terça-feira, 1 de maio de 2018

Leitura Orante – 6º DOMINGO DA PÁSCOA, 06 de maio de 2018


Leitura Orante – 6º DOMINGO DA PÁSCOA, 06 de maio de 2018

AMOR VIVIDO NA ALEGRIA: quinta-essência da vida cristã

“Digo-vos essas coisas para que minha alegria esteja em vós 
e vossa alegria esteja completa.” (Jo 15,11)


Texto Bíblico: João 15,9-17


1 – O que diz o texto?
O Evangelho deste domingo é desenvolvimento do tema do domingo anterior, ou seja, a videira e os ramos. Jesus explica em quê consiste essa “conexão” dos seus seguidores à Videira verdadeira.

Apresentando como inspiração sua união com o Pai, Jesus vai desvelando a essência de sua mensagem. Sem usar metáforas nem comparações, Ele nos coloca diante da realidade mais profunda da mensagem evangélica: o Amor que, vivido na alegria, é a essência divina que mais nos humaniza.

Trata-se de entrar em sintonia, de “ajustar-se” ao modo de amar de Deus: amor descendente, amor sem fronteiras, oblativo, expansivo... e que se “revela mais em obras do que em palavras” (S. Inácio).

O seguidor e a seguidora de Jesus encontra-se, assim, envolvido, envolvida pelo Amor transbordante de Deus e, ao mesmo tempo, entra no fluxo desse Amor criativo, “descendo” à realidade cotidiana e ali deixando transparecer esse mesmo Amor através dos encontros com os outros.

Portanto, o ser humano, na mística cristã, é o “ponto” no qual convergem o Amor “que desce do alto” e o Amor que flui para o outro, o Amor que vem do outro e o Amor que retorna à sua Fonte.

João põe na boca de Jesus a senha de identidade que distingue os seus seguidores. É o mandamento novo, em oposição ao antigo, ou seja, a Lei. Fica estabelecida a diferença entre as duas alianças. Jesus não manda amar a Deus nem amar a Ele, mas amar como Ele ama. 

Na realidade, o mandamento do Amor não é lei que se impõe de fora; mas emana do coração alegre de Deus e de todos nós. É dinamismo expansivo que brota de dentro e nos impulsiona em direção ao outro, sem buscar recompensa.


2 – O que o texto diz para mim?
Não se pode impor o amor por decreto. Todos os esforços que faço por cumprir um “mandamento” de amor estão fadados ao fracasso. A busca deve estar encaminhada a descobrir o Deus que é amor, dentro de mim. No fundo, o evangelho deste domingo está me dizendo que, para o seguidor, a seguidora de Jesus, a primazia é a experiência de Deus. Só depois de um conhecimento intuitivo do que Deus é em mim, poderei descobrir os motivos do verdadeiro amor.

Meu amor será “um amor que responde ao amor de Deus”; e Jesus deixou transparecer esse amor de Deus até o extremo da doação de si. Portanto, amor de Deus é a realidade primeira e fundante: descobri-la e vivê-la, é a verdadeira identidade daquele, daquela que segue Jesus.

Qualquer relação com Deus sem um amor manifestado em obras será pura idolatria. A nova comunidade não se caracterizará por doutrinas, nem ritos, nem normas morais. O único distintivo deve ser o amor manifestado. Jesus não funda um clube cujos membros devem ajustar-se a uns estatutos, mas uma comunidade que experimenta Deus como amor e cada membro n’Ele se inspira, amando como Ele. 

Nenhuma outra realidade pode substituir o essencial. Se isto falta, não pode haver comunidade cristã.

Jesus não apresenta este mandato do amor como uma lei que deve reger minha vida, fazendo-a mais dura e pesada, mas como uma fonte de alegria. Quando em mim falta o verdadeiro amor, cria-se um vazio que nada nem ninguém podem preencher de alegria.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A alegria é o sentimento central na experiência cristã da Páscoa. Minha alegria é Cristo ressuscitado. Ele é a causa de minha alegria. 

A alegria na vida cristã aninha-se e cresce na vivência do mistério pascal. A ressurreição de Jesus causou uma imensa alegria na comunidade dos discípulos. A alegria é contagiosa. Tem uma dimensão social e comunitária. Eu não estou alegre só porque Jesus está vivo, mas porque me fez partícipe de sua ressurreição, de sua nova vida. Assim minha alegria é a alegria de Jesus.

A vida cristã, por vocação e missão, deve ser alegre. Toda ela é profecia de alegria e esperança. A participação afetiva na alegria de Cristo é a forma de expressar o desejo da íntima comunhão no amor que reforça o seguimento. “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daquele que se encontra com Jesus. Com Jesus Cristo sempre nasce e renasce a alegria” (Papa Francisco).

Essa alegria, da qual me fala Jesus, não é um simples sentimento passageiro; trata-se de um estado permanente de plenitude e bem-estar por ter encontrado meu verdadeiro ser, luminoso e indestrutível. No encontro com o Ressuscitado surgirá espontaneamente a alegria, que é meu estado natural.

A alegria, portanto, não é um estado de ânimo, mas um estado da pessoa. Por isso, a alegria não é algo que acontece na pessoa: é a pessoa mesma acontecendo é a pessoa alegrando-se.

Só quando descubro quem realmente sou, estou, então, em condições de viver para os demais sem limites. O verdadeiro amor é expansivo, é dom total; e a prova de fogo do amor é o amor ao inimigo. Se há um limite em minha entrega, ainda não alcancei o amor evangélico. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, os santos por viverem profundamente fundamentados no amor de Deus, foram testemunhas da alegria. Eles deixaram transparecer que o amor que Deus tem a cada um de nós suscita a alegria e esta motiva dá energia, gera confiança. Este amor é o que me faz sair de mim mesma, reencontrar-me e entregar-me aos demais. E aqui está o “peso” do amor, vigor da alegria. 

O amor é o princípio que ordena a vida e a alegria irradia harmonia e bem-estar àqueles que me rodeiam. Existe, portanto, uma relação de reciprocidade entre a alegria e o amor. São como vasos comunicantes: a alegria brota do amor, o amor se expressa na alegria. É na atmosfera da alegria que o mandamento do amor revela seu pleno sentido.

Nisto consiste a verdadeira alegria: sentir que um grande mistério, o mistério do amor de Deus, me visita e plenifica minha existência pessoal e comunitária.

A alegria que brota do amor é a experiência da vida já ressuscitada; e este amor oblativo já não busca seu próprio interesse, mas somente o serviço e a glória do Ressuscitado. O Pai, em seu amor, pronunciou a palavra definitiva de fidelidade que consola e enche de esperança. Seu amor me inunda e ativa a alegria pascal: é preciso devolvê-lo em gratidão e em generosidade para com o próximo. 


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
A alegria sempre indica que a vida está se expandindo, que ganhou terreno, que conseguiu ir além de si mesma. Um sinal de identidade da alegria é o olhar profundo, amplo e expansivo da vida. Mesmo em meio à dor e ao sofrimento, não faltam o bom humor e a ternura. Quem é cristãmente alegre se desgasta menos, integra melhor os acontecimentos, é feliz e faz felizes os outros.

Quem vive na alegria se sente sereno, livre, pensa positivamente, está próximo dos pobres, acolhe as adversidades, integra suas contradições, ama sem pôr condições, louva, canta e bendiz sem cessar.

De fato, a alegria experimentada não me põe na retaguarda nem me acomoda; pelo contrário, me pede que eu seja mais radical nos questionamentos e nos compromissos. 

Está em jogo a glória de Deus e a dignidade de seus filhos e filhas.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 15,9-17
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Música: Amar como Jesus amou – Fx 06 (05:04)
Autor e Intérprete: Padre Zezinho, scj  
CD: Histórias que conto e canto
Gravadora: Paulinas Comep




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