sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Leitura Orante – ANO NOVO, 1º de janeiro de 2018


Leitura Orante – ANO NOVO, 1º de janeiro de 2018

ANO NOVO: onde encontrar a novidade?

“Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus 
por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes fora dito.” (Lc 2,20)


Texto Bíblico: Lucas 2,16-21


1 – O que diz o texto?
“O homem foi criado para que no mundo houvesse um começo”. Este pensamento de Santo Agostinho deveria iluminar nossa vida ao longo deste novo ano que se inicia.

Desde que o ser humano surgiu da terra e sobre a terra, o mundo criado ganhou um “novo início”. 

Nós o estamos reconstruindo incessantemente. “O ser humano é criado e é criativo”; pois é exatamente o dom de recomeçar, sempre, que nos caracteriza como humanos.

Caminhamos hoje para algo novo; somos convocados pelo futuro a realizar projetos diferentes, possibilidades novas, “coisas” que nos acenam lá de longe e nos fazem uma proposta: “recriem-nos”; coisas que surgem sob a forma de um desejo, de uma esperança... mas... que sempre dependem de nós para se tornarem concretas. Elas exigem empenho, dedicação e criatividade.

A celebração do “Ano novo”, prática vivida em todas as culturas e religiões, parece responder a um desejo humano de “começar de novo”. 

Habita em nosso interior uma nostalgia de alguma coisa mais original, de um novo início e da tentativa de outros caminhos. Trata-se de uma aspiração de algo mais humilde e simples, que nasce do “húmus”, da terra que somos. É o desejo de sermos nós mesmos simplesmente, sinceramente, prazerosamente.

É a necessidade de viver recomeçando, sempre.

“Todos os que ouviram ficaram maravilhados com o que lhes era dito pelos pastores.” (Lucas 2,18).

Seria um crime transformar a vida num velódromo, dando voltas sempre em torno ao mesmo circuito de 365 dias, sem avançar nada.  

“Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido”. Qual foi o novo e o surpreendente que encontraram: um recém-nascido deitado na manjedoura. Trata-se do “novo” despojado de ornamentos, de poder, de riquezas. Tiveram olhos e ouvidos abertos para se deixarem impactar pela imagem, humanamente simples; o encontro com o “Deus que se humanizou” possibilitou o retorno à eterna infância, escondida na própria interioridade.

Porque descobriram facilmente o Infinito, passaram a viver humildemente sua condição humana na paz, na alegria e na gratidão.


2 – O que o texto diz para mim?
A atitude do “recomeçar contínuo” revela-se como oportunidade para ativar outros recursos internos e colocar a vida em outro movimento, mais inspirado e criativo.

É inevitável que na existência humana se façam presentes a dor, o cansaço, a frustração, a repetição mecânica..., que ameaçam afogar as melhores expectativas. Frente a essa constatação, compreende-se a voz que brota dentro do meu ser e diz: “comece de novo”. A celebração do “ano novo”, neste sentido, significa a oferta de uma nova oportunidade à vida, para que ela tenha um novo sentido.

Sou impulsionada, continuamente, a romper com o formalismo e o convencional, a vida marcada pela ordem, normas claras e recompensas seguras... e caminhar para uma vida mais audaz e incerta, de horizontes amplos, de exigências que me convida a “começar de novo”, de significado mais universal.

Não caminhar empurrada pelas costas, nem minha vida é obra da inércia. Fui feita para o “mais”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Ver a novidade em uma simples mudança de datas do calendário não passa de uma mera convenção. O 1° de janeiro não é mais “novo” que o 31 de dezembro. E, depois do rito de “passagem de ano”, tudo continuará sendo como era ontem, ou inclusive pior, porque, a ressaca da celebração será acompanhada pela frustração de comprovar que nada mudou.

É óbvio que a novidade não é “algo” que posso encontrar “fora” para ser incorporada à minha existência cotidiana. O máximo que posso encontrar nesse nível são aparências de novidade que, satisfazendo por um momento minha curiosidade, rapidamente me farão voltar ao ritmo da rotina. 

O “novo” está dentro de mim. Estou no tempo para crescer na consciência de meu verdadeiro ser e descobrir que estou já na eternidade, que meu verdadeiro ser não está no “kronos” mas no “kairós” (tempo de plenitude e de sentido). Meu verdadeiro ser é constituído pelo divino que há em mim, e isso é eterno, é sempre novo. Sou já a plenitude e estou no eterno.

Nesse sentido, novidade é sinônimo de viçoso, abertura, presença, vida; a vida sempre é nova, e vai acompanhada de atitudes e sentimentos de surpresa, admiração, louvor, gratidão, comunhão e plenitude.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Vida expansiva, projetada para todas as direções e sintonizada com as surpresas, grandes e pequenas, que me plenifica e me dá um sentido de eternidade. “A vida é demasiado breve para ser mesquinha” (Disraeli).

Senhor, tudo isto é o que, sei ou não, meu coração aspira. Mas, habitualmente, o busco onde não pode encontrar-se. Os pastores, movidos por uma sensibilidade especial, foram capazes de encontrar onde ninguém pensaria encontrar.

Este ano será novo se eu aprender a crer na vida de maneira nova e mais confiada, se eu encontrar gestos novos e mais amáveis para conviver com os outros, se eu despertar em meu coração uma compaixão nova para com aqueles que sofrem.

Quem sabe, o Evangelho de hoje me possa inspirar para que, algum dia, aprendo a viver cada momento como se fosse o último, ou melhor, o mais completo, o mais ditoso: a melhor oportunidade para uma presença inspiradora, para o abraço mais acolhedor, para a palavra melhor pronunciada ou o silêncio mais criativo, para o gesto solidário mais espontâneo... É como se cada momento fosse sagrado e eterno. 


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
O cristão é aquele que, como os pastores de Belém, conserva límpido os seus olhos interiores, prontos para perceber a maravilha que está sendo germinada em sua vida. 

Movido por um olhar novo, ele acolhe a surpresa de Deus, passa a ser surpresa para os outros, com seu gesto de amor imprevisto, com sua palavra que reanima, com sua visita que consola, com sua atenção para com todos os que levam uma vida obscura e monótona.

A partir do “olhar” admirado dos pastores, iniciar, ao longo deste ano, um processo minucioso de extirpação das “cataratas” do meu olhar interior: o olhar das lembranças negativas, das suspeitas, dos julgamentos, das comparações... e reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevolência, a delicadeza, a acolhida, a cortesia, a serenidade, a modéstia, a afabilidade, a alegria simples de estar junto...

- Recordar todos os “olhares amorosos” que Deus foi depositando sobre mim ao longo da vida.

- Coração e olhos espreitam na mesma direção. São os puros de coração os que verão a Deus (Mateus 5,8).


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Lucas 2,16-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: O amor torna tudo novo de novo – Fx 02 (03:47)
Autor: Antonio Cardoso
Intérprete: Antonio Cardoso
CD: Diante de ti
Gravadora: Paulinas Comep





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