudar o outro a sair da influência do mal aquele que encontrou o que é mais verdadeiro e nobre dentro de si mesmo.

Neste contexto atual, onde corro o risco de me converter em pessoa “grudada” a uma tela, se faz mais necessário que nunca humanizar a rede para “pescar o humano” que está escondido no oceano interior de cada um. Esta humanização requer, em primeiro lugar, muita responsabilidade.

Tudo isto me leva a pensar que na rede há uma grande necessidade de silêncio (“silêncio na rede”), precisamente para que eu possa ouvir a verdade com amor. Há excessivas palavras que afogam notícias falsas, “bullings”, campanhas desqualificadas e comentários feitos com extrema má educação. Sobretudo nas páginas religiosas, precisa de um silêncio construtivo para que se escute a verdade que liberta.

Silêncio construtivo significa utilizar uma linguagem propositiva, compreensiva, que estenda pontes de diálogo, que escute o outro que é diferente, que leve em conta o que “o outro” diz, talvez um aspecto da realidade que me tinha escapado.

Silêncio construtivo significa tomar partido pelos mais fracos e excluídos; significa usar uma linguagem que sare as feridas, que reconstrua os vínculos quebrados. Uma página (mensagem) que só busca condenar, que só revela intolerância e preconceito, não pode ser evangélica. Literalmente, “há demasiado disparos” que desumanizam. Precisa do azeite do consolo que cura as feridas, o vinho da esperança que une como irmã acima das diferenças, o pão da compaixão que alimenta e eleva... 

É preciso fazer a “travessia” do estreito mar da vida, onde minhas inúteis barcas e redes só “pescam” futilidades e lixo, para o grande oceano que Jesus me oferece, carregado de vida e vida em plenitude.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
“Remar mar adentro e descer ao profundo de meu ser!” 

É um convite dirigido a mim e a todo ser humano. Sem essa profundidade, não é possível a plenitude humana. A contemplação é o único caminho.

“Não é necessário que eu percorra os mares buscando alimentos; aprender a pescar em meu próprio mar interior; o que com tanto afinco busco fora de mim, já tenho ao alcance das mãos, dentro de mim.”

Se não tenho pescado nada, o quê oferecer ao outro? 

Se não tenho aprendido a pescar, como poderei ensinar a outros? 

“Dar verdadeiro sentido à minha vida e ajudar os outros a atingir o mesmo”. (cf. Fray Marcos)


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 5,1-11
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Comece – Fx 02
Autor: Jorge Trevisol
Intérprete: Jorge Trevisol
Part.: Karla Fioravante
Vocal: Dalva Tenório, Luan , Vanessa, Suely
CD: Mistério, amor e sentindo
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 04:13

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