terça-feira, 13 de novembro de 2018

Leitura Orante – 33° Domingo Tempo Comum, 18 de novembro de 2018


Leitura Orante – 33° Domingo Tempo Comum, 18 de novembro de 2018

ESPERANÇA: “enquanto houver vida...”

“...quando virdes estas coisas acontecendo, sabei que está perto, às portas” (Mc 13,29)


Texto Bíblico: Marcos 13,24-32


1 – O que diz o texto?
Estamos no penúltimo domingo do “ano litúrgico B” e o evangelho deste domingo é tirado do “discurso escatológico” ou “pequeno apocalipse” de Marcos (cap. 13). Este capítulo faz a ponte entre a vida pública de Jesus e sua Paixão. Escatologia procede da palavra grega “escatón”, que significa “o último”. Ao propor leituras que fazem referência “aos últimos tempos”, a liturgia quer nos convidar à “vigilância” e à atenção ao tempo presente.

O discurso escatológico, que encontramos em Marcos, quer recordar algumas convicções que deverão alimentar a esperança dos seguidores e seguidoras de Jesus. O anúncio esperançador é reforçado pela imagem da figueira que, carregando-se de brotos, anuncia a primavera. Esse é nosso destino: caminhamos para uma Primavera que não conhecerá ocaso. A certeza disso está enraizada na promessa de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”. 

O Evangelho deste domingo tem muito de inverno e tem muito de primavera. Primeiramente, fala-nos desse momento final, onde tudo parece terminar em cataclismo. Mas logo nos abre à primavera da figueira que começa a gerar novos brotos nos ramos ainda quase desnudos do inverno. E, finalmente, enraíza nossa esperança na Palavra de Deus. A realidade pode tremer, o céu pode ficar escuro, como se o sol tivesse apagado. No entanto, aí está a Palavra de Jesus que nos abre para acolher um “novo tempo”.


2 – O que o texto diz para mim?
As palavras do evangelho deste domingo são muito fortes, pois põem um sinal de interrogação sobre toda a antiga e velha história, feita em grande parte de mentiras e injustiças, ódios e violências... Sobre este mundo, petrificado e indiferente, se anuncia e se prepara a vinda de Jesus, o Homem novo... Isso significa que serão destruídos os modelos atuais de vida, centrados no individualismo e no descarte, no poder e violência que excluem, na fria intolerância que cria muros... 

Este será um grande “desastre”; os “falsos astros” do céu da vaidade e do poder serão abalado e cairão. 

Esta palavra “desastre” em seu sentido forte, como destruição da ordem astral onde se sustenta a vida da terra e a história da humanidade. Mas, no final, como no quarto dia da Criação (quando o Criador fixou a ordem da abóboda celeste, com o sol, a lua e as estrelas, por cima da terra, para iluminá-la e tornar possível a existência de vida), Deus novamente intervirá criando uma nova ordem de salvação, centrada no Filho do Homem (e não no sol, lua e estrelas que alimentam o ego social).

Este mundo não será consumido, mas consumado, pois Deus reserva uma plenitude de sentido para a Criação inteira. Um dia Deus salvará definitivamente, mas essa salvação já começou, aqui e agora.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Essa palavra o “desastre” não se refere somente a uma realidade exterior; o discurso escatológico me convoca a dirigir o olhar para o meu “mundo interior”, onde o ego brilha como o “sol”, a vaidade se revela como “lua”, a competição e a aparência me fazem sentir como “estrelas”.

Vivo hoje tempos complicados, difíceis...; partilho um momento de grande inquietude espiritual, de distúrbios existenciais, de profundos dilemas morais, de trágica opção pela morte e pela violência...

Aqui, sempre se revela válido o alerta de Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”.

No entanto, resisto! A esperança é um princípio vital, expresso na sábia constatação de que “enquanto houver vida, há esperança”. Também resisto diante da memória das inevitáveis e sofridas experiências cotidianas, que poderiam deixar como consequência o medo, a perda do sentido da existência, o vazio de horizontes, o desânimo... O ser humano é um “animal teimoso”, pleno de esperança, sedento do novo...

Nem a fé, nem a esperança amadurecem na bonança. A esperança se fortalece na obscuridade e na crise.

Nos momentos difíceis, a esperança se esconde nas raízes. Por isso, logo brota com mais força. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, de onde nasce a esperança? Com certeza, não nasce aguardando que o problema se solucione que a crise passe ou a situação mude. Esta atitude só produz saudade e passividade. A esperança está mais próxima de uma resposta ativa de rebeldia positiva frente à incerteza que me desequilibra. Está profundamente conectada com a incansável construção do amanhã a partir do agora e do presente. 

A condição humana pode ser definida em termos de "espera radical" ou de "esperança". Chamada a ser mais do que sou, abrigar em meu interior uma "insatisfação existencial", uma tensão entre o que sou e o que anseio ser. Porque me defino como radical espera, caio na tristeza, quando vislumbro um futuro ameaçador, ou caio na euforia, quando penso alcançar algo que me agrada.

Em meio às sombras, perplexidades, contradições, provocações e promessas, que constituem o atual momento histórico, quer expressar a fé no futuro da minha vida.

Ainda que sofra ventos contrários e as nuvens se adensem no horizonte, sei e confesso com o profeta Isaías, é pela graça do Espírito, que existe futuro.

Para ser fiel, é preciso seguir o Espírito, deixando-se surpreender pelos novos rumos que Ele aponta seduzir pelos novos horizontes que Ele descortina desafiar pelas novas provocações que Ele lança, a partir da realidade histórica e dos novos sinais dos tempos.

Essa relação viva e dinâmica com o Espírito é fundamental para a vida cristã, em qualquer circunstância.

Sei que a esperança é algo constitutivo no ser humano. Para ele, viver é caminhar para um futuro.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Minha vida é sempre busca de algo melhor. O ser humano “não só tem esperança, senão que vive na medida em que está aberto à esperança e é movido por ela” (H. Mottu).

Por isso, quando numa sociedade se perde a esperança, a vitalidade atrofia, a marcha se paralisa e a vida mesma corre o risco de degradar-se. A esperança é como uma “memória do futuro”; tem caráter profético.  Não se pode dizer que veja o que está por vir, mas afirma como se o visse. E, enquanto o anuncia de certa forma, o prepara. Precisamente por viver tempos difíceis, preciso mais do que nunca da pequena e teimosa esperança.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Marcos 13,24-32
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Esperar contra toda esperança – fx 08 (02:46)
Autor e intérprete: Padre Zezinho, scj
Coro: Sônia Mara, Beto e Betino
CD: Cantiga de pão e vinho
Gravadora: Paulinas Comep

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