quinta-feira, 12 de maio de 2016

Leitura Orante – Pentecostes da misericórdia, 15 de maio de 2016


Leitura Orante –  Pentecostes da misericórdia, 15 de maio de 2016

PENTECOSTES DA MISERICÓRDIA

“...soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo.” (Jo 20,22)


Texto Bíblico: Jo 20,19-23


1 – O que diz o texto?
No Evangelho de hoje, o Ressuscitado comunica seu próprio Espírito. A imagem de “soprar sobre eles” contém uma riqueza profunda: significa que Jesus compartilhou com os seus discípulos o que é mais “vital”, sua própria “respiração”, seu desejo profundo, sua criatividade..., fazendo-os partícipes de seu próprio Dinamismo e impulso vital, do mesmo Espírito que O conduziu durante toda sua vida.

O sopro do Ressuscitado sobre os seus discípulos nos remete ao sopro de Deus no Gênesis, sopro que dá a vida ao ser humano. Aqui, o sopro de Cristo significa a Vida nova dada aos discípulos, pelo dom do Espírito Santo, indicando um novo Tempo, uma nova Criação e um novo Mundo. 

Entretanto, uma coisa é essencial para que nasça esse mundo novo: o perdão. “Aqueles a quem perdoardes os pecados, eles lhes estão perdoados. Aqueles a quem retiverdes, estão retidos.” (Jo 20,23). Cabe a nós, portanto, fazer nascer esse mundo novo através de nossa presença misericordiosa, sendo mediação do perdão divino.

O perdão é fundamental para a recriação do mundo, e o Espírito nos dá a possibilidade de dá-lo ao outro e de recebê-lo do outro, a fim de que nasça esse mundo novo desejado pelo Cristo da Páscoa.

“O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração”. (Papa Francisco – Misericordiae Vultus, n.9)



2 – O que o texto diz para mim?
Pentecostes vem me revelar que a Misericórdia é a primeira, a última, a única verdade da Igreja, de todas as suas doutrinas, cânones e ritos. É o critério de juízo de todas as religiões.

Pentecostes da Misericórdia põe em movimento os grandes dinamismos de minha vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada. 

A misericórdia é a luz e a chave de minha vida tão preciosa e frágil, de meu pequeno planeta tão vulnerável, do universo imenso e inter-relacionado e do qual faço parte.

Tal experiência provoca um movimento que rompe fronteiras e barreiras. Assim, o Espírito faz superar o fundamentalismo, a hipocrisia, a apatia e o medo. Não há nada de mágico. O Espírito age de modo silencioso, mas com extraordinária eficácia: a sua força se mostra irresistível. 

Deixar-me conduzir pelo Espírito, que habita o universo e os corações, é deixar-me levar pelo sopro divino.

E o perdão é o primeiro dom do Espírito Santo. Sob o impulso do Espírito de Pentecostes, o perdão prepara o terreno para o novo, para a surpresa, para colocar-me em movimento. 

O Espírito é movimento e entrar no movimento da Misericórdia humaniza e cristifica essencialmente a pessoa, porque a Misericórdia constitui “a estrutura fundamental do humano e do divino”.



3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
O perdão é o mais divino dos atributos divinos, pois só Deus podia inventá-lo. Perdoar é ser semelhante a Deus, pois este modo divino de proceder está ao meu alcance. O perdão é divino em seus efeitos e em seu próprio processo de vida que desencadeia.

Os recursos do verdadeiro perdão são infinitos; eles jamais acabam. O perdão é um estilo de vida, é uma disposição permanente. Na verdade, no nível mais profundo, o perdão não é o que a pessoa faz, é algo que a pessoa é. Por isso é a dimensão que mais me distingue como seguidora de Jesus.

Neste mundo tão agitado e sem direção, preciso urgentemente de um novo Pentecostes. Na realidade o que preciso é abrir-me a esse Fogo e a esse Vento do Espírito que, às vezes, parece estar soprando em vão. É que estou trancada em meu “cenáculo” e não quero abrir as portas para arejar meus ambientes, interno e externo. Pentecostes é isto: abrir-me ao que está aí como possibilidade e surpresa, deixando-me transformar pelo Espírito, sacudindo minhas comodidades e medos.



4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a experiência de Pentecostes implica escancarar as portas de minha interioridade, abrindo passagem para que a Misericórdia divina transite com liberdade pelos recantos escondidos e sombrios, ativando e despertando dinamismos e recursos que ainda não tiveram oportunidade de se expressar. Ao mesmo tempo, tal experiência ilumina, destrava e integra toda a minha história, todas as dimensões de minha vida, arrancando-a de um fatal “ponto morto” e colocando-a num movimento em direção a uma vida expansiva, aberta e acolhedora, em comunhão com o Todo e com todos.

O Deus de Misericórdia não é o Deus das portas fechadas; é o Deus das portas sempre abertas a todos, que, a partir de seu coração misericordioso, sempre está disponível a me receber; é o Deus que nunca está ocupado para me atender, que acolhe a todos, que continuamente me diz a cada dia: “Passai por aqui, a porta está sempre aberta”.



5 – O que a Palavra me leva a viver?
Como seguidora de Jesus, o rosto visível da Misericórdia, sou chamada a ser presença misericordiosa; é sobretudo através do perdão que ativo a “faísca de misericórdia” presente em meu interior. O Espírito Santo, o “Sopro” do Ressuscitado é quem ativa esta “faísca”.

Só o amor misericordioso de Deus me reconstrói por dentro, destrava meu coração e me move em direção a horizontes maiores de busca, responsabilidade e compromisso. 

O Espírito que sopra desde a África, com a abertura da Porta Santa, me abre então a porta para palmilhar a estrada da experiência cristã, marcada pela luz da Misericórdia.



Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 20,19-23
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: É o Espírito Santo de Deus - fx 05 (2:21)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérpretes: Pe. Zezinho, scj – Participação: Ziza Fernandes – Dalva Tenório
CD: Alpendres, Varandas e Lareiras – vol.2
Gravadora:  Paulinas Comep

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