quarta-feira, 6 de julho de 2016

Leitura Orante – 15º domingo do tempo comum, 10 de julho de 2016


Leitura Orante –  15º domingo do tempo comum, 10 de julho de 2016

A MISERICÓRDIA DESPERTA O “SAMARITANO” EM NOSSO INTERIOR

“A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho... “ (Papa Francisco – Misericordiae Vultus)
                                                                                                                                                          
Texto Bíblico: Lc 10,25-37

1 – O que diz o texto?
Em pouco mais de uma linha, o evangelista Lucas, na parábola do Bom Samaritano, ajunta uma infinidade de ações: o samaritano se compadece, se aproxima, enfaixa suas feridas, coloca-o em seu próprio animal, o conduz à hospedaria e o cuida. 

Diante da presença do homem semi-morto, o sacerdote e o levita dão a volta; o samaritano se aproxima.

Dois itinerários que determinarão não só a sorte da vítima, mas também a dos viajantes. Os dois primeiros, recusando seu auxílio, revelam sua desumanidade, com a desculpa de manter sua pureza religiosa. O samaritano é um exemplo de humanidade, mesmo com o risco de tornar-se “impuro”.

Na parábola, o samaritano se sentiu impactado, se deixou afetar, seu coração se estremeceu..., ao “olhar um corpo estendido no chão”. A partir desse momento, ele “desvia” do seu caminho e se desloca em direção àquele de quem todos se desviavam e “passavam do outro lado”. Gasta do que é seu, dedica tempo, mobiliza toda sua atenção frente ao ferido. Mistura sua vida com a de um necessitado e rompe solidões. Muda seu esquema de vida e se deixa levar pela misericórdia criativa. 

Jesus, o grande samaritano, se aproxima de todos e de cada um de nós para curar as nossas feridas e derramar sobre elas o óleo da sua consolação e o vinho da sua força; Ele se ocupa de nossas fragilidades, nos convida a ir com Ele aos lugares onde a vida está mais em perigo e a confiar na força secreta da compaixão e da esperança teimosa.

Os relatos evangélicos destacam que a atuação de Jesus está sempre inspirada, motivada e impulsionada pela misericórdia para com todo ser humano. É a misericórdia a que explica e define Sua maneira de ser e de atuar. O sofrimento das pessoas comove suas entranhas, penetra até o fundo de seu ser e se converte em seu princípio de ação transformadora.

Esta presença misericordiosa de Jesus está presente, de maneira contundente, na parábola do “bom samaritano”, onde o próprio Jesus “pinta” seu auto-retrato.


2 – O que o texto diz para mim?
O ícone do “bom samaritano” apresenta o próximo “em situação”, o próximo concreto, histórico, que interpela e compromete cada um em escolhas decisivas, em relação às quais se demonstra se é ou não “próximo” do necessitado. O “próximo” não é somente o outro para mim, mas eu para o outro.

O “próximo”, no sentido expresso pela parábola, não pode me deixar indiferente; provoca uma resposta, compromete em uma ternura concreta, oblativa, capaz de risco, para socorrer o ferido.

O samaritano começa a viver novos registros do que são a solidariedade, o amor e a liberdade. Seu coração tocado pela compaixão o anima a modelar a vida em prol dos outros.

Quando acolho a realidade e nenhuma venda me impede ver o sofrimento do outro, a reação imediata é a compaixão. A compaixão samaritana não se reduz a um mero sentimento empático; inclui, além disso, a ação por aliviar o sofrimento do outro e o risco de compartilhar seu destino.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O encontro com este ícone da ternura desperta dentro de mim o samaritano que permanece “adormecido”. Somente a Misericórdia de Deus, que revela seu Rosto no rosto de tanta exclusão, violência e sofrimento, é capaz de despertar o “samaritano” que eu carrego. 

Isso implica em abandonar a estreiteza de meus projetos e deixar o meu coração bater no ritmo dos sofredores e excluídos, vítimas da desumanização de minha sociedade.

O “bom samaritano” é todo aquele que se detém ao lado do sofrimento de outra pessoa, quem quer que seja. É comoção, compaixão, disponibilidade, ajuda concreta. É doação de si mesmo.

A compaixão me coloca ao lado das vítimas e, a partir daí, me ajuda a ler o drama interno da história em termos de injustiça, desigualdade e opressão. A compaixão pergunta pelos desajustes estruturais que estão por detrás de cada desgraça. Nas catástrofes naturais o número de mortos costuma ser inversamente proporcional ao PIB per capita...  


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, é necessário certo “grau de escala Richter de desgraça” para provocar um sismo em meu interior e despertar o “samaritano” ali presente...

Muitas das ações samaritanas me colocam em situações de aperto: aproximar-me até ficar “impura”. 

O compromisso samaritano passa por “manchar-se”, exige tomar partido pelos últimos, arriscar-se a perder subvenções, expor-se a ter o nome na ficha policial. Em suma, ficar “impuro” perante os olhos da “religião oficial” do Estado.

A parábola ainda me faz cair na conta do profundo valor simbólico que se esconde por detrás do simples ato do samaritano de fazer o ferido viajar sobre sua própria cavalgadura. O samaritano conduz o animal para a pousada como um servo conduz seu senhor. A distinção entre aquele que viaja e aquele que conduz o animal é muito forte, ainda hoje, no mundo oriental.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Viver o amor gratuito que brota de uma profunda sintonia com o mistério insondável de Deus Pai-Mãe, fonte de misericórdia; assim como Jesus viveu...

Compadecer-se, aproximar-se, curar, levar, cuidar... tecem a rede de ações que definem a ajuda samaritana, diferenciando-a de propostas meramente retóricas, modelos assistencialistas e ajudas estruturais desencarnadas.

Estar atenta em aliviar o sofrimento humano.

Escutar a voz das vítimas.

Ser samaritano é um estilo de vida.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 10,25-37
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Eis o bom samaritano – fx 5 (3´20”)
Autor: Frei Luiz Turra
Intérpretes: Idalina Miraci, Terezinha Reghellin, Maria do Carmo Diniz, Frei Luiz Turra, Luciano Baldasso e Fabio Cadorin
CD: Cura-me Senhor, e serei curado
Gravadora:  Paulinas Comep



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