terça-feira, 10 de julho de 2018

Leitura Orante – 15° Domingo Tempo Comum, 15 de julho de 2018


Leitura Orante – 15° Domingo Tempo Comum, 15 de julho de 2018

Conhece-se os seguidores de Jesus pelos pés.

“E Ele percorria os povoados da região, ensinando” (Mc 6,6)


Texto Bíblico: Marcos 6,7-13


1 – O que diz o texto?
Jesus, o Homem dos Caminhos, chama para uma Vida nova. Chama na vida e para a vida e põe as pessoas em movimento, a caminho. A “pegada” que Ele deixa ao passar é sua própria Vida partilhada.

Ele é o inspirador de toda itinerância; com sua peregrinação Ele abre possibilidade de outros caminhos. 

Jesus, o homem que se definiu, tem um sonho, um projeto (Reino). E surge diante dos outros com força pessoal capaz de sacudi-los e colocá-los em movimento.  Ele “passa” e sua presença os atrai arrancando-os da acomodação. 

Faz-se do chamado um caminho, quando se partilha a vida com quem chamou. Responder ao chamado feito por Jesus significa tornar esse chamado um caminho de entrega e de serviço.                                                   

Jesus nos apresenta uma causa muito nobre e, com seu chamado, rompe nosso estreito mundo e despertas em nós ricas possibilidades, reacende o que de mais nobre há em cada um e amplia nosso horizonte de vida. Para isso é preciso sair dos templos que pretendem fechar e aprisionar o Espírito, para dirigir-nos aos caminhos do mundo, para entrar em sintonia com o Coração e o Manancial da Vida, “em espírito e verdade”, tocando a carne concreta da Humanidade e da Mãe Terra.

“Chamado - resposta” implica, pois, um encontro comprometedor. O modo de ser de Jesus, transparente e livre, ativa nossa vida atrofiada e estreita e nos capacita a olhar amplos horizontes: seu povo, seu mundo dividido e excluído... A ressonância de seu chamado nos predispõe a encontrar motivações saudáveis e maduras que nos permitam peregrinar e viver no contexto atual com amor, entusiasmo e criatividade.

Jesus envia seus discípulos com o necessário para caminhar: cajado, sandálias e uma túnica. Não precisam de mais nada para ser testemunha do essencial. Jesus quer vê-los livres e sem ataduras, sempre disponíveis, sem instalar-se no bem-estar, confiando na força do Evangelho.

“O discípulo-missionário é um des-centrado: o centro é Jesus Cristo que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais. A posição do discípulo-missionário não é a de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias”. (Papa Francisco)


2 – O que o texto diz para mim?
“Adeptos, adeptas do Caminho”: assim eram conhecidos os primeiros seguidores e seguidoras de Jesus. (At 9,2)

Assim também quer Jesus que eu seja sua seguidora, sempre em caminho, em todos os lugares, em todas as casas de passagem, disposta a parar e conversar, pronta ao encontro e à solidariedade com todos os que vão e vem pela vida. 

Como seria bom voltar a recuperar o sentido desta expressão (“adeptos do Caminho”), pois ela me convida a continuar percorrendo o caminho cotidiano da existência de uma maneira cristificada; e isto é algo fundamental para o encontro profundo com o outro, com as alegrias e os sofrimentos daqueles que se encontram às margens, com a novidade e a surpresa da senda da vida, com o desafio de prosseguir confiando na Boa Notícia de Jesus, que se manteve sempre em caminho pelas estradas da Palestina, para levantar os feridos, oprimidos e excluídos do sistema social e religioso.

Hoje como ontem, sair, caminhar, deslocar-se, ser itinerante... tem sentido, porque significa ir ao encontro do novo e do diferente. “Sair” é também uma experiência constitutiva da natureza humana porque tem um ar transformador. Cada um, ao longo do caminho, experimenta “novos modos” de habitar a existência, de olhar-se, pensar e relacionar-se.  A itinerância permite ir mais além de si mesmo para encontrar outras maneiras de viver, para entrar em outras terras prometidas, para aproximar-se de outras pessoas, povos, culturas, onde encontrar  o sentido de vida; sobretudo,  possibilita ir ao encontro d’Aquele que me transcende e sempre se revelou Peregrino.

A vida humana, neste sentido, é caminho, com um ponto de partida, uma meta, um trajeto e um horizonte. Caminho, palavra familiar e também humilde que evoca a existência de uma origem e um destino e, entre ambos, de uma aventura: a aventura de meu caminhar, feita de desafios e extravios, e também de encontros e de momentos inesquecíveis me conforta ao longo do percurso.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Sou “peregrina” neste “êxodo de mim mesma para Deus”, no qual me “adentro em terra estranha, despojada dos suportes usuais da existência, desprovida de todo amparo que não seja o da caridade...” (Tellechea Idógoras). 

Quem caminha calcula seu trajeto, suas próprias forças, fadigas, planeja suas paradas. Por outra parte, decide correr o risco de sair de sua zona de conforto, para abrirse à paisagem de novas relações, ao inesperado e inexplorado, a novos encontros e sensações, a confiar e percorrer a própria existência.

O caminho é um processo de mudança pessoal, um lugar pedagógico de cura, de aprendizagens, abertas ao assombro, a um olhar dinamizador, à liberdade de pensamento e de ação. Ele me move a dilatar o coração e interessar-me pela situação das demais pessoas, a aproximar-me dos samaritanos e das samaritanas que encontro nas idas e vindas. Porque o caminho é a ocasião, o Kairós, o tempo pedagógico de um movimento que vivifica, deixa pegada e sabor de um outro sentir.

Posso dizer que na Igreja são imprescindíveis os itinerantes, os peregrinos do Reino de Deus, como o próprio Jesus, que enviou discípulos e discípulas pelos caminhos e povos, sem nenhuma estrutura de apoio a não ser um coração disposto a não querer outra riqueza a não ser o fermento de nova humanidade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Quê significa “fronteiras geográficas e existenciais”? 

Senhor, preciso sair dos limites conhecidos; sair de minhas seguranças para adentrar-me no terreno do incerto; sair dos espaços onde me sinto forte para arriscar-me a transitar por lugares onde sou frágil; sair do inquestionável para enfrentar o novo...

É decisivo estar disposta a abrir espaços em minha história a novas pessoas e situações, novos encontros, novas experiências... Porque sempre há algo diferente e inesperado que pode me enriquecer...

A vida está cheia de possibilidades e surpresas; inumeráveis caminhos que posso percorrer; pessoas instigantes que aparecem em minha vida; desafios, encontros, aprendizagens, motivos para celebrar, lições que aprenderei e me fará um pouco mais lúcida, mais humana e mais simples...

A periferia passa a ser terra privilegiada onde nasce o “novo”, por obra do Espírito. Ali aparece o broto original do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se um desafio ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida. 


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Com os itinerantes Jesus iniciou um movimento a serviço do Reino e Ele mesmo foi um itinerante. Não permaneceu numa casa, não se fechou em um lugar, não fundou uma instituição vinculada a um tipo de templo, sinagoga ou santuário, mas foi percorrendo, com um grupo de discípulos e discípulas  amigos e amigas, também itinerantes, os povoados e aldeias da Galiléia, anunciando e tornando presente o Reino. Jesus os tirou de seus lugares estáveis, de suas simples redes da margem do mar, e os fez itinerantes através de outros e amplos caminhos e mares, para assim encontrar-se com os caminhantes, os perdidos e expulsos, e iniciar com eles a grande Marcha da Vida.

Na minha vida acontece algo de verdadeiro e belo quando me disponho a buscar dentro de mim mesma a razão da minha existência.

No “mapa espiritual” de meu interior ainda existe uma “terra desconhecida”, que proporciona interesse à vida, suscita curiosidade, me põe a caminho...  

Grandes surpresas interiores estão à minha espera, e a capacidade de continuar procurando é que dá sentido ao esforço e vigor à vida.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Marcos 6,7-13
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão: 
Música: Caminhos e Jornadas Fx 04 (1.58)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, SCJ
Coro: Fernandinho, Ringo, Angela Márcia, Caio Flavio, Silvinha Araujo, Roberto Merli, Dalva de S. Tenorio, Márcia M. Carvalho
CD: Ir ao povo
Gravadora: Paulinas Comep

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