segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Leitura Orante – 19° Domingo Tempo Comum, 12 de agosto de 2018


Leitura Orante – 19° Domingo Tempo Comum, 12 de agosto de 2018

O desafio de “ser pão” para os outros

“Quem come deste pão viverá eternamente” (João 6,51)


Texto Bíblico: João 6,41-51


1 – O que diz o texto?
Continuamos no capítulo 6 do Evangelho de João. Aumenta a tensão entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus vai aprofundando no seu ensinamento, vai aparecendo a enorme diferença existente entre o que eles aprenderam da tradição e o que Jesus lhes quer transmitir. E vão aparecendo as doentias murmurações.

“E começaram a murmurar contra Jesus”.      

Murmuravam porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. É o mesmo verbo para falar das murmurações dos israelitas no deserto contra Moisés, por não lhes dar alimento, como eles tinham no Egito. Jesus lhes recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis e agora também não confiam nas palavras do próprio Jesus.

Sabemos que a murmuração se expressa de inúmeras maneiras, sutis ou não, formando uma montanha de ressentimentos, queixas, críticas ácidas... Murmurar é contraproducente e nocivo. 

Alguém que murmura é uma pessoa difícil de conviver e poucas pessoas sabem como responder às queixas feitas por outras que expelem sua fuligem interior. O trágico é que, uma vez expressa, a murmuração leva ao que mais se queria evitar: um afastamento maior. Essa murmuração íntima é sombria e pesada: condenação dos outros, condenação de si mesmo, justificativas... entrando numa espiral de amargura e fechamento. 

À medida que a pessoa se deixa arrastar ao interior do vasto labirinto das suas murmurações, fica mais e mais perdido, até que, no fim, acaba achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada do mundo.

Para o evangelista João, a “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida presente, a vida atual, é uma vida que tem tal plenitude que, com toda razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, uma vida com tal força e tão sem limites, que nem a morte mesma terá poder sobre ela.

Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida do espírito, perceber as pulsações desta vida eterna que está em nós, do mesmo modo que, prestando atenção, percebemos as batidas de nosso coração.

A vida, desde o mais íntimo da pessoa humana, deseja ser despertada e vivenciada em plenitude.

Vida plena prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”

A “vida eterna”, então, não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já.


2 – O que o texto diz para mim?
Em um coração carregado de murmurações e queixas, o Espírito não tem liberdade de atuar; elas são a fonte poluidora de onde brotam as doentias divisões internas, que atrofiam as forças criativas, petrificam o coração, resistem ao novo e levam ao distanciamento de tudo e de todos. Com isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida, fechada em suas posições, crenças, valores... e não se deixa impactar pelo encontro com o diferente.

Nesse contexto “carregado”, Jesus vai abrindo um caminho de existência compartilhada, que se expressa na comunicação do pão e que culmina na comunicação de vida. Ele não se deixa afetar pelas murmurações que levam à morte.

Jesus, o “Pão da Vida”, tocou as “vidas feridas” com delicadeza e ternura e as transformou. Seus gestos terapêuticos foram o prolongamento da ação criativa de Deus; com palavras e ações Ele inaugurou no meio de nós o Reino de Vida do Pai. Não só optou pela vida e se comprometeu com a vida, mas fez de sua Vida uma entrega radical a favor da vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Em Jesus acontece algo totalmente novo; Ele traz uma nova maneira de viver e de comunicar vida que não cabe nos meus esquemas. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

A comunhão com Jesus é fonte de vida e vida em crescente amplitude. Quando me disponho a caminhar com Ele, sob a ação do seu Espírito, realiza-se em mim um processo de abertura e de superação, de crescimento e de reconstrução de mim mesma...; tomo consciência de uma dimensão profunda de meu interior, que me permite experimentar outra vida, que supera tudo o que vivo até então.

Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus me revela que a vida é sempre uma novidade que rompe velhos barris; ela é um fenômeno que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente. 

Tal realidade desperta fascinação, provoca admiração e veneração... porque a vida é sempre sagrada. Diante dela fico extasiada, boquiaberta, escancarado os olhos e afiados os ouvidos. Ela me atrai por sua força interna. A vida é sempre emergência do novo e do surpreendente. 

Portador de uma vida inesgotável é muito mais que o simples resultado de meus esforços e lutas. Vivo para mergulhar em algo diferente, novo e melhor.

Minha vida não é um problema a resolver, mas uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. Afinal, sou discípula permanente na escola do Mestre da vida!


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, Jesus faz-se alimento que gerar vida nova no mundo; alimentar-nos d’Ele, desperta minha vida interior, fazendo-me redescobrir minha verdadeira riqueza; ao mesmo tempo, fazendo-se “pão partilhado”, Jesus me ensina a gerar vida, ou seja, Ele me move a fazer com que minha própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida.

A comunhão de vida com Cristo me faz ter um “caso de amor com a vida”.

Nem sempre sei viver: conformo-me com uma vida estreita, estéril, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando me sacio com o Pão, que proporciona vigor inesgotável, minha vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão.... É vida em movimento, gesto de ir além de mim mesma; vida fecunda, potencial humano. 

Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
A experiência do Seguimento de Jesus é uma verdadeira “escola de vida”, cuja aprendizagem me leva ao âmago do meu ser, para enraizar minha vida no coração cheio de nutrientes, dele haurir a força da vida divina e deixar-me plenificar pela graça transbordante de Deus.

Nada mais contrário ao espírito do Evangelho que a vida instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Viver a partir do ser mais profundo, é preciso dedicar, cada dia, algum tempo de atenção ao próprio coração e aprender a regozijar-se da maravilhosa vida de Deus em cada um.

Basta um repouso e o estar presente para fazer acalmar a agitação interior e aproximar-se da fonte da vida.

Tenho nas mãos e no coração a opção de viver “em chave de benção”, descobrindo na vida a presença d’Aquele que me faz estremecer de alegria, desafiando-me a ser “pão para os outros”. 

Minha vida cotidiana: “pão substancioso de bênçãos”


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 6,41-51
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: A força do pão – Fx 11 (03:05)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj 
Coro: Marluce, Sonia Mara, Kater
CD: Sem ódio e sem medo
Gravadora: Paulinas Comep

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