quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Leitura Orante – Assunção de Nossa Senhora, domingo 21 de agosto de 2016

Leitura Orante –  Assunção de Nossa Senhora, domingo  21 de agosto de 2016

MARIA, PRESENÇA MISERICORDIOSA

Texto Bíblico: Lc 1,39-56 / Jo 2,1-12


1 – O que diz o texto?
No seu cântico o “Magnificat”, por duas vezes Maria, a profetisa, exalta a misericórdia de Deus; movida pelo Espírito, ela louva o Pai misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia”.

Maria é a intercessora incansável do povo de Deus; ela não deixa de apresentar as necessidades dos fiéis ao seu Filho. As “Bodas de Caná”, por exemplo, é uma concreta evidência de sua presença misericordiosa. Ela se compadece da situação dos noivos e pede ao seu Filho realizar o primeiro “sinal”.  

Sua presença misericordiosa revela um gesto profético de solidariedade e de anúncio: presença que aponta para uma outra presença, a de seu Filho, a misericórdia visível. Sua presença dignifica e revela um novo sentido à presença de Jesus numa festa de Casamento.

Trata-se de uma presença que é “música calada” nos lugares cotidianos e escondidos, que sabe enternecer-se e escutar as inquietações que procedem desses lugares. Uma presença que descobre o próximo no próximo, que sabe resgatar a solidariedade na vida cotidiana. Uma presença que se manifesta na ausência de recompensa ou de interesse próprio. 

Em definitiva, Maria descobre que é chamada a dar de graça o que de graça recebeu. Sabe entrar em sintonia com os sentimentos dos outros e construir vida festiva, e vida em abundância.

Existe uma relação muito profunda entre Maria, Mãe de Jesus, o mistério da Misericórdia divina e a prática da misericórdia. Desde sua concepção, Maria foi envolvida na infinita misericórdia de Deus Pai, pelo Filho e no Espírito Santo. Ela nos foi dada como Mãe, por seu filho Jesus, a própria misericórdia, e ela nos ama também de modo misericordioso, especialmente os pecadores e sofredores.


2 – O que o texto diz para mim?
A misericórdia que Maria proclama no Magnificat foi vivida em todos os momentos de sua vida: desde o seu sim na Anunciação, até o momento em que acompanhou os discípulos de seu Filho nos inícios da Igreja. E continua fazendo-se presente até o fim dos tempos.

Uma característica que particularmente toca o meu interior, dada a minha condição humana frágil e necessitada do auxílio de Deus, é a Misericórdia, que em Maria ecoa com muita intensidade, como a força de uma cascata, que penetra até os corações mais duros. Maria é, como rezo, a Mãe da misericórdia. Mas para entender como toda a vida de Maria proclama a misericórdia, devo primeiro penetrar no coração do Pai, rico em misericórdia, pois Maria é como a lua que reflete os raios do sol de justiça, que segundo a tradição da Sagrada Escritura é o próprio Deus.

O Papa João Paulo II destacou na sua Encíclica “Dives in misericórdia” que Maria é a “pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” (n. 9). 

Maria é a mãe que gerou a misericórdia divina na Encarnação, graça extraordinária que a coloca numa relação intima com Deus, o “Pai das misericórdias” (2Cor 1,3). Ao responder ao anjo “Eis-me aqui” e  “Faça-se”, a Misericórdia divina se “faz carne” e entra na minha história.

Maria é a mulher que experimentou de modo único a Misericórdia de Deus, que a envolveu de modo particular desde a sua Imaculada Conceição, passando pela Anunciação, como discípula fiel do seu Filho, até o grande momento da Páscoa d’Ele (paixão, morte, ressurreição, glorificação e Pentecostes). Ela é “kecharitoméne”, “cheia de graça”, ou seja, totalmente transformada pela benevolência divina (cf. Ef 1,6).


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Em Caná, a novidade está numa nova forma de presença de Maria, que não se encontra interessada, em princípio, por “fazer coisas”, por resolver problemas, senão para traçar uma presença. Ela está aí  para escutar e compartilhar um momento festivo; ela se encontra presente, num gesto de solidariedade que transcende e supera toda atividade.

Porque estava presente a Deus, Maria fez-se presente nos momentos decisivos de seu Filho, bem como fez-se presente na vida das pessoas. Uma presença que faz a diferença: presença solidária, marcada pela atenção, prontidão e sensibilidade, próprias de uma mãe.

Sua presença era comprometida; presença expansiva que mobilizou os outros, assim como mobilizou seu Filho a antecipar sua “hora”.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, evidentemente, nem toda presença é “saída de si”; uma pessoa pode passar pelos lugares sem que os lugares deixem pegadas; ela pode tocar a superfície das coisas e das vidas, mas esse contato deixa pouca memória e que logo desaparece. Com isso não há encontro nem aprendizagem. 

Quando a pessoa se faz presença misericordiosa que desemboca no verdadeiro encontro, ela se expõe, se faz vulnerável, se deixa afetar... Mas essa é a oportunidade para transformar os olhares e os  gestos de quem se atreve a sair dos horizontes estreitos e conhecidos. 

São muitos os encontros que são fecundos para quem se faz presente e para quem acolhe esta presença. 

São muitas as pessoas cujas vidas ganham em seriedade, em profundidade, em compaixão e em alegria autêntica ao fazer esse caminho de saída de si. 

São muitas as pessoas que, em contato com vidas e histórias diferentes e reais, compreendem melhor suas próprias vidas e sua responsabilidade. 

Ó Maria, Mãe que experimentastes e gerastes a Misericórdia, Mãe que proclamais e exerceis a misericórdia, fazei de mim autêntica apóstola deste mesmo mistério de amor onde me encontro neste momento. Amém.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A presença misericordiosa, silenciosa, original e mobilizadora de Maria desvela e ativa também em mim uma presença inspiradora, ou seja, descentrar-me para estar sintonizada com a realidade e suas carências. 

Tal atitude misericordiosa me mobiliza a encontrar outras vidas, outras histórias, outras situações.

Escutar relatos que trazem luz para minha própria vida.

Escutar de tal maneira que aquilo que ouço penetre na minha própria vida.

Ver a partir de um horizonte mais amplo, que ajuda a relativizar meus problemas e a compreender um pouco mais o valor daquilo que acontece ao meu redor.

Acolher na própria vida outras vidas; histórias  que afetam minhas entranhas e permanecem na memória e no coração.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 1,39-56 / Jo 2,1-12
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Mensagem: Porque te amo Maria – fx 07 (6:18)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Padre Zezinho, scj
CD: Benção da luz – Pe. Zezinho, scj
Gravadora: Paulinas Comep


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