sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Leitura Orante – Dia mundial da paz, 01 de janeiro de 2017


Leitura Orante –  Dia mundial da paz, 01 de janeiro de 2017

ANO NOVO: um oceano inteiro para navegar

“Foram às pressas e encontraram Maria e José e o recém-nascido deitado na manjedoura” (Lc 2,16)


Texto Bíblico: Lucas 2,16-21


1 – O que diz o texto?
O Evangelho de hoje nos revela que o caminho para uma vida expansiva começa no acesso a uma simples gruta, para acolher a admirável profundidade que a cena do nascimento de Jesus desvela e que, em seu nível mais interior, fala de todos nós. 

Ali nos encontramos com um recém-nascido e seus pais, com pastores, com um presépio, com uma mulher que “guarda” um segredo, com a glória e o louvor de Deus... 

Os pastores, o presépio, o recém-nascido... representam a realidade inteira: somos nós mesmos, é tudo o que nos envolve neste preciso momento, são todos os seres... 

Toda a cena, marcada pela simplicidade, quer introduzir-nos em um Silêncio admirado e agradecido, pleno de luz e de encanto.

Trata-se de um convite a aprofundar no Mistério que aí se expressa. Tudo está aí; quando sabemos olhar descobrimos que tudo está cheio da Presença que dá sentido à nossa existência e nos move a uma vida sempre mais ampla.

As primeiras testemunhas foram alguns pastores. Para seus contemporâneos, eles não eram bem-vistos; no entanto, são eles que acolheram com assombro a grande novidade, imperceptível para aqueles que estavam “cheios de si”; eles estão despertos enquanto outros dormem.

Esta cena de hoje, tão despojada e carregada de luz, será a plataforma de lançamento para este Novo Ano que começa. Ao entrar na Gruta de Belém e na própria gruta interior, muitas perguntas provocativas brotarão e nos mobilizarão a assumir este novo tempo (kairós) com mais inspiração. 

Lembro-me de uma publicidade que apresentava este slogan: “Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?”


2 – O que o texto diz para mim?
Hoje começa mais um “novo ano”. Segundo S. Gregório de Nissa, “na vida cristã, vai de começo em começo, através de começos sem fim”. 

Recomeçar contínuo, no qual me coloco sempre de novo à escuta do Espírito para me deixar conduzir por Ele em direção ao vasto oceano da vida.

Em um primeiro momento, receber de golpe tanta luz os cega, e o medo se apodera deles. 

Sempre que tenho possibilidade de mais luz em minha vida, rondam também os medos. 

Ver de novo, ver outras coisas diferentes daquilo que acreditava ver, que tenho me acostumado a ver, é também nascer de novo, e toda transformação se encontra bloqueada pelo medo. 

Ao lado do medo, dentro de sua concha, a pérola da alegria aguardando ser descoberta.

Preciso despertar o pastor interior que há em mim, minha capacidade de atenção e vibração com a vida, de buscar com outros, de deixar-me surpreender.

A luz e a voz põem os pastores em marcha. Preciosas mediações que mobilizam sua busca e encaminham com prontidão e rapidez suas vidas para o encontro. 

Os sinais são mínimos, cotidianos, demasiado simples: um menino, umas faixas, um lugar onde os animais frequentam...

Eles não tinham visto nascer outros meninos de noite e em condições de pobreza?

Por que aquele ia ser diferente? 

Como poderia esta indefesa criança trazer tanta alegria, tanto amor, tanta paz? Precisam ir juntos para descobrir isso: “Vamos até Belém para ver”.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É incrível que a pequenez e a vulnerabilidade sejam os cartões de visita de Deus. 

O Natal é o memorial desta verdade, que normalmente esqueço. 

Deus não me estende a mão a partir de cima, senão que se mostra necessitado a partir de baixo; Ele me ajuda a partir da debilidade, da fragilidade, como se não houvesse outro modo de poder ser compassivo.

Há muito que ver em Belém, mas nem todos os olhares podem recebê-lo. 

Há olhares opacos que não se alegrarão, e olhares desconfiados que não o entenderão. 

Somente os olhares e os passos dos pobres e pequenos se admirarão, e a paz do coração será sua recompensa. 

Uma paz que, a partir deles, transbordará.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, descobri na entranha da natureza humana a força do “magis”, a exigência de infinito e de transcendência que cada um carrega no seu eu mais profundo, impedindo-o de instalar-se na mediocridade de sua vida.

Todo ser humano vive, nas raízes do seu coração, uma tensão para o “mais”, que sacode o adormecimento ou a satisfação descompromissada, na qual poderia sentir a tentação de instalar-se.

Nada mais contrário ao “mais” que a vida instalada e de alguma maneira acomodada, que consistiria na pura repetição mecânica dos mesmos gestos e das mesmas ações, ano após ano.

Também se opõe ao dinamismo do “mais” uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de referência fixos, definitivos, tranquilizadores...

Numa vida assim faltaria por completo o princípio da novidade, da criatividade, a capacidade de questionar-se e de uma orientação nova, a audácia de arriscar, de fazer caminhos ainda não percorridos ou abertos à aventura e às surpresas.

É assim que a vida, em lugar de estancar-se em si mesma no mecanismo de repetição, se converte em história, atravessada por uma busca e uma vontade de construção contínua de si mesma.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
O “novo” deste ano; a novidade só pode brotar de minha interioridade destravada em direção a vastos horizontes.

“Novo Ano” tempo instigante que sempre pede ir mais longe, mesmo que seja a preço de muita luta e esforço.

“Querer e buscar mais” em um compromisso amplo, aberto no qual o dinamismo do desejo aberto ao infinito se mergulha.

Buscar a expansão de horizontes e de sonhos no mais íntimo do coração, mediante o descentramento de mim mesma, como impulso para os “grandes espaços”.

O que desbloqueia a força da busca e do compromisso é o encontro com a Criança de Belém.

Estar diante dela implica sacudir de mim toda forma de apatia e de fraqueza, rechaçar toda tendência à acomodação e toda tentação de apegar-me a medidas muito reduzidas, ao tédio e ao costume.

2017 será um ano a mais, dedicado ao  tempo para o silêncio, o descanso, a entrada na gruta para o encontro com Aquele que se “humanizou”.

A partir do “olhar” admirado dos pastores, desejo viver, ao longo deste ano, um processo minucioso de reacender o olhar contemplativo capaz de expressar a benevolência, a delicadeza, a acolhida, a serenidade, a modéstia a alegria simples de estar juntos...

Um inspirado e criativo 2017 a todos.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lucas 2,16-21
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Há um clima diferente – fx 12 (03:32)
Autor: Antonio Cardoso
Intérprete: Antonio Cardoso
CD: Uma casa iluminada por Jesus
Gravadora:  Paulinas Comep

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