terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Leitura Orante – Natal, 25 de dezembro de 2016


Leitura Orante –  Natal, 25 de dezembro de 2016

“Um Menino é a resposta de Deus às nossas perguntas”

“Encontrareis um recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12)


Texto Bíblico: Lucas 2,1-14


1 – O que diz o texto?
“Deus se humanizou”: tal expressão revela que a Misericórdia de Deus significa também ternura.

Apareceu um Menino: apareceu a ternura e a doçura do Deus que salva. 

Na fragilidade de uma criança se esconde e se revela a grandeza divina. 

Uma antiga tradição religiosa afirma que a maior seriedade de Deus aconteceu quando Ele virou menino. Louca aventura amorosa de Deus!

No rosto de uma criança se faz visível a Misericórdia que desce sempre mais abaixo, que nasce no ventre da terra e se faz terra fértil.

Ao entrar na gruta para contemplar o Menino-Deus, conectamos, ao mesmo tempo, com o mais profundo do coração humano, carregado de compaixão e generosidade. A bondade humana é uma faísca que pode se atrofiar, mas jamais se apagar. São necessários alguns momentos densos para que esta chama seja ativada. A vivência do Natal é um deles.

Natal: estamos em um tempo que nos fala do essencial: um Deus que se faz carne, o divino que se faz humano; o eterno se estremece diante do que é terno; o infinito abraça amorosamente a fragilidade... 

Viver este mistério é viver em Deus, compreender até onde chega a loucura de amor de um Deus que se humaniza para que nos humanizemos. 

“A humanidade de Cristo é a humanidade vivida à maneira de Deus, ou melhor, vivida por Deus” (José Arregi).

Segundo Jacob Boehme, místico medieval, Deus é uma Criança que brinca...

É nessa atmosfera “infantil” que Deus se aproximou de nós. Não veio como um imperador poderoso nem como um sumo sacerdote ou um grande filósofo. Deus pode ser encontrado não na estrada suntuosa do domínio e do poder, mas na estrada da doação, da partilha, da solidariedade... A única explicação da “descida” de Deus é seu “amor compassivo”. Ele mergulhou na nossa fragilidade fazendo-se uma criança pobre, que nasce na periferia, no meio de animais, deitada numa manjedoura... para que ninguém se sentisse distante d’Ele, para que todos pudessem experimentar o sentimento de ternura que  uma criança desperta e sobre quem nos dobramos, maravilhados. Criança não infunde medo; todos se aproximam dela. 

Pequenino com os pequeninos, Deus nos faz proclamar silenciosamente: 

“Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...” (Adélia Prado).


2 – O que o texto diz para mim?
Ao recuperar o olhar de assombro e de espanto no interior da Gruta de Belém, minha mente se abre à imaginação e ao sonho, começo a considerar as infinitas possibilidades para ser e conviver, brota a alegria do novo, do que está nascendo a cada instante, de explorar recursos inéditos e desconhecidos.

O Natal é essa ternura que ilumina a história humana, o cosmos do qual faço parte. É a confissão de que a bondade gera e sustenta a vida. 

É crer que tudo está eternamente movido por um pulsar profundo, criador, maior e mais poderoso que o universo, mais terno e pequeno que o coração de um recém-nascido. 

É a promessa de que o bem prevalecerá.

Natal: é o tempo para acolher com ternura o que é germinal, o pequeno, o que nasce nos movimentos sociais e humanitários alternativos e nos grupos eclesiais que se empenham por um mundo novo e por uma Igreja mais sintonizada com o sonho de Deus. 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Da “Gruta de Belém” à “gruta interior”: esta é a aventura que me leva a crescer, amar e compartilhar com os outros o dom da vida; aprender a ver nas pessoas a grande reserva de bondade, altruísmo e generosidade que carregam dentro de si; nunca me conformar com a injustiça e a violência, semeando cordialidade e gentileza a todos (as); e, sobretudo, ser mestre da esperança. “...porque é de infância, meu filho, que o mundo precisa” (Thiago de Mello).

Quando me faço presente junto à Criança eterna, então brota em mim o impulso para a renovação de vida, o despertar da inocência escondida, o encontro com novas possibilidades de ação que correm em direção ao futuro.

Se Deus correu o risco de encarnar-se, de nascer pobremente e crescer como salvação a partir da exclusão deste mundo, já não há excluídos para Ele, ninguém fica fora d’Ele. E o lugar principal para a festa é ali onde Ele aparece: nos aforas, onde não há lugar, onde tudo parece esgotar-se e é condenado a crescer em meio às ameaças e às intempéries das situações humanas.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, o Nascimento de Jesus é um atrevimento, uma verdadeira ousadia, uma surpresa inimaginável...; na verdade, o Natal é a manifestação do impossível que se faz possível no coração de Deus.

“Ele é o eterno Menino, o Deus que faltava; o divino que sorri e que brinca; o menino tão humano que é divino” (Fernando Pessoa).

É a fragilidade de uma criança que ativa em mim a atitude da expectativa, da novidade, do assombro... 

Cada nascimento é um sinal, um imenso milagre, uma bela promessa, um profundo chamado. 

Viver é milagre. Só ser já é milagre. E o maior milagre é a ternura que cuida, nutre, consola. Isso é “Deus”.

Dizia o pintor Pablo Picasso que tornar-se criança leva tempo, e talvez eu possa acrescentar que somente o encontro com o Deus Menino me devolve a pureza e a inocência primordiais. 

Agora tenho um Deus menino e não um Deus juiz severo de meus atos e da história humana. 

Quê alegria interior sinto quando penso que serei julgada por um Deus Menino! Ao invés de condenar, ele quer conviver e entreter-se comigo eternamente.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Olhar a realidade e a fragilidade de tantas pessoas. 

Contemplar a fragilidade e a exclusão humana como uma forma de presença de Deus. 

Sair, descer ao encontro das carências humanas, é uma forma de peregrinação para o coração do Deus mais vivo e surpreendente. Deus está presente como fragilidade, nos excluídos, nos pobres, nas carências de todo tipo, em cada uma de minhas limitações. 

Aproximar da fragilidade dos que sofrem, também me aproximo de Deus.

Sentir a força de Deus, seu santo braço, que transforma, com a minha ajuda, toda a realidade. 


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 2,1-14
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: O que era noite, tornou-se dia – fx 12 (2:58)
Autor: Zé Vicente
Intérprete: Zé Vicente
CD: Sol e sonho
Gravadora:  Paulinas Comep

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