segunda-feira, 30 de maio de 2016

Leitura Orante – 10º domingo do tempo comum, 05 de junho de 2016


Leitura Orante –  10º domingo do tempo comum, 05 de junho de 2016

COMPAIXÃO: atributo divino e que nos diviniza

Ao vê-la, o Senhor foi tomado de compaixão por ela e disse-lhe:
 “Não chores!” (Lc 7,13)

Texto Bíblico: Lc 7,11-17

1 – O que diz o texto?
Jesus se aproxima de Naim. A cena não é nada simpática. Um funeral de um jovem “filho único” e uma mãe que se desfaz em lágrimas de dor e que, além disso, era viúva. Ela está passando por uma dura prova. A perda de seu filho supunha também a perda de dignidade e consideração na sociedade onde vivia, além de ter sofrido a perda de seu marido, que lhe assegurava estabilidade e respeito.

As lágrimas são como a linguagem do coração que sofre. O coração de Jesus é demasiado sensível para não deter-se diante da dor de uma mãe. É a compaixão do Pai que O faz tão sensível diante do sofrimento das pessoas.

Por isso, “ao vê-la, encheu-se de compaixão”.

Lucas, o evangelista da misericórdia, mais uma vez nos desvela, em Jesus, o rosto do Deus compassivo diante da miséria humana. A expressão ‘encheu-se de compaixão’ não consegue traduzir a força da palavra original, que evoca as entranhas, o seio maternal. Jesus deixa transparecer os sentimentos de ternura maternal e de compaixão para com aqueles que estão na miséria. Ou seja, Ele não tem como permanecer insensível a um tal sofrimento. Por isso, intervém para aliviar a miséria desta pobre mulher.


2 – O que o texto diz para mim?
O relato de hoje diz que há dois cortejos que se encontram na entrada da cidade de Naim: a multidão que segue Jesus; uma grande multidão, alegre, que se dirige para a cidade, isto é, para o lugar da vida. A outra multidão, ao contrário, sai da cidade e se dirige ao cemitério, isto é, ao lugar da morte.

No momento em que as duas multidões se encontram, Jesus se detém e mobiliza a todos a olhar com atenção para aquela triste cena: um jovem é levado para ser sepultado.

Léon Paillot escreve: À multidão alegre que segue atrás da vida, Jesus diz: “vocês não tem o direito de passar ao largo do sofrimento e da miséria humana sem parar. Eu, Deus, parei. Também meus discípulos devem parar”.

Jesus não conhece a mulher, mas se deixa impactar pela situação dela, se solidariza com ela, olha-a com atenção e a leva em consideração. Capta sua dor e solidão, e se comove até as entranhas. O abatimento daquela mulher lhe atinge o mais profundo. O pranto da viúva é o grito silencioso de uma mulher que sente não só a perda de seu filho mas também seu destino de vulnerabilidade, exclusão e desigualdade. É o pranto que denuncia o machismo e a discriminação social.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A reação de Jesus é imediata: “Não chores”. Ele não pode ver ninguém chorando. Precisa intervir.

Não pensa duas vezes; detém o enterro, aproxima-se do féretro, toca o esquife e diz ao morto: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” Esta é a palavra chave de Jesus: que o filho da viúva se levante... que retome seu caminho. Quando o jovem se ergue e começa a falar, Jesus o entrega à sua mãe para que deixe de chorar. De novo estão juntos; a mãe já não estará mais sozinha. E aquele que era levado a caminho do cemitério, regressa agora à sua casa, tomado pela mão de sua mãe. Jesus não só ressuscitou o filho; também ressuscitou a mãe. Secaram-se as lágrimas e o sorriso voltou a florescer em seus lábios.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, essa mensagem de Lucas é uma mensagem de esperança. A morte não pode ter a última palavra sobre a vida. Deus me quer viva e devo me deixar conduzir pela vida.

A estratégia de Jesus não é do tipo assistencial, mas libertador. Não ajuda passivamente à viúva, senão que lhe entrega seu filho, para que iniciem um novo caminho, ativo, comprometido, no seio da comunidade.

Em Sua mensagem e em Sua atuação profética pode-se escutar este grito de indignação: o sofrimento dos inocentes deve ser tomado a sério; não pode ser aceito como algo normal, pois é inaceitável para Deus.

A compaixão que Jesus introduz na história reclama uma maneira nova de me relacionar com o sofrimento que há no mundo. Para além de imperativos morais ou religiosos, Jesus está exigindo que a compaixão penetre mais e mais nos fundamentos da convivência humana e se torne um “estilo de vida”.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Tudo parece simples. O relato não insiste no aspecto prodigioso daquilo que Jesus acaba de fazer. Convida os seus leitores para que vejam n’Ele a revelação de Deus como Mistério de compaixão e força de Vida, capaz de salvar inclusive da morte. Jesus transgride de novo as regras excludentes daquela sociedade, devolvendo a vida e a dignidade à mulher.

A compaixão constitui, junto com a gratuidade, a coluna vertebral da mensagem e da prática de Jesus.

Jesus sempre encontra algo em seu caminho que toca seu coração. Para Ele, os caminhos da vida estão sempre cheios de surpresas, de interrogações, cheios de gente, cheios de dor e sofrimento...

O seguidor, a seguidora de Jesus deve ser alguém que, por onde vai, sabe olhar e escutar, para não passar pela vida como cego e surdo. Estar atenta, conectada continuamente nos caminhos da vida...


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 7,11-17
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Mães de Naim – fx 05 - (4:42)
Letra, música e interpretação: Pe. Antonio Maria
CD: A esperança tem voz – tempo de paz
Gravadora:  Paulinas Comep


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