terça-feira, 29 de novembro de 2016

Leitura Orante – 2º domingo do Advento, 04 de dezembro de 2016

Leitura Orante –  2º domingo do Advento, 04 de dezembro de 2016

ADVENTO: tempo de nutrir-se interiormente

“O machado já está próximo à raiz das árvores, e toda árvore que não produzir fruto bom será cortada...” (Mt 3,10)

Texto Bíblico: Mt 3,1-12


1 – O que diz o texto?
Neste 2º. Domingo de Advento, os profetas Isaías e João tem a palavra. A palavra de um profeta nunca é fácil de aceitar porque move a mudar, e isso não tem muita ressonância em nosso interior.

O profeta é o homem que vê um pouco mais além, ou mais profundamente que o restante dos mortais. Essa vantagem nasce de sua atitude de discernimento; ele não se contenta ou não se conforma com o que vê ao seu redor e busca algo novo. Essa novidade ele a encontra em sua própria interioridade, e ali percebe as exigências que seu verdadeiro ser pede, para ele e para todo ser humano.

À luz das profecias, o Advento nos revela que somos seres de enraizamento e de horizontes, de interioridade e de universalidade...

O desafio consiste justamente em manter juntos o enraizamento e o horizonte.
Encarnados, mas abertos à transcendência.

Nesse sentido, transcender não significa fugir da própria realidade, mas mergulhar na própria condição humana; “transcender é humanizar-se”.


2 – O que o texto diz para mim?
O profeta é a figura chave neste tempo de Advento. Não se trata de um adivinhador do futuro; tampouco devo pensar em um ser humano separado dos demais, que, por eleição especial, Deus vai lhe indicando o que é preciso dizer aos outros. Profeta é todo aquele que está desperto e com os olhos bem abertos.

Ele não é um porta-voz enviado a partir de fora, é sempre um explorador do “interior humano” e que tem a valentia de viver a partir das raízes profundas de seu ser.

As leituras do domingo passado: velar, vigiar e estar desperta.

Hoje falam aqueles que estiveram nessa atitude de sentinelas: os profetas.

Situados em posições estratégicas, descobrem no horizonte a presença de sinais de vida ou de morte. Assim se convertem em vigias e mensageiros.

Sou convidada, neste tempo litúrgico, não apenas a me expandir e a voar para o alto, mas, fundamentalmente, a descer e a buscar o chão onde me enraízo.

Por um lado, ter horizontes me faz romper barreiras e ultrapassar os limites, impulsionando-me à busca permanente do novo e do inspirador.

Por outro lado, vou tomando consciência que no mais profundo de meu ser encontram se as raízes que devem sempre ser alimentadas e avivadas, pois são elas que sustentam o ponto de partida para o novo, para uma verdadeira mudança e conversão.

É da minha interioridade que “há de vir” (advento) as possibilidades e os recursos que farão minha vida mais aberta e oblativa, semelhante à vida d’Aquele que “desceu” até às profundezas da condição humana.


 3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
No tempo do Advento, tomo consciência que a raiz de meu ser essencial constitui minha autêntica vida. Descobri-la, alimentá-la e viver a partir dela constituem a plenitude de minha realização.

Preciso viver mais nas raízes de meu ser; preciso aprender a viver de uma maneira mais profunda e autêntica, a partir do núcleo mais íntimo de meu ser.

E viver a partir de meu ser essencial significa integrar e harmonizar todos os níveis de minha pessoa: corpo, mente, afetividade, coração... com a fonte de minha vida.

Trata-se de descer em profundidade, de encontrar o meu centro, aquele ponto de gravidade por onde passa o eixo do meu equilíbrio pessoal.

Advento, tempo das raízes!

Tempo oportuno que me mobiliza a descer ao meu chão existencial, a olhar o mais profundo de mim mesma e da realidade que me cerca, para descobrir ali os ricos recursos de vida que ainda não foram ativados.

O novo vem das raízes, vem de baixo, da base, do chão.

A fecundidade tem lugar no oculto, nas entranhas da terra.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, um “chão” é sempre mais que um simples chão: cada chão revela lembranças, referências, medos, saudades...; cada chão guarda histórias, presenças e tem força de memória. Há vida, pessoas, caminhos, acontecimentos, experiências...

Chão amplo é convite a sonhar alto, a pensar grande, a aventurar-se..., ousar ir além, derrubar meu modo arcaico de proceder, romper com os espaços rotineiros e cansativos.

‘Chão humano e humanizante” porque carregado da presença divina.

Cada pessoa é autêntico chão da eterna presença de Deus.

A verdadeira nobreza do ser humano: desejar, uma força latente, como uma energia fundamental, que o impulsiona a viver, que o ajuda a crescer e a melhorar continuamente, que aumenta a sua capacidade de resistência, que o estimula a alcançar aquilo que é o sentido de sua própria existência: a verdade, a liberdade, o bem, o amor...

Com a presença desta força interior, eu me sinto guiada e sustentada no caminho da maturidade humana, proporcionando-me saúde física, lucidez mental e limpidez afetiva. É esta força que comanda os melhores momentos de minha vida como um princípio ativo, dinâmico, criativo...

É decisivo saber descobrir e canalizar essas energias espontâneas, capazes de promover a integração e que são facilitadoras de mudanças frente à finalidade da minha vida.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
O Advento me faz lançar raízes no mais profundo de minha condição humana e despertar todas as energias criativas, todas as grandes motivações adormecidas, toda bondade aí presente, toda decisão de assumir como cooperadora de um novo tempo.

Das raízes profundas brotam as respostas mais criativas e duradouras; das entranhas abertas emergem dinamismos que me levam a ser presença inspiradora e diferente no contesto onde vivo.

A experiência cristã, portanto, implica “mergulhar os pés na terra”.

Expressões do meu cotidiano como “pôr os pés no chão”, “estar com os pés na terra”, significam enraizar-me e comprometer-me com a realidade que me afeta.

Na vivência do Advento sou convidada a  mergulhar os pés no “chão da vida”, como as raízes mergulham na terra de modo profundo, silencioso e lento.

Aqui, o caminho para Deus implica “descer” ao meu próprio chão e viver em sintonia com todas as expressões de vida, numa fraternidade universal.

Subo, rumo ao Transcendente, quando desço ao meu chão.

O movimento de enterrar profundamente as raízes possibilita alcançar a seiva, o pulsar da vida e o equilíbrio.

A profundidade do enraizamento torna-se plataforma para poder alçar vôo e ir além dos meus limites e interesses estreitos, rumo ao Todo infinito.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 3,1-12
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne    

Sugestão:
Música: Shekinah - Emanuel fx: 01 (4:21)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
Coro: Trio Ir ao Povo, Adriana Melo e Ricardo Moreno
CD: Deus nos visitou - Shekinah

Gravadora:  Paulinas Comep

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