terça-feira, 22 de maio de 2018

Leitura Orante – FESTA DA TRINDADE, 27 de maio de 2018


Leitura Orante – FESTA DA TRINDADE, 27 de maio de 2018

TRINDADE: “Deus é plural”

“...batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19)


Texto Bíblico: Mateus 28,16-20


1 – O que diz o texto?
A Igreja celebra, neste domingo, a Festa da Trindade, cume e compêndio de todas as festas do ano: do Deus que é Pai, é Filho e é Espírito.

Assim, a festa de hoje vem plenificar o tempo pascal, como uma espécie de “síntese”. Síntese, não intelectual, mas “misterial”, ou seja, celebração de nossa participação no fluxo amoroso das pessoas divinas; pois a  SS.  Trindade não é uma questão especulativa, é, sobretudo, uma experiência de um Deus amoroso.

A liturgia nos convoca a viver a experiência do Deus “comunhão de Pessoas”; para isso, ela nos convida a fazer uma viagem ao interior de Deus, como vida de amor que se revela na história da humanidade, vida entendida como Pai, Filho e Espírito Santo. 

A imensa maioria dos cristãos não sabe que, ao adorar a Deus como Trindade, está confessando que Deus, em sua intimidade mais profunda, é só amor, acolhida, ternura, misericórdia.

Essa viagem ao coração da Trindade culmina na grande comunhão humana, pois o Deus Pai, Filho e Espírito integram no amor todos os povos da terra. Dessa forma, a viagem ao interior de Deus se converte em movimento ao exterior, no encontro expansivo com todos os homens e mulheres. 

Quanto mais mergulhemos em Deus, comunidade de Amor, mais poderemos expandir-nos em solidariedade, amor e justiça para com todas as pessoas, porque o interior de Deus é princípio de reconciliação e unidade (na diversidade) de todos os povos e raças do mundo. 

Foi-nos dito que o dogma da Trindade é o mais importante de nossa fé católica; no entanto, a imensa maioria dos cristãos não consegue compreender o que ele quer dizer. Com a Trindade, nós cristãos não queremos “multiplicar” Deus. O que queremos é expressar a experiência singular de que Deus é comunhão e não solidão. “No princípio está a comunhão dos TRÊS e não a solidão do UM” (L. Boff).

Aproximar-nos do Deus de Jesus é descobrir a Trindade. E em cada um de nós a Trindade deixa-se refletir. Nossa vida deveria ser um espelho que em todo momento refletisse o mistério da Trindade. O grande ensinamento da Trindade é que só vivemos se convivemos. 

Viver a experiência do Deus Trino implica saber conviver; fomos feitos para o encontro e a comunicação. Estamos, portanto, falando de uma única realidade que é relação.

Deus-Trindade é a relacionalidade por excelência; Deus só existe como ser em relação; Deus é só relação, porque Deus é só amor. “No princípio está a relação(G. Bachelard).

E sendo Deus essencialmente relação, não poderia permanecer fechado n’Ele mesmo;  num gesto de pura gratuidade,  essa relação se manifesta como transbordamento de vida, chamando toda a Criação à existência  e convidando a  humunidade a entrar no fluxo dessa relação trinitária. 


2 – O que o texto diz para mim?
Para me aproximar do Deus comunhão de Pessoas, tenho de superar o ídolo ao qual me apego. Sim, o “falso deus” identificado com um ser poderoso que se manifesta como um déspota, um tirano destruidor, um ditador arbitrário; um ser onipotente que ameaça minha pequena e limitada liberdade. É muito difícil abandonar-me a alguém infinitamente poderoso. Parece mais fácil desconfiar, ser cautelosa e salvaguardar minha independência.

Mas Deus Trindade é um mistério de Amor. E sua onipotência é a onipotência de quem só é amor, ternura insondável e infinita. É o amor de Deus que é onipotente. E sempre que esqueço isso e saio do fluxo do amor, eu fabrico um Deus falso, uma espécie de ídolo que não existe.

A Trindade não é uma verdade para crer, mas uma presença a ser acolhida, uma experiência a ser vivida. Uma profunda experiência da mensagem cristã será sempre uma aproximação ao mistério Trinitário.

A festa da Trindade deve me libertar do “Deus Ser todo poderoso” e empapar-me do Deus Ágape que me identifica com Ele.  A imagem do “Deus todo poderoso” não expressa bem a experiência do “Deus trino”. Deus é amor e só amor. Só na medida que amo, posso conhecer a Deus.

Esta é talvez a conversão que muitos cristãos mais precisam: fazer a passagem de um Deus considerado como Poder a um Deus adorado alegremente como Amor.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Sou feliz em descobrir que a Trindade não é um mistério incompreensível, mas a cotidiana experiência do Amor, a partir de uma vida encarnada em minha história, com um respiro, um ânimo e uma paixão especial por continuar vivendo cada dia com os mesmos sentimentos de Jesus, junto a tantas pessoas que trabalham por outro mundo mais fraterno, justo e solidário. A Trindade é o espelho que me mostra como devo ser e viver à luz da “melhor Comunidade”.

Ora, tal Mistério fonte de todo ser, constitui o modelo ideal de todo e qualquer convívio humano. Sou feita à “imagem e semelhança da Trindade”.  Trago em mim impulsos de comunhão. 

Sempre que construo relações pessoais e sociais que facilitem a circulação da vida, a comunhão de diferentes à base da igualdade, estarei tornando visível um pouco do mistério íntimo de Deus.

Deus quer inserir-me nesta sua comunhão eterna, como no-lo disse Jesus: “Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em mim, e eu em Ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste”  (Jo. 17,21).

Portanto, Trindade é a glória de Deus que se expressa na vida da humanidade; é o Amor mútuo, a comunhão pessoal, de Palavra (Filho) e de Afeto (Espírito Santo) que sustenta as relações entre os seres humanos. Assim é a Trindade na terra: quando todos compartilham a vida e se amam.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Não crê na Trindade quem simplesmente professa que há “em Deus três pessoas”, ou quem faz mecanicamente o sinal da Cruz, mas aquele que vive o impulso e a expansão do Amor Redentor, que se expressa como compaixão, reconciliação e compromisso. 

Senhor, crer na Trindade é amar de um modo ativo, como dizia S. Agostinho. 

Contempla-se a Trindade ali onde eu amo e me comprometo com a libertação do próximo.

Estou envolvida pelo mesmo movimento do Amor sem fim que parte do Pai, passa pelo filho e se consuma no Espírito.

Só quem tem coração solidário adora um Deus Trinitário, pois no compromisso libertador torna-se visível a presença trinitária.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Sair de mim mesma e criar laços, construir fraternidade, fortalecer a comunhão.

Manifestar o mistério do Deus trinitário como amor e vida.

Abrir-me mais à ação do Espírito da Verdade em minha vida, para levar um conhecimento existencial e atualizado do Evangelho de Jesus.

Fui criada “à imagem e semelhança” do Deus Trindade, comunhão de Pessoas. (Pai-Filho-Espírito Santo). Quanto mais unida eu for, por causa do amor que circula entre mim e as pessoas ao meu redor, mais me parecerei com o Deus Trindade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas Mateus 28,16-20
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Música: Deus Trindade – Fx 01 (04:34)
Autor e Intérprete: Padre José Agnaldo
CD: És o meu Senhor
Gravadora: Paulinas Comep

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