quarta-feira, 30 de março de 2016

Leitura Orante – 2º domingo da Páscoa - 03 de abril de 2016

Leitura Orante –  2º domingo da Páscoa - 03 de abril de 2016

“POR SUAS SANTAS CHAGAS…”

“...mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20)


Texto Bíblico: Jo 20,19-31

1 – O que diz o texto?
A cena do encontro do Jesus Ressuscitado com Tomé nos revela a exigência de conversão de um tipo de cristianismo puramente “espiritual”. Tomé se move fora do espaço da dor de pessoas concretas, sem cruz real, sem comunidade aberta às chagas da humanidade.

Tomé é expressão do ser humano a quem lhe custa crer na ressurreição do Jesus histórico, do Jesus das chagas nas mãos, pés e lado, do Jesus da carne, do Jesus do povo crucificado.

Por isso, ele não está presente no 1º. grupo que “viu” Jesus e acreditou n’Ele.
Tomé continua sendo o apóstolo de uma espiritualidade desencarnada, sem compromisso social, sem denúncia profética, sem solidariedade com os pobres e excluídos. Ele é um seguidor especial de Jesus, mas sem “carne e sangue”, ou seja, sem ressurreição histórica, sem transformação da “carne”.


2 – O que o texto diz para mim?
Crer no Ressuscitado é comprometer-se a tirar da Cruz todos aqueles que nela estão dependurados.

Tomé vem no “domingo” seguinte, algo lhe atrai; não só “vê” a Jesus senão que é convidado a tocá-Lo. Esta experiência de “conversão” de Tomé, que volta à comunidade e que toca as chagas de Jesus, faz parte essencial do mistério da páscoa cristã.

Segundo o Evangelho de hoje, Tomé precisa converter-se, descobrindo e confessando em sua vida a chaga de Cristo que continua sofrendo nos pobres e sofredores.

O cristianismo é uma  religião da “carne comprometida” e solidária.

Por isso Jesus diz a Tomé, a mim, e a cada um de nós: “Põe tua mão na chaga dos cravos, no meu peito atravessado pela lança, descobre minha presença pascal na ferida dos crucificados da história”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Jesus reconstrói pessoas feridas mostrando Suas chagas e desvelando as feridas de seus seguidores (fracasso, traição, dor, tristeza, medos...). Suas feridas revelam que, por debaixo das feridas dos seus amigos e amigas, há vida escondida querendo se expandir; debaixo da pedra da dor e do fracasso há um dinamismo vital querendo buscar um lugar ao sol.

A presença misericordiosa é a marca do Ressuscitado: ela é força criadora e reconstrutora de vidas despedaçadas. Jesus ressuscita cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles o sentido da vida, reconstruindo laços comunitários rompidos e oferecendo solo firme a quem estava sem chão, sem direção.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, este Jesus pascal continua estando presente nas chagas dos homens e mulheres das mãos esmagadas, na ferida do peito de homens e mulheres que sofrem rejeição e preconceito, nas feridas dos pés de homens e mulheres impedidos de dar direção às suas vidas.

Posso dizer que Jesus apresenta a seus discípulos sua Carteira de Identidade: suas mãos chagadas e seu lado aberto. O Ressuscitado é o Crucificado e o Crucificado é o Ressuscitado.

A descoberta da vida dos sofredores e a implicação compassiva para com eles desperta em mim um sentimento de compaixão para comigo mesma: ela me faz tocar minhas próprias feridas, herdadas ou surgidas na busca do crescimento enquanto pessoa.

Mostrar aos outros as próprias feridas é um desafio, supõe abertura e humildade. Tocar, com profunda sensibilidade, as feridas dos outros é um ato de comunhão que me ressuscita e me inclui, como Tomé, na Ressurreição de Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A Páscoa, implica aprender a tocar com mais força e de um modo mais profundo as minhas próprias feridas e as feridas da humanidade. Tocar em Jesus, colocar o dedo em sua chaga, é descobrir a ferida sangrenta da história humana, vinculando assim a ressurreição com a dor dos homens e mulheres oprimidos, excluídos, enfermos...

Nas chagas de Jesus, minhas chagas são iluminadas e integradas.

  

Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 20,19-31
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      



quinta-feira, 24 de março de 2016

Leitura Orante – Páscoa, 27 de março de 2016

Leitura Orante –  Páscoa, 27 de março de 2016

JESUS RESSUSCITOU DE TANTO VIVER

“…e viu a pedra retirada do sepulcro.” (Jo 20,1)


Texto Bíblico: Jo 20,1-9

1 – O que diz o texto?
O relato do Evangelho do domingo de Páscoa é uma verdadeira catequese: para quem viveu a experiência, trata-se do “primeiro dia da semana”; para Maria Madalena, no entanto, ainda é de noite: “está escuro”. Sabemos que para o autor do 4º Evangelho, a noite é sinônimo de obscuridade, confusão, ignorância; o “primeiro dia”, pelo contrário, faz alusão à “nova criação”.

Madalena levanta-se de madrugada, quando ainda está escuro; a dor por aquele que ama faz vencer o medo, coloca-a em movimento e põe-se a buscar . Não se resigna diante da ausência do seu amado, nem diante da ideia do fracasso e da morte.

Ao caminhar em direção ao sepulcro, lugar da morte e da desesperança, Maria Madalena é surpreendida ao observar que “a pedra tinha sido removida”, ou seja, que a morte tinha sido vencida. Ela busca desesperadamente um corpo sem vida; enquanto assim busca não poderá reconhecer Jesus. Ele já não está onde não há vida, porque onde Ele aparece toda vida se levanta. Se Ele está no centro, há vida até no fundo dos sepulcros.

Depois de ficar impactada diante do túmulo aberto, ela volta correndo à cidade para contar isso aos outros; é a primeira corrida de Maria Madalena.

Dois homens correm também para o sepulcro: um vê mas não entra, o outro entra e a princípio ainda não vê. Estão embaçados os seus olhos, é lenta a visão que busca um corpo conhecido, que pensa encontrar o já sabido, o já visto, o já esperado.

No final da corrida, uma tumba vazia, algumas faixas, um sudário e um vazio no coração. Pedro e João regressam pensativos ao refúgio, onde se encontram os outros discípulos.


2 – O que o texto diz para mim?
Maria Madalena é boa companheira quando atravesso circunstâncias de “vida sepultada”, quando não sei o que fazer diante da dor dos outros, quando estou próxima de pessoas que vivem realidades de desesperança, de não ver saída, de “pedras” que vão sendo colocadas em cima e deixam a vida paralisada; quando já estou tentada a dizer: "não há nada que fazer”, “as coisas não vão mudar”.

O sepulcro vazio é um convite a saber olhar com o coração para poder descobrir, nas “faixas” e no “sudário” de minha vida, o Ressuscitado, a Presença d’Aquele que é.

Ao chegarem ao sepulcro, Pedro e João não viram o Ressuscitado, mas “faixas” e “sudário”. Mas, tanto as faixas como o sudário não são elementos que por si mesmos fundamentam a fé na ressurreição.

O sentido do Evangelho do domingo de Páscoa é de uma riqueza extraordinária; ele começa realçando um amanhecer cheio de contrastes: escuridão, ida ao sepulcro, a pedra rolada, pôr-se a correr. Desconcerto. Ele não está. Quem O levou? Onde o colocaram?


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“A pedra tinha sido removida”: imagem instigante e que me sugere algo profundamente sábio: debaixo de cada “pedra” que parece amassar-me, há vida que quer ressuscitar.

Mais profundamente ainda, não há nenhuma “pedra”, nada que seja capaz de sufocar a vida. Qualquer “pedra” que minha mente possa imaginar já foi “afastada”: o que sou, encontra-se sempre a salvo; a vida não pode ser derrotada.

Quando começa o amanhecer, a escuridão vai se dissipando. Mas ainda não se veem as coisas claramente. O coração anseia ver e encontrar. As sombras impedem ver; o sepulcro impede ver; as faixas impedem ver; as pressas impedem ver. Correm as mulheres; corre Simão Pedro; corre João.

No final, encontrar-se-ão com Ele quando estiverem quietos, a sós consigo mesmos.
Não encontro o Ressuscitado no sepulcro, mas na vida. Não encontro o Ressuscitado enfaixado e paralisado pela morte. Só posso encontrar o Ressuscitado livre como a brisa da vida.

Não “vejo” a Ressurreição contemplando os restos da morte; só posso contemplar o Ressuscitado no mistério da vida. Pois só existe a Vida. E “Jesus ressuscitou de tanto viver”. Aquele que viveu tão intensamente não podia permanecer na morte. Por isso, só no compromisso com a vida é que posso encontrá-Lo. A Ressurreição me revela: só existe a Vida; só me resta viver intensamente.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, diante da obscuridade daqueles que ainda não experimentaram o encontro com o Ressuscitado, as testemunhas proclamam: “Jesus ressuscitou” e “viver como ressuscitados” é a marca que identifica os(as) seguidores(as) d’Aquele que “ressuscitou de tanto viver”.

“Faixas” são todo desejo de superação, a vontade que sinto de ser melhor, a aspiração por viver, o amor aos outros e a capacidade de perdão; o desejo de plenitude; a beleza daquilo que me cerca; a vivência prazerosa, a esperança sustentada em meio ao sofrimento; o silêncio; a vivência do Presente; a oração; o encontro pessoal; a experiência de ser transformada; a mesa compartilhada...

À luz da Ressurreição, tudo isso ganha dinamismo e um novo impulso para viver em plenitude.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Uma nova maneira de “olhar”. Descobrir nos sinais a Presença d´Aquele que está presente em tudo e tudo anima. Quem sabe “olhar” desse modo é “o outro discípulo, a quem Jesus amava”, a imagem do verdadeiro discípulo.

Sem dúvida só o amor me capacita para um olhar contemplativo; por isso, o amor “corre” mais depressa que a autoridade. Vem à memória palavras como as de Pascal: “O coração tem razões que a razão desconhece”; ou as do Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos; só se vê bem com o coração”.

É que o amor, por seu próprio dinamismo integrador e unificador, me faz descobrir a dimensão mais profunda da realidade que, de outro modo, me escapa. Para quem tem olhar contemplativo, as “faixas” já representam um grande sinal: apontam para uma Vida destravada e plena.

A todos aqueles(as) que hoje amanhecem “novos”, “criaturas novas”, uma Santa Páscoa.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 20,1-9
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Poema: Ressurreição – fx12 – 02´59”
Autor:  Zé Vicente
Intérprete: Reginaldo Ramos
Livro com CD: Tempos Urgentes - Poemas – editora: Paulinas
Gravadora:  Paulinas Comep


quarta-feira, 23 de março de 2016

Leitura Orante – sexta-feira Santa, 25 de março de 2016



Leitura Orante –  sexta-feira Santa, 25 de março de 2016

“No mesmo horizonte da misericórdia, viveu Jesus a sua paixão e morte, ciente do grande mistério de amor que se realizaria na cruz” (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)


Texto Bíblico: Mc 14,43-72 - Mc 15


1 – O que diz o texto?
Jesus foi condenado como herege e subversivo, por elevar a voz contra os abusos do templo e do palácio, por colocar-se do lado dos perdedores, por ser amigo dos últimos, de todos os caídos.

“Jesus morreu de vida”: de bondade e de esperança lúcida, de solidariedade alegre, de compaixão ousada, de liberdade arriscada, de proximidade curadora...

“Morreu de vida”: isso foi a Cruz, e isso é a Páscoa. E é por isso que tem sentido recordar Jesus, olhando as chagas de seu corpo e as pegadas de sua vida.

No mistério da Paixão do Filho se manifestou radicalmente a Misericórdia do Pai. Na Paixão encontramos a Misericórdia de um Deus que desceu e chegou até o extremo da fragilidade para manifestar a força reconstrutora de seu Amor.

A Cruz de Jesus expressa de maneira penetrante o Amor Misericordioso do Pai. Ela é revelação do Amor levado até às últimas consequências. Ela nos fala daquilo que Deus sente por nós.


2 – O que o texto diz para mim?
A primeira coisa que descobri  ao contemplar o Crucificado do Gólgota, torturado injustamente até à morte pelo poder político-religioso, é a força destruidora do mal, a crueldade do ódio e o fanatismo da mentira. Precisamente aí, nessa vítima inocente, eu seguidora de Jesus, vejo o Deus identificado com todas as vítimas de todos os tempos. Está na Cruz do Calvário e está em todas as cruzes onde sofrem e morrem os mais inocentes. 

O mistério do “amor em excesso” de Deus, revelado no silêncio junto ao sofrimento inocente, chama-se misericórdia compassiva. Só o amor é capaz desse sofrimento compassivo. Porque é Amor puro, Deus usa de paciência, de presença silenciosa, de misericórdia ativa e, assim, salva de forma compassiva toda criatura em seu seio regenerador. Só Ele é capaz de assumir para si o sofrimento e a fragilidade humana, abrindo um novo horizonte de vida.

No Novo Testamento, o mistério da Misericórdia do Pai atravessa toda a experiência de Jesus, de sua missão, mas também de sua própria paixão e de sua Páscoa. No sofrimento e morte do Filho há a dor de dilaceração, fragilidade e silêncio do Pai, como em dores de parto por uma criação que ainda precisa da compaixão e da misericórdia maternal do Criador. Se o Criador sofre em dores de parto por sua criação, meu sofrimento está em suas mãos, em seu seio. É a maternidade divina regeneradora de sofrimentos.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Sem a Cruz seria muito difícil convencer o ser humano do amor misericordioso de Deus, e mais ainda de seu apaixonado interesse por nos salvar. Mas, a partir dela, será sempre possível dizer ao ser humano que a Cruz de Jesus tem um sentido, e que a última palavra é “salvação”. 

No Jesus crucificado se encontram e se reconhecem todos os sofredores inocentes e crucificados da história; n’Ele se condensam todos os gritos da humanidade sofredora.

A “kénosis” de Jesus me ensina, portanto, a encontrar Deus nos lugares onde a vida se acha bloqueada.

Deus “desceu” às zonas mais escuras da humanidade – sofrimentos, fracassos, amarguras, pecados... – para sentir como Seu, o meu, o nosso sofrimento e ali falar no coração de cada ser humano.

A CRUZ é o lugar por excelência da revelação visível da Misericórdia de Deus.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o que me assusta diante da Paixão de Cristo é o profundo e estridente “silêncio de Deus”.

No entanto, o silêncio de Deus não se deve a que Ele queira calar, mas a que eu não posso escutar. 

Se existe silêncio, enraizar-se não no calar de Deus, mas na surdez radical do ser humano.

A Cruz de Cristo revela que Deus continua do lado do inocente sofredor. No silêncio, Deus não apenas se solidariza, mas sofre “em sua pele”, identificado com os sofredores, aqueles que sobram...

“Deus sofre” com seu Filho; seu coração sangra juntamente com ele na cruz. Se Deus “sofre”, é por seu excesso de Amor, desde o princípio.

O silêncio de Deus  na paixão do Filho é a fronteira da esperança: atrás do silêncio da Cruz, espera, viva e impaciente, a palavra definitiva da Ressurreição.

Ele acolhe o mistério do mal em seu mistério maior de amor, sem utilizar o revide de vingança e de poder. Na sua própria vulnerabilidade, renunciando aos atributos divinos, sobretudo de potência, Deus brilha em atributos que surgem do amor puro e humilde.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Despojado de todo poder dominador, de toda beleza estética, de todo êxito político e de toda auréola religiosa, Deus se revela a mim, no mais puro e insondável de seu mistério, como amor misericordioso.

Como cristã contemplo o Crucificado para não esquecer nunca o “amor louco” de Deus para com a humanidade e para manter viva a recordação de todos os crucificados da história.

Para Jon Sobrino, a vivência da Misericórdia é a que impulsiona a Igreja para fora de si mesma, para as margens, onde acontece o sofrimento humano. Uma Igreja configurada pelo “Princípio Misericórdia” tem força e coragem para denunciar aqueles que produzem vítimas, para desmascarar a mentira daqueles que oprimem, para animar e despertar a esperança daqueles que são as vítimas.

Quando isso ocorre, a Igreja é ameaçada, atacada e perseguida; mas isso mostra que ela se deixou conduzir pelo “Princípio Misericórdia”. A ausência de tais ameaças, ataques e perseguições significa, por sua vez, que a Igreja não está sendo fiel a esta misericórdia reconstrutora que se fez visível na Paixão e Cruz de Jesus Cristo. Se ela leva a sério a misericórdia e deixa transparecer no seu modo de se fazer presente no mundo, então ela se torna conflitiva.

Diante do supremo indicador do amor misericordioso de Jesus e do amor do Pai, abre-se para a Igreja uma inesgotável exemplaridade e uma referência única para ser, também ela, presença misericordiosa.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas: Mc 14,43-72 - Mc 15
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne  


Sugestão: 
Música:  Quando Deus se calou – fx01
Autor:  Pe. Zezinho, scj 
Intérprete: Pe. Zezinho, scj  
CD: Quando Deus se calou – vocal: Beto, Betinho, Tiago Amaral, Ana Clara, Giba, Maria Diniz
Gravadora:   Paulinas Comep


terça-feira, 22 de março de 2016

Leitura Orante – quinta-feira Santa, 24 de março de 2016



Leitura Orante –  quinta-feira Santa, 24 de março de 2016

EUCARISTIA: uma grande comunhão cósmica

“Tomai e comei, isto é meu Corpo; tomai e bebei, isto é meu Sangue”


Texto Bíblico: lCor 11,23-35 - Jo 13,1-15


1 – O que diz o texto?
Nesta 5ª feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, podemos buscar, nesta última refeição de Jesus, a inspiração e o sentido para uma consciência ecológica integral, restabelecendo a comunhão universal com todas as expressões de vida.

Jesus, na Última Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, acolhe os dons da Natureza para transmitir sua Vida a toda humanidade; Vida em abundância; Vida que não tem fim...; a Vida num pedaço de pão e num cálice de vinho.

A Última Ceia de Jesus com os apóstolos revela que a Criação é obra de Deus e exige uma aproximação contemplativa. Quanto mais proximidade e intimidade com a terra, mais profunda é a comunhão com todos os seres. A Terra nos encanta e nos convida, continuamente, à admiração, ao cuidado e à veneração.


2 – O que o texto diz para mim?
Todas as criaturas celebram a grande festa, ao redor da Mesa cósmica (Última Ceia – Ceia universal).

A vivência da Última Ceia me proporciona uma fecunda experiência cósmico-ecológica.
Em Jesus, Deus se revelou encarnado na história e fez do Universo seu corpo.

A presença real de Jesus, no pão e vinho da Eucaristia, me desperta a reconhecê-Lo presente no coração do Cosmos e da História.

No partir do Pão e no beber do Vinho da Eucaristia, palpita a vida que transcende as fronteiras da morte.

Quem come deste Pão e bebe deste Vinho, compromete-se com a luta contra as forças da morte: egoísmo, violência, indiferença, omissão política, desonestidade na gerência dos bens, descuido nas relações afetivas, isolamento no medo, destruição do meio-ambiente, poluição...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Estou mergulhada no “grande Templo” formado por uma multiplicidade de notas, sons, sinais e mensagens diferentes. Faço parte de uma realidade complexa, diversa e única. 

Uma pedra, uma cascata, uma nuvem caprichosa, um pássaro, convertem-se em veículos de sabedoria. É necessário que eu me eduque para captar a mensagem que a natureza me transmite e aprender a viver a comunhão com tudo o que me rodeia. Todo o Cosmos é como um grande livro que precisa ser lido.

O ser humano, ao sentir a presença de Deus em todas as coisas e entra em comunhão com toda a natureza, seu coração se emancipa e se dilata, sua mente se abre, seus horizontes se ampliam... O Universo passa a ser o seu grande lar, onde ele encontra o coração de Deus. Em tudo se pode vislumbrar um lampejo da divindade. Com isso, a eucaristia revela seu caráter universal que me permite viver uma espiritualidade ecológica e me ensina a abraçar a Criação e a me encontrar com o Deus do Universo. A comunhão com o Universo é ponto de partida e de chegada da Eucaristia.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, simbolicamente, na Eucaristia, o pão é partido para significar a doação de Jesus; e ao comer deste pão, aceito ser como o grão de trigo que, caído no chão da história, recebe as energias que vem das profundezas da terra e das alturas do céu.

Num pedaço de pão há o vento que balança as espigas, a noite calma que caiu sobre o campo, o sol ardente que faz germinar e crescer o trigo, a água generosa que possibilitou a vida, a terra que teve de ser arada, o ser humano trabalhando sem parar, a semente que teve de morrer para que viesse a planta, o adubo que foi posto com mãos calosas, o gesto da mão que preparou a massa... A natureza inteira se mobilizou para gerar o pão, que deve ser partido e oferecido com generosidade.

Da mesma forma, toda a Criação foi mobilizada para proporcionar o vinho da alegria e da festa. Sobre o altar, está contido todo o Universo, pronto a se fazer dom e alimento.
Jesus, na Última Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, acolhe os dons da Natureza para transmitir sua Vida a toda humanidade; Vida em abundância; Vida que não tem fim...; a Vida num pedaço de pão e num cálice de vinho.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A partir da Eucaristia tudo é sagrado, tudo é uma grande liturgia cósmica. O universo é um grande sacramento e se transforma no espaço e no lugar de manifestação da divindade. Tudo é sagrado; a Natureza é sagrada, porque é Templo de Deus. Todos os lugares da mãe-Terra pelos quais caminho são “territórios sagrados”. Segundo a Bíblia, a Terra é um jardim onde Deus tem prazer em passear. 

O Universo inteiro é um imenso altar cósmico sobre o qual celebra-se, diariamente, a liturgia da vida; ao mesmo tempo, ele é o lugar no qual onde posso contemplar e acolher a presença do Criador, a harmonia dos seres, a comunhão das criaturas. Sobre o altar do mundo se entrelaçam o céu e a terra, de modo que toda a Criação é iluminada pela Eucaristia.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  lCor 11,23-35 -  Jo 13,1-15
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne 

Sugestão:
Música:  Por um pedaço de pão  - fx10 - Autor:  Pe. Zezinho, scj - Intérprete: Pe. Zezinho, scj - Cd: Os grandes sucessos - Gravadora:   Paulinas Comep



quarta-feira, 16 de março de 2016

Leitura Orante – domingo de Ramos, 20 de março de 2016



Leitura Orante –  domingo de Ramos, 20 de março de 2016

RAMOS: A CAMINHO DA JERUSALÉM INTERIOR

“... Jesus ia adiante, subindo para Jerusalém” (Lc. 19,28)


Texto Bíblico: Lc 19,28-40


1 – O que diz o texto?
A vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém; e nesta subida, segundo os relatos evangélicos, Ele desconcertou a todos. Evidentemente, desconcertou as pessoas mais piedosas e observantes da religião judaica: fariseus, escribas, sacerdotes, anciãos... Não só Jesus foi a pessoa mais desconcertante de toda a história, mas nele aconteceu algo também desconcertante. Ele desencadeou na história da humanidade um “modo de viver” que quebrou toda estrutura petrificada, sobretudo religiosa, constituindo um “movimento” ousado que colocava o ser humano no centro.

Um movimento alternativo às instituições romanas e à organização sacerdotal do judaísmo; um movimento “marginal” que dava prioridade aos pobres, aos deslocados, aos doentes e excluídos, aos perdedores... e que não tem nada a ver com uma organização fundada no poder, no prestígio, na riqueza...

Este movimento, desencadeado na Galiléia, chega agora às portas da “cidade santa” , Jerusalém.

Aquele homem que movia multidões por todo o país, por sua pregação e milagres, não é um revolucionário violento. E, no entanto, nem por isso deixa de ser inquietante, transgressor e perigoso.

Jesus foi assim e assim Ele viveu; todo o resto lhe sobrava (leis, culto, templo, estrutura religiosa...).


2 – O que o texto diz para mim?
Jesus queria entrar na cidade das contradições humanas oferecendo uma mensagem de pacificação e um programa de libertação, correndo o risco de encontrar a morte imposta por aqueles que resistiam a qualquer mudança na estrutura social-política-religiosa de seu tempo. De fato, Jerusalém é a cidade controlada por aqueles que detinham o poder religioso que, aliado aos romanos, não reconheciam n’Ele o profeta do Reino e não acolheram a salvação que Ele trazia.

Jesus queria levar vida a uma cidade que carregava forças de morte em seu interior. Ele queria por o coração de Deus no coração da grande cidade; desejava reativar a tão sonhada nova Jerusalém, a cidade cheia de humanidade, espaço de acolhida e comunhão, luz dos povos, onde todas as nações se encontrariam. Mas Ele encontra uma cidade petrificada, fechada em seus ritualismos, intolerante e resistente à proposta de vida que trazia.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Durante o tempo Quaresmal e Semana Santa as agências de turismo costumam fazer muita propaganda de Peregrinações à Terra Santa. Mesmo que eu não seja turista e nem peregrina, tenho, sim, que transitar por Jerusalém durante estes dias. Não posso ir ali simplesmente como quem vai assistir algumas procissões famosas de Semana Santa; não posso ir a Jerusalém de uma maneira indiferente, porque em Jerusalém é preciso “tomar partido”. Ou sou uma personagem da Paixão ou não sou nada; ou me identifico ou serei meramente estranha; ou estou com Ele ou com aqueles que tramam a sua morte.

Fazer memória da Paixão de Jesus pode ser uma ocasião privilegiada para transitar por minha Jerusalém interior, um bom espaço onde encontrar a mim mesma, identificar-me com os diferentes personagens e sentir-me parte daquela história. O relato da Paixão de Jesus revela ser também a minha história. Porque, afinal de contas, é uma história que aconteceu no passado e continua acontecendo também hoje em minha interioridade. E é a partir do hoje que eu tenho de vivê-la, numa atitude contemplativa. E é a partir de mim, e não a partir daqueles personagens de então, que terei de assumi-la.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, domingo de Ramos me motiva a fazer o percurso em direção à minha Jerusalém interior. Mas, para descer em direção a esta cidade é preciso despojar-me da vaidade, do prestígio e do poder, montado no jumentinho da simplicidade.

Minha Jerusalém interior é também lugar das contradições e ambiguidades; ali dentro experimento a trama de relações conflitivas, ali me deparo com as angústias, carências e dúvidas...

Preciso cuidar o coração da minha “Jerusalém interior”, esvaziá-la, limpá-la, aquecê-la, transformá-la em humilde e acolhedor espaço, para que o Espírito do Senhor possa aí descer e habitar, transmitindo-lhe vida, luz, calor, paz, ternura...

Preciso voltar a pôr o “coração de Deus no coração de minha Jerusalém”. Faz-se necessária uma opção corajosa, como Jesus, para entrar e estar no interior de minha Jerusalém, para aí descobrir o verdadeiro coração de Deus, que pulsa no ritmo dos excluídos, dos sofredores, dos sedentos.

Preciso aprender a integrar meus conflitos da cidade interior para convertê-los em vida nova a partir do silêncio, e é preciso percorrer as ruas descoloridas e violentas do espaço interno. Meu zelo e amor pelo Evangelho e pela semente do Reino que nele está contida, há de favorecer o advento de uma “nova Jerusalém”, cheia de humanidade e comunhão, de justiça e de fraternidade.

Preciso aprender a ler a minha Jerusalém com os olhos pacientes, misericordiosos, fecundos, cordiais...

Ali reconhecer também a presença das beatitudes originais que habitam o meu coração; ali sentir a força da ação do Espírito em cada canto desta cidade e em cada rosto que encontrar; ali terei acesso a outros recursos e possibilidade de vida que ainda não foram ativados.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Nesta nova cidade interior, cristificada pela entrada do Mestre de Nazaré, serei mobilizada a abrir a porta de minha casa para estar sempre pronta a acolher os desafios que vem de fora.

Ao mesmo tempo, entrar na minha Jerusalém me faz consciente de que sou ser em movimento, protagonista de mudança, capaz de criar novo modo de existir, de romper com o instituído e buscar o diferente, o novo, o desconhecido... É o espaço das inovações, dos riscos, dos experimentos e da busca do novo. Nele se encontra o lugar dos sonhos, dos desejos, da liberdade e autonomia.

A minha Jerusalém interior é um espaço sempre em expansão. O Evangelho ilumina a vida de minha cidade e pede atitudes novas, propostas ousadas... Em meu coração urbano há um oásis que regenera: continuamente devo retornar a este oásis se não quiser que minha vida se transforme em permanente deserto; é neste oásis que busco o sentido, o descanso, o gosto por viver.

Jerusalém é missão: é preciso “descer” em direção às periferias da minha Galiléia e ali prolongar a atividade criativa e libertadora de Jesus. Posso, então, atribuir à minha cidade interior esta afirmação de G. Dimenstein: “A bela cidade não é aquela que tem necessariamente as melhores paisagens, mas aquela em que a criatividade é a melhor paisagem”.

Hosana a Jesus! Que chegue a Páscoa! Que venha a vida!
   
  
Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 19,28-40
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne 

Sugestão:
Música:  Sempre sol nascente - fx 11 – 04’:16” - Autor:  Pe. Zezinho, scj - Cd: Quem é esse Jesus - Gravadora:   Paulinas Comep



quarta-feira, 9 de março de 2016

Leitura Orante – 5º domingo da quaresma, 13 de março de 2016

Leitura Orante –   domingo da quaresma, 13 de março de 2016

ONDE HÁ MISERICÓRDIA NÃO HÁ JULGAMENTOS

“Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Na lei, Moisés nos ordenou que essas tais sejam apedrejadas. E tu, que dizes?”  (Jo 8,4-5)

Texto Bíblico: Jo 8,1-11


1 – O que diz o texto?
No evangelho de hoje, o pressuposto de Jesus é que ninguém pode ser identificado com seus atos exteriores, ou com suas aparências. Dentro de cada um, existe um mistério profundo e impenetrável, cujo conhecimento é reservado unicamente a Deus. É preciso respeitá-lo, sabendo que, por detrás de cada ato humano, existe uma história que nos escapa. Deixemos que Deus seja Deus e que Ele tenha a última palavra. Ele conhece cada pessoa, na sua intimidade. Por isso, não corre o risco de se enganar. É com misericórdia que ele pesa as ações humanas; por isso Ele salva sempre.

O relato de João, indicado para a liturgia deste domingo, põe em confronto duas maneiras diferentes de reagir perante a “mulher pecadora”: uma, de acolhida e proximidade; outra, de julgamento e distância.

De um lado, os olhares julgadores dos escribas e fariseus se voltam para a mulher, ao mesmo tempo que a atenção repreensiva concentra-se sobre Jesus, buscando motivos para também julgá-lo.

Por outro lado, entre o Mestre e a mulher se instaura uma surpreendente compreensão e acolhida: nada de julgamento e condenação.

Jesus percebeu algo muito sério nesta inclinação que temos de julgar as outras pessoas.


2 – O que o texto diz para mim?
É escandalosa a capacidade do ser humano causar dano aos outros; e dentro desse dano infligido às pessoas, ocupa um lugar de destaque o juízo gratuito, a desqualificação e a condenação.

Não posso negar: tenho vocação de juiz; sou perita em alimentar um tribunal interior.

Enquanto os escribas e fariseus não entendem a ternura e a acolhida de Jesus para com a mulher, esta, ao contrário, conhece o mistério inefável da Misericórdia e abandona-se a Ele.

Libertada de seu passado e amada, a mulher sente-se devolvida à vida, levando consigo no coração um dom inesperado: o perdão, que a inunda de paz e alegria. A pecadora, atraída pelo amor terno e misericordioso de Jesus, finalmente experimenta a gratuidade e a doçura da misericórdia para consigo mesma.

Ela muda a sua vida quando percebe ser amada por um amor envolvente, gratuito, antecipado.

Assim, ela se torna uma nova parábola da ternura e da misericórdia de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Segundo o Papa Francisco, “onde há misericórdia, aí está presente o Espírito de Deus; onde há rigidez, aí estão seus ministros”.

Por detrás de tanto juízo e condenação parece indicar uma insegurança radical, que se disfarça justamente de segurança absoluta, fundada na lei, onde a pessoa chega a pensar que possui a verdade e que os outros estão no erro.

A necessidade mesma de ter razão e de acreditar ser portador da verdade é indício de uma insegurança de base que se torna insuportável. Por isso, o fanatismo religioso revela insegurança camuflada, do mesmo modo que o afã de superioridade esconde um doloroso complexo de inferioridade, às vezes revestido de “nobres” justificações.

Quando alguém se eleva em juiz da vida dos outros e, além disso, se considera com conhecimentos e o suficiente critério para condená-los, o que realmente faz é usurpar o lugar que corresponde a Deus.

Por isso é tão frequente que as pessoas que se consideram mais próximas a Deus e aos princípios da estrita observância moral são os juízes mais implacáveis. Sem dar-se conta, ocupam o lugar de Deus.

A misericórdia é a própria condição para que minha vida seja vivida de uma maneira nova. 

Fora do fluxo da misericórdia a vida se torna impossível de ser vivida.


 4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a maneira misericordiosa de Jesus se fazer presente junto à pecadora, mobiliza esta mulher a fazer da sua vida de erros um trampolim para a sua humanização. Jesus não contabiliza os pecados, não classifica as pessoas em puras e impuras. Ele abraça a realidade em sua totalidade, integrando-a.

Mesmo sentindo-se julgada e condenada por aqueles que se apresentavam como os legítimos intérpretes da Lei de Moisés, a mulher encontrou e descobriu, nas palavras e na pessoa de Jesus, de modo novo e fascinante, o rosto misericordioso de Deus, a ponto de sentir seu abraço paterno.

Ela sentiu-se seduzida por Jesus, o “justo”, o amigo dos publicanos e dos pecadores.

Jesus não se comportou como juiz, nem com relação à mulher, nem com relação aos cúmplices, nem com relação aos acusadores e aos curiosos, mas se situou em um plano mais alto: no nível da misericórdia de Deus, que envolve esta mulher e, por meio dela, a todos os que a acusavam.

Ele acolhe e celebra a vida em sua totalidade. Não foi o passado de erros da mulher que determinou a atitude de Jesus para com ela, pois Ele não se deixa determinar pelo passado.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Jesus tem um coração expansivo, voltado para todas as direções, onde quer que se encontre a realidade limitada e frágil. O encontro com Ele não desperta sentimentos de culpa; as pessoas podem retirar-se em paz. Jesus faz da misericórdia o verdadeiro evento divino. Nele, a misericórdia torna-se o dom constitutivo não só do divino, mas também do humano.

A mulher estava preparada para a morte, mas Jesus a despede viva, abrindo uma nova possibilidade de futuro. É notável como Jesus encarna a atitude de rejeição ao pecado e amor ao pecador.

Isto foi magistralmente expresso por S. Agostinho, quando ficaram sozinhos Jesus e a mulher: “Só ficaram dois, a miserável e a misericórdia”.

Onde a Misericórdia encontra espaço ali a vida tem nova chance. Os acusadores acreditavam estar seguros, fundamentados na lei e na sua consciência. Mas Jesus, sem julgá-los, os conduz também a um nível mais profundo, apelando a que se olhassem a si mesmos, para que vissem que eles estavam condenando a mulher porque tinham medo, se sentiam inseguros e necessitavam descarregar sua agressividade.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 8,1-11
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne 

Sugestão:
Música:  Ninguém fez mais do que Jesus - fx 02 – 04’:37” - Autor: Pe. Zezinho, scj - Intérprete: Pe. Zezinho, scj – vocal: Beto, Betinho, Tiago Amaral, Ana Clara, Giba, Maria Diniz - Cd: Quando Deus se calou - Gravadora:   Paulinas Comep