terça-feira, 26 de junho de 2018

Leitura Orante – Festa de São Pedro e São Paulo, 01 de julho de 2018


Leitura Orante – Festa de São Pedro e São Paulo, 01 de julho de 2018

QUANDO JESUS É ‘ROCHA’ EM NOSSO INTERIOR...

“Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a minha igreja...” (Mt 16,18)

Texto Bíblico: Mateus 16,13-19


1 – O que diz o texto?
Há indicações históricas de que já no séc. IV se celebrava uma festa em honra de São Pedro e São Paulo. Não é fácil descobrir as razões que levaram aqueles primeiros cristãos a unir em uma mesma celebração litúrgica duas figuras humanas tão diferentes. O mais provável é porque os dois foram martirizados em Roma durante a perseguição de Nero e quase ao mesmo tempo. Pode ser também porque suas sepulturas estivessem juntas durante muito tempo. É também provável que muito cedo se descobriu a complementariedade desses dois homens. De qualquer forma, é um claro exemplo de que personalidades tão diferentes, que inclusive discutiram duramente aspectos importantes da primitiva fé cristã, pudessem ser dois seguidores autênticos de Jesus.

Mas, desde sempre, Pedro e Paulo foram considerados como as colunas da Igreja. No caso de Paulo é tão evidente que alguns estudiosos chegaram a dizer que ele foi o verdadeiro fundador da Igreja, enquanto organização.

Pedro é o personagem mais destacado em todo o Novo Testamento. Mesmo assim, sabemos muito pouco de sua vida. Pelo contrário, Paulo é a pessoa melhor documentada. É o único apóstolo do qual podemos fazer uma biografia quase completa.

O texto do Evangelho da festa de hoje nos ajuda a reler nossa vida. Ali se afirma nossa identidade: temos um nome, que carrega algo sólido, firme, resistente, que não se desfaz com as adversidades existenciais (crises, fracassos...). A identidade de uma pessoa é dada por aquilo que é consistente, seguro... no seu interior e não pelo nome em si.

“Tu és Pedro e sobre esta rocha edificarei minha Igreja..."

E sobre ela, ao longo dos séculos, se assentou a fé dos cristãos de todos os tempos. Mas a Pedra da qual Cristo fala não é Pedro, pois a pedra da sua presunção, de sua segurança, de seu orgulho se transformou em cacos com suas negações na noite da Paixão. 

Mais tarde, Pedro, estará em condição de entender que a Pedra é unicamente Jesus. Somente Ele oferece toda a segurança. Pedro nos alenta na fé: confirma os seus irmãos, mas a fé é em Jesus Cristo.

O fundamento da Igreja é Jesus Cristo. Quem é decisivo na Igreja é Ele. O papa, os bispos, o clero tem sua missão e sua importância, mas a pedra angular é o Senhor.

Igualmente decisivo é o Reino de Deus, não a Igreja. A Igreja é aquela que trabalha em favor do Reino de Deus, mas o fundamento último é o Reino de Deus. Um Reino de justiça, de amor e de paz.

Mateus, no evangelho deste domingo, nos situa diante de um jogo de palavras entre “petros” (pedregulho, pedra sem estabilidade e que se esfarela) e “petra” (rocha firme, consistente).

Simão é por si mesmo, um “petros”, mas através de sua confissão messiânica, acolhendo a revelação de Deus e confessando Jesus como o Cristo, Filho de Deus vivo, alargou sua interioridade para que o mesmo Jesus ali se fizesse “petra” (Rocha – fundamento). Pedro chega ao grau máximo de identificação com Jesus, que mais tarde Paulo afirmará: “Não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim”. Pedro é proclamado bem-aventurado porque na sua fragilidade (petros) Jesus se faz presença solidificada (petra).

A Igreja se fundamenta na misericórdia de Deus, não na força dos homens. A Igreja é a comunidade dos pecadores perdoados, não a comunidade dos perfeitos.


2 – O que o texto diz para mim?
Dá para perceber claramente nos evangelhos os obstáculos que eles tiveram de superar para passar do conhecimento de Jesus à vivência de tudo o que Ele pregou. 

Seria muito interessante descobrir que somente a partir da vivência pessoal alguém pode se lançar à missão de comunicar uma fé. Isto explica como um punhado de pessoas, em pouco tempo, foram capazes de transformar o mundo até então conhecido. 

Essa dificuldade que Pedro e Paulo tiveram para seguir Jesus pode ser de muita ajuda para mim hoje. Pedro, antes da experiência pascal, seguia a um Jesus que se encaixava em seus ideais e interesses de bom judeu. Paulo, antes da queda a caminho de Damasco, servia ao Deus do Antigo Testamento que estava a anos-luz do Deus de Jesus.

Não serve para nada seguir a Jesus sem conhecê-Lo a fundo. Só depois de eu ter superado os meus pré-juízos, estarei preparada para despertar no outro o desejo de viver o mesmo seguimento.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Tenho de passar pelo doloroso processo de maturação na fé, pelo qual passaram Pedro e Paulo. No caso deles, a dificuldade se agravou porque os dois tiveram que dar o salto de uma religião centrada na Lei a uma experiência interior de seguimento, o que não é em nenhum caso, algo cômodo.

Da aprendizagem de uma doutrina à vivência do seguimento de uma Pessoa, há um grande percurso que devo fazer. Sem essa passagem a fé se converte em pura teoria, que torna estéril minha vida e nem desperta sedução nos outros. Talvez esteja aqui a causa de muitos fracassos no caminho da evangelização. Estou mais preocupada em “passar” uma doutrina, uma moral, uma religião... e não deixar transparecer em minha  vida que sou seguidora d’Aquele que é Rocha em meu interior.

Na origem do discipulado e da igreja está sempre presente a consciência do chamado. A vontade e a decisão de cada um são imprescindíveis, mas são despertadas pelo chamado e testemunho de outros, pelo chamado de Jesus e, em último termo, pelo chamado do próprio Deus. Isso é o que significa originariamente o termo “igreja” (ekklesia): “comunidade de chamados”.

No chamado de Jesus, Pedro e Paulo reconheceram o chamado de seu próprio interior, o chamado do povo sofredor, o chamado dos tempos difíceis e, em última instância, o chamado do Deus grande e próximo que lhes convidava à identificação com seu Filho e ao compromisso com o Reino.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a primeira coisa que estes dois personagens, Pedro e Paulo me ensinam é que não é nada fácil aceitar a mensagem de Jesus e segui-lo. Precisamente, os dois foram os mais resistentes, cada um à sua maneira, na hora de dar o passo e aceitar o verdadeiro Jesus. Tanto Pedro como Paulo eram pessoas muito religiosas e que se encontravam muito confortáveis dentro do judaísmo. O encontro com Jesus desbaratou essa segurança e os fez entrar na dinâmica de uma autêntica relação com o Mestre Galileu.

Pedro, com toda espontaneidade, não perde ocasião de manifestar sua oposição àquilo que o Mestre dizia. 

Paulo foi um fanático na defesa de sua religião. Por defender o judaísmo se converteu em perseguidor de todos aqueles que seguiam a maior heresia surgida dentro do judaísmo: “os seguidores do caminho”.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
É o Espírito que, guiando-me pelo caminho da escuta de meu “eu interior”, me faz sentir original, única, sagrado... 

A oração é a chave interior que abre caminho  para chegar até o “eu original”, aquele lugar sólido, a rocha sobre a qual construo minha vida. Este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, onde mergulho  no silêncio, à escuta de todo meu ser.

Minha própria interioridade é a rocha consistente e firme, bem talhada e preciosa sobre a qual encontro segurança para caminhar na vida, superando as dificuldades e as inevitáveis resistências na vivência do Reino. 


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mateus 16,13-19
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Música: Ninguém falou como esse homem – fx 08 (03:27)
Autor: Maria Luiza Ricciardi
Intérpretes: Ir. Ana Paula Ramalho, Ir. Edicléia Tonete, Ir. Verônica Firmino e Andréia Zanardi.
CD: Sejamos comunicação – cantos celebrativos
Gravadora: Paulinas Comep


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