quarta-feira, 20 de julho de 2016

Leitura Orante – 17º domingo do tempo comum, 24 de julho de 2016


Leitura Orante –  17º domingo do tempo comum, 24 de julho de 2016

PAI-NOSSO: a grande “petição” que nos descentra

“Pedi e vos será dado; buscai e encontrareis; batei e vos será aberto” (Lc 11,9)


Texto Bíblico: Lc 11,5-13

1 – O que diz o texto?
Na expressão “pedi e recebereis”, Jesus procura despertar, naquele que ora, a confiança no Pai.

Isso é o que nos ensina, também, a parábola do amigo inoportuno no evangelho de hoje; o que esta parábola recomenda não é tanto a perseverança na petição, mas a perseverança na confiança; não nos diz que Deus se colocará ao nosso lado pela insistência com que o pedimos, mas que Deus sempre está de nosso lado, querendo dar-nos tudo o que de verdade necessitamos.

Ao entrarmos no fluxo do Amor providente do Pai, a oração de petição dilata o nosso coração para receber aquilo que pedimos. É uma mudança no coração de quem reza. O sentido da petição não está, pois, no pedir, mas nas atitudes fundamentais da pessoa que pede. O que tem sentido não é a petição em si, mas a humilde gratidão, a acolhida agradecida, a confiança incondicional.

O Pai Nosso é a única oração que Jesus nos ensinou e resume de maneira simples sua mensagem, sua intenção e sua missão. Nela, Jesus expressa intimidade com o Pai e seu compromisso com os outros, especialmente os mais pobres e sofredores. Se rezado com atenção e profundidade o Pai Nosso é também, para nós, um itinerário de expansão de nós mesmos, uma proposta de descentramento.

Apesar de Deus ter muitos nomes nas diversas religiões, a deslumbrante oração ensinada por Jesus só aponta um nome: Pai. “Pai” é um nome que qualquer ser humano compreende, um nome que não fere nenhuma cultura e não fomenta qualquer sectarismo.
Por isso, tudo o que a oração do Pai-Nosso pede é universal (pai, pão, perdão), sendo, ao mesmo tempo, muito judaico, muito cristão, ou seja, muito humano.


2 – O que o texto diz para mim?
O Pai-nosso é uma oração universal porque ela é dirigida a todo ser humano, de qualquer raça, cultura, religião, mas em especial àqueles que tem coragem para se esvaziar de si mesmos e se tornar eternos aprendizes, àqueles que procuram a serenidade e a mansidão, àqueles que tem sede e fome de justiça, àqueles que querem construir uma nova sociedade.

Isso é ser cristão: na intimidade com Deus, poder dizer “Pai” (ou “Mãe”). Saber que estou envolvida pelas mãos providentes e cuidadosas do Pai, que sou presença de Deus no mundo (que Ele vive e se expressa em mim), essa é a essência da oração cristã. Nada mais, só isso: “Abba”, Pai/Mãe, proclamado e vivido... para assim crescer e ser humana a partir de Deus.

Como todo judeu, Jesus orava com frequência em forma de súplica e petição. E o Pai-Nosso é uma grande petição. Nela manifesto minha atitude filial: reconhecer a Deus o direito de ser Pai.

O ser humano recorre a Deus como pobre, limitado, extraviado... A oração de petição é uma atitude do pobre que tudo agradece e tem consciência de esperar tudo de Deus.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A petição como atitude, me desarma de minha auto referência e me faz sair de mim mesma numa dupla direção: ao Pai e aos outros. Ela tem um sentido muito nobre porque com isso confesso a minha indigência diante de Deus, manifesto a minha confiança e reconheço a Sua grandeza, o Seu Santo Nome e o Seu amor para comigo.

Na oração de petição: aquele que ora, continua a orar, até se tornar ele mesmo, ouvinte do que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas. A petição o arranca do individualismo e o situa no horizonte do outro.

Ao mesmo tempo, minha vida se abre para as necessidades de todos, tornando-me porta-voz dos mais carentes. Nesse sentido, a petição arranca de meu egocentrismo, expandindo-me e fazendo-me participar do mesmo fluxo do amor e do cuidado do Deus Pai/Mãe que tudo sustenta e ampara.

  
4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, as diferentes petições dirigem a minha atenção no sentido de orientar a minha vida e as minhas necessidades a partir de Deus. O polo de atenção passa da minha necessidade para a bondade de Deus.

Tanto em sua forma reduzida (Lucas) como em sua forma mais extensa (Mateus), a oração do Pai-Nosso não faz referencia a nenhum dogma especificamente cristão: nem Trindade, nem Jesus como Filho de Deus, nem Espírito Santo, nem Igreja, nem Eucaristia, nem sacramento... Também não contém nenhuma referência que seja exclusivamente judaica (nome de Javé, patriarcas, Moisés, Lei, Templo, cidade sagrada de Jerusalém, expiação ritual, tradições nacionais, alimentos puros, purificações, festas...).

Jesus orou como um judeu e assim me ensinou a orar. Mas, ao mesmo tempo, o Pai-Nosso é uma oração universal, pois pode ser assumida por todos aqueles que creem em Deus e se atrevem a invocá-lo com a expressão “Pai”, pedindo-lhe que seu Nome seja santificado, que venha seu Reino, que o pão seja partilhado, que o perdão seja um estilo de vida.

A oração do Pai-Nosso, portanto, resgata-me da acomodação e me dá um choque de lucidez. Ela oxigena a minha mente e implode meu conformismo; é instigadora e provocativa, uma fonte inspiradora que me liberta da rotina “normótica” (vida sem criatividade e sem inspiração).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Na petição, expresso a Deus, com simplicidade e confiança, todas as minhas carências, meu ser radicalmente necessitado.

Expresso diante de Deus meu limite e minha impotência.

Manifesto a Ele minha confiança plena, baseada justamente no contraste entre minha mesquinhez e o surpreendente “muito mais” da bondade e do amor de Deus, pois Ele está, a todo momento, comunicando-me tudo, agindo sempre em meu favor e para meu bem. Tudo procede das suas mãos providentes e cuidadosas.

Colocar-me em sintonia com Deus, e assim entender o que é melhor para o verdadeiro bem de todos.

Orar e saber ouvir o que Deus quer de mim.

Orar e entrar em sintonia com a Vontade do Pai.

A oração de petição me revela se realmente creio. Nela confesso que dependo de Deus.

A oração bem feita é a pedra de toque de minha e de minha humildade. Aqui o que se destaca é a certeza de que Deus me escuta.

Quando rezo encontro a força para fazer o que ia pedir a Deus. Esse é o autêntico sentido da oração de petição.

Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 11,5-13
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Orar costuma fazer bem – fx 5 (3:13)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
Coro: Dalva, Karla, Sueli, Vanessa, Luan
CD: Canções em fé maior
Gravadora:  Paulinas Comep
  
Sugestão:
Música: Pai Nosso – fx 2 (3:15)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérpretes: Andreia, Dalva, Karla, Vanessa e Luan
CD: Iguais – Cantores de Deus
Gravadora:  Paulinas Comep


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