terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Leitura Orante – 4º domingo do Advento, 24 de dezembro de 2017


Leitura Orante –  4º domingo do Advento, 24 de dezembro de 2017

ANUNCIAÇÃO, UMA EXPERIÊNCIA UNIVERSAL

“Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.” (Lc 1,30)


Texto Bíblico: Lucas 1,26-38


1 – O que diz o texto?
No tempo do Advento, Maria é sempre uma presença cheia de significados: a mãe que espera, a mulher que acolhe a Palavra, a jovem que arrisca, a amiga que ajuda, a mulher de fé que silencia e medita... Tudo isso encontramos nela. E nela, todos nos vemos; nela nos inspiramos. Porque também nós precisamos colher, arriscar, servir e deixar que a boa notícia seja semente que se enraíza na terra de nossa interioridade.

O Advento também é tempo do “sim” e hoje fazemos memória daquela que foi protagonista do “sim” que mudou a história. 

Aquele que é a Vida e por quem foram feitas todas as coisas pede o consentimento da virgem de Nazaré para assumir a vida humana no seu seio virginal. Para que sejam cumpridas, para que o Salvador entre na nossa história, só falta o Sim de Maria. 

Deus nunca força a liberdade humana, nem mesmo nos momentos em que está em jogo o futuro da humanidade; dinamiza-a, a partir de dentro, em todos aqueles(as) que se abrem à sua graça.

O Deus que nos criou sem pedir o nosso consentimento, nunca nos impõe missão alguma sem o nosso assentimento. Ele suscita nossos desejos, atrai, convida, mas respeita sempre nossa liberdade. Nossas decisões serão tanto mais livres e fecundas, quanto mais unidos estivermos com Deus, quanto mais confiarmos na sua graça; mas elas devem ser assumidas por nós.

A redenção querida por Deus é universal, mas encarna-se no particular, no ponto de intersecção de um tempo e de um espaço únicos: na casa e no corpo de Maria de Nazaré, na Galiléia.

Esse ponto torna-se o centro da história, o ponto de apoio e de partida de um movimento pelo qual o Filho assume a condição humana para fazê-la retornar consigo, pelo poder do Espírito, ao Pai.

Maria é o primeiro e mais belo fruto do olhar de misericórdia da Trindade sobre a humanidade e de sua decisão de salvá-la. “Um anjo faz o anúncio, uma virgem o escuta, crê e concebe. Na alma, a fé, e no ventre, Cristo” (S. Agostinho).

Essa graça é tão fundamental e tão significativa, que a expressão “cheia de graça” é usada no lugar do nome próprio. Maria é nomeada pelo modo como é vista por Deus.

Ela é pessoalmente, de maneira singular e única, e de maneira permanente, a “agraciada”  de Deus.

Para revelar e realizar a Encarnação do seu Filho, Deus não escolheu o templo, nem uma família sacerdotal. Nazaré, lugarejo situado na Galiléia dos gentios, uma terra considerada abandonada de Deus, da qual “não havia saído nenhum profeta” (Jo 7,52), foi escolhida por Deus para a encarnação do seu Filho.



2 – O que o texto diz para mim?
Não menos estranho é o fato de Deus ter escolhido, como forma de entrada na história da humanidade, uma jovenzinha de Nazaré, aldeã com um nome comum, totalmente desconhecida e insignificante aos olhos dos grandes do mundo, como tantas Marias do meu povo.

Para realizar a salvação dos homens, Deus escolhe o insignificante desprezado pelos homens.

Escolhe o caminho do “esvaziamento” e do “amor louco”. Verdadeiramente, os caminhos de Deus não são os meus caminhos, e seus pensamentos não são os meus pensamentos. (Isaías 55,8).

Devo compreender que a Anunciação não se refere somente a Maria, a José e a Jesus, mas a mim e a humanidade inteira. 

O amor com o qual Deus me ama é, ao mesmo tempo, um amor voltado à humanidade inteira e um amor que se dirige a cada um em particular, pois foi Deus que me concedeu o dom de existir.

Posso dizer que cada ser humano é amado e buscado como se fosse o único no mundo. E este amor, no entanto, me invade para me atravessar e chegar até os outros. “Cheios de graça”, assim como Maria.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Não olho a Anunciação como se fosse um acontecimento exterior a mim. Estou toda incluída nela. Mais ainda, devo compreender que este relato não fala apenas de algo que se passou há dois mil anos atrás, mas refere-se também ao que me acontece hoje: Jesus vem ao mundo e a cada ser humano sem cessar, e vem de novo, sempre.

mistério da Anunciação é como o meu espelho: nele eu me vejo; ou melhor, a Anunciação acontece com todos, a todo momento e em todos os lugares e etapas da vida.

Anunciação sou eu que, como Maria, dialogo com Deus desde o mistério mais profundo de minha vida, em gesto de disponibilidade radical.

A Anunciação a Maria é uma experiência universal: recebo visitas dos mensageiros de Deus.

Estou rodeada de mensageiros divinos: pessoas (presenças angelicais), fatos, experiências interiores... que através de vozes e sinais movem minha vida em direção à missão. São anúncios surpreendentes, inesperados... Deus é surpreendente, inesperável, revela-se na vida... É preciso uma atitude contemplativa da vida para perceber os sinais divinos de sua presença.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, em primeiro lugar, os mensageiros fazem elogios a cada ser humano: “Deus está encantado comigo; sou agraciada, sou única e original; sou uma missão específica”.

É preciso estar em sintonia para captar a presença dos mensageiros. Eles falam da vida e apontam para o futuro. Falam que Deus faz nascer a vida mesmo onde é impossível aos olhos dos homens. O problema é que estou distraída ou focada em muitas preocupações e não capto a mensagem que me chega.

É natural que brotem medos, perturbações, dúvidas... pois se trata de algo fora do normal, inédito... que me espanta. Mas o mensageiro me pacifica, sustenta meu ânimo, alimenta a coragem, vence o medo...

E o que ele me pede? Deixar-me conduzir pelo Espírito, como “Maria que respira ao ritmo do Espírito”. Quem se deixa conduzir pelo Espírito torna-se fecundo, está aberto à vida, gera a vida e luta em favor da vida.

Do encontro com os mensageiros de Deus brota um “sim” do mais profundo; sim, sem temor, sem dúvida; sim que me expande em direção aos outros; sim que me coloca em movimento; sim que desencadeia outros sins. Sim que muda a história pessoal e coletiva. Sim que destrava a vida, me faz criativa, aberta ao novo. Sim que me faz entrar em sintonia com o Sim de Deus, proferido desde todos os tempos.

Sim que é dado a Deus se amplia; sim que revela minha identidade, me humaniza. Sim que aponta para a vida. Deus é sempre fecundo; deixar Deus ser Deus em minha vida: essa é a marca da Anunciação.

consentimento de Maria encerra o diálogo; o anjo retira-se em silêncio. Com certeza, estava alegre, por poder contar com o sim resoluto de Maria.

Que o anjo não se afaste triste de mim, pela minha resposta negativa.



5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Poucas vezes Maria fala nos evangelhos e, no entanto, suas palavras são rotundas, definitivas, inapeláveis: “faça-se”, “eles não tem mais vinho”, “fazei o que Ele vos disser”. E, sobretudo, o “Magnificat”, que é um hino de liberdade, de justiça e de louvor. 

Falar em família, no trabalho, entre amigos... 

Falar de outras pessoas, da situação social e política... 

Falar daquilo que me preocupa ou dos meus desejos e sonhos... 

Falar de Deus. Há muito poder nas palavras: poder para curar, para levantar, para bem dizer... 

Aprender com Maria a proferir palavras carregadas de vida e de verdade.

Ter consciência do peso e do valor de minhas palavras.

Fazer memória dos “sins de vida”, pronunciados ao longo de minha existência, e que foram o prolongamento do “sim” de Maria.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 1,26-38
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho.
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: História de Maria – fx 02 (06:18)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj
CD: 14 Cantigas Marianas
Gravadora: Paulinas Comep



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