quarta-feira, 22 de junho de 2016

Leitura Orante – 13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016


Leitura Orante –  13º domingo do tempo comum, 26 de junho de 2016

Ter os olhos fixos em Jesus

“Aquele que, tendo posto a mão no arado, 
continua olhando para trás não é apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62)


Texto Bíblico: Lc 9,51-62


1 – O que diz o texto?
Há um aspecto no Evangelho de hoje que é preciso ressaltar: precisamos aceitar que o “objeto do olhar” (Jesus e seu chamado) pode melhorar nossa visão. Isso significa que a experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar misericordioso e marcado pela ternura, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz... podem ajudar a purificar nossos olhos e  a melhorar nossa visão.

A própria pedagogia de humanização ampla de Jesus vai beneficiar nossa própria identidade, despertar dinamismos e desejos ocultos em nosso interior, sacudir nossas amarguras e ampliar nosso atrofiado olhar.

Os olhos feridos que não ousam ir mais além; podem vir do interior, bem como do exterior da pessoa. São ferimentos de sua história, de seu passado, das experiências frustrantes que viveu até o momento presente. Muitas pessoas passam grande parte da vida fortemente impactadas por experiências negativas, de desamor, de solidão e desvalorização... 

Por isso, temos a clara convicção de que a objetividade do olhar e a capacidade de fixá-lo em Jesus requer um mínimo de liberdade interior, de ter experimentado o amor em suas múltiplas expressões.

O olhar é o recurso não verbal mais expressivo e sincero que nós, seres humanos, possuímos, porque com um simples olhar podemos transmitir desde o ódio até uma declaração de amor ou de amizade.


2 – O que o texto diz para mim?
O olhar é o reflexo de minha interioridade; ele tem um grande poder porque deixa transparecer o que acontece e o que sinto por dentro.

O corpo humano é um receptor e um transmissor de emoções e a principal mediação para comunicá-las e transmiti-las é através do olhar. A maneira de conhecer melhor uma pessoa, criar laços de empatia é através do olhar. 

Meus olhos refletem meu interior. Eles podem estar em condições favoráveis para contemplar a cena do chamado de Jesus. São olhos sadios. Sadios porque há uma correspondência direta e uma profunda intimidade entre aquele que olha e Aquele que é olhado.

Há pessoas que olham de forma bastante objetiva, transparente. São pessoas internamente mais livres, cujo olhar se deixa impactar pela presença e pela proposta de Jesus. Desse olhar brota o assombro, a admiração e o impulso em assumir o mesmo sonho do Jesus peregrino: a realização do Reino do Pai.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
“Se eu morrer, morre comigo um certo modo de olhar”, disse um poeta. Mas o hábito contamina os olhos e tira seu brilho expressivo. Acostumada a ver as coisas, as pessoas e, de tanto ver, banalizo o olhar, perdendo a capacidade de despertar assombro e encantamento. Vejo e não olho. O que está próximo de mim, o que me é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual vai se estreitando e tudo se torna rotina.

Faz-se necessário, então, despertar a criança que ainda habita em meu interior; ela vê o que o adulto não vê, pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. 

“Um olhar contemplativo percebe sinais de evangelho nos acontecimentos mais simples” (Ir. Roger).


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a saturação de imagens, informações e efeitos especiais, tão característica de minha cultura, está minando, progressiva e sutilmente, a capacidade tanto de apreciar as realidades simples como de perceber a profundidade e o mistério que há nelas. O pior desta situação não é somente a perda da visão contemplativa, mas sobretudo não ter consciência do que acontece ao meu redor.

Seria de grande ajuda conhecer as “enfermidades” mais frequentes de minha visão. Detectá-las e reconhecê-las constituiria um avanço decisivo para eliminar os obstáculos que impedem penetrar no significado do mistério da vida em seu estado mais “puro”.

Mas não basta pousar os olhos sobre a realidade para captar a profundidade e transcendência do que é contemplado. É difícil ver o evidente. Exige uma tarefa prévia de “desvestir” os olhos para olhar de novo e descobrir o que verdadeiramente existe. “Ver é um esforço, e olhar, literalmente, é um milagre” (Luis Rosales).


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ter um olhar límpido.

Ter um olhar transparente.

Configurar o meu olhar ao de Jesus.

Fixar os meus olhos em Jesus.

Sentir, perceber os olhos fixos de Jesus em mim.

Ao “fixar seu olhar” em mim, chamando-me pelo nome, serei movida a fazer opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

“Chamado-resposta” implica, pois,  uma troca comprometedora de olhares. O olhar transparente e livre de Jesus ressuscita o meu olhar tímido e estreito e me capacita a olhar amplos horizontes: seu povo, seu mundo dividido e excluído... Seu olhar me predispõe a encontrar motivações saudáveis e maduras que me permitem olhar e viver no contexto atual plural com amor, com entusiasmo e criatividade.


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 9,51-62
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Minha vocação
Autor e intérprete: Antônio Cardoso
CD: Antonio Cardoso – Quando se vive um grande amor
Gravadora:  Paulinas Comep

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