quarta-feira, 13 de julho de 2016

Leitura Orante – 16º domingo do tempo comum, 17 de julho de 2016



Leitura Orante –  16º domingo do tempo comum, 17 de julho de 2016

HOSPITALIDADE: 

Espaço de coração dilatado, gratuidade e contemplativo.

“Jesus entrou num povoado, e uma mulher, 
chamada  Marta, deu-lhe hospedagem” (Lc 10,38)

                                                                           
Texto Bíblico: Lc 10,38-42


1 – O que diz o texto?
A hospitalidade envolve a escuta respeitosa daquilo que o outro tem a dizer, em uma abertura humilde do coração e da mente para compreender as diferenças e novidades que o outro nos traz. Aqui revela-se a diferença entre a hospitalidade de Marta e a de Maria, no evangelho deste domingo. 

Marta é a eficácia do amor serviçal e hospitaleiro a um amigo muito querido que foi acolhido com todo carinho na casa familiar. 

Maria é a gratuidade que escuta absorta a novidade que Jesus traz. 

Marta deve escutar o que diz Jesus e compreenderá que sua vida não fica limitada à tarefa de atender bem a familiares e amigos entre as quatro paredes da vida doméstica, senão que deve abrir-se para cuidar e servir o Reino de Deus que chega por todas as partes.

Maria não só deve estar atenta às palavras de Jesus, mas ao que dizem milhões de pessoas no mundo, suas solidões e suas alegrias, para que a novidade de Deus que se gesta em suas vidas encontre um rosto de lar onde possa ser acolhida e nascer na história.

Se existe uma atitude de vida que pede o resgate de sua profundidade e seu poder evocativo original é a da “hospitalidade”. É um dos termos bíblicos mais ricos, que nos ajuda a aprofundar e aumentar a compreensão sobre a relação com nossos semelhantes.



2 – O que o texto diz para mim?
A diaconia (serviço) da hospitalidade é um movimento que vem de dentro da pessoa e se estende no vaivém das relações humanas mais distantes e mais próximas. É abertura e disponibilidade àquele que interpela as minhas convicções, meu modo rotineiro e estreito de viver.

Em contexto de hospitalidade, anfitrião e hóspede podem revelar suas riquezas mais preciosas e trazer vida nova um ao outro. Só quem tem coração dilatado vive a hospitalidade como surpresa provocativa.

A hospitalidade é antes de mais nada uma disposição da alma, aberta e irrestrita. Acolher o outro significa multiplicar a alegria do encontro, da novidade e da partilha, não só do pão mas da vida.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A hospitalidade é uma “experiência existencial”, situa-se no nível do ser. É uma acolhida gratuita. Aquele que é acolhido tem direitos, mas também tem deveres e aquele que acolhe está disposto a mudar sua rotina, e ambos estão disponíveis a renovar, a redefinir sua identidade: “Antes de representar um problema para a minha identidade, ele (o hóspede) é estímulo para uma convivência sempre a reescrever, atualizar, enriquecer...” (Dal Corso, Marco). 

Essa é a minha vocação: converter o “hostis” em “hospes”, o diferente em convidado, o estranho em amigo, e criar o espaço livre e sem medo, no qual a fraternidade pode ser experimentada em plenitude.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, meu coração pode querer ajudar os outros e mostrar simpatia para com os pobres, solitários, rejeitados, minoritários...: no entanto, eu me protejo com um muro de medo e de sentimentos hostis, evitando instintivamente pessoas e lugares que possam me lembrar de minhas boas intenções.

Em um mundo tão competitivo, mesmo pessoas próximas, como colegas de classe, de equipe, de trabalho, todos podem ficar infectados pelo medo e pela hostilidade quando sentem o outro como uma ameaça à sua segurança pessoal. 

O paradoxo da hospitalidade é que ela deseja criar o “vazio”, um vazio amistoso no qual os estranhos podem entrar e descobrir a si mesmos livres como foram criados; livres para cantar suas canções, para falar suas línguas, para dançar suas danças; livres para expressar seus sentimentos e para seguir suas decisões. E isso não só no espaço físico da casa, mas nesse imenso continente das redes sociais, nos diferentes grupos de interesse, nos relacionamentos...

O verdadeiro hospitaleiro oferece o espaço, onde pode ouvir sua voz interior e descobrir sua maneira pessoal de ser humano. A verdadeira hospitalidade é inclusiva e dá espaço para uma grande variedade de experiências humanas.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Como comunidade seguidora de Jesus sou chamada a oferecer espaço aberto, hospitaleiro, onde os estranhos possam libertar-se de sua estranheza e transformar-se em minhas companheiras.

Ser Marta e Maria, o serviço eficaz e a gratuita contemplação de Jesus, irmanados em um modo original de viver a hospitalidade, onde o serviço pequeno e gratuito, a proximidade de portas abertas, o viver a cotidianidade como dom se constituem como a identidade cristã.

Hospitalidade: oferecer a quem chega um espaço no qual a mudança pode acontecer. 

Hospitalidade: oferecer uma liberdade sem as amarras de linhas divisórias. 

Hospitalidade: a dádiva de uma chance para que o hóspede descubra o seu próprio estilo.

Hospitalidade: abrir uma oportunidade para que os outros encontrem sua fé e seu caminho.

Continuamente me deparo com um Deus que chega gratuito e  imprevisível em minha vida, suplicando hospitalidade. Quando Ele é acolhido,  minha cotidianidade se converte em milagre.



Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 10,38-42
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       



Sugestão:
Música: Uma luz em cada coração – fx06 (3:18)
Autor: Dom Betto, Lula, Tivas, Emmanuel Santos
Intérpretes: Emmanuel, Paulinho Campos, Ricardo Moreno, Yara Negrete, Claudia Ferrete, Vera Veríssimo.
Coro Infantil: Paz-Saredo
Regente: Regina C. Oliveira
CD: Emmanuel – Um canto de paz 
Gravadora:  Paulinas Comep

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