terça-feira, 26 de abril de 2016

Leitura Orante – 6º domingo da Páscoa - 01 de maio de 2016


Leitura Orante –  6º domingo da Páscoa - 01 de maio de 2016

A CRIATIVA ARTE DA PACIFICAÇÃO

“Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. 
Não a dou como o mundo a dá.” (Jo 14,27)


Texto Bíblico: Jo 14,23-29


1 – O que diz o texto?
“A minha paz vos dou”. Jesus quer que seus discípulos vivam desta mesma paz que puderam ver nele, fruto de sua união íntima com o Pai e da profunda comunhão com os mais excluídos. Jesus é pacificador porque ama sem impor-se, a partir dos mais pobres; é pacificador porque não responde à violência com violência, porque é manso e puro de coração.

A paz nasce no coração daqueles que se deixam conduzir pelo mesmo Espírito de Jesus.

O ponto de partida da paz cristã é a experiência da vida como gratuidade, ou seja, como dom recebido de Deus, presente de Sua vida e Seu amor sobre a humanidade ferida por tantos conflitos. O Deus Criador só atua através da paz e pede que sejamos mananciais de paz.

Na perspectiva do Evangelho, a paz deve ser compreendida e vivida como “bem-aventurança” (paz interior), que se abre e se expressa na busca da pacificação externa.

A paz que Jesus nos comunica não se atemoriza frente à dor, nem se desaba quando aparecem situações adversas. Abraça estados de ânimo contraditórios, não se identifica com os altos e baixos das circunstâncias, transcende o imediato. É a paz que supera toda razão, porque brota das profundezas do ser humano como “beatitude original”, força expansiva de humanização e revelação do Mistério que somos. 


2 – O que o texto diz para mim?
Inspirada no modo de viver de Jesus, posso me revestir das seguintes “bem-aventuranças” como horizonte e caminho de pacificação:

- Bem-aventurados aqueles que vivem a paz como um compromisso com a verdade, e caminham pelas sendas da concórdia, do diálogo, da acolhida do diferente; 

- Bem-aventurados aqueles que chegaram a compreender que a paz e a justiça caminham de mãos dadas;

- Bem-aventurados aqueles que, inspirados na arte da pacificação de Jesus e de tantos profetas da paz, descobriram o valor da não violência e a vivem cada dia;

- Bem-aventurados aqueles cuja presença pacificadora se empenham por superar discórdias, solucionar conflitos, reconstruir relações;

- Bem-aventurados aqueles que afastam de seu coração as sementes do ódio, da ofensa, do preconceito;

- Bem-aventurados aqueles que, em seu compromisso em favor da paz, não abandonam a ternura, a proximidade, a atenção compassiva...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
A paz é um dos dons comunicado pelo Ressuscitado, e como “seres ressuscitados”, sou desafiada a uma visão mais aprofundada, pessoal e coletiva, sobre o sentido e a força mobilizadora da paz.

Há lugares em meu interior que não são visitados. Há fronteiras, há arame farpado e é por aí que devo começar a construção da paz. 

Jesus revela que a paz é um trabalho muito paciente, de artesanato. Ele era um artesão, um carpinteiro. Ele sabia que para ser mestre na arte de fazer móveis era preciso saber aplainar muito bem. A paz começa nesta arte de aplainar as arestas que há em mim; isso significa construir a paz em minha diferente dimensão: corporal, mental, afetiva, espiritual... Há divisões e conflitos em meu interior; é difícil fazer a paz entre minha razão e meu coração, entre o meu instinto e a minha afetividade... mas eu posso, pacientemente construir a paz do coração. Paz que é respiração da vida.

Da minha interioridade brota a paz que se projeta na relação com os outros, construindo oásis de acolhida.

Como seguidora do “Príncipe da Paz”, devo primar por construir “espaços de paz” e ser presença pacificadora: paz que vem do alto, que aquece meu coração, plenifica minhas relações e se expande, tal como perfume, em todas as direções. 

Paz, um bem escasso, mas um bem tão precioso que é sempre desejado, para que a vida se torne um pouco mais plena e com sentido: paz interior, paz na família, paz nas relações de trabalho, paz na ação política e paz entre os povos.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor,  meu coração humano foi feito para a paz e anseia a convivência harmoniosa com Deus, com o cosmos, com os meus semelhantes. É processo interminável. Paz é síntese de bens, é sinfonia inacabada, arte social, estado de espírito que gera a comunhão.

Paz reflete harmonia consigo, boas relações com os outros, aliança com Deus.

Há milênios esta palavra ressoa e ecoa na história dos povos. Inúmeros homens e mulheres a cultivam secretamente no coração. Todos a invocam. Muitos dão a vida, defendendo-a...

A paz autêntica contém densidade humana. É paz de consciência inocente dos justos que fazem o bem, dos profetas que se arriscam em favor dos outros. 

A paz ainda não encontrou espaço para ser a companheira de estrada em meu cotidiano. Permanece a promessa profética de que ela habitará na minha terra. Assim, o que parece sonho impossível, reina desde sempre no coração do Senhor, amante da Paz e se realizará, graças àquelas pessoas revolucionárias, que acreditam, desejam e realizam a paz.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Paz é humanidade alegre, espontânea, confiante. 

Paz requer bravura. 

Paz “solidária” que abraça os excluídos; paz “resistência” que não se acovarda; paz “audácia” que não se amedronta; paz “limpa” que não corrompe a ética; paz “profética” que encarna a justiça; paz “rebelada” que não se dobra; paz “estética” que revela a face bela da nova humanidade...

Como cristã tenho que criar politicamente outro tipo de sociedade fundada nas relações justas entre todos, com a natureza, com a Mãe Terra e com o Todo que me sustenta. Então florescerá a paz que a tradição ética definiu como “a obra de justiça”.

“Paz soa suave ao ouvido, saborosa ao paladar, macia ao tato, perfumada ao olfato, sonhadora aos olhos. “Onde está o olhar, aí está o amor”. Nosso olhar volta-se para o mundo da paz, porque aí está o nosso coração, o nosso amor” (Pe. Libânio).


Fonte: 
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 14,23-29
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne       


Sugestão:
Música: Quero ser um fazedor de paz  - fx 04 (2:16)
Autor: Pe. Zezinho, scj
Intérprete: Pe. Zezinho, scj
CD: Deus é muito mais
Gravadora: Paulinas Comep



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