quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Leitura Orante – 19º domingo do tempo comum, 07 de agosto de 2016

Leitura Orante –  19º domingo do tempo comum, 07 de agosto de 2016

UM CORAÇÃO EM DESEJO  

“Tende cingida a cintura, e acesas as lâmpadas.” (Lc 12,35)

Texto Bíblico: Lc 12, 32-48

1 – O que diz o texto?
As insistentes recomendações que recebemos, ao iniciar uma viagem aérea, contém um tom de advertência séria: somos informados que vamos passar por um momento de certa gravidade e nos recordam que a decolagem e a aterrissagem são momentos de risco e de instabilidade; por isso é preciso preparar-se e dispor-se. O aviso “afivelem seus cintos de segurança” corresponde ao imperativo “tende cingida a cintura e as lâmpadas acesas”, proferido por Jesus no Evangelho deste domingo. Tal apelo equivale a mobilizar-nos para realizar um trabalho, uma viagem, uma missão... 

Nos Evangelhos, encontramos diversas exortações, parábolas e chamados que só tem um objetivo: manter viva a responsabilidade do seguidor de Jesus. Uma das advertências mais conhecidas é a que encontramos no Evangelho deste domingo: “Tende cingida a cintura, e acesas as lâmpadas”.

As duas imagens são muito expressivas. Indicam a atitude que os empregados devem ter quando, à noite, estão esperando que regresse seu senhor para abrir-lhe a porta da casa quando ele os chamar. Devem estar com a “cintura cingida”, ou seja, com a túnica presa à cintura para poder mover-se e atuar com agilidade; devem estar com as “lâmpadas acesas” para ter a casa iluminada e manter-se despertos.


2 – O que o texto diz para mim?
“Ajustar o cinto” e “cingir-se”.

De imediato, consiste na decisão de assumir a frágil existência, habitá-la com sentido e começar a acolher as mudanças que a passagem do tempo vai introduzir nela. Gosto ou não, estou diante de uma etapa diferente das anteriores, na qual, junto a evidentes perdas, apresentam-se novas oportunidades. E me disponho também a assumi-la a partir de uma atitude de radical confiança em Deus, seguros de Sua presença e Sua companhia, em todo e qualquer tempo.

As palavras de Jesus são também hoje um chamado a viver com lucidez e responsabilidade, sem cair na passividade ou na letargia. Vivo tempos densos, carregados de presença e que pedem de mim uma prontidão. Tempo para tomar consciência dos medos, receios e resistências despertados pela “travessia” da vida; tempo para tirar de dentro de mim aquelas amarras que impedem o fluir da vida.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Não é a hora de apagar as luzes e ir dormir. É a hora de reagir, despertar minha fé e seguir caminhando para o futuro, projetando e promovendo caminhos novos de fidelidade ao projeto de Jesus. 

As palavras de Jesus são palavras de sabedoria que me convidam, a despertar para a Realidade que sou. 

Despertar é uma das palavras básicas de todas as tradições de sabedoria. Todas elas me alertam de que facilmente me mergulho no sono da ignorância, crendo ser o que não sou e desconectada do que realmente sou; e esta é a fonte de muitos sofrimentos.

A esperança é como uma “memória do futuro”; tem caráter profético.  E, enquanto o anuncia, de certa forma, o prepara. Precisamente por viver tempos difíceis, preciso mais do que nunca da pequena e teimosa esperança.

Pois “a esperança é uma filhinha que todas as manhãs acorda, lava-se e faz a sua oração com um rosto novo” (Péguy).

A esperança é a disponibilidade de alguém engajado numa experiência de comunhão, que oferece o penhor e as primícias do que se espera.

Nesta esperança me alegro, mesmo nas horas mais difíceis e escuras da minha vida. Esta é a esperança que desejo viver comunicar ao mundo; é a esperança que dá calor e sentido às minhas esperas.

A dinâmica da Espera inclui a surpresa. Esta certeza constitui o centro da experiência de fé. Por isso, a espera é sempre agradecida e confiada, uma autêntica sede de Deus. Brota uma certeza: o Esperado, quando chega, ultrapassa sempre o que se espera.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, é inútil se esquivar da passagem do tempo e suas consequências, não escutar seus avisos e dissimular seus efeitos. Facilmente enterro minha cabeça na areia, evitando tomar consciência daquilo que pede de mim uma atitude, colocar-me de pé e sair ao seu encontro bem cingida.

O tempo exige decisão, pois o tempo é sempre novo e me abre a novas possibilidades. Sou “ser de travessia” mas a tentação a permanecer na “margem conhecida” é contínua.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A vida da seguidora de Jesus é um contínuo estar em alerta.

Estar sempre atenta.

Estar sempre em espera.

Estar sempre disposta. 

Viver com os olhos abertos às vindas surpresas de Deus.

Estar com os ouvidos atentos para escutar seus passos.

Viver sempre em prontidão para abrir a porta de meu coração.

A espera, quando é carregada de amor e presença, faz crescer e conhecer regiões do coração até então desconhecidas e inexploradas.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 12, 32-48
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Te deixas encontrar – fx 08 (4:28)
Autor: Maryhellen
Intérprete: Rosana de Padua 
CD: Vida Reluz – Deus é capaz
Gravadora:  Paulinas Comep




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