domingo, 30 de dezembro de 2018

Leitura Orante – ANO NOVO, 01 de janeiro de 2019


Leitura Orante – ANO NOVO, 01 de janeiro de 2019

ANO NOVO: alimentar uma esperança criativa

“Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria, 
José e o recém-nascido deitado na manjedoura”. (Lc 2,16)


Texto Bíblico: Lucas 2,16-21


1 – O que diz o texto?
1º de janeiro é uma data carregada de conotações profundamente humanas: início de um novo ano, o encontro dos pastores com o Menino Jesus, a maternidade divina de Maria, dia Mundial da Paz...

Ao começar o novo ano, a primeira atitude que devemos alimentar é a da gratidão: dar graças a Deus pelo dom do tempo, que é o dom da vida, o dom fundamental. O tempo é graça e tudo depende do que fazemos com ele: podemos fazer dele um tempo morto ou um tempo vivo (carregado de possibilidades, recursos, criatividade, tempo oblativo, aberto ao novo, tempo inspirado…)

O começo do ano nos convida a pensar sobre nossa forma de ativar este “grande tesouro” que é o tempo; Deus nos concede este ano para que multipliquemos a vida, enriquecendo-a de sentido, qualidade e calor humano; é uma nova oportunidade que Ele nos concede para crescer e ajudar a crescer, para alcançar uma experiência nova da vida, de encontro com Ele, com os outros, conosco mesmos. 

A festa da travessia para um Novo Ano é uma ocasião privilegiada para descobrir o quê estamos fazendo com nosso tempo. Podemos estar desperdiçando ou perdendo aquilo que nos foi dado para que vivamos com mais intensidade. Vão passando os anos e com eles as oportunidades de dar verdadeiro sentido às nossas vidas. É o momento por excelência da potencialidade de vida, tempo mágico onde as promessas começam seu caminho de realização.

Quem contempla a realidade com os olhos simples dos pastores, não faltarão ocasiões de reconhecer a criatividade de Deus em ação, a inovação do Espírito movendo corações, criando cenários novos, mais humanos, com mais profundidade, mais do Reino...

Talvez muitos se perguntam para onde vai nosso mundo, surpreendidos e preocupados pelo crescimento de fenômenos desconcertantes. Em muitos países triunfam líderes populistas, manejados por forças ocultas sem escrúpulos e marcados por discursos intolerantes, preconceituosos e julgamentos moralistas; a corrupção vai lançando raízes em todos os ambientes; os conflitos e as rupturas se acentuam; a Igreja católica é sacudida por uma grande crise de credibilidade; o sistema de valores e conhecimentos está mudando profundamente. Vivemos um momento de transição ou um colapso de uma civilização: uma metamorfose da sociedade que afeta todos os aspectos da vida, pessoal e coletiva, de toda a humanidade. Trata-se, pois, de uma crise global, embora às vezes possa parecer local ou inclusive pessoal.


2 – O que o texto diz para mim?
Como nos tempos bíblicos, também estou vivendo um “exílio”. Tanto naquele como neste contexto atual é que se revela a missão original e inspiradora dos profetas.

Como ser presença diferenciada em meio a muita gente desconcertada e desesperançada? Como alimentar esperança? Como ativar uma imaginação criativa?

Esta deve ser a marca característica dos seguidores e seguidoras de Jesus: o otimismo frente à realidade e a esperança diante daquilo que vem. Crer em um Deus que se encarna no simples e que realiza suas promessas permite começar o ano como quem estreia todas as possibilidades, inclusive abertura às possibilidades antes inexistentes. Isto é o que ocorre no tempo natalino: a irrupção de Deus no pequeno e a partir de baixo modifica radicalmente a visão atrofiada da realidade e me capacita a vislumbrar o broto germinal de uma nova história.

Por isso, sou gente carregada de esperança, pois sou n’Aquele que faz tudo novo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Para muitos pode lhes causar estranheza que a Igreja faça coincidir o primeiro dia do novo ano civil com a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. E, no entanto, é significativo que, desde o século IV, a Igreja, depois de celebrar solenemente o Nascimento do Salvador, me motiva a começar o ano novo sob a proteção maternal de Maria, Mãe do Salvador e Mãe da humanidade.

É bom que, diante do Novo Tempo que se inicia, elevo meus olhos para Maria. Ela me acompanhará ao longo dos dias com cuidado e ternura de mãe. Ela inspirará minha fé e minha esperança.

Dia Mundial da Paz. Talvez seja uma das carências que mais afeta o ser humano de hoje, porque a ausência de paz é a prova palpável de uma falta de humanidade em todos os níveis. Não posso descobrir o que significa paz quando me vejo cercada de violências e conflitos; não posso experimentar a paz alimentando uma “cultura da indiferença” e da suspeita.

Não são as contendas internacionais, por muito danosas que sejam que impedem os seres humanos alcançar sua plenitude. Os grandes conflitos têm sua origem em meus próprios conflitos internos; meu coração está carregado de maledicências, julgamentos, legalismos, moralismos e imposições sobre os outros...

O medo daquele que pensa, crê, sente e ama de maneira diferente aumenta as distâncias, cria muros e bolhas de proteção que dão uma falsa sensação de segurança e paz. Nunca se investiu tanto em segurança e, no entanto, a cultura da paz está cada vez mais esvaziada.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a paz não é uma realidade que posso buscar com um cantil. A paz será sempre a consequência de relações verdadeiramente humanas, entre todas as pessoas. Se não existe uma autêntica qualidade humana não pode haver uma verdadeira paz, nem entre as pessoas nem entre as nações.

O primeiro passo na busca da paz deve ser dado por mim, caminhando em direção ao meu próprio interior. Se não consigo uma harmonia interior, se não descubro meu verdadeiro ser e o assumo como a realidade fundamental em mim, nem terei paz nem a poderei levar aos outros. Este processo de maturação pessoal é o fundamento de toda verdadeira paz. Uma autêntica paz interior se reflete em todas as minhas relações humanas, começando pelos mais próximos.

Quando perco o caminho da interioridade, permaneço na superficialidade de mim mesma; ali não há húmus onde enraizar a paz; é da superficialidade de mim mesma que brotam os julgamentos, a indiferença, a atrofia da comunhão, o extravio da ternura, a segregação..., constituindo o ambiente favorável para todo tipo de rupturas, conflitos, frieza nos relacionamentos...

É preciso, como os pastores, entrar na Gruta interior para encontrar Aquele que é o Príncipe da Paz; aproximar desta Criança significa ativar todos os recursos pacíficos que carrego dentro de mim.

Ah se eu recuperasse o sentido do “shalon” judaico! Nessa palavra se encontra condensado todo o significado verdadeiro da paz. A palavra “paz” hoje, tem conotações exclusivamente negativas: ausência de guerra, ausência de conflitos, de intrigas, etc... Mas, a expressão “shalom” se refere às realidades positivas; dizer “Shalom” significa manifestar um desejo de que Deus conceda a cada um tudo o que necessita para ser autenticamente humana incluída a presença mesma de Deus no interior de cada um.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Na raiz bíblica do termo “shalon” está a ideia de “algo completo, inteiro”.  A paz pertence à plenitude, à completude, enquanto a violência está do lado da falta, da carência, do incompleto. 

Paz reflete harmonia consigo boas relações com os outros, aliança com Deus, enquanto a violência infecciona os relacionamentos, contamina a convivência, quebra as relações, exclui os mais fracos...

Este é o desafio diante do Novo Ano que se inicia: devo primar por construir “ambientes de paz”: paz que vem do alto, que brota do interior e aquece os corações, plenifica as relações e se expande, tal como perfume, em todas as direções. 

Paz é aspiração congênita do ser humano. O coração humano foi feito para a paz e anseia a convivência harmoniosa com Deus, com o cosmos, com os semelhantes. É processo interminável.

Aprender a amar, preocupar-se com os outros, vibrar com a diferença, entrar em harmonia não só com as outras pessoas, mas com toda a criação é a autêntica preparação para a paz. Quem ama não cria conflitos e fica encantado quando todos tenham acesso aos melhores recursos na própria interioridade.

Reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevolência, a delicadeza, a acolhida, a cortesia, a serenidade, a modéstia, a afabilidade, a alegria simples de estar juntos...

Recordar todos os “olhares amorosos” que Deus foi depositando em mim ao longo da vida.

Feliz Ano cheio de Deus!


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 2,16-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Canto de paz – fx 05
Autor: Valdomiro Pires e Emmanuel santos
Interprete: Emmanuel 
Coro: Paulinho Campos, Ricardo Moreno, Yara Negrete, Claudia Ferrete, Vera Veríssimo
CD: Canto de paz - Emmanuel
Gravadora: Paulinas Comep
Duração: 03:37

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