terça-feira, 9 de outubro de 2018

Leitura Orante – Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro de 2018



Leitura Orante – Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro de 2018

APARECIDA: A MÃE QUE NOS ACOMPANHA

“E mãe de Jesus estava ali.” (João 2,1)


Texto Bíblico: João 2,1-11


1 – O que diz o texto?
O papa Francisco, em uma homilia proferida no Santuário Nacional de Aparecida, convidou a "nos deixar surpreender por Deus" constantemente.

Deus espera que nos deixemos “surpreender por seu amor, que acolhamos as suas surpresas”.

O papa nos mostrou como modelo de surpresa a história do Santuário: três pescadores depois de um dia inteiro sem apanhar peixe encontram, nas águas do Rio Paraíba, a imagem da Senhora Aparecida. 

Sabemos que os pescadores, após encontrarem a imagem milagrosamente, têm uma pesca abundante e conseguem o que precisavam para atender ao conde de Assumar. O Papa Francisco vai além, vai ao essencial desse episódio para entendermos melhor como Deus atua: “Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, torna-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, sempre nos reserva o melhor”.

No relato da festa de casamento em Caná, o evangelista, com uma frase tipicamente sua, quer realçar um aspecto que muitas vezes nos escapa. Ele nos diz: “a mãe de Jesus estava ai”. E desta maneira, pela primeira vez, João apresenta a Virgem Maria em seu evangelho. E a nomeia como a mãe de Jesus. E será a primeira e única vez em que nos relata algumas palavras de Maria. Só duas frases curtas: a primeira é para avisar o seu Filho que o vinho tinha acabado – “Eles não tem mais vinho”.

Maria, que sempre se revelou como uma mulher atenta à realidade, certamente andou pela cozinha da casa e se inteirou da dificuldade dos noivos e do problema que significaria interromper a festa do casório. Com sua sensibilidade feminina, entendeu a difícil situação e soube que atitude tomar. 

Em outras palavras, Maria é aquela que sabe entrar em sintonia com os sentimentos dos outros e construir vida festiva, e vida em abundância. Ao sussurrar no ouvido de seu Filho - “Eles não tem mais vinho” - ela se revela sensível e atenta às necessidades das pessoas que vivem ao seu redor e as põe em comunicação com Aquele que pode remediar tais necessidades. O vinho simboliza o dinamismo da vida, a alegria, a festa contínua, a celebração...

E disse a segunda frase que ficará para sempre como um grande convite para todos os seguidores e seguidoras de Jesus: “Fazei tudo o que Ele vos disser” É como se esta frase fosse a condensação da mensagem e da atitude de Maria no evangelho. Ela se apresenta como caminho que conduz ao Caminho verdadeiro; foi aquela que mais conheceu e mais seguiu seu Filho; precisamente por isso, sua presença é capaz de alimentar em todos nós a confiança em Jesus e nos acompanha até Ele.


2 – O que o texto diz para mim?
É decisivo estar disposta a abrir espaços em minha história a novas pessoas e situações, novas vivências, novas experiências... Porque sempre há algo diferente e inesperado que pode me enriquecer.

A vida está cheia de possibilidades e surpresas; inumeráveis caminhos que posso percorrer; pessoas instigantes que aparecem em minha vida; desafios, encontros, aprendizagens, motivos para celebrar, lições que aprendo e me fazem um pouco mais lúcida, mais humana e mais simples...

Em Maria me inspiro para viver também uma presença inspiradora em minha existência cotidiana.

Maria foi aquela que, como ninguém, abriu-se ao Deus surpreendente e deixou-se conduzir por Ele. Dela não se diz muito nos evangelhos, mas o que ali se diz me revela uma presença surpreendente, capaz de ver mais além do cotidiano e estabelecido.

Sua presença revela um gesto profético de solidariedade e de anúncio: presença que aponta para uma outra presença, a de seu Filho. Sua presença dignifica e revela um novo sentido à presença de Jesus numa festa de Casamento.

É o evangelista João quem me apresenta Maria em sua verdadeira missão de presença mobilizadora e mediadora junto a Jesus. Não porque ele fale muitas vezes dela, mas porque a situa claramente nos dois momentos-chave da vida de Jesus: no início, quando faz adiantar a Hora, e na Hora da Cruz.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Porque estava presente a Deus, Maria fez-se presente nos momentos decisivos de seu Filho, bem como fez-se presente na vida das pessoas. Uma presença que faz a diferença: presença solidária, marcada pela atenção, prontidão e sensibilidade, próprias de uma mãe que acompanha com ternura.

Sua presença não era presença anônima, mas comprometida; presença expansiva que mobilizou os outros, assim como mobilizou seu Filho a antecipar sua “hora”.

Trata-se de uma presença que é “música calada” nos lugares cotidianos e escondida, que sabe enternecer-se e escutar as inquietações que procedem desses lugares. Uma presença que descobre o próximo no próximo, que sabe resgatar a solidariedade na vida cotidiana; uma presença que se manifesta na ausência de recompensa ou de interesse próprio. 

A presença silenciosa, original e mobilizadora de Maria desvelam e ativa também em mim uma presença inspiradora, ou seja, descentrar-me para estar sintonizada com a realidade e suas carências. Tal atitude me mobiliza a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações; escutar relatos que trazem luz para minha própria vida; ver a partir de um horizonte mais amplo, que ajuda a relativizar minhas pretensões absolutas e a compreender um pouco mais o valor daquilo que acontece ao meu redor; escutar de tal maneira que aquilo que ouço penetre na minha própria vida; implicar-me afetivamente, relacionar-me com pessoas, não com etiquetas e títulos; acolher na própria vida outras vidas; histórias que afetam minhas entranhas e permanecem na memória e no coração


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, aprender dos outros; recarregar minha própria história de um horizonte diferente, no qual cabem outras possibilidades e outras responsabilidades; descobrir uma perspectiva mais ampla que ajuda a formular melhor o sentido de minha própria vida.

Em Maria descubro a verdadeira vocação de todo ser humano. Ser como Maria não é uma simples meta a alcançar, pois parto da mesma realidade da qual ela partiu. O que estou celebrando, nesta festa da Mãe Aparecida, me indica o ponto de partida de minha trajetória humana, não o ponto de chegada.

E fazer este percurso vital é abrir-me às surpresas do Deus Surpreendente.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Estar atenta por onde tenho transitado normalmente... 

Estar atenta se minha presença eleva, anima, desperta os outros...

Estar atenta em perceber qual o meu comportamento nas presenças provocativas... que são  os pobres... os marginalizados...  as minorias... os excluídos da sociedade...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 2,1-11
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Medley à Padroeira – fx 12 (05:32) 
Ao trono acorrendo - Aut.: Pe. João L. Talarico
Viva a Mãe de Deus e nossa - Aut.: J. Vieira de Azevedo  
Dá-nos a benção - Aut.: D.R.  
Intérprete: Cantores de Deus  
CD: Uma canção para a padroeira
Gravadora: Paulinas Comep

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