terça-feira, 22 de novembro de 2016

Leitura Orante – 1º domingo do Advento, 27 de novembro de 2016




Leitura Orante –  1º domingo do Advento, 27 de novembro de 2016

ADVENTO: modo criativo de esperar

“Por isso, ficai de prontidão! Porque, na hora que menos pensais 
o Filho do Homem há de vir.” (Mt 24,44)



Texto Bíblico: Mt 24,37-44


1 – O que diz o texto?
Estamos no tempo litúrgico da espera, que nos motiva a esperar, mas a esperar com esperança, sabendo a Quem esperamos; mais ainda, sabemos que, Aquele que esperamos, já chegou, que já está entre nós, que as promessas esperadas já estão cumpridas. Deus vem a nós e a nossa espera ativa é a nossa maneira de ir até Ele. Aquele que esperamos já está presente, dando um sentido de eternidade à nossa espera.

Advento é tempo propício para ampliar a visão. Deus não criou as fronteiras; podemos olhar mais além, lançar por terra os limites inventados, desfazer os muros que nos mantém numa vida normótica e repetitiva.

A espera vigilante pede um olhar de longo alcance e, ao mesmo tempo, um olhar que capta os pequenos sinais da Presença d’Aquele que sempre está vindo, no cotidiano da vida.

Na espera corremos dois riscos: fixar-nos somente no horizonte e aguardar vindas extraordinárias, fora do normal... desviando o nosso olhar das vindas d’Aquele que se faz presente na simplicidade da vida.

Outro risco é ter uma visão atrofiada, limitada ao cotidiano da vida e perdendo-nos na confusão de sinais e vozes que daí brotam. 

É preciso integrar os dois movimentos. 

É preciso ter um horizonte de sentido que nos ajude a discernir e distinguir tais sinais. 

Do cotidiano aos largos horizontes (amplitude de visão e de vida) e dos largos horizontes ao cotidiano (dar sentido ao nosso chão cotidiano). 

“Não ter medo do máximo e caber no mínimo: isso é divino”.

Advento quer abrir uma brecha naquilo que já conhecemos e sabemos para preparar-nos para receber a força incomparável de uma alegria que quer alcançar nossas vidas.

Esperar nos faz assumir a atitude de sentinelas que, numa posição elevada, é capaz de ler a realidade, vislumbrar o novo e assumir atitudes coerentes.

É de dentro das circunstâncias que atravessamos que Deus não cessa de nos buscar e de nos surpreender. 


2 – O que o texto diz para mim?
O convite de Jesus a viver vigilante é um chamado a refazer a minha leitura dos acontecimentos, a aprender a lê-los a partir do amor que quer abrir passagem em mim.

Às vezes espero sem saber muito bem o quê ou quem espero, como os dois personagens do filme “Esperando Godot”, que nunca souberam a quem esperavam, nem por que esperavam, nem se, efetivamente, chegaria o esperado Godot.

Outras vezes, a espera se vê realizada, mas o resultado da mesma é tão pífio, tão frustrante, que os “esperantes” terminam por pensar se valeu a pena tanta mobilização. Existem também esperas doentias, que provocam ansiedade, medo e que paralisa; espera centrada em si mesma.

Não estou simplesmente “esperando Godot” para entreter o tempo e a vida. A espera não se reduz à espera mesma: ela tem conteúdo. O Salvador não cessou de vir; vem diariamente a meu mundo (família, trabalho, relações, descanso...), vem para dar à minha vida a profundidade e largura de seu amor, para que a Criação inteira recupere a beleza, a harmonia e a liberdade que desfrutava quando saiu das mãos do Criador. 


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Advento despertar para se fazer presente Àquele que está sempre presente. 

Esperar é “estar acordada”, no sentido de estar atenta e também no sentido musical de “estar afinada”, sintonizada com a Presença que se “desvela” sempre inesperada, surpreendente e provocativa. 

Como ser humana, fui feita para esperar: esperar um filho, esperar um trabalho, esperar o resultado de um exame médico, esperar que as coisas melhorem, esperar que saia o sol… Trata-se de uma sucessão interminável de esperas, algumas vezes infrutíferas, indesejadas e angustiosas, outras vezes surpreendentes, plenificantes… 

A maneira de me situar na vida muda quando ansiosamente espero Alguém: meu coração se dilata e a vida se torna mais leve. Aquele que esteve, está e estará sempre presente, não vem para complicar minha vida. 

O “que” ou “quem” espero? 

Se não sei o que espero, a vida perde sabor e sentido; quem não espera, não busca, não amadurece. No supermercado da vida há muitas ofertas que pretendem preencher o vazio da espera, mas não tem consistência, não me sacia não me preenche, e não me indica um horizonte de sentido. 

O maior inimigo da espera é a dispersão, ou seja, apego ao imediato e à rotina da vida: “comer, beber, casar... como nos tempos de Noé”, Viver em tempos de dispersão, cativados pela mídia, pelas ofertas alucinantes... Isso corrói a minha interioridade, minha visão se atrofia e o horizonte fica obscurecido. 

A espera vigilante implica ampliar o olhar para além dos meus pequenos interesses.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Em cada ano, no tempo do Advento, a liturgia da Igreja me mobiliza a esperar. Nem sempre caio na conta que tenho a Quem esperar. Então, me disperso “esperando algo”, vivendo a lenta e inevitável fila das esperas.

Esperar, para quê? a quem? de onde nasce a necessidade de esperar?

Senhor, vivo em um tempo carregado de “pressas” que me mantém tensa; quero resultados imediatos e me angustio na impaciência. 

Mas a vida cristã precisa de muito Advento, muita espera e paciência. No interior de minhas entranhas brota uma voz serena: “Dá prá esperar?”

Só quem é movido a “sentir o tempo” de modo novo pode habitá-lo com intensidade em todas as etapas da vida. 

Cada momento esconde sua pérola e é muito instigante poder descobri-la.

A vida cristã é uma vida de espera, mas se trata de uma espera carregada de esperança. 

Esperar é uma forma de viver, um hábito de vida. Eu sou o que espero. 

“Só quem espera pode ver”.


5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Esperar, me faz criativa, intuitiva, sonhadora... 

Esperar, me faz sair de mim mesma, abrir-me à realidade que me cerca e crescer em comunhão com tantos que me esperam. 

Esperar, me descentra.

“Diga-me o que você espera e vou lhe dizer quem você é”. 

A espera revela minha identidade, aponta para onde está meu coração.

Para dar lugar Àquele que vem sem cessar, é preciso alargar espaço em minha vida, expandir meu coração, aliviar minhas agendas e realizar gestos de serviço que me faz crescer em comunhão.

A espera de Alguém desperta minha sensibilidade para perceber que Aquele que espero já está presente; eu é que estou cega e surda aos sinais e vozes de sua presença. 



Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Mt 24,37-44
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne     


Sugestão:
Música: Oh! Vem, Senhor – fx 03 (02:34)
Autor e Intérprete: Zé Vicente
CD: Festa dos pequenos
Gravadora:  Paulinas Comep






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