domingo, 29 de outubro de 2017

Leitura Orante – Todos os Santos, 1º de novembro de 2017


Leitura Orante – Todos os Santos, 1º de novembro de 2017

SANTIDADE: o DNA de Deus no coração do ser humano

 “Bem-aventurados sois vós...” (Mt 5,11)


Texto Bíblico: Mateus 5,1-11


1 – O que diz o texto?
Falar de felicidade nos leva necessariamente a nos perguntar se é possível ser felizes em um mundo cheio de dores, injustiças, mortes prematuras, solidão, vida sem sentido... 

No entanto, como seres humanos não podemos renunciar à busca da felicidade. O importante é que não vivamos esta busca de uma maneira solitária, nem que nossa busca seja à custa dos outros ou à margem das grandes maiorias sofredoras. A isso não se pode chamar felicidade.

A felicidade é a busca fundamental do ser humano, o sonho da humanidade desde o começo da história. O difícil é ter sabedoria para poder reconhecer os caminhos que nos conduzem a ela.

Nesse sentido, a liturgia da festa de Todos os Santos e Santas vem nos indicar este caminho, ao apresentar o texto das Bem-aventuranças como um programa para viver a felicidade; e o motivo primeiro é porque todas elas são, na verdade, o caminho da santidade universal (acima e além de toda religião, pois elas são simples e profundamente humanas). As Bem-aventuranças são como o mapa de navegação para nossa vida; são o horizonte de sentido e o ambiente favorável para nossa santificação, entendida como empenho para viver com mais plenitude, segundo o querer de Deus.

A primeira “canonização”, pois, teve lugar quando Jesus, num determinado dia, subiu à montanha e com grande solenidade declarou felizes os pobres, os aflitos por causa do Reino, os mansos que não recorrem à violência, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos, os que não tem segundas-intenções no coração, os que trabalham em favor da paz, os perseguidos por causa da justiça. Todos eles(as) são declarados felizes porque são os que mais se parecem com Deus, ou seja, deixam transparecer em suas vidas a santidade d’Ele. E a felicidade está justamente na vivência do chamado universal à santidade.


2 – O que o texto diz para mim?
A santidade é, pois, um dom recebido de Deus, que alimenta na pessoa o desejo e a disposição de “sair de si mesma” para viver a experiência do amor na relação com o mesmo Deus, no encontro com os outros e no cuidado e proteção da Criação. 

“Viver a partir da santidade de Deus” representa a melhor definição da santidade cristã: reconhecer-me como quem recebe tudo de Deus, deixar-me amar e guiar por Ele, assemelhar-me a Ele para fazer carne viva em mim os sentimentos de compaixão e misericórdia que Ele tem com as pessoas.

Em outras palavras, a santidade significa viver o divino que há em mim.

Só descobrindo o que há de Deus em mim, poderei cair na conta da minha verdadeira identidade. 

Todos são santos, eu sou santa, porque meu verdadeiro ser é o que há de Deus em mim; embora a imensa maioria das pessoas não tem consciência disso ainda, não posso deixar de manifestar o que sou. Sou santo, santa pelo que Deus é em mim, não pelo que eu sou para Deus. Para Jesus, é santa a pessoa que descobre o amor que chega até ela sem mérito algum de sua parte, mas deixa-se envolver por este amor expansivo e passa a viver uma presença amorosa.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
As bem-aventuranças constituem a carta magna do Reino e princípio fundamental do seguidor e seguidora de Jesus; nela aparece a visão que Jesus tinha e desejava para o ser humano. Este texto não é apenas uma normativa, uma ética, mas um modo de entender a vida humana; elas oferecem um programa de felicidade e de esperança, ou seja, elas me ensinam a ser ditosa, no desprendimento e na solidariedade, na pureza de coração e de vida, na liberdade radical, na esperança... tanto no nível pessoal como comunitário.

As bem-aventuranças compartilham uma mesma visão “macro-ecumêmica”: valem para todos os seres humanos. O Deus que nelas aparece não é “confessional”, não é “patrimônio” de uma religião específica; não exige nenhum ritual de nenhuma religião, senão o “rito” da simples religião humana: a pobreza, a opção pelos pobres, a transparência de coração, a fome e sede de justiça, a luta pela paz, a perseguição como consequência do empenho em favor da Causa do Reino... Essa “religião humana básica fundamental” é a que Jesus proclama como “código de santidade universal”, para todos os santos e santos os de casa e os de fora, os do mundo “católico” e os de outras expressões religiosas...


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, todo ser humano deseja ser feliz, e o desejo de felicidade é o dinamismo mais profundo que toda pessoa traz inscrita no íntimo do seu ser. Em outras palavras, a aspiração primeira que me habita é a “alegria de viver”. Por isso, atentar contra a felicidade de viver é a agressão mais grave que se pode cometer contra o ser humano.

No entanto, na experiência de fé de muitas pessoas, a imagem de “Deus” não está associada à busca da “felicidade”. De fato, são muitos os que veem em Deus um autêntico rival da própria felicidade, pois costumam relacionar Deus com a proibição de muitas coisas que lhes dão prazer e lhes fazem felizes, ou com a obrigação de fazer outras coisas que lhes são pesadas e desagradáveis. E, sobretudo, para muitos, “Deus” é uma ameaça, uma proibição constante, uma censura, um juiz implacável com o código de leis nas mãos... enfim, uma carga pesada que complica a vida, tornando-a sem sabor e sem sentido.

Além disso, muita gente vê em Deus a imposição de verdades que não compreende, a limitação da própria liberdade, a necessidade de submeter-se a poderes e autoridades que lhe causam rejeição...

E, para culminar, são muitos aqueles cuja experiência de fé é vivida de maneira negativa, alimentando culpas, acentuando os escrúpulos, fomentando divisões e conflitos internos, comportamentos de caráter obsessivo, práticas piedosas carregadas de moralismo e expiação..., e outras patologias.

É evidente que um “Deus” assim gera, nas pessoas, sentimentos de culpa, de insegurança e de medo.

Posso, então, compreender perfeitamente porque muitas pessoas prescindem de Deus em suas vidas, inclusive, recusam abertamente tudo o que se refere a Deus, à religião e aos seus representantes.

Um “Deus” que é percebido e sentido como um problema, como uma presença que entra em conflito com sua felicidade, por mais que lhes digam que Ele é bom, que os ama e que é Pai, é e será sempre um “deus” inaceitável e até insuportável. Um Deus assim não tem e nem pode ter relação alguma com a aspiração maior que elas carregam dentro de si: o desejo de ser feliz na vida. 


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Não é fácil passar de uma espiritualidade que fez do sofrimento e do sacrifício um lugar de redenção, de santidade, de predileção por parte de Deus, a uma espiritualidade que integra a busca da felicidade, não só como um direito humano, senão como um sinal do Reino.

Na festa de Todos os Santos e Santas sou convidada a deixar semear na terra de minha vida o anúncio mais impressionante de felicidade que Jesus me faz. Como não ficar maravilhada diante das bem-aventuranças e deixar que cada uma delas me desvele e me fale d’Ele? De fato, elas são o auto-retrato de Jesus; antes de proclamá-las, Ele as viveu na radicalidade.

A chave da felicidade está em permitir que se revele o sentido da luminosidade que se encontra no fundo de meu ser. 

O que me tira a energia e me torna impotente é afastar-me desse princípio vital que é o Divino em cada ser.

A santidade é luz expansiva do divino que se faz visível no “modo contemplativo” de viver.

Minha presença junto às pessoas quer ser transparência da santidade de Deus...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 5,1-11
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Faz de nós um  povo santo fx 10 (02:52)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj
CD: Pais e mães em oração
Gravadora: Paulinas Comep

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