terça-feira, 21 de novembro de 2017

Leitura Orante – Jesus Cristo - Rei do Universo, 26 de novembro de 2017


Leitura Orante – Jesus Cristo - Rei do Universo, 26 de novembro de 2017

REALEZA QUE SE REVELA NO SERVIÇO

“...toda vez que fizestes isso a um desses meus irmãos menores, a mim o fizestes” 


Texto Bíblico: Mateus 25,31-46


1 – O que diz o texto?
Rei, título inapropriado para Aquele que tocou leprosos, que preferiu a companhia dos excluídos e não dos poderosos do povo, que lavou os pés dos seus discípulos, que não tinha riqueza nem poder...

Segundo o relato de Mateus, quando chegar o momento supremo, a hora da verdade definitiva, a única coisa que ficará de pé, o que somente será levado em conta como critério de salvação ou perdição, não vai ser nem a piedade, nem a religiosidade, nem as práticas espirituais, nem a fé, nem mesmo o que cada pessoa tiver feito ou deixado de fazer para com Deus; o que vai ser considerado é apenas uma coisa, a saber: o que cada um tiver feito ou deixado de fazer para com os seres humanos.

A fundamentação está no fato de que Jesus se identifica com cada ser humano, de maneira especial com aquele que mais sofre vítima da violência, da exclusão, da pobreza, da humilhação... Essa identificação e essa fusão de Jesus com os humanos (“foi a mim que o fizestes”) é tão forte e tão decisiva que, no momento do encontro definitivo com Ele, o critério para entrar no Reino não é o que cada pessoa fez ou deixou de fazer “para” Deus, mas o que ela fez ou deixou de fazer “para” os seus semelhantes que cruzaram o seu caminho e que clamaram por uma presença solidária e compassiva.

Na parábola do “juízo final” não é casual que os casos ali mencionados são as situações mais baixas, mais humilhantes e as que mais detestamos de acordo com o que neste mundo se considera necessário para ser uma pessoa de sucesso e que goza de uma vida cômoda e digna: a comida, o vestuário, a saúde, a liberdade e a legalidade de quem não é um estrangeiro ou um imigrante “sem documentos”. Essa lista de situações extremas refere-se à realidade de sofrimento e exclusão. E Jesus assume como sua a dor de cada ser humano, pois, mediante sua Encarnação, Ele se identificou e se fundiu com o mais basicamente humano, com aquilo que é comum a todos os seres humanos, sem nenhuma distinção.


2 – O que o texto diz para mim?
O senhorio de Jesus foi à do amor incondicional, do compromisso com os mais pobres e sofredores, da liberdade e da justiça, da solidariedade e da misericórdia...

Com sua palavra e sua vida Ele afirmou que “não veio para ser servido, mas para servir”. Por isso, assumiu uma posição crítica frente a todo poder desumanizador. 

A festa de “Cristo Rei”, que encerra o Ano Litúrgico, pode ser ocasião propícia para “transgredir” minha concepção de “rei” e “reinado”, e evitar um triunfalismo religioso, pura imitação dos reis deste mundo que vivem as custa da exploração dos seus súditos.

Jesus nunca se proclamou rei; o que Ele fez foi colocar-se a serviço total do Reino, de forma que este foi o centro mesmo de sua pregação e de sua vida, a Causa pela qual estava apaixonado e pela qual deu sua vida. Importa, pois, honrar a verdadeira identidade de Jesus: Ele não foi rei, nem quis ser nunca, por mais que alguns cristãos creem que o chamando assim prestam-lhe as devidas honras. A melhor honra que devo prestar a Jesus é prolongar seu modo de ser e de viver. É preciso voltar a Jesus e sua Causa.

Se Jesus não foi rei historicamente, nem se chamou rei, nem deixou que lhe chamasse assim, recusou e se retirou quando queriam fazê-lo rei, tem sentido que eu o aclame com esse título? Por quê?

Jesus é Rei porque deixa transparecer sua “realeza”: o que é mais real, mais humano e divino, a sua verdade, seu ser verdadeiro... no mais profundo de si mesmo. Realeza que se visibilizava no encontro com o outro. A partir de seu ser verdadeiro, Jesus destravava e ativava a realeza escondida em cada um.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Preciso deixar ressoar em meu “eu profundo” as palavras duras do Rei Eterno: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Centrada em mim mesma e separada dos outros, vou alimentando uma espécie de ego (força diabólica: força que divide).  Todo “ego” é possessivo e manifesta-se como um desejo insaciável de acumular, possuir, não compartilhar... O ego exacerbado quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentos e natureza. Ele compara-se com os outros e compete pelos elogios e pelos privilégios, pelo amor, pelo poder e pela riqueza. É isso que os tornam invejosos, ciumentos e ressentidos em relação aos outros. Também é isso que os tornam hipócritas, dominados pela duplicidade e pela desonestidade.

Esse ego centrado em si próprio não confia em ninguém a não ser em si mesmo; ele não ama ninguém e quando “ama” é para atender apenas às suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com os outros, vivendo uma situação infernal. 

A salvação da humanidade está, pois, em ajudar aos excluídos do mundo a viver uma vida mais humana e digna. A perdição, pelo contrário, está na indiferença diante do sofrimento. Este é o grito de Jesus a toda a humanidade. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, toda parábola desperta ressonância e causa impacto no meu ser profundo; não é um relato periférico e neutro; escutar ou ler uma parábola é sentir-se implicado nela ou, em outras palavras, toda parábola deixa transparecer minha real identidade; por isso, a parábola do “juízo final” pode também ser lida em “chave de interioridade”: o que em mim está excluído, faminto, desamparado, exilado, preso... e que precisa ser integrado e iluminado? 

Mas a luz da parábola desvela meu eu interior e deixa transparecer também meus pontos nutrientes, iluminantes... que serão fonte de salvação para as dimensões do meu ser profundo que ainda permanecem na sombra da não aceitação.

Ser Rei sem tomar o poder, sem exercê-lo com a força das armas, sem a pressão da justiça legal, sem prestígio, sem riqueza... 

Esta é a tarefa da nova humanidade, a promessa de um Reino do conhecimento verdadeiro, da igualdade e da justiça, da fraternidade e não violência..., para que todos sejam reis, no sentido radical da palavra.

O meu verdadeiro eu está enterrado por baixo do meu ego ou falso eu. Segundo a parábola deste domingo, a pessoa “torna-se bendita de meu Pai” na entrega e no descentramento. Porque só assim deixa transparecer a realeza original, aquela que se identifica com a realeza d’Aquele que viveu para servir.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Evitar que o ego me domine e determine minha vida.

Desvelar e desmascará-lo com todas as suas maquinações e duplicidades.

Ser uma pessoa esvaziada do ego para transformar-me e transformar a realidade.

Ser solidária com a fragilidade e, o que é mais profundo, me fundir com a fragilidade dos outros.

Estar consciente de minha realeza e compreender minha verdade mais profunda. Até que isso não ocorra, viverei como mendigos, tratando de apropriar-me e de identificar-me com tudo aquilo que possa conferir certa sensação de identidade e de segurança. No entanto, ao compreender o que sou tudo se ilumina: o suposto “mendigo” se descobre “rei”.       


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 25,31-46
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Senhor da minha vida – fx 07 (04:06)
Autor: Emmanuel
Intérprete: Emmanuel
CD: Ao meu irmão 
Gravadora: Paulinas Comep


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