terça-feira, 9 de agosto de 2016

Leitura Orante – 20º domingo do tempo comum, 14 de agosto de 2016


Leitura Orante –  20º domingo do tempo comum, 14 de agosto de 2016

CONFLITOS: seguimento posto à prova

“Pensais que vim trazer a paz na terra?” (Lc 12,51)


Texto Bíblico: Lc 12,49-53


1 – O que diz o texto?
O Evangelho nos lembra a morte da semente e a mulher grávida que aguardava sua hora, terminando por contribuir com vida nova para o mundo.

Jesus disse a verdade e desmascarou o poder em todas as suas formas: religioso, político, intelectual.

Jesus tornou-se um sinal de contradição porque permaneceu absolutamente fiel a uma mensagem, a um modo de agir e a uma missão que havia recebido do Pai e que devia realizar com critérios e opções coerentes com o conteúdo do seu Evangelho.

Jesus não só sofreu a perseguição e os conflitos, mas também nos apresenta as consequências do seu seguimento. Quem vive radicalmente o Evangelho, vai ser rejeitado, perseguido...

O conflito faz parte da vida do(a) seguidor(a) de Jesus; ele(ela) vive em meio a uma realidade que resiste à novidade e à transformação de vida exigida pelo Reino.


2 – O que o texto diz para mim?
A vida e a mensagem de Jesus revelaram uma novidade de tal magnitude que gerou uma radical conflitividade com as instituições sociais e religiosas de seu tempo. 

De fato, com a presença desconcertante de Jesus, chega até nos dias de hoje a “Boa-Nova”, não precisamente para pôr remendos à lei, ao culto e aos ritos, mas para revelar a possibilidade de uma nova maneira de viver, uma nova atitude frente àqueles que a religião excluía: pecadores, pobres e marginalizados.

Jesus não buscou o conflito (já que trazia uma mensagem de misericórdia e fraternidade) mas conheceu uma das experiências conflitivas mais dramáticas da história humana. Do começo ao fim, a crise e o conflito estiveram presentes em sua vida e em sua missão.

Tudo o que Ele fazia – suas atitudes, seus gestos, suas palavras – revelava uma nova visão das coisas, um novo ponto de partida, um novo movimento, um novo projeto. 

Sua presença, inspiradora e provocativa, colocava em questão e desmontava toda uma estrutura social e religiosa que desumanizava.

Em meio aos conflitos, também as comunidades cristãs podem crescer em amor fraterno. É o momento de descobrir que não é possível seguir a Jesus e colaborar com Ele no projeto humanizador do Pai sem trabalhar por uma sociedade mais justa e fraterna, mais solidária e responsável.

O conflito é um “ensaio da esperança”, uma certeza de que o Espírito “renova todas as coisas” sobre a face da terra.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Falar em conflito na missão de Jesus é o mesmo que falar da fidelidade de Jesus. O que tem valor em sua vida é seu amor fiel, e não os conflitos em si mesmos; o que é conflitivo é sempre ambíguo; o que lhe dá sentido é a causa justa que o provoca e a fidelidade a essa causa que gera um ambiente de tensão. 

Esse é o sentido da bem-aventurança dos perseguidos por causa da justiça do Reino.

Não há só conflitos puramente “exteriores” (perseguições, acusações, oposições...), por causa do Evangelho. Todo conflito sempre apresenta uma dimensão interior, mostra-se como uma crise do espírito. Conflito e crise andam juntos. 

A Cruz vai ser o sinal e a síntese da dimensão conflitiva de Jesus e de sua missão. 

Por ter vivido como viveu, não podia terminar de outra maneira. A dimensão conflitiva da fidelidade de Jesus à missão é o resultado inevitável do embate entre sua missão, que anuncia a justiça do Reino e as bem-aventuranças, e a realidade que não quer ouvir e rejeita a novidade do Reino. Sua existência não foi “neutra” no sentido de uma vida que passa sem ser percebida.

Os conflitos revelam o movimento da vida. A realidade é dinâmica, move-se, evolui. O absurdo de querer fixá-la em esquemas teóricos e modos ultrapassados de comportamento, fatalmente conduz ao confronto de forças, de ideias, de visões diferentes...


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a crise é um período de insegurança, que convoca a uma nova síntese de valores e a uma vivência evangélica dos mesmos. O conflito gera a crise porque obriga a repensar, a aprofundar, arrancando-me da aparente estabilidade e do conformismo.

Nesse sentido, o conflito e a crise são um apelo a uma progressiva conversão. São um convite a um aprofundamento da totalidade do compromisso cristão e a um crescimento em todos os valores que o conflito pôs em crise. Pode-se afirmar que não há seguimento cristão, nem aprofundamento de uma maturidade adulta que não passem pelas crises do conflito.

O conflito leva à maturidade e pressupõe a maturidade para ser assumido e superado.

O conflito não foi uma surpresa para Jesus, nem uma espécie de fatalidade à qual se encaminhou sem saber por quê. O conflito foi algo que adquiriu densidade cada vez maior em sua consciência, primeiro como uma possibilidade, depois como uma exigência de sua fidelidade ao Projeto do Pai em favor da vida do ser humano.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
O conflito pode converter-se em fonte de crescimento quando uma pessoa ou uma comunidade cristã deixa de negá-lo ou evitá-lo, mas quando aprende a manejá-lo com atitudes de integração, discernimento e compreensão. 

O conflito aprofunda e purifica a existência; aprende-se a discernir entre o essencial e o acidental e a despojar-se do inútil ou supérfluo para ficar com o que é mais importante.

O conflito se converte numa experiência positiva quando me motiva a desenvolver novas destrezas, me anima a buscar meios para manejar problemas, estimula meu interesse pela comunidade e me aproxima dos outros, me leva a esclarecer meus pontos de vista e a reexaminar minhas posturas...

Os conflitos demandam meus maiores recursos criativos. 

Os conflitos abrem a possibilidade de intuir novas potencialidades ou pôr em jogo recursos que, até o momento da crise, talvez não tivesse necessidade de ativá-los. Por isso, os conflitos obrigam geralmente a uma tomada de decisão inadiável.

Tendo por referência inspiradora a pessoa de Jesus e o modo de agir das primeiras comunidades cristãs, eu, seguidora de Jesus, sou convidada a  enfrentar com seriedade o sentido cristão dos conflitos pelos quais atravesso. Deus também se revela no conflito; nos conflitos há uma manifestação do Espírito.

De uma forma por si mesma desconcertante e misteriosa, o conflito constitui um chamado do Senhor, uma graça para seguir Jesus perseguido, com uma opção mais madura e com motivações mais purificadas, segundo o Evangelho.

Tanto no processo pessoal do seguimento de Jesus como na configuração de uma comunidade cristã, os momentos de conflitos são inevitáveis; nesses momentos densos, de encruzilhada e de resistência, abre-se a possibilidade de descobrir um renovado sentido de unidade e consistência, que permite ao sujeito (pessoal ou comunitário) sentir-se a si mesmo no meio de constantes tensões.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 12,49-53
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Novos céus e nova terra – fx1 (6:22) - Para Celebrações da luta e da esperança
Autor: Pe. Ney Brasil
Intérprete: Luiz Felipe
Coro: Emmanuel , Luiz Felipe , Maria Diniz , Andreia Zanardi
CD: Novos céus e nova terra
Gravadora:  Paulinas Comep


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