segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Leitura Orante – 22º domingo do tempo comum, 03 de setembro de 2017


Leitura Orante –  22º domingo do tempo comum, 03 de setembro de 2017

CAMINHO DA CRUZ, CAMINHO DO ESVAZIAMENTO DO “EGO”

“Quem quiser vir atrás de mim negue-se a si mesmo, 
carregue  sua cruz e siga-me”. (Mt 16,24)


Texto Bíblico: Mateus 16,21-27


1 – O que diz o texto?
O seguimento de Jesus implica um descentramento, um esvaziamento do “nosso próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Para poder viver o Evangelho de uma maneira inspirada, deveríamos deixar ressoar profundamente em nós essa expressão tão forte de Jesus: “renunciar a si mesmo” para poder viver com mais plenitude e transparência.

Isto não significa que Jesus tenha tomado um caminho dolorista, no qual se valoriza a dor por si mesma. Pelo contrário, Jesus vive a sabedoria da vida de onde brota a felicidade. Não vive para o “ego”, pois este busca sempre seu interesse e comodidade, mas vive ancorado naquela identidade profunda, na qual permite que a Vida flua através de si mesmo, numa atitude de aceitação ou de sintonia sábia com o Pai. 

A “renúncia a si mesmo” não é um exercício de masoquismo, não é mutilar-se, nem buscar sacrifícios, nem anular-se..., mas é descer até “o dinamismo de vida” (a força germinadora) que pulsa no próprio coração, ansioso de plenitude, de vida e de amor; é a maneira mais profunda de realização. 

“Renunciar a si mesmo” é deixar de se identificar com a tirania das mensagens de nossos pequenos “egos”, que se refletem em nossa própria linguagem e autoimagem. A imagem tornou-se uma espécie de absoluto em nossa sociedade. A ela servimos e por ela somos determinados.

“Renunciar a si mesmo” é um conselho sábio: significa despertar-se da ilusão e do engano, deixar de girar em torno de um suposto “eu” que não existe, para viver a comunhão com todos e com tudo e agir assim de um modo mais coerente.

A vida não deve ser corroída pela tirania do egoísmo mesquinho: vida é encontro, interação, comunhão...

Aquele que quer salvar seu “ego”,  perde a Vida, porque se isola numa estreita jaula ou se perde em um labirinto de inevitável sofrimento e, em último termo, de vazio e sem sentido. Uma existência egocentrada, embora aparentemente satisfatória para o “ego” (inclusive até “ganhar o mundo inteiro”), não pode evitar uma sensação de profunda insatisfação.

A morte do falso eu é a condição para que a verdadeira Vida se liberte. É preciso passar pela morte do que é terreno, caduco, transitório (paixões, apegos desordenados...) para deixar emergir a vida interior, a vida divina, a vida de Deus em nós. 

Ao descobrir a armadilha desse “ego” atrofiador, ao deixar de nos identificar com ele, a primeira coisa que experimentamos é uma sensação de amplitude, onde sentimos que nosso coração se expande e descobrimos que o horizonte é, na realidade, infinito.


2 – O que o texto diz para mim?
Aqui o “si mesmo” faz referência ao nosso falso “eu”, aquilo que, iludidos, acreditamos ser: o “eu” que busca poder, prestígio, riqueza... O desapego do falso eu é imprescindível para poder entrar no caminho que Jesus propõe.

Aquele que não é capaz de superar o “ego” e não deixar de se preocupar com seu individualismo (centralidade em si mesmo), frustra toda sua existência; mas, aquele que, superando o egocentrismo, descobre seu verdadeiro ser “descentrado” e atua em consequência, vivendo uma entrega aos outros, alcançará sua verdadeira plenitude humana.

Trata-se de um ponto chave do ensinamento de Jesus, ou seja, o convite a entrar na lógica do dom, do descentramento do eu, da entrega gratuita, da superação da mera reciprocidade.

É a lógica aberta pelo Reinado de Deus, que alarga o horizonte da vida humana, enriquece as possibilidades de atuação e aumenta a criatividade no serviço. A lógica do dom implica deixar-se conduzir por Deus, conhecida através de Jesus, que é entrega de vida, misericórdia, perdão, amor infinito.

Minha verdadeira identidade não é constituída pelos pequenos “egos” que acredito ser. Preciso despertar dessa ilusão e entrar em contato com meu verdadeiro Eu, meu Ser e, a partir dele, olhar a vida, olhar minha atividade e olhar os outros, a fim de viver em sintonia com quem sou em profundidade. É esse o modo de “ganhar a vida”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Uma das manifestações da sociedade narcisista na qual o “eu” tornou-se a instituição máxima e o eixo do universo é a chamada cultura do “selfie”. Sociologicamente isso pode revelar a obsessão pelo protagonismo e pela sacralização do eu. 

O que vale na cultura do "self" é o modo como eu me apresento. Na imagem eu recrio conforme meu “self”, isto é, mostrar aquilo que acredito ser o meu "eu". A imagem precisa ser perfeita, pouco importa a maneira como ela foi feita, tampouco, as circunstâncias da construção dela. 

Preciso desvelar (tirar o véu) de meus “pequenos eus”, detectar e reconhecer seus dinamismos sombrios e atrofiadores, para poder caminhar, com mais naturalidade e leveza, para além de mim mesma. Do contrário, eles travarão minha vida de uma maneira tirânica. 

É saudável reconhecer esses “eus” e dialogar com eles, pois de outra forma eles se fixarão em mim como rigidez ou me transformarão em fanática. Rigidez e fanatismo, dureza e intolerância, legalismo e moralismo... indicam a existência de “eus” inflados que atrofiam minha existência.

A afirmação de Jesus, portanto, me faz descobrir que por detrás do “renunciar-se a si mesmo” pulsa o desejo de desprender-se do “ego desumano” para poder expandir a vida em direção a uma ousada criatividade. O caminho da fidelidade até a Cruz vai quebrando toda falsa pretensão do “ego”, expandindo minha vida na direção do serviço e da entrega radical.

Morrer “com Jesus” na Cruz é morrer ao próprio “ego”, para que o “eu oblativo” possa ressuscitar para uma vida nova.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, todos os caminhos autênticos de espiritualidade começam por um esvaziamento do ego, uma renúncia a si mesmo, não para negar-se como pessoa, mas, pelo contrário, para crescer ao recuperar a verdadeira identidade na totalidade. 

Quando “eu me perco”, me encontro, quando “meu eu diminui”, descubro que faço parte de algo maior, que pertenço a Deus. 

Por isso, “tomar a Cruz” é uma imagem que quebra e esvazia toda pretensão de autoafirmação do eu.

É um momento doloroso, pois a pessoa resiste e pode encher-se de angústias e medos ao perder o falso ponto de apoio sobre eu autônomo, impassível centrado em si mesmo. E teme o pior: perder-se, diluir-se.

Sou continuamente bombardeada de afirmações sobre a necessidade de um Eu forte e integrado.

O encontro com Cruz elimina o narcisismo, desmascara a prepotência e me devolve à vida cotidiana (tempo, casa, profissão, conversação) como o único lugar no qual posso me encontrar com a minha própria verdade. 

“Do eu descentrado ao eu enraizado no seguimento de Jesus”: este é o movimento de vida plena.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Descer mais ao fundo de mim mesma e descobrir a harmonia. 

Aprender a morrer aos próprios interesses mesquinhos para que os outros vivam.

O meu verdadeiro ser é paz, é mansidão, é bondade. 

Ir mais além do meu falso ser.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 16,21-27
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: O amor é agora – fx 07 (04:14)
Autor: Padre Fábio de Melo
Intérprete: Padre Fábio de Melo
CD: Saudades do céu
Gravadora:  Paulinas Comep


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Leitura Orante – 21º domingo do tempo comum, 27 de agosto de 2017


Leitura Orante –  21º domingo do tempo comum, 27 de agosto de 2017

AS PERGUNTAS INQUIETANTES QUE NOS HABITAM

“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)

Texto Bíblico: Mateus 16,13-20


1 – O que diz o texto?
A pedagogia de Jesus nos Evangelhos é feita de perguntas. 

Jesus é um Deus que pergunta. São inúmeras às vezes em que Ele se aproxima das pessoas e as interroga. Desde o “quê buscais?” no início do evangelho de S. João, passando pelas perguntas na região de Cesaréia de Filipe, “quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”, “e vós, quem dizeis que eu sou?”, até à tríplice interpelação a Pedro, “tu me amas”?

Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida, também se compõe de perguntas.

Jesus, com sua pedagogia fundada em perguntas, nos coloca diante do mistério de Sua vida e de Suas opções. Responder à pergunta “quem é Ele” é comprometer-se com Ele, é assumir o caminho d’Ele, é arriscar-se n’Ele.

Jesus aproxima-se das pessoas. Não procura convencer, argumentar, ou fazer seguidores à base de discursos. Suas perguntas ousadas colocam em crise visões distorcidas, falsas concepções e idéias preconcebidas a respeito d’Ele. Com sua pergunta Jesus provoca uma radical decisão pró ou contra Ele, uma clara opção pró ou contra o Reino.

Já agradecemos alguma vez pelas perguntas que nos fizeram? Em um diálogo, as perguntas são a ponte entre as vozes, a confluência de corações, o brilho de luz compartilhada. Todas e cada uma delas nos fizeram crescer, mesmo aquela que parecia a mais trivial. Porque cada pergunta vem carregada de matizes, umas com carinho, outras de atenção ou de interesse, e, inclusive, algumas de desafio... Umas foram respondidas, outras não sabíamos como respondê-las, talvez nunca saibamos respondê-las...


2 – O que o texto diz para mim?
Um cristão que nunca tenha proposto seriamente esta questão a si mesmo, de uma maneira vital, não está maduro na maneira de viver o seguimento de Jesus Cristo.

Como cristã eu me defino mais pelo perguntar do que pelo responder. “Perguntar” é buscar, é despertar a capacidade de me deslumbrar diante deste mundo fenomenal que sou e diante desta realidade que me circunda. 

A espiritualidade cristã reacende em mim as grandes “interrogações existenciais”:  

“Quem sou? – Quê estou fazendo? – 

Por quê estou fazendo? – Para quem estou fazendo?...”

A índole interrogatória é traço típico da espiritualidade cristã; o perguntar é ousado; perguntar desafia, tem dose de irreverência; são perguntas de “conversão”, de mudança, que abrem para o futuro, para o novo. A pergunta é movimento, é vida... e suscita resposta viva, criativa, surpreendente... e inesgotável. 

Não são perguntas para começar a caminhar, mas para reforçar meu espírito de aventura e mobilizar meus recursos interiores na busca do “sentido” de minha identidade e da missão que realizo.

Tais perguntas trazem à tona minhas motivações, minhas formas de agir, de amar e de sentir...

A busca é interior, o caminho é pessoal e coletivo, a resposta tem um toque de eleição comunitária.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Desde o início, ainda no paraíso, Deus buscou o ser humano com uma pergunta: “onde estás?”. Deus me busca continuamente com suas perguntas. Sou resposta a essa pergunta primordial.

Igualmente, o ser humano é um amontoado de perguntas, é um ser que pergunta. 

Com pouco tempo de nascimento e quando vai se abrindo à aventura da vida começam suas perguntas: “por quê?”... Uma infinidade de “por quês?” 

Também sou uma pergunta que faço a Deus e espero resposta. Quantas gostaria de fazê-las a Deus? Mas a resposta só virá quando o meu coração estiver preparado para escutá-la: sem medo, sem angústias, em atitude de espera e confiança.

“Sê paciente com tudo o que ainda não está resolvido em teu coração... Procura amar tuas próprias perguntas... Não busques as respostas que não podem ser dadas, porque não serias capaz de vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Vive agora as perguntas. Talvez assim, gradativamente, sem dar-te conta, possas algum dia viver as respostas” (Rainer María Rilke).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, viver à escuta das interrogações me mantém desperta no caminho. Estou habitada nas perguntas.

São as perguntas que suscitam em mim o assombro frente à riqueza da realidade, a preocupação frente o drama da humanidade, a disposição frente ao futuro..., exigindo assim viver continuamente numa atitude de escuta.

A mediocridade das respostas formatadas paralisam e fecham as portas às novas possibilidades. 

As perguntas, ao contrário, são o fio de ouro em meio ao cascalho que mobilizam o garimpeiro a buscar sem cansar. 

As respostas cortam o movimento, atrofiam a curiosidade, matam a criatividade e o espírito de aventura; elas impedem a mobilização dos recursos interiores da pessoa na construção do conhecimento, levando-a à apatia e à acomodação.

O momento é de tecer perguntas onde há mais respostas formatadas e fechadas. 

Urge, pois, implementar e desenvolver hábitos, processos, que me ajude a ser mais intuitiva através das perguntas que abrem acesso às reservas interiores de criatividade e imaginação, frente aos desafios cotidianos.

A pergunta “quem é Jesus” não pode ser respondida simplesmente com os dogmas. 

A resposta deve ser prática, brotar do chão da vida. Minha vida é a que tem que dizer quem é Jesus Cristo para mim. “Quê diz tua vida de mim?” 

Do esforço dos primeiros séculos da Igreja por compreender a Jesus, devo fazer minhas, não as respostas que deram, mas as perguntas que foram feitas. 

A verdadeira pergunta é: “quê é, que significa Jesus Cristo em minha vida?”  Não basta dizer que creio em Jesus. É preciso me perguntar: em quê Jesus crê e quem é Jesus para mim?


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Meu coração se encontra diante da revelação do “eu original”, porque está enraizado na identidade do próprio Jesus (“quem sou eu para você?”).

A contemplação da pessoa de Jesus é também desvela-mento do eu “escondido com Cristo em Deus” (Col 3), ou seja, revelação da verdade do eu, onde descubro os traços de minha própria fisionomia.

Não posso responder a essa pergunta – “Quem é Jesus para mim?” – se não me pergunto ao mesmo tempo: “Quem sou eu, diante do Senhor?” 

Sem identificação não haverá um encontro profundo com o Senhor.

O encontro comigo mesma me aproxima do encontro com o Senhor e o encontro com o Senhor revela minha própria identidade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 16,13-20
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Dizem que sou missionário - Fx 05 (02:18)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Ricardo Moreno
CD: Discípulos e missionários 
Gravadora:  Paulinas Comep

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Leitura Orante – ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA, 20 de agosto de 2017


Leitura Orante –  ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA, 20 de agosto de 2017

VISITAÇÃO: o encontro com o outro faz saltar a vida em nosso interior

“Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, 
a criança pulou em seu ventre...” (Lc 1,41)


Texto Bíblico: Lucas 1,39-45


1 – O que diz o texto?
A festa da Assunção de Maria nos oferece uma privilegiada oportunidade para aprofundar o mistério de toda vida humana. A todos nos preocupa qual será meta de nossa existência. Para grande parte do povo católico, a festa de hoje, juntamente com a festa da Imaculada, é a festa de Maria. A Imaculada marca o começo de sua história, a Assunção marca o destino final. Entre ambos “mistérios” ocorre o transcurso de sua vida, numa contínua identificação com Deus, ao lado da vida de Jesus.

No relato do Evangelho de Lucas, indicado para a festa de hoje, há duas mulheres, Maria e Isabel, que experimentaram profundamente o dom da gratuidade, e seu lugar de carência se converteu em lugar de abundância. As duas descobriram o dinamismo curador das relações e a riqueza que os encontros pessoais revelam.

O “mistério da visitação” nos possibilita recuperar o sentido e o dinamismo de um encontro interpessoal. O encontro é uma realidade inter-humana dinâmica e, até certo ponto, tem algo de arriscado e imprevisível, derrubando todas as nossas prévias tentativas de controlá-lo. 

O evangelista Lucas nos apresenta uma visita inesperada: a visita daquela que não permanece fechada nem ensimesmada em seu mistério; a visita daquela que se sente impulsionada a sair de si mesma para colocar-se a serviço daquela que está necessitada de ajuda. 

Uma visita alegre, espontânea e gratuita, porque cheia da experiência de Deus; Maria que faz Isabel sentir a alegria de uma maternidade não esperada e Isabel que faz Maria sentir as maravilhas que Deus realizou nela. Uma visita que se expressa em dois cantos de louvor e ação de graças: “Bendita és tu que acreditaste” e “Minha alma engrandece o Senhor”.

As duas mulheres se encontram em diferentes momentos vitais: Isabel na terceira etapa de sua vida, Maria quase na primeira, entrando na segunda. Uma é estéril e anciã, a outra, jovem e virgem, ambas portadoras de uma vida maior que elas mesmas, conhecedoras do mistério que crescia em seu interior.

Devido à sua gravidez, as duas se encontram fora da norma social, do estabelecido. Isabel é idosa para poder conceber, e Maria está grávida sem estar casada.  Ambas deviam sentir não só alegria no abraço, mas também a comoção e as dúvidas: “quê vai acontecer?”, “como vamos ajeitar as coisas?”...

Elas apoiam-se mutuamente no momento no qual estão na situação que atravessam; reconhecem-se e se confirmam; estabelecem um vínculo entre elas, aceitam-se mutuamente; não se julgam nem valoram em função do que a sociedade considera correta ou incorreta; compreendem o que significa para cada uma delas que algo novo está crescendo em seu interior.

Maria não vai só servir a Isabel; ela precisa de alguém que a partir de sua experiência lhe diga: “vai em frente, que isso é de Deus”. Necessita que Isabel a confirme e a bendiga. E Isabel, por sua vez, necessita agradecer o sonho de Deus que as duas compartilham e que se tornou possível.

Isabel e Maria se convertem cada uma em comadre, em parteira da outra; a partir de seus diferentes momentos vitais, vão se ajudar a esperar e a passar o processo do “dar à luz”. Na vida nova que está se gestando nelas, no secreto anseiam em uníssono para trazer ao mundo algo de Deus que estava oculto. 

As duas sabem de espera e de dores de parto. O parto não é um fato isolado e acontece nele a contração e a relaxação, a dor e o prazer, a posse e o desprendimento, a tristeza e a alegria, o medo e a confiança.

Isto que as parteiras mencionam como momentos do parto, do “dar à luz”, são momentos de nossa vida, de nossos encontros. Todos nos reconhecemos aí. Somos parteiros uns dos outros, e necessitamos cuidar desses processos cotidianos onde a vida do Espírito se manifesta como luz da vida.


2 – O que o texto diz para mim?
À sombra do encontro entre Maria e Isabel e contemplando o modo de visitar e de ser visitada, agradeço o tecido relacional que configura minha vida. É um tempo para orar os encontros, para considerar aqueles que precisam continuar alimentando e aqueles que se romperam e que querem reparar.

Agradecer os encontros que nutrem minha vida. Trazer ao coração as pessoas significativas que me fizeram provar o sabor do amor em mim e seus bons efeitos. 

Recolher agradecidamente os pequenos gestos de amor, de carinho, de escuta, de confiança, de paciência... que tiveram para comigo.

Há visitas que não significam muito: só servem para matar o tempo e “jogar conversa fora”. E há visitas que despertam vida, que faz saltar a vida divina que carrego dentro de mim.

As relações que me constituem são os tecidos pelo qual circulam minha abertura a Deus e por onde cresço em humanidade, acolhendo e sendo acolhida pelos outros.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Vivo em um mundo hiperconectado, em contato permanente e presente, ao mesmo tempo, em todos os lugares. O mundo, minha vida, se converteu num “chat” contínuo. No entanto, em meio a este “chat” universal, a conversação emudeceu; a maior parte de minhas “conversações” tornaram-se prisioneiras das telas (celulares, tablets, smartphones, internet). Corro o risco de reduzir a comunicação à conexão. Banalizam-se os conteúdos da conversa, mas também são amputadas dimensões fundamentais da experiência da comunicação, sobretudo a presença física. Sem essa presença, sem o encontro pessoal, não é possível o diálogo e a verdadeira comunicação. Este empobrecimento da comunicação vivente com o outro, ou a atrofia e medo de um face a face, é sinal claro de uma profunda desumanização.

Por isso, sou ser carente de “mais visitações”. Visitações que despertem minhas possibilidades e sonhos, visitações que me façam saltar de alegria, visitações que me ajudem a reconhecer as maravilhas que Deus realiza em mim e nos outros.

Isabel e Maria se fazem valer mutuamente e despertam o melhor que há em cada uma. Viveram uma história de agradecimento e de libertação, se encontraram a partir da alma, a partir do mais profundo de si mesmas e se ofereceram mutuamente palavras amigas, palavras de encorajamento e de sabedoria.

Elas me ajudam a me perguntar: 

Quê tipo de história relacional quero viver? 

Uma história a partir do ego ou a partir interioridade? 


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Porque “assumiu” Deus em sua vida, Maria foi “assumida” totalmente por Deus; ela deixou Deus ser grande na sua vida; por isso, Deus a engrandeceu plenamente.

Realiza-se, portanto, em Maria a situação final, já dentro da história, situação prometida a toda humanidade: “ser um dia de Deus e para Deus”; Maria o é desde o início (imaculada) até o final (assunção), através de uma fidelidade de toda a sua vida.

Senhor, sei que o encontro definitivo em Deus só acontece quando preencho de sentido os “encontros” com aqueles(as) que cruzam minha vida.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Posso planificá-la preparando estratégias.

Posso acolhê-la cheio de expectativa.

Posso me mostrar desejosa, segura... 

Posso ser uma casa sempre aberta: “entrada franca”.

Casa, lugar do lava-pés, do mandamento novo, da amizade, da visitação...

Casa, lugar de unção-acolhida, serviço e cuidado...

Casa, lugar da gestação de novas vidas, da experiência de nascimentos permanentes...

De repente, algo inesperado acontece, na outra pessoa, ou em mim mesma, ou no contexto, convertendo aquele encontro numa situação única e original, afetando meu viver ou meu eu profundo.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 1,39-45
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     

Sugestão:
Música: Odogitria Pan Haghia – fx 12 (03:35)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj 
CD: Quando Deus se calou
Gravadora:  Paulinas Comep



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Leitura Orante – 19º domingo do tempo comum, 13 de agosto de 2017

Leitura Orante – 19º domingo do tempo comum, 13 de agosto de 2017

ASSUMIR NOSSAS TORMENTAS

“A barca já estava longe da costa, sacudida pelas ondas, 
pois o vento era contrário” (Mt 14,24)
Texto Bíblico: Mateus 14,22-33

1 – O que diz o texto?
Podemos afirmar que o centro dos evangelhos de Marcos e Mateus é uma espécie de relato de navegações e tormentas. Essa recordação de Jesus que acompanha seus amigos no barco e que “acalma” sua vida tormentosa (tormenta de dentro ou de fora?) está no fundo da tradição cristã.

O medo, a angústia, a insegurança, o espanto dos apóstolos, o não saber quê fazer na tormenta, é parte de nossa condição humana. Isso não nos faz menos pessoas, mas nos faz mais próximos, se somos simples e humildes. 

Quando lemos com um pouco mais de atenção os capítulos centrais do Evangelho de Mateus passamos a ter convicção de que Jesus está continuamente “passando para outra margem” e convidando seus discípulos a fazerem o mesmo. Poderíamos dizer que o seguimento implica permanente travessia de uma margem à outra. Isto nos move a pensar que esta passagem não é geográfica; nesse deslocamento há algo mais profundo, ao menos um convite à não instalação. Nenhuma margem pode se converter em lugar de “parada”, todas são lugares de passagem.

Mateus realça que Jesus “forçou” os seus discípulos a entrarem na barca. Isto indica que não queriam ir embora e foi necessário obriga-los a se retirarem dali. Por quê?

Sem dúvida, porque ao verem a oportunidade de que o Mestre se convertesse em rei, não queriam perder a ocasião de ter algo de poder, de vaidade, de prestígio. 

Compreende-se, assim, o mandato de Jesus a passar para a “outra margem”, a deixar de lado as solicitações do ter, do poder... para buscar o caminho do despojamento e da partilha. 

A atualidade do relato é patente: quando os discípulos de Jesus não se contentam em ser o que são, mas buscam poder e prestígio, “faz-se noite”, não avançam, a tormenta se amplia, veem em Jesus um fantasma que lhes dá medo, Pedro se afunda...

Esperança e dúvida, temor e coragem, criatividade e rotina, andam juntas.

Sem a superação cotidiana desse medo, nossa missão estará comprometida; perderá sua força inovadora, garantida pela novidade do Projeto de Deus. O compromisso com o Reino requer de todos uma forte dose de coragem e uma alma ágil, animada e vivificada pelo sabor da aventura e da novidade.

Tornamo-nos corajosos quando tomamos a decisão de arriscar.

Vencido o medo, nós nos tornaremos autênticos(as), criativos(as) e audazes seguidores(as) de Jesus. “Quem for medroso e tímido volte para trás” (Juízes. 7,3)


2 – O que o texto diz para mim?
Seguir Jesus implica estar continuamente passando para a outra margem; passar para o outro diferente, não permanecer fechado em si mesmo. “Passar para o outro” como condição necessária para “passar para Deus”. Aquele que se instala, se perde, envolve-se na tormenta. É preciso buscar sempre novos espaços e novos horizontes. E toda travessia implica “correr riscos”.

Há momentos em que eu daria tudo por uma chance de pedir a Deus para não correr riscos. Mas o risco é necessário. É importante poder enfrentar as dificuldades, o desconhecido e o incerto.

As experiências obscuras, as tribulações, as tempestades... são inerentes à fé cristã; estão presentes em todas as pessoas. Mas isso deve me permitir renovar constantemente uma confiança e uma união com o Senhor na realidade mais cotidiana.

Percebo que algumas pessoas fazem opção pelo porto seguro das falsas certezas e seguranças, mas outros preferem correr o risco do “mar agitado” e são capazes de construir o novo. 

As tempestades, o vento contrário, a escuridão da noite... “agitam a alma dentro de nós”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Cheguei à pós-modernidade com uma enorme carga de medo; sou atormentada o tempo todo pelo medo; um medo sem nome, um fantasma sem rosto, escuro como uma sombra e rápido como uma tempestade; medo cruel que afeta os corajosos e agride os ousados. Não existe depósito de munição mais potencialmente explosivo do que os estoques de medo guardados nas escuras profundezas do ser humano. Há um verdadeiro pânico permanente envolvendo grupos, pessoas e instituições.

A sensibilidade, a criatividade, o espírito de iniciativa são meus maiores aliados.

Para desenvolver ao máximo minhas potencialidades, tenho de enfrentar dilemas, encruzilhadas, perplexidades e responsabilidades. Isto me faz mergulhar na vida, desenvolver minhas forças, ativar e despertar outras possibilidades escondidas no chão de minha vida.

Na tradição inaciana “formar-se é provar-se”. Só aquele que é posto à prova em sua fé e em suas convicções, se forma, cresce e amadurece.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, já teve a experiência de superar meus medos e tomar decisões audazes diante de um futuro incerto, então se despertaram, no meu eu mais profundo, outros recursos e capacidades que ignorava ter;  no final, minha vida se viu enriquecida de uma maneira tal que jamais poderia imaginar. 

Os conflitos mais profundos do meu coração são pacificados com o atrevimento da coragem, com a força da fé, com a imaginação solta, com a criatividade livre e desimpedida... 

Do meio dos ventos contrários e do mar agitado brota um forte apelo: “Não tenhais medo”. Um apelo com força libertadora; é a força da voz de Alguém cuja presença alavanca o passo para a travessia: o passo da mudança, o passo da audácia de sonhar de novo, o passo para vislumbrar a outra margem...  


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Rastrear, identificar, compreender e desterrar os medos de meu coração.

Substituir a cultura do medo pela cultura da coragem. 

A coragem desbloqueia energias, impulsiona decisões, levanta projetos, reacende a criatividade e o gosto por viver.

Com o Senhor no barco de minha vida, vou além, faço a travessia... 

Ele é ao mesmo tempo: mestre, timoneiro, mastro, vela, horizonte, esperança, ar, mar, adorável presença... Salvador...


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 14,22-33
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Jesus amigo – fx 10 (03:51)
Autor: Antônio Cardoso
Intérprete: Antônio Cardoso 
CD: Pede um amor às estrelas
Gravadora:  Paulinas Comep



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Leitura Orante – 18º domingo do tempo comum, 06 de agosto de 2017

Leitura Orante –  18º domingo do tempo comum, 06 de agosto de 2017

A LUZ QUE NOS TRANSFIGURA

“O seu rosto ficou resplandecente como o sol,
e suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17,2)


Texto Bíblico: Mateus 17,1-9


1 – O que diz o texto?
“Saí de vossas trevas! Deixai para trás a segurança do vale e empreendei sem medo a subida ao monte, porque lá no alto a luz vos espera!”. Este poderia ser o apelo do evangelho da Transfiguração, que pede de nós mobilidade para sair das falsas seguranças de uma vida sem horizontes.

De fato, há em nós uma força atrofiadora que nos faz preferir a acomodação, permanecendo tranquilos, perdidos no imediato e alheios à capacidade de transfiguração que se esconde por detrás da aparente normalidade das pessoas e das coisas.

“O mundo está cheio de esplendor espiritual e de segredos maravilhosos, mas basta um pequeno cisco sobre nossos olhos para que tudo fique escondido”(Baal Sem Tov).

Por isso, no Evangelho de hoje, e com diferentes graus de intensidade, o evangelista sai da esfera plana das descrições precisas e exatas e se expressa na linguagem do excessivo, do simbólico, do totalizante: “seu rosto brilhou como o sol”, “suas roupas ficaram brilhantes como a luz”, “uma nuvem luminosa os cobriu”... 

E como contraste escuro frente a tanta luz, três pobres homens assustados que balbuciam disparates, que preferiam dormir e ficar aí junto a esta situação tão surpreendente.

Na costumeira cotidianidade, o perigo de não valorizar a luz é evidente; no entanto, para quem contempla sua cotidianidade, a formosura da luz que se derrama sobre nós que vivemos neste planeta sem luz própria é a prova da generosidade de Deus para conosco.


2 – O que o texto diz para mim?
No ritmo do cotidiano, o dom imenso da luz passa desapercebido. Que o digam aqueles que não podem ver; que o digam aqueles que nunca puderam estremecer-se diante de um pôr do sol ou diante das cores vivas de uma pintura; que o digam aqueles que nunca puderam ver o brilho de uns olhos cheios de amor...

A Transfiguração está me dizendo quem era realmente Jesus e quem sou eu realmente. 

Essa cena que Mateus relata é um símbolo das muitas “experiências de transfiguração” que todos experimentamos. A vida diária tende a fazer-se cinza, monótona, cansada, e a deixar-me desanimada, sem forças para caminhar. Mas, eis que surgem momentos especiais, com frequência inesperados, em que uma luz atravessa meu coração, e os olhos de minha interioridade me permite ver muito mais longe e muito mais fundo daquilo que estava acostumada a olhar até esse momento. 

A realidade é a mesma, mas me aparece transfigurada, com outra figura, revelando sua dimensão interior, essa na qual tinha acreditado, mas que com o cansaço do caminhar tinha esquecido. Essas experiências, verdadeiramente espirituais, me permitem renovar minhas energias e, inclusive, entusiasmar-me para continuar caminhando, com o sentimento de “como se visse o Invisível”.

Aquele Monte (Tabor) foi um espaço instigante para Jesus, lugar alto de sua experiência radical, de onde Ele podia ver os problemas da humanidade, para senti-los, para assumi-los e mudar... O mesmo Jesus me faz subir à grande montanha para que eu veja as coisas de outra forma, de outra perspectiva... 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É preciso, de vez em quando, tomar distância e me afastar do cotidiano rotineiro e atrofiado, para ampliar minha visão e contemplar o drama humano; é decisivo me situar diante do calor de Deus (sarça ardente) para desvelar minha verdadeira identidade. Somente assim a Montanha me transfigurará para que me empenhe no serviço em favor dos “desfigurados” do mundo.

Aspiro por experiências como a dos discípulos de Jesus no alto do Tabor. Mas eu não posso me encontrar com Jesus no Tabor da Galiléia. Necessito buscar meu Tabor particular, os rincões de minha morada interior onde estão as fontes que mais forças me dão, as luzes com as quais me sintonizo para iluminar e dar um novo significado ao meu compromisso primeiro.

Sou portadores de uma luz que procede de dentro, uma iluminação interior, que só aquele que vive a partir de sua própria interioridade consegue ter acesso a ela.

Há vidas luminosas e vidas obscuras. Há pessoas cuja luz interior transfigura suas vidas: vivem na transparência da luz, seus gestos e atos são luminosos, admiram-se com o brilho da vida e desejam que tudo tenha esse brilho, iluminam com sensata positividade tudo o que acontece ao seu redor coloca-se sempre na perspectiva de quem desfruta da cor e do amor no encontro com os outros...

O resplendor da Transfiguração brilha no meu interior; não me vejo vazia por dentro porque no mais profundo de mim mesma, na morada mais interior, está o “sol de onde procede uma grande luz” (Santa Teresa de Jesus).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, ao relatar suas experiências espirituais, muitos místicos fazem referência a uma luz que ilumina com força seu interior. É uma graça que não se revela rara, pois tenho consciência que “Deus é luz” e que o mesmo Jesus se definiu como a “Luz do mundo”. Sou envolvida providencialmente por esta expansiva Luz.

Todas as pessoas que fizeram esta experiência de encontro com o “Deus da Luz” puseram os meios para fazer a viagem interior e ativar a “faísca da luz divina” ali presente. Na medida em que se deixaram invadir por essa luz, aproximaram-se cada vez mais dela para vivê-la com mais intensidade e para deixá-la refletir em seus rostos e ações. Por isso, foram pessoas de presenças originais e iluminantes em seu meio.

A transfiguração não é condição de um “iluminado”, mas a realidade de toda pessoa que é capaz de “sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). Deixar-se transfigurar é descentrar-se e expandir sua luz, para realizar aquele chamado único de Jesus: “Vós sois a luz do mundo”.

Na minha vida cristã não faltam momentos de claridade e certeza, de alegria de luz. 

E tudo depende de minha visão, ou seja, meu olhar só capta o imediato e rasteiro que me rodeia, ou se é capaz de descobrir o profundo e o luminoso em tudo... “Tudo é segundo a cor da lente com que se olha”.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Deixar-me transfigurar. Sou ser de luz e minha verdadeira transformação nasce de meu interior.

Na Transfiguração, Jesus me faz descobrir meu verdadeiro ser, que vejo refletido n’Ele.

Transfiguração é festa da luz: Jesus é a Luz e no encontro com Sua Luz posso ativar a tímida luz presente no meu interior. Só assim poderei ampliar os espaços de luz em minha vida, para contagiar-me de luz e para comunicar uma mística de luz em meu entorno. Não se trata de falsas iluminações, mas de alcançar outra perspectiva de vida, mais luminosa, mais positiva, mais esperançada.

Para transitar na noite de meu tempo preciso buscar na Transfiguração a Luz que  ilumine e me indique a direção e o sentido de minha existência.

A “noite de meu mundo”- carregada de tanta corrupção, violência, preconceito - pede pessoas marcadas pela experiência da Transfiguração, capazes de ver a presença d’Aquele que é a Luz no meio das realidades simples e cotidianas, no profundo do coração de cada ser humano, de cada realidade vivente, de cada palmo de minha terra, no mistério insondável do universo grávido de graça.

Preciso cultivar não só olhos que vejam a realidade, senão que sejam capazes de contemplar, no meio da noite, a presença da Luz: uma luz que brota das profundezas da realidade, do profundo do ser onde o Deus, Fonte de vida, sustenta tudo; uma luz que me faz descobrir meu ser essencial: filha e filho amada(o) e irmanada(o) com todos e com tudo.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mateus 17,1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Canção em fé maior – fx 04 (03:52)
Autor: Padre Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj
CD: Canção em fé maior
Gravadora:  Paulinas Comep