quarta-feira, 28 de março de 2018

Leitura Orante – DOMINGO DA RESSURREIÇÃO, 01 de abril de 2018


Leitura Orante – DOMINGO DA RESSURREIÇÃO, 01 de abril de 2018

TRAVESSIA PARA A GALILÉIA: mulheres portadoras de perfumes

“Passado o sábado, Maria de Mágdala, Maria de Tiago e Salomé 
compraram aromas para irem ungi-lo. Muito cedo, no primeiro dia da semana, 
vieram ao sepulcro, ao nascer do sol.” (Mc 16,1-2)


Texto Bíblico: Marcos 16,1-7


1 – O que diz o texto?
Das mulheres que foram ao sepulcro na manhã de Páscoa levando perfumes podemos aprender sua capacidade de enfrentar os acontecimentos com sabedoria e audácia.

Elas são as mulheres “mirróforas”, ou seja, portadoras de perfumes, que madrugam para ir ungir o corpo de Jesus. São conscientes do tamanho da pedra e de sua impossibilidade de removê-la, mas isso não é um obstáculo em sua determinação de ir ao túmulo para fazer memória d’Aquele que abriu para elas um horizonte de sentido. 

A alusão ao “primeiro dia da semana” e o “nascer do sol” acompanham a entrada delas em cena, na madrugada da Páscoa: estamos no começo da nova criação e a luz da Ressurreição às envolve em seu resplendor.

Quem busca, encontra; as mulheres foram às primeiras que viram este instigante sinal: a grande pedra tinha sido removida e o túmulo estava vazio. E foram as primeiras a “entrar”.

Entraram no túmulo: esta foi a experiência das discípulas de Jesus, ou seja, entraram no mistério que Deus realizou com sua vigília de amor. Não se pode fazer a experiência da Páscoa sem “entrar” no mistério.

As mulheres buscaram Jesus no lugar equivocado, embora ali aprendesse uma lição inesquecível: é inútil busca-lo no lugar da morte. Esse espaço está desabitado. O jovem de branco associa a ressurreição a uma tumba vazia: “Ressuscitou, não está aqui” (v.6).

O cenário da morte carece de respostas. A busca deverá ser feita no espaço onde se desenvolve a vida. As mulheres entendem que corresponde a elas tomar a iniciativa e tirar da covardia o grupo de discípulos, transmitindo um encargo a todos os que abandonaram Jesus e, em especial, a quem chegou a renegá-Lo: “... dizei a seus discípulos e a Pedro...” (v.7).

Agora, finalmente, Marcos cita os discípulos. Através das mulheres, eles receberão o encargo de Jesus. Elas se converteram em mensageiras da boa notícia. As mulheres assumiram o protagonismo e relançaram o projeto do Reino a partir de sua grande intuição: na Galiléia começou a história e ali deverá ser reiniciada. Seguir as pegadas do Galileu confirma que Ele vai adiante guiando os seus. Percorrer seus passos garante ao grupo a experiência de contar com Ele: “Ele irá à vossa frente, na Galiléia; lá vós o vereis como ele mesmo tinha dito” (v.7).


2 – O que o texto diz para mim?
As mulheres revelaram uma presença fundamental nos relatos da Páscoa. Elas seguiram e serviram a Jesus com seus bens pelos caminhos da Galiléia (Lc 8,1-3) e permaneceram fiéis até o final, até a Cruz. São testemunhas, como tantas mulheres de hoje, da fidelidade nas situações limite, onde o que lhes toca fazer é estar e acompanhar, na sua impotência e luto, até que emerge o inédito. São testemunhas da semente do amor entregue, que, embora invisível no ventre da terra, vai pouco a pouco abrindo caminho para a luz, afastando pedras e abrindo sepulcros, dando à luz o novo, porque o Deus de Jesus não é um Deus de mortos, mas de vivos. Frente à traição e a ausência dos discípulos, as mulheres foram significativas por sua lealdade. 

Enquanto o grupo de homens se trancou na passividade covarde, elas optaram pelo enfrentamento da realidade, vencendo o medo, colocando-se a caminho.

Para o evangelista Marcos, voltar à Galiléia significa retomar e prolongar a mensagem e a proposta do Reino de Jesus. Foi ali na Galiléia que Jesus começou sua vida pública e atuou como aquele que veio aliviar o sofrimento humano, com a certeza de que o Reino tinha chegado e que Deus faria mudar a forma de vida dos homens, partindo precisamente dos mais pobres e excluídos. Dessa forma, inicia-se um grande “movimento humanizador”, a partir de baixo, ou seja, dos últimos e pobres, anunciando e preparando a chegada do Reino na Galiléia.

Esta volta à Galiléia tem, portanto, um sentido teológico, kerigmático e geográfico, marca o começo da nova comunidade dos seguidores e seguidoras de Jesus. Para Marcos, nesse entorno da Galiléia está o futuro do Evangelho. A partir desse lugar deve iniciar-se o novo caminho do seguimento. 

Por isso, os discípulos e as discípulas devem entrar em sintonia com o modo original de ser e de viver de Jesus na Galiléia. É ali que se devem encontrar todos os que são de Jesus (Pedro, as mulheres, os discípulos de Jerusalém), para também ali retomar e prolongar o movimento iniciado pelo Mestre de Nazaré.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Entrar no mistério significa capacidade de assombro, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir o sussurro de fio de silêncio sonoro no qual Deus me fala”.

‘Entrar no mistério’ requer que eu não tenha medo da realidade: não me fechar em mim mesma, não fugir perante aquilo que não entendo não fechar os olhos diante dos problemas, não os negar, não eliminar as questões...

‘Entrar no mistério’ significa ir mais além das cômodas certezas, mais além da preguiça e da indiferença que me freiam, e pôr-se em busca da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma resposta não banal às questões que põem em crise minha fé, minha fidelidade e minha razão.

Para ‘entrar no mistério’ é preciso humildade, a humildade de abaixar-se, de descer do pedestal de meu eu tão orgulhoso, de minha presunção. A humildade para redimensionar a própria estima, reconhecendo o que realmente sou: criatura com virtudes e defeitos, pecadora necessitada de perdão. Para entrar no mistério é preciso este abaixamento que é impotência, esvaziando-me das próprias idolatrias, adoração. 

“Sem adorar, não se pode entrar no mistério” - (Papa Francisco – Missa da Vigília Pascal – 2015).

A partir desse pano de fundo, entende-se a palavra final do evangelho de hoje: “lá vós o vereis”. Ver a Jesus significa aprender a olhar como Ele olhava e a viver como Ele vivia, colocando a vida a serviço dos coxos, mancos, cegos, doentes, expulsos da sociedade... Ver a Jesus significa ver a partir de Jesus (como Ele faria hoje), nas novas condições pessoais e sociais de um mundo que parece condenado à morte, como aquele em que Jesus viveu.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, vendo a Jesus poderá ver tudo de um modo diferente, vendo o sofrimento das pessoas, ouvindo seus gritos. A missão está aberta. Esse é o caminho do Evangelho, carregando em minhas pobres mãos, como as mulheres da Páscoa, o perfume da Nova vida ressuscitada.

E assim como o mau odor repele e afugenta, o bom odor atrai e convida ao seguimento.

Mas é, sobretudo através do “modo cristificado de ser e viver” que os seguidores e as seguidoras de Jesus exalam um bom odor, criam uma atmosfera perfumada ao seu redor.

Assim, às vezes me encontro com ambientes que me cativam e atraem que desprendem um aroma agradável e prazeroso. São ambientes nos quais reina a acolhida, a afabilidade, o compromisso, a simplicidade. Sempre agrada ficar por mais tempo. Minha memória parte dali amavelmente carregada com energia salutar e meus pulmões saem repletos de ar purificado, limpo...

Também existem outros ambientes cujo ar é irrespirável, fétido, com mau odor. São lugares onde há competições, agressividade e más ideias, onde se manipulam as pessoas; são atmosferas arrogantes, afetadas, orgulhosas, vazias. Saio daí meio asfixiada, desejando não querer voltar mais.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Todos nós cristãos fomos ungidos com o óleo santo no batismo, fomos besuntados e polidos com um bálsamo cristificante. Por isso:

Trazer a força sanadora do perfume de Cristo, para ser presença diferenciada em lugares que cheiram à morte e poder manifestar a beleza da vida cristã com a qualidade do meu aroma.

Ser uma fragrância que é o símbolo da vida, e que derramada em favor das pessoas, inunda o mundo, comunicando a salvação.      

Tomar consciência dos aromas em que levo para perfumar os ambientes com odor de morte, de rigidez, de indiferença, de medo... para que se transformem em espaços com cheiro de vida, de liberdade, de ternura e acolhida.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Marcos 16,1-7
Pe. Adroaldo Palaoro, sj 


Sugestão:
Poema: Ressurreição – Fx 12 (02:59)
Autor: Zé Vicente
Intérprete: Reginaldo Ramos
CD livro: Tempos Urgentes
Gravadora: Paulinas Comep


Nenhum comentário:

Postar um comentário