quinta-feira, 14 de abril de 2016

Leitura Orante – 4º domingo da Páscoa - 17 de abril de 2016



Leitura Orante –  4º domingo da Páscoa - 17 de abril de 2016

ESSA “ESCUTA” TÃO DIFÍCIL...
 
“Minhas ovelhas ouvem minha voz, eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27)


Texto Bíblico: Jo 10,27-30


1 – O que diz o texto?
O Evangelho deste domingo nos motiva ressuscitar também nossa capacidade de escuta para estar atentos à voz d’Aquele que vive. Precisamos afastar a pedra da entrada dos ouvidos para escutar a sinfonia de vida que, continuamente, faz seu recital ao nosso redor.

O convite à escuta nos interpela com força desde os primeiros tempos bíblicos; escuta como atitude de abertura à profundidade da vida, de uma vida que tem sentido e que se abre a uma dimensão transcendente, que entra em sintonia com Aquele que escuta e se faz escutar. Escutar como atitude de fé e não como simples exercício da capacidade de ouvir. Escutar é mais que ouvir.

“Escuta, Israel… amarás”. Escutar, abrir os ouvidos… diz-se que Israel é o povo da escuta, em vez de ser o povo da visão (gregos). É verdade que no deserto não há nada para ver.

Os olhos mal se ajustam à luz… mas há cantos de areia, vozes no vento, gemidos de animais, palavras por dentro, no interior…


2 – O que o texto diz para mim?
O ser humano é o único capaz de escutar e de falar, porque é o único criado à imagem e semelhança d’Aquele que é a Palavra cheia de verdade e a escuta cheia de amor.

O povo que traz a Palavra de Deus é o povo da escuta. Portanto, o primeiro mandamento é “escutar”.

“Escuta”, ou seja, atende à Voz, acolhe a Palavra. No fundo, isto quer dizer: não te feches, não faças de tua vida um espaço isolado onde só são escutadas tuas vozes e as vozes do mundo.

Para além de tudo o que fazes e pensas, daquilo que desejas e podes, estende-se o vasto campo da manifestação de Deus; abrir-se à Sua voz, manter a atenção acesa, ser receptiva diante de sua Palavra: esse é o princípio que plenifica e dá sentido à existência.

É Deus que me ensina a calar e a fazer silêncio. Existe uma palavra que informa, educa, ensina, apazigua, alegra, reconforta e edifica, mas também há outra que confunde, obscurece, empobrece, entristece, quebra, divide...


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
É importante progredir pelo caminho do silêncio, no qual me educo na escuta autêntica, que é a única capaz de me conduzir ao puro amor. Porque o grau supremo da escuta é o silêncio cheio de amor.

Diante da voz do Bom Pastor não se trata de ser receptiva a algumas ideias, ouvir determinados conceitos, mas de escutar com o ouvido do coração, procurando captar a vida que pulsa no coração d’Ele. Saber escutar, saborear o que Ele diz, entrar em comunhão de sentimentos, deixar-me impactar pelo seu modo de ser e de viver, suas opções, suas relações com o Pai e com os outros...

E isto exige uma capacidade de escuta de mim mesma  e uma profundidade que possivelmente está  me  faltando, sobretudo se eu  estiver me  movendo na superficialidade da vida.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, a vida é a verdadeira escola para a aprendizagem da escuta. Por isso, escutar a voz do Pastor implica eu me colocar no caminho da verdadeira e autêntica humanização. Daí a insistência em ter uma atitude aberta e acolhedora de escuta.

Escutar o “mistério” entranhável e sempre livre do Pastor é o caminho para encontrar minha originalidade, meu nome, para me encontrar n’Ele, deixando-me impregnar pelo seu “modo de proceder”; só assim poderei viver como “ressuscitada”.

A escuta é o caminho da originalidade, é a condição para não se viver na inércia.
Custa-me muito ter sempre uma atitude de escuta receptiva, sobretudo em minha sociedade secularizada, globalizada, individualizada, informatizada ou tecnologizada. Tudo são aparelhos. Tudo são ruídos. Todo o mundo quer falar, expressar-se. Mas falta o interlocutor que escuta sabiamente.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
Rubem Alves, com seu fino humor, afirmou: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”.
 
Escutar é uma arte difícil; aprender a escutar exige paciência e prática; escutar requer liberar tempos e criar hábitos: tempos para escavar significados e desmontar pré-juízos; hábitos para fazer silêncio e refletir sobre o escutado. O mais difícil não é aprender algo novo, mas desaprender algo antigo. Acontece o mesmo com a atitude de escutar: o difícil não é ouvir, mas esvaziar-se o suficiente para que a palavra escutada entre, ressoe e permaneça. Escutar é uma arte que implica todos os sentidos, não só os ouvidos: pede atenção às palavras, gestos, reações, silêncios...; pede saber interpretar e ler entrelinhas; pede meditar e digerir o visto e ouvido.

Escutar com ouvidos de Deus a fim de que me seja dada a falar com a Palavra de Deus.

Prestar atenção a essa voz interior  e  assumir o sentido de minha existência.

Buscar o sentido da vida. Um verdadeiro exercício de escuta.

Escutar atentamente esse chamado do Pastor Ressuscitado que emerge de meu interior.

Perceber qual é a missão que devo assumir ao longo da existência: ser presença de vida em meio a uma realidade marcada por tantas mortes.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Jo 10,27-30
Pe. Adroaldo Palaoro, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne      

Sugestão:
Música: Silêncio  – fx12 – 3:39”
Autor e arranjo vocal:  Frei Luiz Turra
Intérpretes: Dulce Maria Scher Cemin, Ceni Maria Onzi Isopro, Tetê, Izodoro Julio Isopro, Gustavo Andre Ruffato, Marcio Barreto, Deonides Chenet Ravanello
CD: Mantras – para uma espiritualidade de comunhão
Gravadora:  Paulinas Comep




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