terça-feira, 10 de abril de 2018

Leitura Orante – 3º DOMINGO DA RESSURREIÇÃO, 15 de abril de 2018




Leitura Orante – 3º DOMINGO DA RESSURREIÇÃO, 15 de abril de 2018


RESSURREIÇÃO: encontros re-construtores

Jesus se apresentou no meio deles e lhes disse:
 “A paz esteja convosco!” (Lc 24,36)


Texto Bíblico: Lucas 24,35-48


1 – O que diz o texto?
Lucas descreve o encontro do Ressuscitado com seus discípulos como uma experiência fundante. O desejo de Jesus é claro. Sua missão não terminou na Cruz. Ressuscitado por Deus depois da execução, entra em contato com os seus para pôr em marcha um movimento de “testemunhas” capazes de contagiar a todos os povos com sua Boa Notícia: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Não é fácil converter em testemunhas aqueles homens afundados no desconcerto e no medo. 

Ao longo da cena do evangelho deste domingo, os discípulos permanecem calados, em silêncio total. 

O narrador só descreve seu mundo interior: estão cheios de medo, só sentem perturbação e incredulidade; tudo aquilo lhes parece muito bonito para ser verdade.

É Jesus quem vai regenerar a fé dos seus discípulos. O mais importante é que não se sintam sozinhos; devem senti-Lo cheios de vida no meio deles. Estas são as primeiras palavras que escutam do Ressuscitado: “A paz esteja convosco!” “...por quê tendes dúvidas no coração?”

Para despertar a fé dos seus discípulos, Jesus não lhes pede que olhem Seu rosto, mas suas mãos e pés; quer que vejam suas feridas de crucificado, que tenham sempre diante dos olhos seu amor entregue até a morte. Não é um fantasma: “Sou eu mesmo!” O mesmo que conheceram e amaram pelos caminhos da Galiléia.

Apesar de vê-los cheios de medo e de dúvidas, Jesus confia em seus discípulos. Ele mesmo lhes enviará o Espírito que os sustentará. Por isso, recomenda-lhes que prolonguem sua presença no mundo.

Marcados pela ressurreição, passamos a nos relacionar de maneira diferente com os outros; brota em nós mais ternura, somos mais sensíveis à dor e à injustiça.


2 – O que o texto diz para mim?
Com sua presença compassiva, Jesus desperta minha vida, arrancando-a de seus limites estreitos e constituindo-a como vida expansiva em direção a novos horizontes. 

Pois a vida autêntica é a vida movida, iluminada, impulsionada pelo amor. 

O Ressuscitado me precede, me sustenta e, na liberdade de seu amor, me impele a ampliar minha vida a serviço. Toda peregrinação, em clima de admiração e assombro, se revela rica em descobertas e surpresas, e desperta o coração para dimensões maiores que a rotina de cada dia. 

Sou já “ser ressuscitada”, e isso faz a grande diferença, pois tem um impacto no meu modo de viver e de me relacionar com os outros.  “Viver como ressuscitado” implica esvaziar-me do “ego”, para deixar transparecer o que há de divino em meu interior.

Cada dia é o “terceiro dia” pascal. Desde que nasceu até que morreu, Jesus viveu ressuscitando para a vida.

A Páscoa não se demonstra com argumentos de razão; a Páscoa só é possível manifestá-la com o testemunho da vida. Jesus não dá explicações; Ele mostra os sinais de seu amor para com a humanidade, ou seja, as chagas de suas mãos, de seus pés e a refeição.

As chagas de suas mãos, feridas e cravadas de tanto abençoar, elevar, sustentar... os mais frágeis; as chagas de seus pés, feridos de tanto caminhar em busca de quem estava perdido; a refeição, como expressão de fazer-se pão para quem tem fome.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Quando acolho a presença do Ressuscitado, minha vida se destrava e torna-se potencial de inovação criadora, expressão permanente de liberdade, consciência, amor, arte, alegria, compaixão... É vida em movimento, gesto de ir além de mim mesma; vida fecunda, potencial humano. Vida com fome e sede de significado, que busca o sentido... Vida que é encontro, interação, comunhão, solidariedade. Vida que é seduzida pelo amor, pela ternura. Vida que desperta o olhar para o vasto mundo. Vida que é voz, é canto, é dança, é festa, é convocação...

Eles não ensinarão doutrinas sublimes, mas hão de contagiar com sua experiência. Não vão pregar grandes teorias sobre Cristo, mas irradiar seu Espírito. Hão de despertar a fé com a vida, não só com palavras. 

A “pedra pesada” da minha impotência diante da dor, do fracasso e da morte, foi retirada pelo Mestre, que, diante de mim, chama-me pelo “nome” e me desafia a viver como ressuscitado. 

Quem se experimenta a si mesmo como “Vida” é já uma pessoa “ressuscitada”. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, quando esqueço a presença viva de Jesus em nosso meio, quando O faço opaco e invisível com meus protagonismos e conflitos, quando a tristeza me impede sentir tudo menos sua paz, quando contagio o outro com pessimismo e incredulidade... estou pecando contra o Ressuscitado. Assim não é possível uma Igreja de testemunhas.

Sempre que pretendo fundamentar a fé no Ressuscitado com minhas elucubrações, O converto em um fantasma. Para encontrar-me com Ele, tenho de percorrer o relato dos Evangelhos: descobrir suas mãos que abençoavam os enfermos e acariciavam as crianças, seus pés cansados de caminhar ao encontro dos mais esquecidos; descobrir suas feridas e sua paixão. Esse é Jesus que agora vive, ressuscitado pelo Pai.

Creio que Jesus ressuscitou não “depois” de sua morte, mas em toda sua vida, incluída a morte. A vida comprometida de Jesus ressuscitava na plenitude eterna de Deus quando curava enfermos devolvendo-lhes a confiança vital, quando partilhava a mesa com os excluídos pela religião, quando proclamava ditosos os pobres campesinos e pescadores da Galiléia, quando contava parábolas que ativavam a misericórdia e provocavam surpresa, quando subvertia as hierarquias e consagrava a fraternidade. 

Jesus ressuscitou em sua vida, quando vivia e intensamente e despertava a vida bloqueada nos outros; e, quando morreu entregando tudo, ressuscitou totalmente, como todos aqueles que morrem dando a vida, pois dar a vida é viver plenamente. Por isso Jesus ressuscitou também na cruz, quando entregou totalmente seu alento vital. 


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Apresentar ao mundo minhas mãos, meus pés e o meu pão.

Minhas mãos feridas na doação, feridas de tanto abrir-se àquele que está caído, de tanto ajudar a quem está cansado, de tanto estendê-las a quem está só, a quem se sente excluído. 

Mostrar as mãos feridas pela generosidade da caridade, do amor; mãos cristificada que abençoam, curam, elevam, apontam horizontes... 

Mostrar as chagas dos pés; Pés cristificados que rompem distâncias, que vão ao encontro do diferente, daqueles que ninguém busca que transita pelos ambientes excluídos levando a mensagem da vida plena; pés que andam caminhos visitando os enfermos, os anciãos que vivem sozinhos, os presos sem liberdade, que andam caminho buscando aqueles que se extraviaram, que se afastaram...

Ser testemunha da Ressurreição significa viver a “cultura do encontro”; e só vive a “cultura do encontro” quem prolonga as mãos e os pés do Crucificado-Ressuscitado; Anunciar a Páscoa com as mãos e com os pés! 

Uma mão esconde entre suas linhas a espessura profunda e o valor impenetrável de uma vivência única e irrepetível; exprime autoridade, elegância, dignidade, credibilidade, bênção...

Uma mão se faz encontro. Vai aproximando, oferecendo, interrogando, esperando, indicando, saudando, acolhendo, bendizendo... Uma mão se abre, se oferece se doa...

Colocar amor em minhas mãos e tudo o que tocar tornar-se-á benção.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 24,35-48
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Música: Aleluia – Fx 08 (03:43)
Autor: Antonio Cardoso
Intérprete: Antonio Cardoso
CD: Uma casa iluminada por Deus
Gravadora: Paulinas Comep

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