quarta-feira, 29 de junho de 2016

Leitura Orante – São Pedro e São Paulo, 03 de julho de 2016


Leitura Orante –  São Pedro e São Paulo, 03 de julho de 2016

MINHA IDENTIDADE “escondida em Cristo”

“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15)


Texto Bíblico: Mt 16,13-19  


1 – O que diz o texto?
Nos evangelhos sinóticos, esta pergunta sobre a identidade de Jesus ocupa um lugar destacado. Ela nos oferece as respostas do povo e da comunidade de discípulos, personalizados em Pedro.

No evangelho de hoje, Jesus revela sua identidade (“Messias, o Filho do Deus vivo”) e, ao mesmo tempo, desvela a identidade de Pedro: “Tu és “petros” (pedregulho) e sobre esta “petra”(rocha) edificarei minha igreja”. Pedro se torna rocha firme (“petra”) quando se apoia na identidade de Jesus (a verdadeira Rocha).

Pedro, que era “petros” (pedra de tropeço no caminho), foi sendo transformado, através da identificação com Jesus, em “petra”, rocha firme da primitiva comunidade cristã.

Dessa forma, o Simão que era “petros”/pedra se converte em “Petra”/rocha firme, porque o mestre desvelou a nobreza que estava escondida no coração dele, ou seja, sua verdadeira identidade sobre a qual o mesmo Jesus iria edificar sua igreja.

Nosso seguimento está fundamentado no Jesus que encarna o ideal do ser humano querido por Deus, Aquele que nos revela, ao mesmo tempo, quem é Deus e quem é o ser humano. Por isso, a pergunta que devemos responder é: “quê significa Jesus, para mim?” 

É preciso deixar muito claro que não se pode responder a essa pergunta se não nos perguntamos ao mesmo tempo: “quem sou eu?” . O encontro com a identidade de Jesus desvela nossa própria identidade.

Na realidade, a pergunta pela identidade é a mais importante de todas aquelas que podemos nos fazer: “Quem sou eu?” A rigor, essa é a primeira e essencial pergunta. A resposta adequada à mesma nos liberta da ignorância, da confusão e do sofrimento. Faz-nos livres e nos possibilita viver na luz.



2 – O que o texto diz para mim?
Perguntar sempre:  “quem é Jesus?”. Aqui não se trata do conhecimento externo da pessoa de Jesus: quando e como viveu, quem são seus pais, em que cultura viveu, qual era seu entorno social e religioso; nem sequer se trata de conhecer e aceitar sua doutrina.Todo ser humano possui dentro de si uma profundidade que é o seu mistério íntimo e pessoal; trata-se do “EU original”, aquele lugar santo, intocável, onde reside o lado mais positivo da pessoa.

É aqui onde a pessoa encontra a sua identidade pessoal; trata-se do CORAÇÃO,  da dimensão mais verdadeira de si, da sede das decisões vitais, lugar das riquezas pessoais, onde vive o melhor de si mesma, onde se encontram os dinamismos do seu crescimento, de onde parte as suas aspirações e desejos fundamentais, onde percebe as dimensões do Absoluto e do Infinito da sua vida.

O próprio ser é a rocha consistente e firme, bem talhada e preciosa que cada pessoa tem para encontrar segurança e caminhar na vida superando as dificuldades e os inevitáveis golpes da luta pela vida.

Com confiança em si e na rocha do próprio interior todas as forças vitais se acham disponíveis para crescer dia-a-dia, para a pessoa se tornar aquilo que originalmente é chamada a ser.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Descobrir a própria identidade pessoal é situar-se na linha da orientação e sentido da vida. A pessoa deve ter a capacidade de voltar sobre si mesma e perceber por onde está sendo conduzida e porquê. Concretamente, isso pressupõe uma atitude de atenção e escuta que permitem à pessoa situar-se diante do “para onde” e “para quê”,  diante da motivação básica do viver e do agir, diante da “intenção”  com que faz as coisas...

Minha existência não pode ser de anonimato e indefinição. Ela exige identidade clara e bem definida.

Normalmente confunde-se a identidade com certas “marcas distintivas”: o nome, a profissão, a posição social, política ou religiosa, a função...

A identidade, no entanto, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira...; ela é lugar de expansão e de manifestação da livre circulação do impulso vital, que faz de cada ser humano um “sopro divino vivo”.

O grande místico cristão do séc. XIII, Mestre Eckhart, repetia essa expressão contundente: “Meu solo e o de Deus são o mesmo”.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o ser humano é um contínuo “tornar-se”, um “vir-a-ser”, um “ek-sistir”, capacidade de ir além de si e adiante de si, no movimento de infinita transcendência.

Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

Ter identidade é viver em contato com as raízes que me sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro, clareia-se a visão de mim mesma, da minha originalidade e dignidade.

Há uma força de gravidade que me atrai progressivamente para o mais profundo de mim mesma, onde Deus me espera e me acolhe, e onde encontro a minha própria identidade e a verdadeira paz.

“Que eu me conheça e que te conheça, Senhor! Quantas riquezas entesoura o homem em seu interior! Mas de que lhe servem, se não se sondam e investigam” (S. Agostinho).

De “petros” a “petra”: esse é o desvelamento que acontece em todo seguidor de Jesus quando escuta e vive sua Palavra, proclamada no Sermão da Montanha.

Minha identidade profunda é constituída pela fragilidade/petros e pela fortaleza/petra. Só no encontro com Aquele que é a Rocha firme é que transparece a “petra” que está oculta em meu interior.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
O objetivo de minha vida é viver o que sou. E isso não é algo que devo “alcançar”, “conseguir” ou “conquistar”..., mas, simplesmente, reconhecer. Trata-se de cair na conta ou compreender quem sou. Ao compreender isso, emerge a plenitude, a sabedoria e a alegria.

A Rocha é o divino que me habita. No caminho do Seguimento de Jesus vou tirando os véus que bloqueiam e obscurecem minha visão, permitindo que aflore resplandecente minha radiante identidade.  

“Descobrir a si mesmo”

“Viver em profundidade”.

“Entrar” no âmago da própria vida, 

“Descer” até às fontes do próprio ser, até às raízes mais profundas. Aí se pode encontrar o sentido de tudo aquilo que é, o porquê do que se faz, se espera, busca e deseja.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 16,13-19  
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Juntos seremos fortes – fx 01 (4:08)
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
Participação.: Ricardo Gomes
Coro: Dalva Tenório, Vanessa, Luan, Karla Fioravante e Suely Ferreira
CD: Antonio Cardoso - Juntos
Gravadora:  Paulinas Comep



quarta-feira, 22 de junho de 2016

Leitura Orante – 13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016


Leitura Orante –  13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016

Ter os olhos fixos em Jesus

“Aquele que, tendo posto a mão no arado, 
continua olhando para trás não é apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62)


Texto Bíblico: Lc 9,51-62


1 – O que diz o texto?
Há um aspecto no Evangelho de hoje que é preciso ressaltar: precisamos aceitar que o “objeto do olhar” (Jesus e seu chamado) pode melhorar nossa visão. Isso significa que a experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar misericordioso e marcado pela ternura, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz... podem ajudar a purificar nossos olhos e  a melhorar nossa visão.

A própria pedagogia de humanização ampla de Jesus vai beneficiar nossa própria identidade, despertar dinamismos e desejos ocultos em nosso interior, sacudir nossas amarguras e ampliar nosso atrofiado olhar.

Os olhos feridos que não ousam ir mais além; podem vir do interior, bem como do exterior da pessoa. São ferimentos de sua história, de seu passado, das experiências frustrantes que viveu até o momento presente. Muitas pessoas passam grande parte da vida fortemente impactadas por experiências negativas, de desamor, de solidão e desvalorização... 

Por isso, temos a clara convicção de que a objetividade do olhar e a capacidade de fixá-lo em Jesus requer um mínimo de liberdade interior, de ter experimentado o amor em suas múltiplas expressões.

O olhar é o recurso não verbal mais expressivo e sincero que nós, seres humanos, possuímos, porque com um simples olhar podemos transmitir desde o ódio até uma declaração de amor ou de amizade.


2 – O que o texto diz para mim?
O olhar é o reflexo de minha interioridade; ele tem um grande poder porque deixa transparecer o que acontece e o que sinto por dentro.

O corpo humano é um receptor e um transmissor de emoções e a principal mediação para comunicá-las e transmiti-las é através do olhar. A maneira de conhecer melhor uma pessoa, criar laços de empatia é através do olhar. 

Meus olhos refletem meu interior. Eles podem estar em condições favoráveis para contemplar a cena do chamado de Jesus. São olhos sadios. Sadios porque há uma correspondência direta e uma profunda intimidade entre aquele que olha e Aquele que é olhado.

Há pessoas que olham de forma bastante objetiva, transparente. São pessoas internamente mais livres, cujo olhar se deixa impactar pela presença e pela proposta de Jesus. Desse olhar brota o assombro, a admiração e o impulso em assumir o mesmo sonho do Jesus peregrino: a realização do Reino do Pai.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Se eu morrer, morre comigo um certo modo de olhar”, disse um poeta. Mas o hábito contamina os olhos e tira seu brilho expressivo. Acostumada a ver as coisas, as pessoas e, de tanto ver, banalizo o olhar, perdendo a capacidade de despertar assombro e encantamento. Vejo e não olho. O que está próximo de mim, o que me é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual vai se estreitando e tudo se torna rotina.

Faz-se necessário, então, despertar a criança que ainda habita em meu interior; ela vê o que o adulto não vê, pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. 

“Um olhar contemplativo percebe sinais de evangelho nos acontecimentos mais simples” (Ir. Roger).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a saturação de imagens, informações e efeitos especiais, tão característica de minha cultura, está minando, progressiva e sutilmente, a capacidade tanto de apreciar as realidades simples como de perceber a profundidade e o mistério que há nelas. O pior desta situação não é somente a perda da visão contemplativa, mas sobretudo não ter consciência do que acontece ao meu redor.

Seria de grande ajuda conhecer as “enfermidades” mais frequentes de minha visão. Detectá-las e reconhecê-las constituiria um avanço decisivo para eliminar os obstáculos que impedem penetrar no significado do mistério da vida em seu estado mais “puro”.

Mas não basta pousar os olhos sobre a realidade para captar a profundidade e transcendência do que é contemplado. É difícil ver o evidente. Exige uma tarefa prévia de “desvestir” os olhos para olhar de novo e descobrir o que verdadeiramente existe. “Ver é um esforço, e olhar, literalmente, é um milagre” (Luis Rosales).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ter um olhar límpido.

Ter um olhar transparente.

Configurar o meu olhar ao de Jesus.

Fixar os meus olhos em Jesus.

Sentir, perceber os olhos fixos de Jesus em mim.

Ao “fixar seu olhar” em mim, chamando-me pelo nome, serei movida a fazer opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

“Chamado-resposta” implica, pois,  uma troca comprometedora de olhares. O olhar transparente e livre de Jesus ressuscita o meu olhar tímido e estreito e me capacita a olhar amplos horizontes: seu povo, seu mundo dividido e excluído... Seu olhar me predispõe a encontrar motivações saudáveis e maduras que me permitem olhar e viver no contexto atual plural com amor, com entusiasmo e criatividade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,51-62
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Minha vocação
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
CD: Antonio Cardoso – Quando se vive um grande amor
Gravadora:  Paulinas Comep

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Leitura Orante – 12º domingo do tempo comum, 19 de junho de 2016

Leitura Orante –  12º domingo do tempo comum, 19 de junho de 2016

DO “EU ESTREITO” AO “EU EXPANSIVO”

“Quem quiser vir após mim negue-se a si mesmo,
carregue cada dia sua cruz e siga-me” Lc 9,23)

Texto Bíblico: Lc 9,18-24

1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje nos convida, mais uma vez, a alargar o círculo, a olhar para fora, a descentrar-nos para encontrar o outro, a Deus, e, provavelmente, por esse caminho, também o olhar mais autêntico e completo sobre a nossa própria vida. Ali Jesus fala em “renunciar a si mesmo”. O modo mais simples de traduzir isso poderia ser: “deixa de viver para teu eu estreito”, “não gires em torno ao teu ego, porque esse modo de vida te aprisionará cada vez mais, e tua vida será vazia e estéril”.

Trata-se de um convite a ir mais além do ego e descobrir nossa verdadeira identidade, aquela “identidade compartilhada”, na qual o próprio Jesus se encontrava.

O sentido de nossa existência consiste, portanto, em “passar da morte à vida”: é a isso que as palavras de Jesus nos convidam. O destino do eu atrofiado é a morte: viver para o eu equivale a perder a vida. Quem começa a descobrir sua verdadeira identidade, já está morrendo ao seu ego, porque descobriu que é “outra realidade”: a Vida que não morre. E, a partir desta nova percepção, toda a visão da própria existência se modifica.

“Aquele que quer salvar seu ego, perde a vida; mas aquele que perde seu ego, salva a vida”. E Lucas acrescenta o “por minha causa”, para destacar nossa unidade em torno ao seguimento do Mestre.

  
2 – O que o texto diz para mim?
Uma leitura superficial do evangelho de hoje pode dar a impressão que o cristianismo é a religião que preconiza o sofrimento, a renúncia, a negação de si mesmo, o esvaziamento da própria identidade.

O sofrimento foi de tal modo exaltado que levou muita gente a viver na passividade e resignação, esvaziando o sentido do seguimento e bloqueando a esperança.

De fato, existem sofrimentos que são vazios, sem sentido, “insensatos”..., pois fecham a pessoa em si mesma, na sua aflição e angústia; não apontam para o futuro, para a vida.

Como consequência, a Cruz ocupou o primeiro lugar e tudo passou a girar em torno a ela.

Quando não se vive em profundidade só resta a rotina, a superficialidade, o tarefismo sem sentido, o desânimo, o “vazio vital”; renunciando à tensão do “mais” a pessoa revela incapacidade de tomar a vida nas próprias mãos e dar-lhe uma direção mais ousada e criativa.

É nesse contexto que surgem inúmeros sofrimentos “insensatos” (sem sentido).


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A missão primeira de Jesus foi a de aliviar toda dor humana. Por isso, suas inumeráveis curas relatadas nos evangelhos. Suas palavras expressam uma grande sabedoria: elas buscam “despertar” a pessoa para que possa viver com mais plenitude e perceber a melhor atitude frente à vida; elas condensam o significado de uma vida vivida por Jesus na fidelidade ao Pai que quer que todos vivam intensamente.

“Negar a vida”. Trata-se de negar a “ilusão do eu”, para acessar à Vida, que é minha verdadeira identidade. Porque só quando deixo de me identificar com o “ego”, tomo consciência da Vida que sou. Essa é a Vida de que fala o evangelho, a mesma Vida que Jesus viveu, com a qual Ele mesmo estava identificado (“eu sou a Vida”) e a que buscava despertar nos outros.

“Negar-se a si mesmo” e “carregar a cruz “ equivalem a fazer meu o caminho de Jesus. Ele se negou a tomar o poder, nem usou a força e o prestígio como meios para servir e salvar a humanidade. Jesus escolheu o único caminho que conduz ao coração do ser humano: a solidariedade com todos os excluídos da terra. Este foi o caminho d’Ele e este deve ser meu caminho se quero estar com Ele.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, carrego recursos ainda adormecidos, potencialidades quase divinas que, em alguns momentos privilegiados, descubro em meu interior. E, no entanto, ao reconhecer minha fragilidade humana, estremeço diante de minhas ricas capacidades.

“Renunciar a si mesmo” desvela o dinamismo de morte no interior de cada pessoa, marcado pelo medo de ir para além de si mesma; trata-se do medo de sua própria grandeza, o medo da sua missão, medo da vastidão dos seus sonhos... Na ausência de horizontes, a pessoa se limita ao seu modo habitual e fechado de viver; acomoda-se e não faz a travessia; não faz as coisas com paixão e com criatividade.

A verdadeira identidade, ou “eu expansivo”, é dinâmica, histórica, fecunda, aberta ao desconhecido, aventureira... Ela só se desvela para aquele que se desprende das defesas e projeções do falso eu.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Estar aberta ao contato com a minha própria realidade interior, para que venha à superfície aquilo que me sustenta e dignifica o meu viver.

Dirigir meu olhar para o mais íntimo de mim mesma, onde nascem sentimentos e valores, decisões e gestos... onde sou convidada a se alegrar com os rastros da Graça. 

Cessar de buscar-me como “eu” e deixar-me repousar no Silêncio, na Presença que anima tudo o que é.

“Descobrir-se a si mesmo” é descobrir que no próprio interior há um movimento infinito de construção de si mesmo, de identidade em movimento... que se torna possível graças a um constante arrancar-se do imobilismo e do auto-centramento existencial, que travam o fluxo da vida.

Viver a partir das raízes que me sustentam. Em contato com a fonte e na viagem para dentro, clareia-se a visão de mim mesma, da minha originalidade, dignidade.

Há uma força de gravidade que me atrai progressivamente para o mais profundo de mim mesma, onde Deus me espera e me acolhe, e onde encontro o sentido de minha existência e a verdadeira paz.

Só transcende quem se aproxima da própria interioridade, do próprio coração.

Estou diante de uma boa notícia: “Desperta!” “reconhece quem tu és!”.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,18-24
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Quem é esse Jesus? – fx 01 (3:38)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete:  Pe. Zezinho, scj
CD: Quem é esse Jesus?
Gravadora:  Paulinas Comep


terça-feira, 7 de junho de 2016

Leitura Orante – 11º domingo do tempo comum, 12 de junho de 2016


Leitura Orante –  11º domingo do tempo comum, 12 de junho de 2016

Jesus, pura transparência do rosto misericordioso do Pai.

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)


Texto Bíblico: Lc 7,36-50


1 – O que diz o texto?
A presença misericordiosa de Jesus aparece claramente no jantar em casa do fariseu Simão.

O relato de Lucas põe em confronto duas maneiras diferentes de reagir perante a “mulher pecadora”: uma, de acolhida e proximidade; outra, de julgamento e distância.

Uma mulher, pecadora pública, aparece inesperadamente no jantar na casa do fariseu, sem ter medo do que dirão a respeito dela. Há nela como uma espécie de ansiedade e desejo de sair daquela situação; há nela uma necessidade de sentir-se pessoa, de sentir-se mulher de verdade, de recuperar sua dignidade, de sentir-se livre.

Busca alguém que não a veja como simples objeto de prazer; busca alguém que saiba reconhecê-la como pessoa, que possa devolver-lhe sua dignidade. E não se importa com as reações de julgamento. Prostra-se aos pés de Jesus, derrama o perfume que possivelmente era fruto do seu pecado. Lava os pés de Jesus com suas lágrimas de angústia e confiança ao mesmo tempo, antecipando o gesto que Jesus realizará na última Ceia. Seca-os com seus cabelos como expressão de sua esperança.

Jesus revela-se um convidado perigoso, porque é capaz de desvelar o que está encoberto. 

Sua presença  cria problemas para o anfitrião, coloca em risco o seu prestígio, a sua reputação.

“Eu entrei em tua casa e não me ofereceste água para os pés...

Tu não me beijaste... Tu não derramaste óleo em minha cabeça”.

Aquele fariseu tinha muitas coisas para dar a Jesus, mas não lhe deu nada de amor; aquela mulher não tinha nenhuma coisa que dar-lhe, mas lhe deu o melhor: muito amor. O fariseu não esperava nada de Jesus, aquela mulher esperava tudo d’Ele. Aquele fariseu e os demais convivas a julgam como pecadora pública, mas Jesus a reabilita diante deles; Ele a acolhe com respeito e ternura. Descobre em seus gestos um amor limpo e uma fé agradecida. Diante de todos, fala com ela para defender sua dignidade e revelar-lhe como Deus a ama.

  
2 – O que o texto diz para mim?
Jesus é capaz de reconstruir o que os outros haviam destruído; é capaz de devolver a alegria a uma mulher que os outros tinham tirado; é capaz de dar a vida àquela que os outros deram morte.

Jesus não se fixa na vida passada da mulher; por isso, não a julga, pelo contrário, valoriza todos os seus gestos de acolhida e ternura. Não importam “seus muitos pecados”, mas o amor de seu coração.

Jesus não é daqueles que se entretém contabilizando pecados; Ele é daqueles que olha o coração do pecador; e quando descobre amor, aí mesmo perdoa. Porque a melhor expressão de amar é perdoar; a melhor expressão de sentir-se perdoado é sentir-se amado.

O perdão não é um problema de justiça; o perdão é algo que nasce do amor; o perdão é fruto da compreensão, da misericórdia.

O comportamento de Jesus era diametralmente oposto ao do fariseu e dos seus convivas: todas as mulheres que se encontraram com Ele sempre saíram reabilitadas, até o ponto de chegarem a se converter em protagonistas do fato mais importante de Sua vida, a ressurreição.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da misericórdia do Pai:

“Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)

Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.

O Papa Francisco diz: “A misericórdia de nosso Senhor se manifesta sobretudo quando Ele se inclina sobre a miséria humana e demonstra sua compaixão, para quem necessita de compreensão, cura e perdão. Tudo em Jesus fala de misericórdia; mais ainda, Ele mesmo é a misericórdia”.

Jesus desmascara a maneira medíocre de amar do fariseu, desprovido de compaixão e calculista no julgamento. O fariseu perfeito tem comportamento frio, legalista, insensível, indiferente, rígido.

O perfeccionista e o legalista é um ser anestesiado e petrificado: nele a misericórdia permanece atrofiada; ele ficará confinado dentro de um eu inchado e vazio, que caminha sobre pernas de barro.

Onde o legalismo prevalece, ali a misericórdia não encontra espaço para reconstruir relações quebradas.

Por isso, Jesus revela o abismo que existe entre a posição em que o fariseu se encontra e a da mulher que, através de tantos gestos afetivos, expressa sua ternura e humanidade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, Jesus, com sua presença desconcertante, relativiza costumes, ritos e práticas religiosas, inclusive o Templo, e se relaciona com gente excluída e de má reputação. Ele faz muitas coisas e em muitos lugares (ensina, cura, denuncia, alimenta, dialoga...), mas a misericórdia é a que inspira e move tudo em sua vida e ação. Sente a fundo o sofrimento das pessoas; antes de preocupar-se com o pecado, preocupa-se em aliviar a dor da marginalização e exclusão.

A linguagem de Jesus para aquelas pessoas que praticavam uma religiosidade vazia, só ritual e elitista, era muito dura e crítica.

A maioria das religiões dá muita importância ao cultual, às cerimônias, aos ritos. Gastam muito dinheiro em objetos, roupas, ornamentos, imagens, ostentações..., mas o compromisso com os grandes valores do Evangelho, que são o essencial da mensagem de Jesus, fica ofuscado ou esquecido. É urgente retornar à fonte do Evangelho, onde a misericórdia é o atributo essencial e o modo de proceder de todo seguidor de Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Este “princípio-misericórdia” é o que há de iluminar e conduzir a vida dos seguidores de Jesus, e da Igreja como comunidade misericordiosa.

A misericórdia é, pois, um sentimento profundo e dinâmico, que não permite que quem o sente permaneça imóvel ou passivo diante de tanto sofrimento que há na humanidade. Ela é a alma da solidariedade, da ação social, do compromisso com a justiça...

Por um lado, a misericórdia é propriamente a atitude permanente que se revela em qualquer situação, sempre que há fraternidade e amor, e por outra parte, a misericórdia é a compaixão para com a pessoa que sofre. Uma atitude profunda, uma comoção do coração, que conduz a atos de solidariedade...

Tornar presente o Pai como Amor e Misericórdia foi, para Jesus, o cerne de sua missão: toda a sua vida foi uma eloquente demonstração da misericórdia divina para com a humanidade.

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus”. (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)



Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 7,36-50
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Um processo no templo – fx04 (5:22)
Autores: Ir. Maria Luiza Ricciard – Luiz A. Karam
Intérpretes:  Paulinho Campos – Rita Kfouri
CD: Encontro com Jesus – Canções Bíblicas
Gravadora:  Paulinas Comep