terça-feira, 7 de novembro de 2017

Leitura Orante – 32º domingo do tempo comum, 12 de novembro de 2017


Leitura Orante – 32º domingo do tempo comum, 12 de novembro de 2017

O AZEITE DA VIDA QUE SE CONSOME ILUMINANDO

“As prudentes, levaram frascos de azeite além de suas lâmpadas” (Mt 25,4)


Texto Bíblico: Mateus 25,1-13  


1 – O que diz o texto?
A “chave de leitura” da parábola “das dez virgens” está na falta de azeite para que as lâmpadas possam permanecer acesas. O relato é tirado da vida cotidiana. Depois de um ano ou mais de noivado, celebrava-se a festa de casamento, que consistia em conduzir a noiva à casa do noivo, onde acontecia o banquete. Esta cerimônia não tinha um caráter religioso. O noivo, acompanhado de seus amigos e parentes, ia à casa da noiva para buscá-la e conduzi-la à sua própria casa; na casa da noiva, encontravam-se suas amigas que a acompanhariam no trajeto e participariam da festa. Todos estes rituais começavam com o pôr do sol e avançavam noite adentro daí a necessidade das lâmpadas para poder caminhar.

A importância do relato não está no noivo, nem na noiva, nem sequer nas acompanhantes. O que o relato destaca é a luz. A luz é mais importante porque o que determina a entrada no banquete é que as jovens tenham as lâmpadas acesas. Uma acompanhante sem luz não tinha como fazer parte no cortejo nupcial. 

Pois bem, para que uma lamparina consiga iluminar é preciso ter azeite. Aqui está o ponto chave. O importante é a luz, mas o que é preciso para alimentá-la é o azeite.

Que é o azeite que alimenta a lamparina?

São as reservas insondáveis de potencialidades criativas, de recursos inspiradores, de dinamismos vitais, de forças latentes, de energias sadias, de desejos oblativos...  presentes nas profundezas do coração humano, e que o impulsionam a viver em sintonia com tudo o que acontece ao seu redor; o azeite é constituído pelas riquezas do próprio ser, as beatitudes originais, as intuições, os valores... que alimentam a autonomia, a autoria, a criatividade, a iniciativa, o espírito de busca, a capacidade de sonhar... Trata-se do “tesouro do ser”, conservado em sua mensagem essencial, e que pode tornar-se a energia que alimenta a luz da vida, a sabedoria da própria existência; o azeite é tudo aquilo que é nutriente, fecundo, iluminante... e que se expressa como contínua fonte de renovação; azeite é vida interior expansiva que se revela e que se consome nos encontros, na interação e na comunhão com os outros...; em resumo, azeite é o que há de mais divino no interior de cada um, que precisa ser descoberto, reconhecido 
e ativado para tornar-se luz.


2 – O que o texto diz para mim?
Os textos destes últimos domingos do ano litúrgico me convidam a velar, a estar preparada, a viver desperta. Deus não me espera no final do caminho para me submeter a um juízo; não, Deus está em mim a todos os instantes de minha vida, inspirando-me, para que eu possa viver com mais plenitude e sentido. 

Interpretar a parábola deste domingo no sentido de que devo estar preparada para o dia da morte é falsificar o evangelho. Esperar passivamente uma vinda futura de Jesus não tem sentido, pois Ele já disse a seus discípulos: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

A parábola não está centrada no fim, mas na inutilidade de uma espera que não é acompanhada de uma atitude de amor e de serviço. As lâmpadas devem estar sempre acesas; se eu esperar para prepará-las no último momento, perderei a oportunidade de entrar para a festa de casamento.

A ideia que muitas vezes tenho de uma vida futura esvazia a vida presente até o ponto de reduzi-la a uma incômoda “sala de espera”. A preocupação pelo “mais além” me impede assumir com mais intensidade o tempo que me cabe viver. A vida presente tem pleno sentido por si mesma. O que projeto para o futuro já está acontecendo aqui e agora, e está ao meu alcance; aqui e agora posso viver a eternidade, já que posso me conectar com o que há de Deus em mim; aqui e agora posso alcançar minha plenitude, porque sendo morada de Deus, tenho tudo ao alcance da mão.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Só quem vive a partir das raízes do próprio ser, só quem tem acesso à própria interioridade, descobre a presença do azeite que pode ser ativado para dar um novo significado e sentido à própria vida. É isso que a parábola do evangelho de hoje me alerta: é preciso estar desperta e sintonizada com o azeite interior para poder alimentar a luz da vida e corresponder às vozes surpreendentes que vão surgindo. 

“No meio da noite ouviu-se um grito: eis que chega o noivo! Saí ao seu encontro”

É uma convocação urgente a sair do sono da distração e da trivialidade que talvez me tenha aprisionada, durante muito tempo, àquilo que é acessório e que me provoca a viver à espera do essencial, atraída por um impulso que me move por dentro, ou seja, o desejo de vida plena.

Com os distraídos não se pode ir muito longe; dizendo melhor; distraídos são os que vivem do momento e não pensam no depois. Seduzidos por estímulos ambientais, envolvidos por apelos vindos de fora, cativados pelas luzes artificiais, os distraídos perdem a direção da fonte provedora de azeite em seu interior; dormem e acordam sem luz em suas vidas... Quem anda distraído, disperso e surfando na superfície de si mesmo, acaba perdendo as grandes oportunidades que a vida lhe oferece.

Por isso, ser “sensata” é viver com sentido, atenta e desperta às surpresas da vida. 

Para quem está desperto, sua vida interior torna-se uma fonte inesgotável de energia, de dinamismo e criatividade.

Assim se entende porque as jovens prudentes não compartilham o azeite com as imprudentes. 

Não se trata de egoísmo: é que a lâmpada não pode arder com o azeite da outra. A chama, à qual se refere a parábola, não pode ser acesa com o azeite comprada ou emprestada. 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, sei que o azeite só ilumina quando se consome. Minha vida revela pleno sentido e alcança seu fim quando desapareço, consumindo-me no serviço aos outros.

Quando a chama da vida está acesa, crescem em mim a consciência de que sou luz na medida em que me gasto na nobre missão de iluminar meu entorno, até chegar a ser cera derretida.

Vivo imersa num oceano de luz; carrego dentro a força da luz. Ela sempre está aí, disponível; basta abrir-me a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira.

A Luz é força fecundante, princípio ativo, condição indispensável para que haja vida.

Sou luz quando expando meu verdadeiro ser, ou seja, quando transcendo e vou mais além, desbloqueando as ricas possibilidades e recursos presentes em meu interior.

O que há de luz em meu interior pode chegar aos outros através das obras. Toda ação realizada com amor e compaixão, é luz.

Encantam-me os cristãos antenados que, cada dia, alimentam sua fé, sua esperança com pequenas coisas, com pequenos detalhes e gestos de amor carregados de luz; cada dia, aprofundam um pouco mais na experiência do Evangelho, mantendo sempre suas lâmpadas acesas, atentos à passagem e às pegadas de Deus por suas vidas; e, sobretudo, carregam sempre reservas de azeite para acolher com alegria a chegada surpresa d’Aquele que sempre está vindo ao seu encontro.

Encantam-me os cristãos comprometidos que sabem que o azeite se consome, a fé se debilita, a esperança se apaga e amor atrofia quando não são alimentados com o azeite sempre novo em reserva nos seus corações.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Descobrir o meu próprio azeite original em meu interior.

Fornecer luz para iluminar os meus passos.

Iluminar também os outros, ativando neles a luz ainda escondida.

Inspirar minha vida a ser presença que ilumina.

Toda a vida se move de dentro para fora. Azeite que se consome na nobre missão de iluminar.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 25,1-13  
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Ilumina, ilumina - fx 05 (03:50)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: 12 Sucessos
Gravadora: Paulinas Comep


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