segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Leitura Orante – 19º domingo do tempo comum, 13 de agosto de 2017

Leitura Orante – 19º domingo do tempo comum, 13 de agosto de 2017

ASSUMIR NOSSAS TORMENTAS

“A barca já estava longe da costa, sacudida pelas ondas, 
pois o vento era contrário” (Mt 14,24)
Texto Bíblico: Mateus 14,22-33

1 – O que diz o texto?
Podemos afirmar que o centro dos evangelhos de Marcos e Mateus é uma espécie de relato de navegações e tormentas. Essa recordação de Jesus que acompanha seus amigos no barco e que “acalma” sua vida tormentosa (tormenta de dentro ou de fora?) está no fundo da tradição cristã.

O medo, a angústia, a insegurança, o espanto dos apóstolos, o não saber quê fazer na tormenta, é parte de nossa condição humana. Isso não nos faz menos pessoas, mas nos faz mais próximos, se somos simples e humildes. 

Quando lemos com um pouco mais de atenção os capítulos centrais do Evangelho de Mateus passamos a ter convicção de que Jesus está continuamente “passando para outra margem” e convidando seus discípulos a fazerem o mesmo. Poderíamos dizer que o seguimento implica permanente travessia de uma margem à outra. Isto nos move a pensar que esta passagem não é geográfica; nesse deslocamento há algo mais profundo, ao menos um convite à não instalação. Nenhuma margem pode se converter em lugar de “parada”, todas são lugares de passagem.

Mateus realça que Jesus “forçou” os seus discípulos a entrarem na barca. Isto indica que não queriam ir embora e foi necessário obriga-los a se retirarem dali. Por quê?

Sem dúvida, porque ao verem a oportunidade de que o Mestre se convertesse em rei, não queriam perder a ocasião de ter algo de poder, de vaidade, de prestígio. 

Compreende-se, assim, o mandato de Jesus a passar para a “outra margem”, a deixar de lado as solicitações do ter, do poder... para buscar o caminho do despojamento e da partilha. 

A atualidade do relato é patente: quando os discípulos de Jesus não se contentam em ser o que são, mas buscam poder e prestígio, “faz-se noite”, não avançam, a tormenta se amplia, veem em Jesus um fantasma que lhes dá medo, Pedro se afunda...

Esperança e dúvida, temor e coragem, criatividade e rotina, andam juntas.

Sem a superação cotidiana desse medo, nossa missão estará comprometida; perderá sua força inovadora, garantida pela novidade do Projeto de Deus. O compromisso com o Reino requer de todos uma forte dose de coragem e uma alma ágil, animada e vivificada pelo sabor da aventura e da novidade.

Tornamo-nos corajosos quando tomamos a decisão de arriscar.

Vencido o medo, nós nos tornaremos autênticos(as), criativos(as) e audazes seguidores(as) de Jesus. “Quem for medroso e tímido volte para trás” (Juízes. 7,3)


2 – O que o texto diz para mim?
Seguir Jesus implica estar continuamente passando para a outra margem; passar para o outro diferente, não permanecer fechado em si mesmo. “Passar para o outro” como condição necessária para “passar para Deus”. Aquele que se instala, se perde, envolve-se na tormenta. É preciso buscar sempre novos espaços e novos horizontes. E toda travessia implica “correr riscos”.

Há momentos em que eu daria tudo por uma chance de pedir a Deus para não correr riscos. Mas o risco é necessário. É importante poder enfrentar as dificuldades, o desconhecido e o incerto.

As experiências obscuras, as tribulações, as tempestades... são inerentes à fé cristã; estão presentes em todas as pessoas. Mas isso deve me permitir renovar constantemente uma confiança e uma união com o Senhor na realidade mais cotidiana.

Percebo que algumas pessoas fazem opção pelo porto seguro das falsas certezas e seguranças, mas outros preferem correr o risco do “mar agitado” e são capazes de construir o novo. 

As tempestades, o vento contrário, a escuridão da noite... “agitam a alma dentro de nós”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Cheguei à pós-modernidade com uma enorme carga de medo; sou atormentada o tempo todo pelo medo; um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade; medo cruel que afeta os corajosos e agride os ousados. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo guardados nas escuras profundezas do ser humano. Há um verdadeiro pânico permanente envolvendo grupos, pessoas e instituições.

A sensibilidade, a criatividade, o espírito de iniciativa são meus maiores aliados.

Para desenvolver ao máximo minhas potencialidades, tenho de enfrentar dilemas, encruzilhadas, perplexidades e responsabilidades. Isto me faz mergulhar na vida, desenvolver minhas forças, ativar e despertar outras possibilidades escondidas no chão de minha vida.

Na tradição inaciana “formar-se é provar-se”. Só aquele que é posto à prova em sua fé e em suas convicções, se forma, cresce e amadurece.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, já teve a experiência de superar meus medos e tomar decisões audazes diante de um futuro incerto, então se despertaram, no meu eu mais profundo, outros recursos e capacidades que ignorava ter;  no final, minha vida se viu enriquecida de uma maneira tal que jamais poderia imaginar. 

Os conflitos mais profundos do meu coração são pacificados com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida... 

Do meio dos ventos contrários e do mar agitado brota um forte apelo: “Não tenhais medo”. Um apelo com força libertadora; é a força da voz de Alguém cuja presença alavanca o passo para a travessia: o passo da mudança, o passo da audácia de sonhar de novo, o passo para vislumbrar a outra margem...  


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Rastrear, identificar, compreender e desterrar os medos de meu coração.

Substituir a cultura do medo pela cultura da coragem. 

A coragem desbloqueia energias, impulsiona decisões, levanta projetos, reacende a criatividade e o gosto por viver.

Com o Senhor no barco de minha vida, vou além, faço a travessia... 

Ele é ao mesmo tempo: mestre, timoneiro, mastro, vela, horizonte, esperança, ar, mar, adorável presença... Salvador...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 14,22-33
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Jesus amigo – fx 10 (03:51)
Autor: Antônio Cardoso
Intérprete: Antônio Cardoso 
CD: Pede um amor às estrelas
Gravadora:  Paulinas Comep



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