quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Leitura Orante – Aparecida, 12 de outubro de 2017


Leitura Orante –  Aparecida, 12 de outubro de 2017

APARECIDA: 
uma mulher, uma festa, uma presença inspiradora


Texto Bíblico: João 2,1-11

1 – O que diz o texto?
“A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Paraíba do Sul, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele” (Homilia do Papa Francisco em Aparecida – 2013)

Uma festa mariana é sempre um motivo de alegria; a festa da mãe Aparecida é, para o povo brasileiro, um momento de inspiração e de profundidade. Neste dia festivo, o que se pode afirmar de mais grandioso a respeito de Maria é que ela foi uma mulher absolutamente humana; nessa humanidade devemos descobrir a grandeza de sua pessoa. Se fundamentamos sua grandeza nos brocados e indumentárias que fomos acrescentando durante séculos, estaremos minimizando seu verdadeiro ser e dando a entender que, em si mesma, Maria não é suficientemente importante, já que a valorizamos mais pelos adornos que vamos  colocando sobre ela.

Em Maria descobrimos aquilo que, na essência, todos somos. Conhecer seu verdadeiro ser é a chave para a interpretação atualizada da festa de hoje. Não devemos nos conformar em olhar Maria para ficarmos extasiados diante de sua beleza. O que descobrimos nela, devemos também descobrir em nosso próprio ser. O que importa realmente é que em Maria e em todo ser humano há um núcleo intocável que nada nem ninguém pode manchar. O que há de divino em nós será sempre imaculado. 

Tomar consciência desta realidade, seria o começo de uma nova maneira de entender a nós mesmos e de entender os outros. 

Maria é grande em sua simplicidade e não temos nada que acrescentar ao que ela foi desde o princípio. Basta olhar para o seu verdadeiro ser e sua maneira original de se fazer presente junto aos outros para, então, descobrir o que há de Deus em seu interior; isso é que sempre será puríssimo, imaculado. Se descobrimos isso nela, é para tomar consciência de que também está presente em cada um de nós.

Escutando as palavras de Maria – “Fazei tudo o que Ele vos disser!” -  nosso ouvido interior se afinará para perceber melhor o clamor dos empobrecidos e excluídos da festa da vida. É o clamor de nosso mundo.


2 – O que o texto diz para mim?
Como a imagem negra e despojada encontrada no rio Paraíba do Sul, Maria não necessita nenhum adorno. Néscio é aquele que pinta um diamante; tolo é aquele que cobre uma pérola de purpurina; fantasioso é aquele que pretende enfeitar uma rosa que acaba de se abrir pela manhã; insensato é aquele que tenta acariciar uma borboleta que acaba de sair de seu casulo. Maria é o diamante, a pérola, a rosa, a borboleta. Livre de toda indumentária, ela é mais formosa. 

De nada me servirá descobrir a pérola em Maria se não a descobrir também em mim mesma. São milhões de diamantes que habitam esta terra, embora cobertos de terra e barro. 

Contemplar Maria e deixar desvelar (tirar o véu) a nobreza humano-divina escondida em meu interior.

Em mim, algo de bom, de inocente, de imaculado, continua a dizer “sim” ao incompreensível Amor... É preciso encontrar esta dimensão interior por onde entra a vida, este lugar por onde entra o amor. É uma experiência de silêncio, uma experiência de intimidade, alguma coisa de mais profundo do que aquilo que aparento ser; existe em mim alguma coisa de mais divino e mais profundo, que é a beatitude original.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Sou habitada por uma realidade mais profunda que a minha resistência, um sim mais profundo que todos os meus “nãos”, uma inocência original que todos os meus medos e feridas... 

Maria é a minha verdadeira natureza, é a minha verdadeira inocência original, aberta à presença do divino.

Nesse sentido digo que ela é Imaculada como referência única de uma humanidade que também é capaz de escutar Deus e de responder-lhe; ela é Imaculada porque me “desvela” que também eu posso romper as amarras que me desumaniza; ela é Imaculada porque “revela” que o ser humano é “lugar” de abertura a Deus, que é possível viver em liberdade, dialogando com os outros, a serviço da comunhão e da vida.

Porque se fez presente a Deus, Maria vai se fazendo presente na vida das pessoas de uma maneira sempre mais criativa e atenta; presença que se faz manancial de vida para os outros, tornando-se, ao mesmo tempo, amiga, irmã e mãe de todos.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, a presença silenciosa, original e mobilizadora de Maria desperta e ativa também em mim uma presença inspiradora, ou seja, descentrar-me para estar sintonizada com a realidade e suas carências. Tal atitude me mobiliza a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações; escutar relatos que trazem luz para minha própria vida; ver a partir de um horizonte mais amplo, que ajuda a relativizar minhas pretensões absolutas e a compreender um pouco mais o valor daquilo que acontece ao meu redor; escutar de tal maneira que aquilo que ouço penetre na minha própria vida; implicar-me afetivamente, relacionar-me com pessoas, não com etiquetas e títulos; acolher na própria vida outras vidas; histórias  que afetam minhas entranhas e permanecem na memória e no coração.

Maria de Nazaré me recorda que a falta de vinho é esquecimento da fraternidade, é falta de amor e de comunhão, é ausência do Reinado de Deus na minha vida. Por outro lado, em meio a tantas carências, também se fazem visíveis os sinais do Reino: desejos de solidariedade, gente que protege a vida, homens e mulheres que buscam a Deus e se comprometem com a vida, tantas vezes ameaçada. 

Maria me atrai para a festa que nunca se acaba: compartilhar minha existência com muita gente e viver sob os impulsos do Espírito.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
A festa de hoje me ajuda a ativar uma sensibilidade solidária, pois é muito frequente estar próximo e não perceber os outros, estar junto e não ter consciência dos problemas e dificuldades dos outros. 

É preciso ampliar o olhar para entrar em sintonia compromissada com a realidade carente. 

O mundo me reconhecerá pelos meus gestos de solidariedade.

Sentir tudo o que há de água depositada e parada em minha vida...

Sentir como talha de pedra, fria e rígida, me torna incapaz de mobilizar minha vida em favor da vida.

Reconhecer e agradecer  tudo o que na minha vida se parece com o vinho, que me dilata e me dá sentido de festa.

Vinho expansivo que provoca alegria, abundância, reconstrução de novas relações...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  João 2,1-11
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Aparecida, sou romeiro – fx 10 (03:46)
Autor: Padre Ezequiel Dal Pozzo
Intérprete: Padre Ezequiel Dal Pozzo
CD: Aparecida, Canções de amor e fé
Gravadora:  Paulinas Comep

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