quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Leitura Orante – 1° Domingo do Advento, 02 de dezembro de 2018



Leitura Orante – 1° Domingo do Advento, 02 de dezembro de 2018

ADVENTO: “DEUS À VISTA”

“Tende cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis...” (Lc 21,34)


Texto Bíblico: Lucas 21,25-28.34-36


1 – O que diz o texto?
Com o Advento, começamos um novo ano litúrgico, um tempo que sempre nos fascina. O ser humano, ferido pela estreiteza da vida, imposta pelo seu ego, descobre a fragilidade, o medo, a dor, o sem sentido, pelo qual volta a gritar a seu Criador, buscando, suplicando de novo que lhe envie um raio de luz.

Desolado pela experiência do sofrimento, da violência, da intolerância, da solidão e do medo, dirige novamente seus olhos para “Aquele que está à vista”. O Advento é o tempo mais adequado à nossa existência atual. Queremos intuir algo novo, reacender nossa esperança, alimentar uma presença inspiradora nesse contexto social no qual vivemos carregados de trevas e abalos sísmicos.

O Tempo do Advento tem algo de belo e atraente que mobiliza o nosso coração a entrar em outra sintonia; tal qual um sedutor, ele revela sua capacidade para debulhar dias até completar um tempo que vai nos guiando em direção ao Natal. Um tempo tão tranquilo, tão sussurrante, como um manancial que, em silêncio, vai espalhando vida em todo seu entorno. Tempo que nos convida a sonhar e a viver despertos.

Vários personagens que emergem no Advento, com sua maneira original de ser e de viver, vão se tornando familiares; eles nos acompanham neste tempo inspirador, ativando em nós uma ousada esperança e outro modo criativo de nos fazer presentes no contexto social, tão carente de esperanças.

Isaías nos ensina como viver o sempre jovem Advento; ele nos ensina a gritar esperança no sofrimento, a confiar em tempos melhores, a provocá-los. Este homem tão sensível nos diz que somos nós que devemos dar um colorido especial à vida e que Deus é como um tição fumegante que abrasa a nossa vida. Poeta do futuro, Isaías nos ensina a viver carregados de entusiasmo, gestando a paz.

João Batista, aquele do dedo que aponta o caminho novo e o Novo. Sim, João, o parente austero, impaciente, metódico, que pergunta sem rodeios: “és tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?”

João também se revela como um bom mestre porque nos recorda que, com muito pouco se pode viver, e que a qualidade de vida é dada pela relação com Deus, que sempre nos surpreende. Ele nos anima a viver com simplicidade e a gritar sempre que o Reino de Deus está próximo, tão próximo, que o temos colado em nosso interior.

Maria, a mulher bendita e abençoada de Nazaré, a do anúncio original, a filha de Sião que recebeu de novo a Ruah Santa, a que interpelou o anjo até que ambos se puseram de acordo no “sim”. Diante dela, nos inclinamos admirados, porque ela, que pronunciou poucas palavras, no entanto, gestou a Palavra em seu ventre. Maria nos diz agora, no Advento, que o coração deve ser grande para poder guardar nele todas as coisas em silêncio.


2 – O que o texto diz para mim?
Tudo é permanente Advento, transformação, movimento. Espaço em expansão, interioridade que se abre braços que se unem. Seu ardor me inspira, sua esperança me  alenta. Há uma eternidade que devo inaugurar cada dia, em cada instante: a eternidade da vida expansiva, justa e ditosa. 

Esperar é transformar este mundo em outro mundo humano, fraterno, e muito mais feliz. Esperar é derrubar o que impede viver. Posso esperar. 

Não encontro melhor maneira de traduzir a linguagem apocalíptica de Lucas a não ser fazendo referência ao mundo da construção. O toque de atenção que ressoa no evangelho deste domingo me chama a derrubar e a construir. Lucas me fala de sinais cósmicos, de sismos e desmoronamentos. Justamente ali onde algo se desmorona, é onde aparece espaço livre para uma nova construção.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Há um mundo que deve acabar: este mundo contaminado pelo “deus dinheiro” e pelo mercado; este mundo que gera exclusão e violência; este mundo que abafa a “cultura do encontro” para alimentar a “cultura da indiferença e do preconceito”; este mundo que faz opção em favor da morte...

Nada é tão caduco que não permita um projeto novo. Nada é tão antigo que não tenha algo aproveitável. As calçadas velhas das cidades, os antigos casarões, o centro histórico, se remodelam conjugando o velho e o novo. O resultado costuma ser uma nova obra de arte.

Eu sou convidada, no início deste Advento, a uma “reabilitação ou remodelação” de todo meu ser. Entrar no fluxo inspirador deste tempo me leva cada dia, a desfazer e refazer. Uma fé que se paralisa e não avança é como um edifício que se faz velho. 

O Advento me mantém erguida e com dignidade, afugentando o medo, denunciando a injustiça que provoca exclusões e sofrimentos, aplicando o antídoto do amor contra a imbecilidade do ódio, da intolerância e da manipulação.

Por isso, as expressões do evangelho: “tomai cuidado”, “ficai atentos”, “orai a todo o momento”, são gritos de ânimo e gritos de construção de futuro. Talvez, para alguns, a única coisa que precisa fazer seja pintar a casa, ou mudar algum cômodo. Para outros, a obra será de maior envergadura. E, quem sabe, para outros ainda, o futuro depende de uma reestruturação mais a fundo da vida: esvaziá-la e reconstruí-la. 

A obra de Deus em mim consiste em que eu derrube o que construí, segundo meus gostos e egoísmos, e não segundo o querer d’Ele.  A Deus lhe agrada um coração com estâncias cheias de luz e de sol, liberadas de apoios inúteis, capazes de acolher a todos.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, como estar atenta ao Deus que em cada Advento quer dar à luz algo novo em minha vida, em meu contexto, em meu mundo, embora pareça que não tenho mais idade, como aconteceu com Isabel, à mãe de João Batista e continue rompendo minha lógica como aconteceu com Maria de Nazaré?

O que realmente mata o ser humano é a rotina sem sentido; o que lhe salva é a criatividade, a capacidade para vislumbrar e resgatar a novidade. Se contemplar a realidade em profundidade, tudo é sempre novo, diferente e em constante mudança. Participar desse movimento de mudança que chamo vida é a única promessa sensata de felicidade.

O Advento me provoca a perfurar a realidade para nela ler a vida, os acontecimentos, mais além da superficialidade e da banalização que se impõe a todos e a mim. Perfurar a realidade é buscar, na densidade dos acontecimentos e do próprio coração, os respiradouros de Evangelho, por onde o mistério de Amor e Vida Plena revela sua face e me urgem a impulsionar seu dinamismo na história.

Por isso, é preciso focalizar meu olhar, pôr lupa, afinar a sensibilidade para detectar as pegadas da misericórdia criativa, resiliente e fecunda de Deus em meu mundo e no meu próprio coração.

Que é Deus senão este Advento e Presença que é e que vem, Calma vivente, Coração latente no qual sou e respiro?


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Os caminhos de Deus têm desertos difíceis, mas sempre anunciam a “terra prometida”.

Os caminhos de Deus têm momentos de tremores e abalos sísmicos, mas nunca falta a Boa Notícia de uma vida nova. Desaparecerá a obscuridade, porque sempre há um amanhecer.

Deus não anuncia final; Deus sempre anuncia começos; Deus não anuncia entardeceres, mas amanheceres.

O importante é que minha vida não esteja embotada e incapacitada de ver a nova luz.

Fazer memória dos abalos em minha vida que foi ocasião privilegiada para expandi-la em novas direções.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 21,25-28.34-36
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Um milagre vai chegar – fx03 (03:15)
Autor: Pe. Agnaldo José - Pe. Paulo Sérgio de Souza
Interprete: Pe. Agnaldo José
CD: Um milagre vai chegar – Pe. Agnaldo José
Gravadora: Paulinas Comep


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