segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

24 horas para o Senhor

Na Bula Misericordiae vultus ( O rosto da misericórdia) o papa Francisco pede que “A Quaresma deste ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus. O papa solicita, como ação do Jubileu, que as dioceses de todo o mundo incrementem as “24 horas para o Senhor” que deverão ser celebradas nos dias 04 e 05 de março.
A Arquidiocese de São Paulo propõe as seguintes ações:

1ª AÇÃO
Oração junto ao Senhor
Há paróquias que realizarão um dia inteiro e seguindo a madrugada em oração e louvor a Deus. Cada pessoa, grupo ou família agenda um horário próprio de oração, seguindo uma programação:
4 de março:
08h—Santa Missa e exposição do Santíssimo.
09h—Adoração Eucarística (na capela). Esta oração se estenderá durante 24h, alternando grupos a cada hora).
15h— Oração do Terço da Misericórdia diante do Santíssimo.
16h—Continuação da Adoração Eucarística.
20h—Vigília Eucarística da Família com bênção do SSmo.
21h—Leitura continuada das Parábolas da Misericórdia
22h—Via Sacra
23h—Início da Vigília Noturna que se estenderá até às 7h30.
05 de março
08h—Santa Missa
24h—Encerramento

2ª AÇÃO
Leitura Orante da Palavra
Rezar durante o dia o Salmo 51 (50).
A cada hora, pare tudo que estiver fazendo e rezar a Palavra. Para isto levar consigo a Bíbila.

3ª AÇÃO
Viver o sacramento da Reconciliação (fazer a Confissão sacramental).

4ª AÇÃO
Viver as Obras de Misericórdia
Espirituais: instruir,aconselhar, corrigir, perdoar e ter paciência.
Corporais: 1 Dar de comer a quem tem fome; 2 Dar de beber a quem tem sede; 3  Vestir o nu; 4 Dar abrigo a quem não tem; 5 Visitar os doentes e presos; 6 Sepultar os mortos; 7 Praticar a justiça  e dar esmola.

5ª AÇÃO
Praticar o jejum.
O jejum nos fortalece na atitude de desprendimento e desapego aos bens materiais.

Organize na sua comunidade, com o seu Pároco,  estas 24 horas de Oração envolvendo o maior número de pessoas.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Leitura Orante – 3º domingo da quaresma, 28 de fevereiro de 2016



Leitura Orante –  3º  domingo da quaresma, 28 de fevereiro de 2016

QUARESMA: tempo de nutrir-se interiormente

“Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar ao redor dela e colocar adubo, 
e talvez venha dar fruto.” (Lc  13,8-9)


Texto Bíblico: Lc 13,1-9


1 – O que diz o texto?
A imagem da figueira destaca a paciência do agricultor. Lucas é o evangelista da misericórdia; e essa misericórdia se faz visível na esperança e no cuidado esmerado do agricultor para com a figueira; ele não desiste, quer dar tempo para cuidá-la de novo, tempo para a mudança. A pesar de levar “três anos” sem dar fruto, o lavrador continua confiando nela: “vou cavar ao redor dela e colocar adubo”.

A vida está oculta nas profundezas. A pessoa de interioridade, vive a partir da raiz, da fonte mesma da vida, e deixa vir à tona todas as suas riquezas, dons, capacidades… É no chão da vida que está escondido nosso verdadeiro tesouro; é do chão da vida que existem, em abundância, os aspectos positivos de nossa personalidade, os talentos naturais e as boas tendências. Ali se aninham imensas riquezas que se exprimem de maneira diferente, dando a cada um uma fisionomia própria, um caráter único. Esta região profunda coincide com o mundo das certezas, dos valores, das ideias força… que formam o eixo de nossa existência, o melhor de nós, o lugar de nossa recuperação e de nossa realização.


2 – O que o texto diz para mim?
Deus, em sua misericórdia reconstrutora, libera em mim as melhores possibilidades, capacidades, intuições… e me faz descobrir a verdade mais verdadeira de pessoa amada, única, sagrada, responsável… 

É Ele que “cava” em meu coração o espaço amplo e profundo para me comunicar a sua própria interioridade. A força criativa de sua misericórdia põe em movimento os grandes dinamismos de minha vida. 

É no “eu mais profundo” que as forças vitais se acham disponíveis para me ajudar a crescer dia-a-dia; é aqui que experimento a unidade de meu ser; aqui é o lugar da transcendência, onde realmente acontece uma profunda transformação.

Dimensão mais verdadeira de si,  decisões vitais,  riquezas pessoais, lugar onde a pessoa vive o melhor de si mesma, onde se encontram os dinamismos do seu crescimento, onde brotam as aspirações e desejos fundamentais…

Por isso, é decisivo alimentar as raízes com os valores do Evangelho (justiça, compaixão, bondade..) para que uma seiva cristificada se espalhe pela árvore, gerando novos rebentos e novos frutos.

“Descer” às raízes é uma oportunidade privilegiada para descobrir a riqueza interior, conhecer e experimentar a transformação.

A descoberta do próprio ser profundo aproxima cada um do autor da vida: Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Comprovo hoje um “déficit de interioridade”. Vivo num contexto social e cultural no qual o ritmo frenético que me é imposto para conseguir mais bem-estar material não favorece o acesso à minha própria interioridade. Seduzida por estímulos ambientais, envolvida por apelos vindos de fora, cativada pela mídia, pelas inovações rápidas… vou me esvaziando, me diluindo, perdendo a interioridade e… me desumanizando. Vítima da chamada “síndrome da exteriorização existencial”, tenho dificuldade de introspecção, silêncio, reflexão, contemplação…; já não sou capaz de velejar nas águas da interioridade, vivendo uma vida superficial e sem sentido. A perda da direção de minha interioridade, que me constitui como ser humano, gera um vazio existencial e espiritual. 

Tal como a figueira da parábola do evangelho deste domingo, a vida vai se atrofiando e se ressecando, porque não recebe seiva do seu interior. É pura folhagem, pura aparência e sem frutos.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, o caminho para uma nova qualidade de vida passa pelo encontro com as próprias raízes. Essa descida me possibilita descobrir um mundo diferente que não conhecia, ou que havia perdido.

Este é o caminho da espiritualidade que brota do húmus; “descer” até o fundo, mergulhar nas dimensões mais profundas onde estão escondidos os recursos que darão significado e sentido à minha vida.

É preciso “desvelar” esse meu “eu profundo”, o lugar onde se encontra os dinamismos da minha personalidade, as boas tendências, os dons naturais, as riquezas do ser, as beatitudes originais, as grandes aspirações.

Dentro de mim encontro forças construtivas que podem me mudar eficazmente. É preciso escavar, alimentá-las e deixá-las aflorar espontaneamente. Esse é o nível da graça, da gratuidade, da abundancia, onde a pessoa mergulha no silêncio do deserto interior, à escuta de todo o seu ser.

E das raízes profundas brotam as respostas mais criativas e duradouras; a interioridade desvelada ativa uma relação sadia com todos; com a nova seiva a figueira se expande em direção aos outros, fazendo-a viver numa conexão livre com toda a realidade.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Na vivência cristã, a terra interior também pode ser cavada, adubada para que seja despertada  a verdade pessoal. 

Revolver a terra é o primeiro requisito a ser cumprido para que a árvore dê fruto; o segundo é o adubo que alimenta e desperta um novo reflorescimento da árvore. 

Quem “desce” até sua própria interioridade, até os abismos do inconsciente, até a escuridão de suas sombras, até a impotência de seus próprios sonhos, quem mergulha em sua condição humana e terrena e se reconcilia com ela, este sim, está “subindo” para Deus, faz a experiência do encontro com o Deus “rico em misericórdia”.

Provavelmente, o místico Johann Tauler estava pensando nessa parábola quando disse: “Dia após dia, o agricultor leva o esterco ao campo, e, após um ano, o campo dá seus frutos. É uma imagem consoladora que, justamente, aquilo que consideramos o esterco da nossa vida – os fracassos, as coisas pouco vistosas e pouco louváveis – prepara o campo para a nossa árvore da vida e a faz florescer”.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 13,1-9
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Leitura Orante – 2º domingo da quaresma, 21 de fevereiro de 2016

Leitura Orante –  2º  domingo da quaresma, 21 de fevereiro de 2016

“SOMOS SERES TRANSFIGURADOS..., E NÃO SABÍAMOS”

“Enquanto orava, o aspecto do seu rosto mudou, 
e suas vestes tornaram-se de um branco deslumbrante.” (Lc 9,29)



Texto Bíblico: Lc 9,28-36



1 – O que diz o texto?
O relato da Transfiguração não é crônica de um fato histórico; é, muito mais.

A transfiguração não foi um fato isolado na vida do Mestre de Nazaré, mas o ‘estado habitual de seu ser’. Foi durante sua oração, no monte, que Jesus deixou transparecer sua identidade mais profunda e escondida; algo que os seus discípulos não podiam captar no ritmo da vida cotidiana.

Por isso, uma pessoa transfigurada é uma pessoa profundamente humana. Tudo o que é autenticamente humano é transparência de Deus. Em outras palavras, a vivência do humano nos diviniza.

Somos todos “pessoas transfiguradas”..., mas desconhecemos essa realidade surpreendente.

Jesus continua se “transfigurando” na montanha interior de cada um de nós.

Podemos expressar numa frase o significado do relato: “Jesus é transparência do divino”. 

Por isso, podemos dizer também que Ele é um homem transfigurado. Jesus viveu constantemente transfigurado.

Os discípulos perceberam em Jesus, uma transparência que os impactou profundamente...



2 – O que o texto diz para mim?
A Transfiguração está me dizendo quem era realmente Jesus e quem eu sou realmente. Ela me revela também a minha identidade e me faz caminhar em direção à minha própria humanidade.

Na Transfiguração, Jesus me faz descobrir meu verdadeiro ser, que vejo refletido n’Ele.

N’Ele, encontro “indicações” que me conduz a essa descoberta: a vivência do amor, da compaixão, da confiança, do silêncio, da coragem, da experiência de Deus...

A transfiguração não é condição de um “iluminado”, mas a realidade de toda pessoa que é capaz de “sair de seu próprio amor, querer e interesse” (S. Inácio). 

Transfigurar é descentrar-se e expandir-se na direção do outro. 

Transfigurar é ativar todas as possibilidades de vida para que ela se torne oblativa.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A  bondade, compaixão, autenticidade, integridade, coerência, liberdade, seu projeto de vida e relação com o Pai... fazia de Jesus um “homem transfigurado”.

Ou seja, o que há de divino em Jesus está em sua humanidade. Só no humano transparece Deus.

Jesus me dá a medida do humano: ser pessoa compassiva e comprometida com os demais. É precisamente na condição humana de Jesus onde posso conhecer quem é Deus e como é Deus. 

Mais ainda, é na entranhável humanidade de Jesus onde compreendo a profunda e desconcertante humanidade de Deus.

Sua humanidade e sua divindade se expressavam cada vez que Ele se aproximava das pessoas, especialmente as mais excluídas e sofredoras, ajudando-as a reconstruir a própria humanidade ferida. 

Sua humanidade levada à plenitude é Palavra definitiva. Por isso, é preciso “escutá-Lo”.

Escutar o “Filho amado” é transformar-se n’Ele e levar uma vida comprometida, semelhante à d’Ele, ou seja, mergulhada no “modo” como Ele humanamente viveu. 



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, tal experiência também me confere um “olhar contemplativo” que me faz descobrir que toda realidade já está “transfigurada”. Seguramente reacenderá em mim a capacidade de admiração, de assombro e de contemplação, para ver as pessoas e “todas as coisas criadas” para além do meramente superficial.

A Transfiguração possibilita cultivar um “olhar” que sabe ver em profundidade, descobrindo em cada ser humano, para além de suas aparências, um ser transfigurado, porque sou capaz de vê-lo em sua beleza e bondade originais; um olhar que sabe deixar-se impactar por tudo aquilo que me cerca e é capaz de render-se diante do Mistério.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Com certeza “subir” ao Tabor implica “descer” em direção à minha própria humanidade. A Montanha me “transfigura” , revelando meu ser essencial. Muitas vezes estou disposta a “subir”, mas me custa muito “descer”.  

Descobrir a voz de Deus no grito desesperado de cada um dos seres humanos que encontro no caminhar. 

“Humanizar!”  Esta é a voz d’Aquele que viveu permanentemente “transfigurado-humanizado”. 

Transfigurar minhas relações humanas: passar de relacionamentos interesseiros a relações afetuosas e amáveis. 

Transfigurar o tempo e o espaço.

Transfigurar a política, transformando o poder e a gestão da coisa pública em serviço ao bem comum. 

Transfigurar a natureza na comunhão do ser humano com o universo. 

A Transfiguração do ser humano acontece no coração de cada um que crê. É Deus que nos transfigura, “mudando nosso coração de pedra em coração de carne” (Ez 36,26).

A espiritualidade cristã me possibilita fazer a síntese entre o novo e o antigo, entre a interioridade e exterioridade, enfim, síntese entre a Transfiguração do Tabor e o cotidiano da vida comprometida com os desafios do vale. Sínteses profundas que me educa para a “liberdade dos filhos de Deus” (Rom. 8,21).



Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,28-36
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Leitura Orante – 1º domingo da quaresma, 14 de fevereiro de 2016


Leitura Orante –  1º  domingo da quaresma, 14 de fevereiro de 2016

“NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO”

“Jesus, pleno do Espírito Santo, retirou-se do Jordão e foi conduzido pelo espírito através do deserto.”  (Lc 4,1)


Texto Bíblico: Lc 4,1-13  


1 – O que diz o texto?
Segundo a tradição, a primeira imagem da tentação foi uma maçã: uma fruta vermelha, carnosa, saborosa  e brilhante. Seu atrativo aroma penetrou até os tutanos de nossos ancestrais e eles caíram na armadilha da superficialidade.

O Evangelho de hoje insiste que Jesus se deixa conduzir pela força do Espírito; por isso, vive uma integração a partir de seu coração e não se deixa levar pelas aparências enganosas.

Tradicionalmente, as tentações de Jesus foram interpretadas num sentido moralizante; costumava-se dizer que Jesus nos queria dar o exemplo de como superar nossas tentações cotidianas.

Tal interpretação não capta em toda sua profundidade o sentido das “tentações de Jesus”.

Elas não são tanto uma prova a superar quanto um projeto que deve ser discernido.

O que parece claro é que Jesus, depois do batismo, buscou o deserto para um tempo de discernimento, em oração, em solidão, diante do Pai que o proclamou seu Filho, sob o impulso do Espírito; de algum modo teve de refletir e discernir sobre que tipo de messianismo assumiria para sua missão em sua vida pública. É um tempo de confronto interior, de crise.


2 – O que o texto diz para mim?
A “crise” põe à prova a atitude de Jesus frente ao Pai: viver sua missão ... escutar fielmente a Palavra... estar totalmente a serviço... fazer a vontade do Pai... assumir uma vida pobre... ser vida e esperança à todas as classes de excluídos...

Ser tentado é próprio do humano, mas o que é divino pode ser encontrado em meu interior.
Aqui  também é preciso estar atenta quanto à provocação, tentação... o eixo do caminho e o ser essencial...

Minha liberdade sente-se movida e atraída em duas direções. A cena das “tentações de Jesus” desvela (distingue, põe às claras...) os dois dinamismos, duas tendências, dois impulsos... que se fazem presentes em meu interior (um de alargamento ou expansão de si mesma em direção aos outros e de Deus; e outro de fechamento, autocentramento, resistência, medo).

A questão de fundo é saber qual dos dois dinamismos alimento; é aqui que entra a liberdade (ordenada) para deixar-me conduzir pelo Espírito.

Por um lado, o ser humano sente o apelo e o impulso para o alto, para a plena liberdade, para o compromisso e a fraternidade. Mas por outro, ele também sente a caducidade, a fragilidade, a fraqueza, toda sorte de limitações... que o deixam prostrado no chão.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Um conflito interior dilacera a existência por dentro.

Quem não se deixa conduzir pelo Espírito, não é capaz de acessar a própria interioridade, permanece na superfície de si mesmo e se deixa enredar pelos estímulos externos.

Muitos já não conseguem mais recolher-se e voltar para “dentro” de si, para recuperar o centro gravitacional de sua vida, o ponto de equilíbrio interior.

Este é o desafio que me inquieta: é preciso “conhecer-me a fundo”, ou seja, ter a experiência de si mesma, do próprio íntimo, do centro do ser, da região profunda da qual sem cessar tenho acesso a um poço, a água viva, a energia, as certezas para viver.

É preciso questionar certos acontecimentos, certas situações, certas vivências, que podem me induzir a um caminho que me afasta de mim mesma, que me afasta do melhor de mim.

Concretamente, em mim não existe apenas o chamado para a fraternidade, para a entrega, para a comunhão.... mas também a sedução  e a tendência para o egocentrismo, o prestígio e os instintos de poder e posse. Sinto-me simultaneamente santa e pecadora, oprimida e livre.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, vivemos um contexto social e cultural no qual se constata um modo de vida que não favorece o contato profundo consigo mesmo. Seduzido por estímulos ambientais, envolvido por apelos vindos de fora, cativado pela mídia, pelas inovações rápidas, magnetizado por ofertas alucinantes... o ser humano se esvazia, se dilui, perde a interioridade e... se desumaniza. Tudo se torna líquido:  o amor, as relações, os valores, a ética, as grandes causas... (cf. Bauman).

Jesus não quer um messianismo que reduza o ser humano a um consumidor de pão; este precisa também do alimento da Palavra de Deus que ative sua dignidade de interlocutor de Deus, o coloque em pé e o conduza a assumir ele mesmo o trabalho de fazer o pão e reparti-lo entre todos.

Em vez de seduzir o povo com prodígios e espetáculos, Jesus prefere uma proximidade do tu a tu, nas mesmas praças e caminhos, na convivência criativa e nos encontros humanizadores.

A tentação vai estar sempre ai, como maçã ou como pedras que se convertem em pães, como aplauso buscado a partir dos critérios do mundo, ou como joelhos que se dobram frente às promessas de um ídolo com pés de barro. Sempre vai estar presente, buscando saciar minha fome e minha sede, conhecendo onde piso, oferecendo-me novidades no jardim florido e consolo nas fendas de meu deserto.

Livra-me Senhor desses “espelhismos” que prometem vida e escondem o vazio!


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Jesus prefere o caminho do serviço. O caminho de Jesus é absolutamente novo. Nem impressionar, nem seduzir, nem dominar a liberdade do ser humano. Só servir.

O centro é o Espírito.

Mergulhar na docilidade, ternura, misericórdia, para que o Espírito possa me conduzir, por onde muitas vezes não entendo e não sei. É Ele que ativa o que há de melhor em mim, expandindo minha vida em direção aos valores do Reino: desapego, serviço, esvaziamento do ego...

Às tentações do poder, do ter e do prestígio, o seguidor (a) de Jesus responde com a partilha, o serviço, a comunhão, a solidariedade... O tempo quaresmal vem ativar esse dinamismo expansivo.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 4,1-13  
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho

Desenho: Osmar Koxne       

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Leitura Orante – 4ª feira de cinzas, 10 de fevereiro de 2016



Leitura Orante –  4ª feira de cinzas, 10 de fevereiro de 2016

QUARESMA DA MISERICÓRDIA

“Tende cuidado para não praticar vossa justiça diante dos homens
somente para chamar sua atenção”  (Mt 6,1)

Texto Bíblico: Mt 6,1-6.16-18


1 – O que diz o texto?
A Vida de Jesus, testemunhada nos evangelhos, nos convida a viver de um modo mais integrado e unificado.

O tempo Quaresmal pode ser um momento privilegiado para que deixemos transparecer no mundo a missão de testemunhas da Misericórdia de Deus Pai-Mãe.

Este tempo litúrgico especial certamente mobilizará e ativará todas as dimensões de nosso ser: nossos sentidos se expandirão, olhando, escutando e sentindo a realidade que nos envolve; nossa mente tornar-se-á mais clara, sabendo discernir e não se deixando manipular; nosso coração se fará mais atento e misericordioso diante do sofrimento humano; nossa alegria será o fermento do pão cotidiano, compartilhado com os outros. E se dedicarmos mais tempo ao silêncio e à oração, recobraremos energia e sentido, necessários para sair da “normose doentia” de todos os dias.

Nesta perspectiva, as três disciplinas espirituais da Quaresma (oração, jejum e esmola), encontram sua relação com as três dimensões do amor: a Deus, ao próximo e a si mesmo. 
Não é preciso estar publicando no Facebook ou no WhatsApp cada pequeno passo adiante. De fato, nos diz Jesus: “Vosso pai, que vê no segredo, vos recompensará”.


2 – O que o texto diz para mim?
Quarta-feira de Cinzas. Quaresma. Entro num movimento de discernimento: jejuar... de quê jejuar... Mais que jejum de alimento e bebida, jejuar a soberba, a vaidade, o consumismo, o fazer-me centro de tudo, o ativismo, os afetos desordenados (smarts, face, internet...), jejuar as desculpas frágeis, as distâncias, a indiferença e a frieza nos relacionamentos...

O jejum e a abstinência me conduzem ao autocontrole e à autoestima e são sinônimos de desintoxicar, desconectar, desapegar, desprender... Ou seja, fazer tudo o que me leve a ser pessoa mais equilibrada, autônoma, livre... e que encontra mais tempo para amar a 
Deus e ao próximo.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A Quaresma pode ser o ponto de partida de uma transformação de vida; os quarenta dias de duração são um tempo propício para viver a “operação saída”, ou seja, expandir a vida em novas direções, rompendo com aquilo que é rotineiro, estreito e atrofiante. Se, nesse tempo, algo calar fundo, o ano se tornará pequeno para aquele que vive uma existência com mais intensidade, coerência e solidariedade.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a oração me ajuda a ama-Lo e a colocá-Lo como centro de minha vida. A vivência da oração e de todas as práticas associadas a ela, como o silencio, a solidão, a reflexão, a “consciência plena”, a meditação bíblica, a participação na liturgia da comunidade, a leitura de um livro de espiritualidade..., me preparam e me ajudam a entrar em sintonia com a ação de Deus no mais profundo de meu ser.

Quando estou em oração, conheço e amo mais a Deus, sinto sua misericordiosa presença no meu dia-a-dia, alimenta minha vida interior, sou mais verdadeira, me fixo mais naquilo que me é dado continuamente como graça, vivo em contínua gratidão por estar rodeada de tanta ternura e beleza, mesmo em meio às situações delicadas, desperta em mim a empatia para com aqueles que mais sofrem, recobro novo ânimo para ajudá-los, sou consciente de minha fragilidade e pequenez, ao mesmo tempo que cresce em mim a percepção de minha maravilhosa dignidade de filha (filho) de Deus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Em meio a um mundo desumanizado e sacudido pela violência, lutas fraticidas, intolerância e egoísmo exacerbado, o papa Francisco me convida a viver um Jubileu extraordinário, colocando a Misericórdia no centro de minha vida e responder ao chamado que Cristo me faz: “sede misericordiosos como o Pai”.

À luz da misericórdia empenhar pacientemente em dar à minha vida um perfil mais evangélico, daquilo que nasce do mais profundo e que tem a autenticidade das coisas verdadeiras.

Esse é o movimento de vida despertado pelo tempo quaresmal.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 6,1-6.16-18
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho

Desenho: Osmar Koxne       

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mensagem do papa Francisco para a Quaresma


Foi publicada na terça-feira, dia 26 de janeiro, a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2016. 

Tema: «“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Continuar lendo



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Dicas Naturais de Fitoterapia


Paulinas WEBTV - Dicas naturais

- Perda de memória | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=iPl9mnvD4LI

- Prevenção de catarata e outros problemas de visão | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=ViVo7ojSw1E

-Manchas senis | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
https://www.youtube.com/watch?v=d4jZ7ov0OnA

- Doenças reumáticas | Hilton Claudino -- Fitoterapeuta
semente de sucupira
https://www.youtube.com/watch?v=Ntwln6TWxyw




DVD Saúde e vida natural
https://www.youtube.com/watch?v=qH0SEJMEwXU
O fitoterapeuta Hilton Claudino apresenta um guia prático para trilhar o caminho da Saúde e Vida Natural. Resgata os benefícios dos chás de plantas medicinais e dos alimentos naturais, da água e dos banhos medicinais, dos vários tipos de argilas e sua correta aplicação. Indica também



PodCast  do site
www.paulinas.org.br/Rádio 


 Contatos do Professor Hilton
site: www.hiltonfito.com.br
Pode também ligar:
 (12) 3882-2649 ou

3883-1011

Leitura Orante – 5º domingo do tempo comum, 07 de fevereiro de 2016


Leitura Orante –  5º domingo do tempo comum, 07 de fevereiro de 2016

ALARGAR ESPAÇOS, SAIR ÀS MARGENS 

 “Tendo subido em uma das barcas, a de Simão,
 pediu-lhe para afastá-la um pouco da terra. (Lc 5,3)


Texto Bíblico: Lc 5,1-11


1 – O que diz o texto?
Uma multidão vinda de todas as partes o seguiu até à beira do lago de Genesaré, e Jesus pediu a seus discípulos que tivessem uma barca preparada, pois o povo o apertava, porque tinha curado a muitos. 

Jesus se afasta do centro, da sinagoga e busca as margens do lago. E ali desencadeia um “movimento humanizador”: vida destravada e abundante, horizonte de sentido, relações de comunhão...


2 – O que o texto diz para mim?
Jesus entrou em conflito com o mundo religioso da sinagoga. A Lei, que se expressava em inumeráveis preceitos minuciosos, fragmentava a existência, atrofiava a criatividade e não representava vida nova para o povo. A novidade de Jesus não cabia nos moldes da sinagoga, e começou a buscar outros espaços onde criar a vida expansiva do Reino, elaborar novos sinais e cunhar novas palavras.

O “outro lado”, para Ele, passa a ser terra privilegiada, onde nasce o “novo” por obra do Espírito.

Ali aparece o broto germinal do “nunca visto”, que em sua pequenez de fermento profético torna-se uma denúncia ao imobilismo petrificado e um questionamento à ordem estabelecida. Isso vai gerar uma maneira nova de viver, um estilo de vida, um compromisso diferente, uma ação carregada de ousadia...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Encontrando-se em meio a um mundo em efervescência, Jesus lançou por terra as paredes e os muros dos templos e sinagogas e mergulhou no mar espaçoso da vida cotidiana. Ele alcançou sua plenitude humana precisamente porque foi capaz de “transgredir” o que estava estabelecido e abrir-se à universalidade de todas as terras, de todos os povos, sem distinção de raças, condição social... Seu itinerário não foi unicamente geográfico. Mais que um simples deslocar-se, trata-se de um “modo de viver” e de situar-se no mundo. Ele se fez presente nos lugares socialmente rejeitados, lugares de exclusão e da marginalidade, e ali revelou a presença d’Aquele que se faz presente e santifica todos os lugares: o Pai.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, do mar da Galiléia ao mar da vida: este é o movimento que Jesus desperta nas pessoas.

Ele continua desafiando a que cada um mergulhe mais fundo no oceano do coração e ali ative os recursos ainda escondidos: novos sonhos, novas possibilidades, nova inspiração, novo sentido para a existência...

Para isso, é preciso vencer o medo que atrofia tudo o que é humano em mim e entrar no movimento expansivo de Jesus.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Jesus, na Galiléia, encontrou os seus lugares: nas margens do lago,  junto ao mar, nas estradas poeirentas, nas margens das cidades e montanha...

Jesus transitou livremente por diferentes espaços; o deserto foi para ele um espaço necessário de solidão e de oração, onde, na intimidade com o Pai, alimentava a originalidade de sua pessoa e de sua missão.

Com sua presença inspiradora e provocativa, Jesus alarga os espaços e os corações das pessoas: ao entrar no barco, este deixa de ser simples instrumento de pesca para ser lugar do anúncio; Ele amplia o rotineiro modo de pescar (“lançai as redes em águas mais profundas”); por fim, desafia aqueles rudes pescadores a deixarem aquele atrofiado mar e entrar no vasto oceano da vida (“sereis pescadores do humano”). 

Preciso levantar-me cotidianamente de meus “lugares” estreitos e seguros: há sempre um “lugar ferido” que me espera, um “ambiente atrofiado” a ser curado, um “espaço limitado” a ser ampliado... 

Deus me chama cada dia, me tira de meu estreito mar, me faz sair do que é meu, da segurança, da comodidade... e me faz entrar numa “terra nova”. A “travessia” ativa e revela o que há de melhor em cada um de nós. Com a presença expansiva e inspiradora serei também capaz de “pescar o humano” que está escondido no outro.

Sou desafiada a “viver uma vida no mundo e no coração da humanidade” (Pe. Kolvenbach).


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 5,1-11
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne