terça-feira, 24 de abril de 2018

Leitura Orante – 5º DOMINGO DA PÁSCOA, 29 de abril de 2018


Leitura Orante – 5º DOMINGO DA PÁSCOA, 29 de abril de 2018

CONECTADOS À VIDA

“Como o ramo não pode produzir fruto por si mesmo, 
se não permanecer na videira...” (João 15,4)


Texto Bíblico: João 15,1-8


1 – O que diz o texto?
A imagem da videira e dos ramos, no Evangelho de hoje, nos revela a teia das relações, das interdependências e da comunhão de todos com a Fonte originária de tudo. Pertencemos a uma comunidade cósmica de vida tal como foi criada e sustentada por Deus. Somos quem somos somente na relação e por  nossa relação com todas as criaturas e com o próprio Criador; somos alimentados pela mesma seiva divina, que tudo sustenta com sua mão providente. 

Isto significa que há uma unidade fundamental que perpassa todas as partes do universo, na forma de uma “rede”. Nós, seres humanos, também fazemos parte desta vasta rede de inter-relações, conectados a todos os elementos da natureza, desde a menor célula até a ecologia global. 

Sentimo-nos impulsionados pela seiva do Espírito que alimenta as energias do universo e a nossa própria energia vital e espiritual. Conectar-nos com a Videira possibilita alcançar a seiva, o pulsar da vida e o equilíbrio nas relações; viver em profunda fusão com a videira desperta as energias criativas, todas as grandes motivações adormecidas, toda bondade aí presente. 

Sem a seiva divina que nos atravessa nunca poderemos dar o verdadeiro fruto.

A verdadeira nobreza do ser humano consiste nisto: há nele “algo” de interior, decorrente de sua profunda conexão com a Videira, de onde recebe a seiva que o nutre e o faz entrar em relação com tudo e com todos; há nele uma força latente, como uma energia fundamental, que o impulsiona a viver, que o ajuda a crescer e a melhorar continuamente, aumenta a sua capacidade de resistência, estimula-o a alcançar aquilo que é o sentido de sua própria existência: a verdade, a liberdade, o bem, o amor... 

Com a presença desta força interior, a pessoa se sente guiada pelo seu dinamismo, que lhe proporciona saúde física, lucidez mental e limpidez afetiva. É esta força que comanda os melhores momentos da vida humana como um princípio ativo, dinâmico, criativo... Tais forças primordiais, vitais, presentes nas diferentes etapas do crescimento, são essenciais ao ser humano, graças às quais ele se orienta diante das solicitações da vida pessoal e das múltiplas escolhas, constrói a sua vida pessoal, reforça as relações comunitárias e sustenta o seu compromisso solidário no caminho em direção à plenitude do seu ser.


2 – O que o texto diz para mim?
Se há algo que caracteriza meu tempo é a nova consciência de ser rede comunhão interconexão unidade. Todos já sabemos que tudo está interconectado: a globalidade é interação. Lentamente vai-se tomando consciência de que formamos parte de um todo. Há em mim uma necessidade básica de viver conectada com os outros, de entrar em relação com o mundo.

Este tempo pede de mim “uma espiritualidade da conexão”, da busca da experiência da Unidade, de estender pontes entre culturas, raças, sexos, crenças religiosas, ideologias, de romper fronteiras, de estreitar laços, de criar espaços acolhedores...

Preciso sair de meus pequenos círculos para criar vínculos com tantas pessoas, grupos, organizações sociais e movimentos que buscam outra globalização, a globalização da solidariedade, da interconexão responsável, da comunhão universal.

O desafio que se apresenta diante de meus olhos é o de ser fiel à realidade para poder descobrir nela a novidade de Deus, uma experiência “mística” que me faça tocar o mais profundo de tudo, e como consequência, denunciar o que obstrui e mata este dom novo de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Percebo, no contexto atual, que o ser humano tem perdido o contato e a comunhão com o cosmos e com os seus semelhantes, recusando receber a seiva que a todos alimenta; ele está conectado com tudo e com todos e, no entanto, tal conexão não lhe nutre, nem lhe oferece sentido à sua existência. A compulsão dos meios eletrônicos o ameaça de superficialidade, de individualismo e de isolamento. Isto tem provocado nele toda espécie de mal-estar, de doenças, de conflito e divisão, de insegurança, de ansiedade, de solidão, de aridez existencial... É aguda a consciência de uma fragmentação do eu interior.

Quando esta “força vital” permanece bloqueada, o ser humano perde a direção, seca a criatividade e o gosto por viver, não faz progredir a sua potencialidade e demite-se da própria vida. Diante dessa situação existencial, faz-se urgente uma poda. A poda é constitutiva de minha vida, sempre será necessária; tenho a permanente tendência à acomodação, à rigidez em meu modo de ser e proceder, ao fechamento em minhas ideias, aos afetos desordenados; constantemente experimento perdas, amputações, despedidas, limites...

Vivo as perdas como autênticas mutilações do eu e da vida. Algo ligado à minha identidade, à minha imagem pública, com as quais me identifico, deve ser jogado ao fogo, pois já não serve mais para nada.

Mas as podas abrem espaço à vida nova. À luz da Páscoa, toda poda revela-se nova possibilidade de vida.

É certo que ela pode me paralisar na queixa contínua, na saudade melancólica do passado ou em posturas defensivas; mas também me possibilita experimentar a chegada de uma vida inspirada que ativa minha criatividade e me enche de alegria. O decisivo não é fixar-me no “por quê?” das perdas e podas, mas, à luz da Ressurreição, mudar o sentido da pergunta: “para quê” a poda aconteceu? No “para quê” descubro um novo sentido e uma nova força vital que brota das feridas e perdas existenciais. Na experiência da ressurreição nada é “descartado”, tudo é iluminado e a seiva de vida surge de onde menos se espera.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, o Podador sabe que está preparando uma vida nova e de mais plenitude. Mas é doloroso, produz-se uma perda, é necessário fazer o luto e despedir-me daquilo que inevitavelmente eu perdi.

Preciso fazer descer da cruz o que em mim está caduco e morto, olhá-lo de frente, sepultá-lo e despedir-me dele para que a vida nova possa expandir-se com liberdade.

Só quando morro e ressuscito posso me renovar e gerar muitos frutos, pois experimento em minha própria carne a fragilidade humana, o que é efêmero e secundário, mas ao mesmo tempo ressuscito a partir de uma força que me vem do mais profundo de mim mesma, que transforma o que está morto em mim numa nova possibilidade ainda por ativar. Ninguém ressuscita no sentido de recuperação do antigo, mas como a acolhida de um dom inédito de Deus.

É decisivo religar-me à Fonte e aproveitar, para o desenvolvimento integral da minha personalidade, os abundantes nutrientes e recursos presentes nas profundezas do meu coração. São forças construtivas e autônomas, livres de influências externas, que devem ser colocadas a serviço da construção de uma personalidade sadia, equilibrada e mais rica. Com isso, todo meu interior se alarga e se dilata.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
A seiva de meu ser essencial constitui minha autêntica vida. Descobri-la, abrir-me a ela, fazer-me transparente a ela e vivê-la cada dia constituem a plenitude de minha realização. 

É seiva divina, presente no “eu” mais profundo, que me arranca de meu fechamento e me faz ir para além de mim mesma; ela me abre a uma Realidade maior que me transcende; é ela que me faz perceber que tenho no coração um espaço que está feito à medida de Deus.  

Preciso viver mais nas raízes de meu ser; preciso aprender a viver de uma maneira mais profunda e autêntica, a partir do núcleo mais íntimo de meu ser, a partir de meu ser essencial. 

Trata-se de descer em profundidade, de encontrar o meu centro, aquele ponto de gravidade por onde passa o eixo do meu equilíbrio pessoal. 

A oração me ajuda a encontrá-lo e a ampliá-lo.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: João 15,1-8
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Música: Eu sou a videira – Fx 04 (04:34)
Autor: Luis Carlos Susin
Solo: Luis Carlos Susin
Intérpretes:  Terezinha S. Regalin, Elisete Baldasso, Vilson Regalin, Geni M. OnziIsoppo, Ladir Brandalise, Frei Luiz Turra, Gracinha, Roberto Merli, Márcia Gui.
CD: Jesus nosso irmão – Série Deus conosco
Gravadora: Paulinas Comep


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