quarta-feira, 2 de março de 2016

Leitura Orante – 4º domingo da quaresma, 06 de março de 2016



Leitura Orante –  4º  domingo da quaresma, 06 de março de 2016

“PRINCÍPIO MISERICÓRDIA”: Amor em excesso

"Depressa, trazei a melhor roupa e vesti-o; ponde um anel em seu dedo e sandálias nos pés; trazei o bezerro cevado e matai-o; festejemos com um banquete, porque este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado." (Lc 15,22-23 )


Texto Bíblico: Lc 15,1-3.11-32


1 – O que diz o texto?
Na parábola de hoje, o pai aparece sempre como alguém que contraria as expectativas dos ouvintes, que vai contra a visão de Deus daquele que está habituado à lei do “olho por olho, dente por dente”.

Os escribas e fariseus não podiam suportar que Jesus proclamasse que Deus acolhe e perdoa incondicionalmente a todos, que tem um carinho especial, um amor de predileção pelos perdidos; um Deus que vai ao encontro dos perdidos e que transborda de alegria quando os encontra.

A parábola do Pai Misericordioso condensa toda a história de nossa salvação. Ela contém a quinta-essência do Evangelho do Reino do Pai proclamado por Jesus, a história do amor de Deus para com a humanidade. O que Jesus quis proclamar ao contá-la foi que o amor, a misericórdia, o perdão e a comunhão são oferecidas por Deus aos “perdidos”.

A misericórdia constitui a resposta de Deus à indigência do ser humano: ela recria a vida, pois, a força criativa da sua misericórdia põe em movimento os grandes dinamismos de nossa vida; debaixo do modo paralisado e petrificado de viver, existe uma possibilidade de vida nova nunca ativada.

Deus, em sua misericórdia reconstrutora,  libera em nós as melhores possibilidades, riquezas escondidas, capacidades, intuições... e nos faz descobrir em nós, nossa verdade mais profunda de pessoas amadas, únicas, sagradas, responsáveis...

A misericórdia é expansiva, ela abre um novo futuro e desata ricas possibilidades latentes em cada um. Ela não se limita ao êrro, mas impulsiona cada um a ir além de si mesmo.

   
2 – O que o texto diz para mim?
O comportamento de Jesus é uma “parábola viva” do comportamento de Deus com os pecadores.

O que escandalizava os destinatários das parábolas da Misericórdia (Lc 15) contadas por Jesus, que se consideravam justos e cumpridores exemplares da Lei, não era propriamente a conduta dos pecadores, mas a conduta do próprio Jesus com relação a eles; Ele, rosto visível da misericórdia, permite que os pecadores se aproximem dele, recebe-os de coração aberto, toma a iniciativa de ir ao encontro deles e senta-se com eles à mesma mesa.

O “princípio misericórdia”, portanto, é o núcleo do Evangelho. E a misericórdia é o “amor em excesso”. Na misericórdia, Deus sempre me surpreende, sempre excede minhas estreitas expectativas, para abrir caminho a partir de minhas fragilidades. Só o amor misericordioso de Deus me reconstrói por dentro, destravando-me, colocando-me em movimento e abrindo-me em direção a um horizonte de sentido, de responsabilidade e compromisso.

A misericórdia é a parábola da minha vida, da minha história,  dos meus caminhos.

Ela é, enfim, a parábola da minha origem e do meu destino.


3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Longe de uma imagem de um Deus severo, com a lei na mão pronto para me acusar, Jesus me revela o rosto de Deus Pai-Mãe de infinita ternura, que se alegra com o retorno de seus filhos à convivência em sua casa. De fato, no Evangelho de hoje, a volta do filho perdido provoca uma “explosão de alegria” no Pai. Sua alegria era tão intensa que ele não poderia esperar para dar início à comemoração.

A expressão “depressa” com a qual o pai exorta seus criados denota que o serviço deve ser executado sem demora, pois o filho não pode ficar por mais tempo privado de sua dignidade.

As ordens aos empregados são dadas em voz alta para que todos fiquem sabendo da festa, para que a sua alegria seja conhecida e partilhada por todos.

Ele convida todos a comer, beber e dançar. Uma grande festa tem início, mas não tem fim.


4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus?
Senhor, tão fortemente o pai deseja dar vida a seu filho mais novo que parece quase impaciente. Nada é suficientemente bom. O melhor precisa lhe ser dado.

Ele ordena que o filho seja imediatamente vestido com a túnica luxuosa, como a que é usada nos dias de festa pelos hóspedes ilustres. O filho recupera sua identidade e sua dignidade de filho. O pai lhe dá o anel para honrá-lo como seu filho amado e novamente devolver-lhe a condição de herdeiro e a plenitude de seus direitos. Com as sandálias, é devolvida ao filho a condição do homem livre e de senhor da casa.

Mas o Pai não ama só o filho perdido e reencontrado. Ele ama também aquele que ficou em casa, a seu lado, e que deixou seu coração endurecer. Ele vai ao seu encontro, vai para pedir que participe da alegria do reencontro e da festa. Não o deixa na sua solidão e na sua rejeição. Não acusa seu pecado.

O Pai vai procurar também aqueles que tem um coração de pedra, invejosos e legalistas. O fato miraculoso não está só em que o pai não renegou o filho mais moço, e sim que tenha sido compreensivo com um homem tão duro, frio e rígido como o filho mais velho, e que continua a chamá-lo de “filho”.

Deus não só tem um coração que ama. Isso já é extraordinário.
Mas também tem entranhas, uma ternura que se comove. Isso é avassalador.


5 – O que a Palavra me leva a viver?
A misericórdia não é só a mais divina mas também a mais humana das virtudes. É aquela que melhor revela a natureza do Deus Pai e Mãe de infinita bondade. É a que revela igualmente o lado mais luminoso da natureza humana; nesse sentido, a misericórdia é a que mais humaniza as relações entre as pessoas.

Por isso, Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da misericórdia do Pai: “Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc. 6,36)

Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.

Justamente por ser o Evangelho condensado, esta parábola deve ser incessantemente ouvida e contemplada por mim. E depois de contemplada e experimentada, devo contá-la, proclamá-la e testemunhá-la, sempre de novo, a todos os homens e mulheres que Deus ama.


Fonte:
Bíblia Novo Testamento – Paulinas:  Lc 15,1-3.11-32
Pe. Adroaldo, sj – reflexão do Evangelho
Desenho: Osmar Koxne 

Sugestão:
Música: A  festa da misericórdia Lc 15,11-32  - fx 01 - 04’38” - Autor: Mario Celli/Ir. M. Luiza Ricciardi, fsp – Intérprete: Emmanuel – Cd: O fascínio das parábolas do Reino – Gravadora Comep  



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