terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Leitura Orante – Epifania, 7 de janeiro de 2018


Leitura Orante – Epifania, 7 de janeiro de 2018

EPIFANIA: caminho da transparência interior

“A  estrela  que tinham visto surgir começou a guiá-los até que, tendo chegado sobre o lugar onde estava o menino, se deteve.” (Mt 2,9)


Texto Bíblico: Mateus 2,1-12


1 – O que diz o texto?
Teilhard de Chardin, paleontólogo jesuíta, manifestou repetidas vezes, o desejo de que a solenidade da Epifania mudasse de nome, ou ao menos de prefixo. A solenidade de hoje deveria denominar-se “diáfana” em lugar de “Epifania”, para ressaltar que festejamos o dia em que Nosso Senhor Jesus Cristo se revela em plena transparência, como fundamento de tudo e de todos, fonte e fim, alfa e ômega. 

Teilhard não vê o relato dos Magos como uma “verdade fotográfica”, mas como uma verdade que nos ilumina sobre Aquele que enche o universo com sua presença dinâmica, sobre Aquele que dá sentido à nossa história, tornando-a “diáfana” (transparente).

Porque, neste mistério, não se trata propriamente de uma repentina irrupção de quem é o Salvador, senão muito mais de uma misteriosa e silenciosa “diáfana”, mediante a qual o recém-nascido em Belém deixa “transparecer” o verdadeiro rosto do Deus misericordioso e compassivo. Nele, Deus se humaniza para também desvelar (tirar o véu) e deixar transparecer a verdadeira e divina identidade de cada ser humano, escondida na interioridade de cada um.

Nosso eu profundo é habitado por “Magos” e “Herodes”: impulsos de vida e impulsos de morte, busca da verdade interior e busca do poder, caminho de “saída de si” e caminho de “auto-centramento”... O Nascimento de Jesus desvela e ilumina nosso interior e nos coloca diante deste desafio: qual dos dois dinamismos nós alimentamos? Qual caminho marca a nossa vida? O caminho dos Magos ou o medo de Herodes?

Continua acontecendo atualmente às famosas peregrinações que levam a Meca, a Santiago de Compostela, a Jerusalém, a Roma..., mas, na verdade, segundo o evangelho de hoje, a primeira e mais importante de todas é a peregrinação dos Magos que vão até Jesus, guiados pelo canto e pelo chamado de sua Estrela (a Estrela de Deus, a Estrela de cada um).

Os Magos consultavam os astros do céu para compreender o caminho da humanidade na terra.  Examinando os céus, descobriram uma estrela brilhante como nenhuma outra. E ficaram fascinados com o seu fulgor. Deixaram-se conduzir por inquietações e buscas, talvez não oficialmente “religiosas”, mas sim profundamente humanas, que pulsam no interior de cada pessoa; perguntaram, comunicaram o que tinham visto, seguiram adiante em tempos de obscuridade e, como recompensa de sua busca, “encontraram o Menino com Maria sua mãe”. 


2 – O que o texto diz para mim?
Foi assim a longa jornada dos Magos, seguindo o caminho que a luz da estrela lhes indicava. E ao final de longa peregrinação chegaram ao lugar procurado.

Eles, então, ficaram iluminados, não pela luz da estrela, mas pela luz da criança, pois é na simplicidade e pobreza dela que resplandece a Luz de Deus.

Os Magos retornaram, depois, a seus países, agora convertidos em portadores da Nova Luz. O encontro com o Senhor os transformou. Todo encontro com Jesus era e é um encontro que transforma radicalmente. Alguns encontros são fundantes, são como uma pedra angular sobre a qual posso começar a construir algo novo; outros encontros reavivam e ativam os fundamentos de minha vida.

Hoje também estou vendo sinais. Em minha vida sempre há alguma estrela que me guia até Belém.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Posso me assustar e permanecer paralisada, olhando as estrelas, mas os sinais não me são dados para ficar pasmada, mas para me deixar interpelar e responder. Algumas vezes me convidarão à interioridade e outras me mobilizarão a fazer caminho, mas sempre me tirando da acomodação e me abrindo horizontes. Os sinais me comprometem e me dinamizam. Preciso ler e interpretar para onde as “estrelas”, que aparecem no horizonte da vida, me conduzem. 

Esta é a Grande Peregrinação que os profetas haviam prometido como um caminho que leva para a Nova Jerusalém da Paz e da vida. Mas, segundo o evangelho de Mateus, essa Peregrinação da Luz não leva a Jerusalém (cidade dominada pelo Rei Herodes e pelos sacerdotes cúmplices da morte), mas a Belém, que é a “Casa do Pão”, a “Casa da Lua”, pois alimenta e ilumina homens e mulheres que, na noite da existência, buscam um sentido para a própria vida. Por isso, uma peregrinação que continua sempre aberta.

Esta é também a minha peregrinação em direção à minha Belém interior; a vida mesma é entendida como caminho de desvelamento de minha verdadeira identidade e de descoberta da minha própria verdade (o que é mais divino em mim). No encontro com Aquele que é a Luz e que ilumina todo ser humano, ativa-se a “faísca de luz” que levo em meu coração. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Epifania não é só hoje, Epifania é sempre, é minha vida. 

Senhor, frente ao Rei Herodes e frente a todos os Reis e Sacerdotes do poder estabelecido, que só buscam o domínio sobre os outros (que são capazes de matar, porque não tem outra riqueza), emergem, no relato de Mateus, os “magos”, que realizam o caminho de iniciação, que os leva à verdade de sua própria vida, a verdade do Deus dos pobres, a verdade de Belém.

Todos somos “magos”, homens e mulheres que buscam a Deus, em gratuidade, em reverência, em constante surpresa... Por isso, desde a Idade Média, os Magos aparecem como sinal de reverência amorosa, no caminho de iniciação que tenho de fazer para o encontro de minha verdade original. 

A Estrela dos magos é o mesmo Jesus, cuja luz brotou em Belém, para iluminar, a partir dali, a todos os homens e mulheres. Por isso, os magos me ajudam a descobrir Aquele que é a Luz, para que, a partir do encontro com Ele, eu mesma seja luz, seja Cristo, feita Epifania (manifestação) e diáfana (transparência) de Deus na terra. Somos os “magos”, milhares de homens e mulheres de luz, estrelas de Deus espalhadas pela imensidão do universo do Criador.

O presente dos magos (ouro, incenso e mirra) é minha própria vida, que se faz dom de Deus, para mim mesma e para os demais. Sou ouro, o de maior valor, mas não em forma de capital monetário para comprar e vender, mas como beleza da vida que se faz dom-presente para ser compartilhado. Sou incenso, o melhor odor do Natal, o perfume mais precioso, para exalar santidade, amor, compaixão… em meio a um ambiente fétido de morte e exclusão. Sou mirra, unguento do amor, como o que usavam os noivos, unguento da vida com o qual se despedia dos mortos, esperando a ressurreição.  

Minha vida mesma é um presente de que venho oferecer a Deus e aos outros, no transcurso da noite luminosa de minha existência, dirigida para Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Epifania, portanto, é a festa da “estrela de Deus”, que não só ilumina o caminho da humanidade; ela é a grande Festa de Iniciação, de “descobrimento da própria luz”, ou seja, da Luz do Deus de Jesus em minha própria vida. 

Por isso, no sentido mais profundo, sou “phosphoros” (fósforo) ou “phosphorantes”, portadora de luz, lamparina de Deus neste mundo envolto em trevas; sou uma estrela de Deus no imenso mar de constelações. Sou luz de Deus, porque Deus é minha luz, a lâmpada de sete luzes que é a única Luz de verdade em minha existência.

O relato dos Magos me convida a ir ao encontro do ano novo por outro caminho. 

Transitar por um caminho novo é que deveria caracterizar o começo deste novo ano. E esta mudança de estratégia deveria ser criativa, buscando alternativas desconhecidas e novas para enfrentar os desafios que a realidade na qual vivo me apresenta. A criatividade não está em dizer ou fazer coisas raras ou extraordinárias, mas em saber dizer e fazer o mesmo com outra motivação, com outra inspiração, de maneira que o resultado seja sempre melhor.

Sou chamada a reler muitas vezes minha vida, à luz das experiências que tive, e tomar consciência de que cada encontro me vai configurando, até chegar a uma identificação mais profunda com Jesus.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mateus 2,1-12
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Estrelas me contam Fx 13 – (02:34)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj e Gina Almeida
CD: De volta para o meu interior
Gravadora: Paulinas Comep




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